terça-feira, 30 de junho de 2015

PHDA e outros transtornos de aprendizagem

Pais e professores sabem o quanto é difícil lidar com crianças que não se concentram, são agitadas e muitas vezes impulsivas. Crianças com estas características muitas vezes são rotuladas, porém, devemos saber se elas são muito agitadas, extremamente “levadas” sem limites, ou se possuem PHDA (Perturbação de Hiperatividade e Déficit de Atenção). No Brasil esta perturbação é designada por TDAH (Transtorno de Défice de Atenção e Hipertividade).
Para crianças com PHDA, concentrar-se é algo difícil. Distraem-se com facilidade, não se lembram de suas obrigações, perdem e esquecem objetos com frequência, têm dificuldades em seguir instruções e se organizarem, falam de maneira excessiva a ponto de não serem capazes de esperar a sua vez, o que as leva a responderem perguntas antes mesmo delas serem concluídas. Encontram dificuldades no desempenho escolar em decorrente do impacto destes sintomas. 
No vídeo infra são sinalizados outros sintomas que podem ajudar pais, professores, educadores e outras pessoas a detetarem os sintomas do PHDA. Adverte-se, no entanto, mesmo que estes sintomas sejam indicadores favoráveis à referida perturbação, é imprescindível que seja realizado um bom diagnóstico feito por um profissional habilitado.


Socorro Bernardes - Psicopedagoga, Psicanalista Clínica, Palestrante, Bacharel em Administração de Empresas, Professora do município de Juazeiro-BA na área de Atendimento Educacional Especializado, Escritora/poetisa com livro publicado pela Editora Baraúna e CBJE.

Novo Nº da Revista Portuguesa de Educação



V. 28, N. 1 (2015)

SUMÁRIO
EDITORIAL
Editorial PDF PDF
Maria Alfredo Moreira, Maria José Casa-Nova 3-8





ARTIGOS
Sonorona o el rizoma de la cultura digital. Um estudio de caso (PDF)  9-33
Mónica María López Gil, Félix Angulo Rasco

Novas tecnologias, riscos e oportunidades na perspetiva das crianças (PDF)  35-57
Ana Francisca Monteiro, António José Osório

Estratégias e modelos de avaliação utilizados pelos Centros de Recursos TIC no aconselhamento de produtos de apoio para alunos com Necessidades Educativas Especiais (PDF) 59-93
Simone da Fonte Ferreira, Ana Margarida Almeida

Jogo e protagonismo da criança na educação infantil (PDF) 95-116
Lívia Carvalho de Assis, André da Silva Mello, Amarílio Ferreira Neto, Wagner dos Santos, Omar Schneider

Escalas representadas em gráficos: Um estudo de intervenção com alunos do 5º ano PDF 117-138
Maria Betânia Evangelista, Gilda Lisbôa Guimarães

Manuais escolares de Ciências Naturais de 8º ano em Portugal e estrutura conceptual do PISA 2006 (PDF) 139-169
Maria P. Lobo Antunes, Cecília Galvão

Feedback na prática letiva: Uma oficina de formação de professores (PDF) 171-199
Jesuína Fonseca, Carolina Carvalho, Joseph Conboy, Helena Salema, Maria Odete Valente, Ana Paula Gama, Edite Fiúza

Variáveis pessoais e socioculturais de diferenciação das expectativas académicas: Estudo com alunos do Ensino Superior do Norte de Portugal e Galiza (PDF) 201-220
Alexandra M. Araújo, Leandro S. Almeida, Alexandra R. Costa, Sonia Alfonso, Ángeles Conde, Manuel Deaño

A Revista Portuguesa de Educação (ISSN 0871-9187) é uma publicação semestral do Centro de Investigação em Educação do Instituto de Educação da Universidade do Minho.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

"Os professores estão abandonados"

"A educação é o elo que nos vincula ao homem e a seus bens simbólicos." 

Fernando Savater


O desenvolvimento humano de uma sociedade pode ser medido por meio de dois fatores: o tratamento dispensado aos prisioneiros e aquele dado aos professores, em especial aos do ensino fundamental. É o que defende o professor de ética da Faculdade de Filosofia da Universidade de Madri, Fernando Savater. O filósofo espanhol escolheu a segunda vertente, a educação, para dedicar a sua reflexão, e tenta fazê-lo de maneira inovadora: não só busca distinguir causas e efeitos da atual crise educacional em todos os âmbitos sociais, como também indica novas vias para superá-la e conclama políticos, professores e, sobretudo, os próprios jovens a discutir e participar plenamente dessa reflexão. 
Dessa forma, acredita, cada um poderá oferecer sua contribuição, a partir do papel que desempenha no processo educativo. Em livros como Desperta e Lê (Martins Fontes), O Valor de Educar, Ética para meu Filho e Política para meu Filho (os três editados pela Planeta Brasil), Savater se dirige diretamente aos protagonistas da educação, com eles compartilhando perplexidades e esperanças. À cátedra, Savater agora acrescentou o palanque - tarefa que consome a maior parte do seu tempo - na lida para a formação do Partido União, Progresso e Democracia. A política, aliás, é um de seus temas prediletos, que utiliza para uma redefinição dos valores da democracia contemporânea em termos de pluralismo e tolerância, principalmente diante dos desafios que a imigração, clandestina ou não, apresenta hoje aos europeus em geral. 
Em entrevista à Revista Educação, Savater, apresenta aquelas que considera as principais dificuldades da arte de educar:

O senhor afirma que a verdadeira educação não consiste somente em ensinar a pensar, mas "em aprender a pensar sobre aquilo que se pensa". O que isso significa?
Fernando Savater: Creio que a educação tenha certamente de transmitir conhecimentos, conhecimentos reais, não basta somente aprimorar habilidades. Porém, por outro lado, devido ao fato de os conhecimentos atuais mudarem muito, se ampliarem, hoje o importante é ter uma disposição capaz de refletir sobre a informação. Antigamente, a educação buscava informar, porque não havia outras fontes de informação. As crianças necessitavam ser informadas por meio de notícias, dos fatos do mundo, da ciência. Mas, hoje, recebemos informações a partir de muitos canais, como a internet e a televisão. Por isso, o importante é ensinar a capacidade de refletir e organizar. Refletir sobre essas informações e descartar as menos válidas, ter uma mente capaz de ordenar o que se sabe, e não uma mente simplesmente cheia de dados e de notícias.

O senhor define a educação como a revelação do outro. Em que sentido?
Fernando Savater: Por meio da educação, nós descobrimos as nossas capacidades. A educação tem uma dimensão de transmissão de conhecimentos e de capacidades. Mas há também um descobrimento dessa dimensão social, dessa dimensão simbólica que nos une aos demais. A criança está acostumada a viver em um mundo familiar, em um mundo um pouco privado, separado dos outros. Por meio da educação, ela conhecerá os vínculos capazes de uni-la aos outros cidadãos, aos outros países, ao mundo. E esse mundo simbólico no qual os homens vivem se descobre por meio da educação.

Na sua análise da sociedade contemporânea, o senhor identifica um eclipse da família, pois os pais não querem ser pais e incumbem o Estado dessa tarefa, o que obriga o Estado a ser ainda mais paternalista. Também os pais devem ser educados para se tornar pais?
Fernando Savater: Não é uma questão fácil, por isso acredito que devemos tentar educar os filhos, porque educar os pais é impossível. Os pais conscientes e reflexivos já estão grandes para educar a si mesmos, para pensar na educação dos filhos. Os pais conscientes tentarão formar-se, ler, acudir os filhos, acompanhá-los na vida escolar. Mas isso é um ato voluntário, não podem ser obrigados a fazê-lo. O importante é formar as crianças, para ter melhores pais e melhores cidadãos no futuro.

Em O valor de educar, o senhor afirma que a escola atual enfrenta uma dupla missão: suprir as carências na formação básica da consciência social e moral das crianças e competir com a socialização hipnótica e acrítica da televisão. Não é uma tarefa grande demais para uma escola que, ao menos no Brasil, muitas vezes não consegue nem mesmo alfabetizar?
Fernando Savater: Certamente é uma missão árdua, mas será que temos outra alternativa? Temos de cumprir essa missão. Há países, como o Brasil, que não têm recursos, porque a boa educação é uma educação cara. Mas é possível renunciar a educar os jovens e as crianças?
Se a boa educação é cara, a má educação é ainda mais cara. Por isso, é vital convencer a sociedade da importância da educação. A educação exige um desembolso econômico considerável, exige uma boa preparação dos professores, exige todo um compromisso social. Não temos nenhuma alternativa. Dizer que as coisas são difíceis quando não temos mais remédios para fazê-las não é a solução.

O senhor define a pedagogia mais como uma arte do que como uma ciência, que necessita mais da intuição e da capacidade de seduzir do que de seus conhecimentos científicos. Diante das desastrosas condições de trabalho, não se pede muito aos professores?
Fernando Savater: Sim, creio que esse seja um problema em quase todos os países. Exige-se muito dos professores, mas eles não são retribuídos. Além disso, eles recebem uma preparação deficiente, sobretudo os do ensino fundamental, que são os mais importantes, porque, se não cumprem bem seu trabalho, não se pode educar. Os professores, praticamente em quase todos os países, estão um pouco abandonados pela sociedade. A sociedade não lhes dá ouvidos. Quando há um momento de participação social através dos meios de comunicação, os docentes não são ouvidos. Eu creio que seja verdade que eles são muito exigidos. Agora, por exemplo, pede-se que os professores resolvam os problemas de intolerância, de xenofobia, porém não lhes são dados os meios para fazer isso.

Em sua última visita a Roma o senhor falou sobre a intolerância. Na Itália, por exemplo, em algumas salas de aula há mais estudantes estrangeiros que italianos - o que representa um desafio para o sistema escolar. Como se educa para a tolerância?
Fernando Savater: Não há um método único. A tolerância tem de ser um princípio das sociedades pluralistas e temos de ensinar a conviver com aquilo de que não gostamos. Tolerar não é considerar que tudo é igual, que tudo é bom, que tem de se entusiasmar com tudo o que os outros fazem ou pensam. Pelo contrário. Tolerar é saber que em uma sociedade plural, aberta, sempre temos de conviver com coisas de que não gostamos totalmente ou de que gostamos muito pouco. Em nome dessa convivência plural, temos de tolerar; naturalmente, sempre dentro dos parâmetros da lei, dentro daquilo que é admissível, porque existem coisas intoleráveis, como a violência, a exploração. Dentro daquilo que é aceitável, jurídica e humanamente falando, existe uma grande diversidade de opções religiosas, eróticas, culturais, e temos de nos conscientizar de que temos de conviver com coisas das quais não gostamos.

No caso específico da sala de aula, o fenómeno migratório requer adaptações para incluir essas crianças, inclusive em termos de didática. A escola europeia em geral, e aquela espanhola em particular, está pronta para esse desafio?
Fernando Savater: Isso varia muito de país a país, pois a realidade europeia é multiforme. Infelizmente, a Espanha é um dos países que menos investe em educação, que menos investe em cada aluno. Temos uma escola pública bem deficiente. Existem alguns paradoxos, pois a escola privada funciona bem, mas recebe fundos públicos, e é muito difícil que aceitem alunos vindos de outros países, com problemas linguísticos ou com problemas de outros tipos. Assim, a escola pública fica sobrecarregada, inchada com todos esses casos especiais, para os quais não tem formação suficiente, preparação suficiente, o que se torna um problema.

O senhor é um dos poucos filósofos que se ocupa da filosofia da educação. Por que esse desinteresse por uma temática tão crucial?
Fernando Savater: Eu, francamente, nunca consegui entender essa atitude por parte dos filósofos. A filosofia sempre se ocupou de educação. Platão, na República, já insistia nesse tema. Na época moderna houve grandes filósofos que trataram dessa temática, como Locke e Rousseau. Mas, não sei por que motivo, nos últimos 50 anos se torna cada vez mais difícil encontrar pessoas interessadas no assunto, justamente numa época em que a educação se tornou um tema particularmente importante.

Entrevista concedida por Fernando Savater à Revista Educação em 2011, mas sempre atual, onde pode ser lida na íntegra.

sábado, 27 de junho de 2015

PECS - Picture Exchage Communcation System


Achei de tal forma  exagerado o valor de 250 Euros para inscrição num workshop de 13 horas, que de forma consciente ou inconsciente (não sei) até me esqueci de divulgar atempadamente. De qualquer forma, deixo aqui alguma informação pertinente para possíveis interessados em futuras formações, bem como conhecer um pouco desta abordagem da Pyramid à educação e o respetivo Sistema de Comunicação por Troca de Imagens - Picture Exchange Communication System (PECS).
A Pyramid Educational Consultants, Inc. foi criada em 1992 por Andy Bondy, Ph.D., e Lori Frost, M.S., CCC-SLP com uma abordagem única ao ensino das competências comunicativas a crianças e adultos com Autismo e outras perturbações do desenvolvimento. Somos conhecidos internacionalmente por oferecer formações dinâmicas e serviços de consultadoria, tanto no domicílio como em escolas, que combinam o largo espectro da Análise Comportamental Aplicada com uma abordagem inovadora da comunicação funcional.
A Pyramid Educational Consultants Portugal, Lda é a única instituição autorizada a fornecer formação, consultadoria e certificação no Picture Exchange Communication System® (PECS®) e na Pyramid Approach to Education® em Portugal, ambos marcas registadas da Pyramid Educational Consultants, Inc.

Picture Exchange Communication System
O PECS é usado para ensinar rapidamente competências comunicativas a quem tem um discurso funcional limitado. O PECS promove a comunicação num contexto social, sem exigir muitos pré-requisitos. O treino em PECS começa por ensinar a fazer pedidos espontâneos e progride para o ensino de funções comunicativas adicionais tais como responder a questões e fazer comentários. Um benefício adicional para as crianças em idade pré-escolar com Autismo e outras Perturbações do Desenvolvimento é a elevada proporção que adquire a fala.
Os formandos, no final do workshop, ficarão capazes de implementar o PECS com indivíduos com Autismo e outras Perturbações do Desenvolvimento e/ou limitadas competências comunicativas. Este workshop de 2 dias é o treino básico em PECS e é recomendado para familiares bem como para profissionais. O PECS pode ser implementado em crianças e adultos, sendo este workshop adequado para pessoas que trabalhem em todos os contextos. Aprender PECS não é complicado – mas aprender a fazê-lo corretamente é importante e pode abrir todo um novo mundo de comunicação.

Para conhecer mais sobre PECS.

Lançamento do primeiro livro sobre processamento auditivo em Portugal

Cristiane Nunes autora do primeiro livro da área em Portugal. 

Distúrbio atinge 5% das crianças, tendo consequências no sucesso académico, na socialização e, em alguns casos, na gaguez e dislexia, diz Cristiane Nunes, do CIEC.

A perturbação de processamento auditivo (PPA) atinge 5% das crianças portuguesas, tendo consequências no sucesso académico, na socialização, na realização das tarefas do dia-a-dia e, em alguns casos, na gaguez e na dislexia. O Serviço Nacional de Saúde ainda não financia os exames e o tratamento deste distúrbio, caracterizado pela incapacidade em interpretar sons. A área de estudo chegou a Portugal em 2008 através da fonoaudióloga Cristiane Nunes, que acaba de publicar o primeiro livro dedicado ao tema no país. A obra é baseada no doutoramento feito no Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC) da UMinho.

Esta publicação vem preencher uma lacuna científica e literária existente num país onde “nem sequer existiam testes de avaliação e profissionais a trabalharem na área”. A tese de doutoramento começou pela elaboração de testes padronizados para a população portuguesa, recorrendo a uma amostra de 60 crianças dos 10 aos 13 anos – a base de dados contém hoje mais de 500 pacientes. A seleção dos participantes foi “demorada”, principalmente devido à confusão generalizada entre PPA e surdez. A investigadora Cristiane Nunes realça a diferença: “Enquanto uma pessoa surda nem sempre consegue detetar os sons, a que tem PPA apresenta dificuldade em interpretar o que ouviu e perceber mudanças acústicas rápidas. Além disso, costuma demorar mais tempo para processar a informação que passa pelo nervo auditivo”.

Hein? Pode repetir?

Os resultados obtidos a partir dos testes padrão desenvolvidos no CIEC mostram que as crianças com problemas de audição apresentam maior dificuldade no desempenho escolar, na comunicação, na leitura, na escrita e na articulação. Mais especificamente, 83% dos participantes com baixo desempenho nos testes de PPA tinham notas inferiores aos restantes colegas. “Alguns não conseguiram repetir, por exemplo, um conjunto de números depois de os ter ouvido ou distinguir entre sons curtos, longos, agudos e graves. Isso tem implicações na leitura, escrita, fala e na forma como a informação é interpretada”, afirma.

Os sintomas associados variam em função da idade e da intensidade da perturbação. Em crianças com menos de 5 anos, verifica-se um atraso na aquisição da fala e, especialmente, dos sons “r” e “l”. Daí trocarem muitas vezes “prato” por “plato”, por exemplo. A partir dos 7 anos, recorrem a expressões como hein? e quê?, são mais distraídos e não percebem de imediato o que dizem o professor e os colegas em contexto de trabalho de grupo. Sem tratamento, o problema arrasta-se para a vida adulta, tendo repercussões no sucesso profissional, social e amoroso. 

Consultas resolvem quase todos os casos

Os diagnósticos podem ser obtidos a partir dos 6 anos. A quase totalidade das crianças normaliza após a realização de exercícios e técnicas que estimulam a formação de novas conexões no nervo auditivo. O segredo está no tratamento precoce da perturbação, diz a especialista, que no seu livro recomenda o envolvimento dos educadores no processo de deteção. “Há testes do CIEC capazes de detetar os casos mais graves. Se fossem aplicados no início do 1º ciclo, poder-se-ia eliminar pelo menos metade das ocorrências. O objetivo é identificar os alunos mais afetados e reencaminhá-los para um audiologista ou terapeuta da fala”, realça. O tratamento personalizado pode, por exemplo, ajudar em caso de gaguez e atraso na linguagem, além de munir as crianças disléxicas de estratégias para melhorar a sua leitura e escrita. 

A PPA é discutida desde a década de 1950 nos EUA e, pelo menos, desde 1980 no Brasil. Por cá, o tema é pouco abordado. “O Estado não comparticipa os exames e o tratamento, serviços que também só estão disponíveis em cinco ou dez locais. Ainda há um longo caminho a fazer”, reforça. “É preciso sensibilizar os pais, os educadores, os psicólogos e a sociedade civil para a gravidade desta perturbação na vida das pessoas afetadas”, conclui.

Tecnologias digitais, inovação educativa e empreendedorismo

CIEd - Teses de Doutoramento em Educação / PhD Theses in Education:

      Titulo: Tecnologias digitais e práticas comunicativas multiliterácitas e multimodais: um caminho para a inovação educativa
    Autores:  Ramos, Altina
             Faria, Paulo
         ID:  http://hdl.handle.net/1822/35784

      Titulo: Tecnologias de informação e comunicação e empreendedorismo: os novos paradigmas e aprendizagens de jovens empreendedores e as suas inovações tecnológicas
    Autores:  Silva, Bento Duarte da
             Souza, Karine Pinheiro de
         ID:  http://hdl.handle.net/1822/35748

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Educação Especial - Tese de doutoramento

BUM - Tese de Doutoramento: Especialidade em Educação Especial

      Titulo: Avaliação diferencial e intervenção no espectro do autismo: a complementaridade de pais e profissionais
    Autores:  Pereira, Ana Paula da Silva
             Almeida, Leandro S.
             Reis, Helena Isabel da Silva 
         ID:  http://hdl.handle.net/1822/35607
2014
Resumo: As perturbações do espectro do autismo (PEA) são caracterizadas por uma tríade de dificuldades ao nível da interação, comunicação e interesses reduzidos mas nos últimos anos, a investigação também tem dado particular relevância às alterações do Processamento Sensorial nestas crianças, referindo que entre 42% a 96% das crianças com PEA apresentam este tipo de disfunção. É neste contexto que se insere a presente investigação onde se pretende construir um instrumento que avalie a tradicional tríade que caracteriza as crianças com PEA (Interação, Comunicação e Comportamento e Interesses), enriquecendo essa avaliação com a inclusão de um novo domínio: o Processamento Sensorial. Dada a exiguidade de instrumentos de avaliação validados para esta população, o objetivo geral da tese centra-se na construção, adaptação e validação de um instrumento de avaliação e intervenção para crianças com PEA na faixa etária 3-6 anos. Apresentam-se os procedimentos e os resultados das sucessivas fases de construção do instrumento, os estudos iniciais junto de pais, profissionais e especialistas no sentido da compreensão dos itens e da sua relevância na avaliação das diversas dimensões da escala. Depois desta fase, apresenta-se o estudo piloto realizado com onze famílias para identificação dos níveis de acordo verificados na classificação dos diversos itens (indicadores) nas várias dimensões por parte de profissionais com experiência profissional de vários anos junto de crianças com PEA e descrevem-se os resultados obtidos numa análise de cariz quantitativa dos itens, resultante da aplicação de uma primeira versão da escala. Procurando identificar o maior número possível de crianças com PEA a nível nacional, estende-se o pedido de colaboração às diversas instituições distribuídas pelas cinco zonas geográficas do país (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve). Obteve-se uma amostra nacional de 260 crianças com PEA; 260 escalas preenchidas pelos profissionais que acompanham estas crianças e 136 instrumentos preenchidos simultaneamente pelas famílias. Em termos de conclusões, a análise efetuada aos quatro fatores ou dimensões em análise, mostrou que alguns itens se encontravam distribuídos com saturações aproximadas em dois fatores em simultâneo (por norma nos fatores I e II) surgindo a ―fusão‖ entre a ―Interação Social‖ e a ―Comunicação verbal e não verbal‖, inicialmente consideradas dois domínios independentes nesta investigação e que se apresenta como um resultado interessante à luz da investigação atual nas PEA. Este resultado permitiu anexar itens pertencentes aos dois domínios iniciais e propôs uma ―nova‖ dimensão que designamos de ―Comunicação Social‖, tal como preconizado nos novos critérios de diagnóstico constantes do DSM 5. Ainda relativamente à construção da escala, os resultados reforçam a relevância e existência autónoma do domínio Processamento Sensorial, incluído na escala, face aos domínios tradicionais (interação social, comunicação, comportamento e interesses reduzidos). A análise da concordância entre o perfil de avaliação da criança com PEA na faixa etária 3-6 anos avaliado pelos pais e pelos profissionais nas três dimensões, revela que existem divergências nas avaliações feitas à criança por parte dos pais e dos profissionais sendo as melhores pontuações atribuídas pelas famílias, sobretudo, no domínio da ―Comunicação Social‖. Destaca-se ainda a influencia das variáveis nível socioeconómico e habilitações académicas dos pais na definição do perfil de avaliação da criança com PEA, na faixa etária 3-6 anos. Os resultados desta análise demonstram que, com a maior escolaridade dos pais, aumenta a sua divergência face às avaliações dos profissionais e que o nível socioeconómico dos pais influencia as oportunidades de desenvolvimento da criança com PEA, face aos resultados de avaliação mais positivos das crianças cujo nível socioeconómico dos pais é mais elevado.

domingo, 14 de junho de 2015

A Ciência existe na Educação Pré-Escolar?


Neste livro apresentam-se os resultados de um estudo nacional em que se identificam as características de uma “sala amiga das ciências” e mostram-se boas práticas de promoção da literacia científica, apresentadas na forma de relatos de práticas. O estudo encontra-se disponível para download em baixo. 

Ficam algumas interpelações que estiveram em debate na apresentação do supramencionado estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos em outubro de 2014 no Instituto Camões, sobre as quais devemos continuar a refletir para encontrar respostas adequadas aos contextos e que permitam melhorar as práticas neste nível de ensino.

- A Ciência existe na educação pré-escolar, dos 3 aos 5 anos, em Portugal? 
- Quais são os conhecimentos, atitudes e competências valorizados na promoção da desejável literacia científica de crianças antes da idade escolar? 
- Serão as nossas salas dos jardins de infância “amigas das ciências”? 

A Ciência na Educação Pré-Escolar  (pdf)

Criar, Comunicar, Participar... o papel da escola na transmissão dos valores universais - um contributo para o diálogo intergeracional


Do Prefácio 

(...) Os idosos deverão ser tidos como uma mais valia das nossas sociedades. O seu saber acumulado ao longo de toda a vida, as suas experiências, com todos os fracassos e sucessos que elas contêm, as suas advertências, as suas reflexões, as suas perspetivas sobre a vida devem constantemente ser tidas em consideração. As suas memórias são repositórios de vivências que não devem ser esquecidas (...). Uma sociedade sem memória é uma sociedade perdida por falta de raízes. Temos o dever de respeitar e valorizar todos aqueles que contribuíram, à sua maneira, para o desenvolvimento das nossas sociedades e cujo legado foi deixado às gerações mais novas. Temos o dever de continuar a inseri-los nos nossos projetos, individuais, familiares e sociais e fazê-los sentir parte ativa e participante do nosso desenvolvimento.

A educação, enquanto processo de formação, deve ser o motor principal desta mudança, quer no âmbito da educação para a cidadania quer no quadro da formação de profissionais, nos mais diversos domínios. (...) Numa Europa cuja tendência demográfica é para um progressivo envelhecimento, esta revalorização dos idosos como uma mais valia comum tornou-se um imperativo. Foi exatamente partindo de um leque de experiências em projetos europeus que a autora apresenta um conjunto de fundamentos interdisciplinares e de propostas de intervenção nesta matéria (...).

George Camacho

Acrescento algumas notas para a reflexão e discussão:

Em educação, particularmente no que concerne ao papel das escolas, a Formação Cívica, ou a Educação para a Cidadania, são áreas totalmente desprotegidas pela atual tutela. A crescente desvalorização das mesmas conduziu à recente extinção destas áreas do currículo dos alunos, remetendo-as para um plano transversal. No entanto, ninguém sabe qual é o seu papel no âmbito disciplinar, não há conteúdos, não há indicadores de referência... onde, como, quem, quando, de que forma? Os professores andam mais preocupados com o cumprimento dos programas e das metas que são às centenas, como preocupar-se ainda com a formação cívica e moral dos alunos? Em abono da verdade, e em boa parte têm alguma razão, isto de educar os meninos, de transmitir-lhes valores, é mais da competência da família. É habitual ouvirmos na sala de professores, nas reuniões, e em tantos outros espaços... "a educação vem de casa"... mas sabemos que as coisas não são assim tão lineares. E os que não têm bons modelos em casa, esses não merecem que a escola faça alguma coisa por eles?

Em pleno século XXI, o relativismo dos valores é um assunto muito sério, uma realidade bem atuante. É preciso ser trazido para o debate em matéria de educação. É preciso debater o problema e assumir o papel da educação na transmissão de valores. Instruir, ensinar valores e incutir nas gerações mais novas um profundo respeito pelos direitos da humanidade, não os ridicularizando ao ponto de lhes roubar a essência e a dignidade do ser pessoa que levou tantos séculos a conquistar e à custa de muitas vidas chacinadas… O valores têm que ser ensinados, uma vez que não os trazemos no código genético. Não podemos esperar que os alunos os descubram por si próprios. Esta tarefa, embora seja mais da competência familiar, a escola tem também neste campo, um papel complementar e muitas vezes crucial a desempenhar na formação integral dos alunos.

O que me preocupa no meio dos "braços de ferro" entre teóricos, as pseudo-teorias relativistas e do «destrambelhado edifício do sistema educativo» (Urbano, 2006), é que há crianças para educar, que são apanhados nesta confusão, ora por uma pseudo-pedagogia, ora por outra... e quais são as que se salvam... é como sempre foi, salvam-se as que são de condições sociais e culturais médias e superiores e algumas, poucas, de condições inferiores, que têm pais excepcionais. As outras, infelizmente, continuam a perder-se nos caminhos sinuosos do sistema. A escola, infelizmente, reproduz e consolida as clivagens sociais. Vejamos:

Numa leitura atenta a alguns documentos curriculares que nos orientaram dos quais destaco aqui a Lei de Bases do Sistema Eduativo (LBSE) no seu artº 2, nº 4 apela para o «desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos incentivando a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários e valorizando a dimensão humana do trabalho». Mas logo de seguida, no mesmo artigo, nº 3 alínea a) pode ler-se «O estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas».

Que ideias são aqui repassadas? (1) todos os valores são relativos, construídos, subjectivos, equivalentes; (2) os alunos possuem capacidade de auto-orientação no plano axiológico; (3) a escola não pode impor valores particulares, deve respeitar a liberdade de escolha. (Cf. LBSE-Lei 49/2005).

Levanta-se de imediato uma interpelação: se o estado se demite de apresentar um referencial de valores, a quem cabe essa tarefa? À escola? À família? Ou a ambas? Caberá à escola definir esses valores que considera (com valor) como metas educacionais do seu Projecto educativo?

Estão aqui subjacentes uma série de ideais falaciosas que é preciso trazer à discussão pública, porque o que está em causa é a educação dos nossos alunos, dos nossos filhos... e, consequentemente, o seu futuro, o futura da nação.

sábado, 13 de junho de 2015

Da Educação Inclusiva: 11 obras gratuitas

Aqui ficam 11 obras gratuitas disponíveis para download a quem se interessar sobre estas temáticas.



  • “O PROFESSOR E A EDUCAÇÃO INCLUSIVA: FORMAÇÃO, PRÁTICAS E LUGARES” – MIRANDA, T. G.; GALVÃO FILHO, T. A. (Org.).

  • “PESQUISA NACIONAL DE TECNOLOGIA ASSISTIVA” –  GALVÃO FILHO, T. A., GARCIA, J. C. D.

  • “AS TECNOLOGIAS NAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS” – GIROTO, C. R. M.; POKER, R. B.; OMOTE, S.. (Org.).

  • “EDUCAÇÃO INCLUSIVA, DEFICIÊNCIA E CONTEXTO SOCIAL: QUESTÕES CONTEMPORÂNEAS” – GALVÃO, N. C. S. S.; MIRANDA, T. G.; BORDAS, M. A.; DIAZ, F (Org.).

  • “ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR” – PIMENTEL, S. C. (Org.).

  • “TECNOLOGIA ASSISTIVA” – COMITÊ DE AJUDAS TÉCNICAS/SDH/PR.

  • “TECNOLOGIA ASSISTIVA PARA UMA ESCOLA INCLUSIVA: APROPRIAÇÃO, DEMANDAS E PERSPECTIVAS” – GALVÃO FILHO, T. A.

  • “TECNOLOGÍA ASISTIVA EN ENTORNO INFORMÁTICO: RECURSOS PARA LA AUTONOMÍA E INCLUSIÓN SOCIOINFORMÁTICA DE LA PERSONA CON DISCAPACIDAD” – GALVÃO FILHO, T. A.; DAMASCENO, L. L.

  • “TECNOLOGIA ASSISTIVA NAS ESCOLAS: RECURSOS BÁSICOS DE ACESSIBILIDADE SÓCIO-DIGITAL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA” – Instituto de Tecnologia Social – ITS BRASIL (Org.).

  • “INCLUSÃO DIGITAL E SOCIAL DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA” – GALVÃO FILHO, T. A.; HAZARD, D.; REZENDE, A. L. A.

  • “AMBIENTES COMPUTACIONAIS E TELEMÁTICOS NO DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS PEDAGÓGICOS COM ALUNOS COM PARALISIA CEREBRAL” – GALVÃO FILHO, T. A.
    Retirado de Canal do Ensino

    terça-feira, 9 de junho de 2015

    Investigação Qualitativa: Inovação, Dilemas e Desafios

    Dois volumes para os interessados nas temáticas da Investigação Qualitativa e que poderão ser muito úteis no desenho e na fundamentação de um projecto de pesquisa. Podem ser adquiridos na Editora Ludomédia.

    Dado o carácter transversal e pluridisciplinar da Investigação Qualitativa, pretende-se que este livro mantenha uma abrangência multifacetada. Muitos dos  desafios  iniciais,  ou  desde  que compreendemos a investigação científica moderna na vertente qualitativa, foram e são enfrentados  com inovações  teóricas, técnicas  e  ultimamente com maior ênfase nas soluções tecnológicas.Quando se falava há algumas décadas em investigação qualitativa, em geral pensava-se em dados textuais vindos de entrevistas ou notas de campo, documentos e pouco mais. No entanto, com o surgimento e crescimento das tecnologias da informação e comunicação, temos hoje uma enorme fonte dados multimédia, na forma de vídeo, de áudio, de imagem e inúmeros padrões de interação online que anteriormente não existiam. Estas novas fontes de dados reforçam velhos dilemas, mas despertam novos desafios.

    O livro Investigação Qualitativa: Inovação, Dilemas e Desafios  surgiu da convergência de saberes dos oradores convidados e de elementos da  comissão  organizadora  do  2º  Congresso  Luso-Brasileiro em Investigação Qualitativa (CLBIQ2013) que decorreu nos dias 16, 17 e 18 de julho de 2013, no Departamento de Educação da Universidade de Aveiro, em Portugal. Tal como a ideia promissora do evento, este livro  visa  promover  a  reflexão  em  torno  de conhecimentos,  novas perspetivas,  experiências  e inovações  no  domínio  da  Investigação Qualitativa no quadro das diversas ciências humanas e sociais. Após  este  pequeno  enquadramento,  o  livro  está  dividido em cinco capítulos. 

    O  primeiro  capítuloCírculo  Hermenêutico  Dialético  como Carro-Chefe da Metodologia Interativa e Ferramenta para Sequência Didática,  apresenta  a  Metodologia  Interativa  como  uma  nova proposta de pesquisa que privilegia a abordagem qualitativa, defende a  autora  deste  capítulo,  tendo  como  principais  aportes  teóricos  a Complexidade (Morin, 1998 e 2005), a Dialogicidade (Freire, 1987 e 2004),  o  Círculo Hermenêutico-Dialético  (Gadamer,  1998  e 2007), Visão Sistêmica (Vasconcelos, 2004; Bertalanffy, 2008) e no Método de  Análise  Hermenêutica-Dialética  (Minayo,  2004).  A  metodologia adota como carro-chefe para a recolha de dados, a técnica do Círculo Hermenêutico-Dialético (CHD) para a realização de entrevistas, tendo a dialogicidade como fio condutor para estabelecer uma interação entre pesquisador  e  entrevistados. Tratando-se  de  um  processo  dialético, complexo, dialógico e sistémico, a Metodologia Interativa se aplica a diferentes  áreas  de  conhecimento,  podendo  ser  trabalhada  com  os mais variados e complexos temas pertinentes ao domínio das Ciências Exatas,  Humanas  ou  Sociais.  O  capítulo  também apresenta como desdobramento  da  Metodologia  Interativa,  a  aplicação  do  CHD  em contexto de sala de aula, como sendo uma ferramenta para realização de Sequências Didáticas Interativas (SDI).

    O  segundo  capítulo,  A  Formação  em  Investigação  Qualitativa:  Notas para  a  Construção  de  um Programa,  indica  o  ponto  de  partida  deste capítulo com uma breve reflexão acerca do lugar e do papel da iniciação à investigação no ensino universitário, mormente no campo das ciências humanas e sociais, tendo em conta as directrizes do processo de Bolonha. Este capítulo reflete sobre os desafios específicos que se colocam a uma iniciação  à  Investigação Qualitativa,  sobretudo  os  problemas  que  têm a sua origem, por um lado, na prevalecente visão positivista de ciência, e, por outro lado, na posição daqueles que dão largas à imaginação e consideram que “tudo é possível”. Em resposta a estes desafios o autor afirma ser necessário uma formação “técnica” que introduza à diversidade de estratégias e de métodos disponíveis para realizar a investigação no terreno.  Este  capítulo  termina  apontando  os  principais  tópicos de  um programa que serviu de base à estruturação de um Manual de Investigação Qualitativa em Educação.

    No  capítulo  terceiro “Dilemas”  do  Jovem  Investigador.  Dos “Dilemas”  aos  Problemas,  são  tratados os  vários  dilemas  que  se colocam  aos  investigadores  que  enveredam  por  investigações  de tipo qualitativo: i) como proceder para sistematizar o conhecimento já  produzido  a  partir  de  outros  estudos  de natureza  também qualitativa,  muito  contextualizados,  oferecendo  consequentemente poucas possibilidades  de  comparação;  ii)  dificuldade de  identificar os  caminhos  a  seguir  para  recolher  e analisar  os  dados  e  para interpretar  os  resultados;  iii)  as  modalidades  de  interação  com os potenciais leitores  que  os  investigadores  desejam  associar ao seu conhecimento, comunicando-o e dando-lhe visibilidade; iv) o papel de investigadores e a relação que estabelecem com os participantes no estudo. O capítulo também aborda as incertezas quanto à validade da investigação e à fidelidade dos seus instrumentos de pesquisa. Assim neste capítulo todos estes dilemas convergem para a questão central: o que é a realidade e como é que, o investigador, se posiciona face a ela? Neste contexto, a autora levanta uma outra interrogação: será que estamos a conseguir transformar dilemas persistentes em problemas transitórios, suscetíveis de resolução e característicos de um processo de desenvolvimento epistemológico?

    quarto capítuloA Investigação Qualitativa em Teses e Dissertações dos  Programas  de  Mestrado  e Doutorado  em  Educação:  Estado  do Conhecimento, trata os desafios na formação de mestres e doutores, especialmente,  na investigação  qualitativa.   Assim,  na  subárea de  conhecimento  Educação, no  Brasil,  admitem-se  mestrandos e  doutorandos  advindos  de  cerca  de  48  áreas  de conhecimento, cadastradas  pelo  Conselho  Nacional  de Desenvolvimento  Científico e  Tecnológico (CNPq). Isso  ocorre  em  face  de  a  área  de  Educação, vinculada  às  Ciências  Humanas  (bastante  abrangente), ter  em  seus Programas  de  Pós-Graduação  Stricto  Sensu  em Educação  (PPGEs)  a finalidade proposta pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) de formar pesquisadores e professores para atuarem no ensino superior. Este capítulo identifica que grande parte dos profissionais ingressa na subárea de Educação, com pouquíssima (in)formação relativamente à investigação qualitativa o que é refletido diretamente na elaboração de suas teses e dissertações. O capítulo que quem como um dos objetivos oferecer aos interessados informações relativas às investigações consideradas emergentes na área de formação de  professores.  As  indicações  poderão  servir,  sobremaneira,  para os  iniciantes  nos  mestrados  e doutoramentos  na  procura  de  objetos relevantes de pesquisas e demais investigadores da subárea Educação.

    Por  fim,  o  quinto  capítuloImportância  do  Questionamento  no Processo de Investigação Qualitativa, aborda o ponto de partida de um projeto de investigação: a elaboração de uma ou mais questões de investigação,  normalmente designado  por  problema  a  investigar. Alguns estudantes não sabem por onde começar e questionam se a pergunta está bem formulada. Diante destas instigações, este capítulo tem como objetivo esclarecer e reforçar a importância da formulação do  problema  e/ou  questão  de  investigação, onde buscar  inspiração para  a  sua  formulação,  quais  os  passos  a  serem  seguidos  na  sua elaboração e qual a sua utilidade durante o processo de investigação. Um dos focos dos autores é sugerir como a utilização de alguns pacotes de software  ajudam o investigador, a partir do questionamento aos dados  já codificados,  mantendo  uma  coerência  interna  durante  a investigação, bem como obter resposta à questão de investigação.

    Espera-se  que  este  capítulo  aponte  para  caminhos  inovadores  que possam  apoiar  e  estimular  jovens investigadores,  levando-os  a  dar passos mais confiantes num processo de investigação qualitativa.


    É notória a preocupação de todos os autores deste livro com os jovens investigadores. A maioria dos que iniciam as suas jornadas na investigação qualitativa, estão ansiosos por regras e normas que garantam a qualidade das suas dissertações de mestrado e  das suas teses de doutoramento.  O problema, como logo alguns percebem, é que não é linear nem trivial determinar de forma generalizada critérios de qualidade para todos os contextos da investigação qualitativa nas ciências humanas e sociais. Existem muitos autores que chegam a discutir se estes critérios são desejáveis. A postura dos autores deste livro é de que os critérios de qualidade para a investigação qualitativa são bem-vindos e necessários para  garantir-se rigor, sistematização, credibilidade e valor humano da construção científica. No entanto, não dogmatizam, nem fecham estes critérios.

    Indice
    Introdução (Francislê Neri de Souza, Dayse Neri de Souza e António Pedro Costa)
    Capítulo 1: Produção e uso do conhecimento: tensões e desafios na investigação educacional 
    Maria do Céu Roldão, Universidade Católica - Portugal
    Capítulo 2: Orígenes y evolución de la Investigación Cualitativa en Educación 
    Cruz Sánchez, Universidad de Salamanca - Espanha
    Capítulo 3: Acerca da qualidade nas pesquisas qualitativas em Enfermagem
    Emiko Egry e Rosa Maria Godoy Serpa da Fonseca, Universidade de São Paulo - Brasil
    Capítulo 4: Avaliação da qualidade da investigação qualitativa: algumas considerações teóricas e recomendações práticas 
    Clara Coutinho, Universidade do Minho - Portugal
    Capítulo 5: El reto de la calidad en investigación cualitativa
    Juan Zarco, Universidad Autónoma de Madrid - Espanha
    Capítulo 6: Desafio e inovação do estudo de caso com apoio das tecnologias
    Dayse  Neri  de  Souza,  António  Pedro  Costa  e  Francislê  Neri  de Souza, Universidade de Aveiro - Portugal