segunda-feira, 31 de março de 2008

(Des)construção de uma cultura ardilosa nas escolas

Miguel Ángel Santos Guerra, no seu artigo de 29 de Março de 2008, fala de um tema muito pertinente num tempo em que os mais fortes, os mais poderosos, os mais… revelam ao seu melhor estilo a (des)humanidade de que se reveste o seu carácter (falta de) e falta de honestidade. Nos últimos tempos tenho lido e presenciado, verdadeiras pérolas de poder tecnocrático entre pares (na classe docente, nas escolas) que até levaria qualquer leitor a crer que o presente artigo (do qual transcrevo apenas um excerto) teria sido escrito para retratar humoristicamente a realidade de muitas escolas portuguesas. Penso não ter sido essa a ideia que presidiu à escrita do mesmo, mas bem podia ter sido, porque são inúmeros os relatos de escolas, de colegas que se vêem coagidos por colegas seus, (muitas vezes, muito menos qualificados academicamente, mas com alguns cargos de “chefia”) a “fazer coisas que nem lembraria ao diabo” sob pressão de serem penalizados na avaliação de desempenho se negarem aceitar determinadas imposições dos mesmos. Quem tem lido jornais nos últimos dias e tem dado umas voltas pela internet apercebe-se deste “mundo fantasma e ardil” que estamos a criar nas escolas destruindo o pouco de bom que se veio construindo, paulatinamente e a muito custo, nos últimos anos, na maioria das escolas portuguesas – uma cultura de colegialidade entre docentes.

La estrategia de la zancadilla

Dice el diccionario de la RAE que zancadilla es “la acción de cruzar alguien su pierna por entre las de otra persona para hacerla perder el equilibrio y caer”. En un sentido figurado, “la zancadilla es una estratagema mediante la cual se derriba o se pretende derribar a alguien de un puesto o cargo”. El diccionario limita demasiado la acepción, ya que se puede practicar ese malicioso deporte contra iguales e, incluso, contra quienes están por debajo en el escalafón. Algunos (y algunas) son verdaderos especialistas en el arte zancadillear. A estos artistas de la desgracia ajena les produce una enorme satisfacción ver cómo amigos y enemigos se dan de bruces contra el suelo gracias a su perversa habilidadStanley Bing acaba de publicar un libro que se titula “La estrategia de la zancadilla”. Y carga de ironía, espero, el subtítulo precisando: “Acosa a tus enemigos, enchufa a tus amigos y libra sin piedad tu batalla”. Pues ni en broma. No me gusta ese estilo ácido que nos pone en la onda del “nuevo arte de la guerra”. Lo que el autor viene a decir, en resumidas cuentas, es que en este mundo de rivalidades, de agresiones y de competitividad extrema, es necesario saber eliminar a los enemigos.Los demás no son compañeros, son rivales.. Los demás son víctimas potenciales que, con un poco de paciencia y de ingenio, acabarán siendo víctimas reales. No sé qué mezquinas alegrías les pueden proporcionar a algunas personas los infortunios ajenas. Pero, así sucede. Incluso cuando éstos no conllevan un beneficio propio.
(…)
Hay zancadillas que son fruto de la envidia, otras de la rivalidad y algunas, simplemente, del placer que algunos sienten al ver a otros caer.
(…)
Hay quien disfruta más cuando tiende la zancadilla a quien va velozmente hacia una meta clara y ambiciosa. La zancadilla puede ser una calumnia, una mentira, una sospecha, una denuncia, un insulto, un recuerdo, una frase mordaz. El caso es que quien va corriendo tropiece y se estrelle.
(…)
Vivimos en un mundo cargado de individualismo y competitividad. Impedir que el otro gane parece una forma de ganar. Bloquear el éxito ajeno parece una forma suficiente para consolarse por no alcanzar el propio. La competitividad se envilece cuando vale todo para ganar al otro.
(...)

Inquietações...


“A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

Drummond de Andrade

domingo, 30 de março de 2008

Novo conceito de Democracia ou mais umas pérolas do "eduquês"?

© Jorge Delmar (clique na imagem para ler)

Prisioneiros e sedentos de educação

A geração do ecrã

Por Alice Vieira, Escritora

Desculpem se trago hoje à baila a história da professora agredida pela aluna, numa escola do Porto, um caso de que já toda a gente falou, mas estive longe da civilização por uns dias e, diante de tudo o que agora vi e ouvi (sim, também vi o vídeo), palavra que a única coisa que acho verdadeiramente espantosa é o espanto das pessoas.

Só quem não tem entrado numa escola nestes últimos anos, só quem não contacta com gente desta idade, só quem não anda nas ruas nem nos transportes públicos, só quem nunca viu os "Morangos com açúcar", só quem tem andado completamente cego (e surdo) de todo é que pode ter ficado surpreendido.

Se isto fosse o caso isolado de uma aluna que tivesse ultrapassado todos os limites e agredido uma professora pelo mais fútil dos motivos - bem estaríamos nós! Haveria um culpado, haveria um castigo, e o caso arrumava-se.

Mas casos destes existem pelas escolas do país inteiro. (Só mesmo a sr.ª ministra - que não entra numa escola sem avisar…- é que tem coragem de afirmar que não existe violência nas escolas…)

Este caso só é mais importante do que outros porque apareceu em vídeo, e foi levado à televisão, e agora sim, agora sabemos finalmente que a violência existe!

O pior é que isto não tem apenas a ver com uma aluna, ou com uma professora, ou com uma escola, ou com um estrato social.

Isto tem a ver com qualquer coisa de muito mais profundo e muito mais assustador.

Isto tem a ver com a espécie de geração que estamos a criar.

Há anos que as nossas crianças não são educadas por pessoas. Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs.

E o vidro não cria empatia. A empatia só se cria se, diante dos nossos olhos, tivermos outros olhos, se tivermos um rosto humano.

E por isso as nossas crianças crescem sem emoções, crescem frias por dentro, sem um olhar para os outros que as rodeiam.

Durante anos, foram criadas na ilusão de que tudo lhes era permitido.

Durante anos, foram criadas na ilusão de que a vida era uma longa avenida de prazer, sem regras, sem leis, e que nada, absolutamente nada, dava trabalho.

E durante anos os pais e os professores foram deixando que isto acontecesse.

A aluna que agrediu esta professora (e onde estavam as auxiliares-não-sei-de-quê, que dantes se chamavam contínuas, que não deram por aquela barulheira e nem sequer se lembraram de abrir a porta da sala para ver o que se passava?) é a mesma que empurra um velho no autocarro, ou o insulta com palavrões de carroceiro (que me perdoem os carroceiros), ou espeta um gelado na cara de uma (outra) professora, e muitas outras coisas igualmente verdadeiras que se passam todos os dias.

A escola, hoje, serve para tudo menos para estudar.
A casa, hoje, serve para tudo menos para dar (as mínimas) noções de comportamento.

E eles vão continuando a viver, desumanizados, diante de um ecrã.

E nós deixamos.

In Jornal de Notícias, 30.3.2008


Breves notas: Tal como a Alice Vieira, também eu estive longe da civilização por uns bons 9 dias. Dias de pleno trabalho, mas onde me recusei a ler jornais e pouco, pouquinho de telejornais e zero de outras voltas… prioridades!

Acabo de ler a crónica de Alice Vieira que publico por concordar integralmente com a sua reflexão. Faz tempo que ando a dizer que a escola, hoje, não sabe qual é a sua função. Parece somos cada vez mais a pensar desta forma. Só mesmo quem não anda pelas escolas, não sabe o que por lá se passa. À escola, hoje, são reconhecidas (como imperativos de lei) dezenas e dezenas de funções, aos professores são reconhecidas dezenas e dezenas de novas competências… e ao que parece a principal competência ENSINAR, anda um pouco arredada dos discursos educacionais... e cada vez mais das práticas.
Quando escrevi há dias que a “Educação começa em casa”, queria exactamente dizer que aos pais compete gerir a educação primária de incutir regras básicas de educação aos seus filhos e não podem demitir-se deste papel, porque ninguém, nem educadores, nem professores e muito menos os ecrãs de TV, Videojogos e Internet colmatarão tais lacunas.

sexta-feira, 21 de março de 2008

O princípio sem fim


Ainda que as trevas proclamem vitória,
o grande segredo da noite
é estar grávida do amanhecer.

Ainda que o poder exerça o domínio,
o humilde segredo das sementes
é conterem o futuro.

Ainda que a injustiça se espalhe,
o surpreendente segredo da verdade
é quem a ama e por ela dá a vida.

Ainda que a violência esmague,
o sublime segredo da farinha
é tornar possível o pão.

Ainda que os amigos vacilem,
o firme segredo do amor
é fazer do perdão uma porta aberta.

Ainda que as lágrimas irrompam,
o sereno segredo da paz
é dar horizontes ao coração.

Ainda que as prisões desesperem,
o subtil segredo da liberdade
é quebrar todas as pedras de sepulcro.

Ainda que o fim se imponha
o feliz segredo de Jesus
é dar-nos eternidade.

Jesus Ressuscitado,
revelas o meu ser verdadeiro,
mistério total só
no abraço do Pai,
mas cheio desta certeza
de ser amado
porque me amas até ao fim.

Em Ti,
sou amanhecer
para abraçar e partilhar o que é belo;
sou semente
para morrer e dar vida em meus gestos;
aspiro à verdade
para que a vontade do Pai aconteça;
sou farinha
para que ninguém morra de fome;
quero amar
para que tudo seja milagre;
escolho a paz
para que os abraços vençam as armas;
luto pela liberdade
para que todos tenham luz;
e sigo-Te
para multiplicar os princípios
que a tua Páscoa
inaugurou no tempo!

Vitor Gonçalves

quinta-feira, 20 de março de 2008

No caminho...

Clip com imagens do filme Jesus de Nazaré de Franco Zefirelli


FELIZ PÁSCOA A TODOS OS MEUS LEITORES E VISITANTES!

quarta-feira, 19 de março de 2008

Entre a fragilidade e a oração, a música

"Água e mel" - Cristina Branco

A coerência na palavra e nos actos


«Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34)

No momento culminante da sua paixão e crucificação, depois de ter sido preso, condenado e humilhado pelo povo e autoridades politicas e religiosas, Jesus tem uma exclamação reveladora de um coração misericordioso: «Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem». Esta exclamação que poderemos também interpretar como uma oração filial elevada por Deus Filho a Deus Pai, é uma oração de perdão que exprime o profundo sentido de misericórdia que habitava o coração de Jesus. Para Ele a curiosidade mórbida do povo, a troça dos chefes e soldados romanos e a conspiração das autoridades religiosas judaicas devem apesar de tudo ser perdoados, dado que, eles não conhecem a gravidade e as consequências últimas dos seus próprios actos.

Jesus revela pois, no momento culminante da sua vida, um coração misericordioso, coerente com a sua pregação e prática de vida. Ele tinha pregado o dever de perdoar as ofensas (Mt 6, 12-15; 18, 21-25) e ainda o de amar os inimigos (Mt 5, 44-45; Rom 12, 14.20). Aquilo que tinha ensinado na Sua vida soube-o realizar, mesmo nos momentos mais exigentes e difíceis. Jesus aparece assim para a nossa vida de pecadores (de pessoas imperfeitas e que cometemos erros) como o modelo de santidade que devemos seguir.
Imagem: Luís Veloso

Injustiças, erros ou maldade humana?


Nada mais a propósito...

Este é o tempo em que recordamos as injustiças cometidas com Jesus. Só há relatos do bem que fazia. Amava a todos sem distinção. Proclamava a Boa Nova. Defendeu a condição humana colocando-a acima da Lei. Foi condenado porque se intitulava Rei dos Judeus. Rei de um reino que não era deste mundo. Não há registos de crime ou atentado contra os Valores Universais que Ele próprio defendia: justiça, dignidade, tolerância, perdão… Valores Absolutos! Defendia-os e lutava por eles... e, sem qualquer prova contra si, foi condenado. Perdoou.

A história repete-se todos os dias... em cada pessoa que é alvo de injustiças...

As injustiças cometidas são erros ou maldade humana? O que os distingue? Onde termina um e começa o outro? Poder-se-ão reparar todos os erros? Podemos evitá-los? Como evitá-los? Que consequências? Seremos capazes de perdoar?...

Sobre estas e outras questões relacionadas com a problemática, podemos encontrar em Organização da escola e erro do ensino: uma situação dilemática e Uma cultura de verdade e qualidade algumas pistas de reflexão e talvez algumas respostas a inquietações que atingem a humanidade, embora em diferentes situações, em diferentes contextos e em diferentes graus.

Ministra da Tutela da Educação remete-se ao silêncio...

(clique na imagem para ler)

Emoções fortes...

terça-feira, 18 de março de 2008

Criar uma cultura da verdade

Coloco aqui um excerto de um texto do cirurgião cardíaco e professor na Universidade de Lisboa, José Fragata, que a par do exercício da medicina, da investigação e do ensino nesta área, tem-se interessado pela avaliação do desempenho profissional, em particular pela análise dos erros humanos e sua gestão. Sobre esta temática tenho aqui afixado vários textos sobre o erro no desempenho profissional, dos quais destaco a Organização da escola e erro do ensino: uma situação dilemática. Um texto que vale a pena (re)ler tendo em conta a temática mais actual da avaliação do desempenho docente.

Vejamos o que pensa o Professor José Fragata sobre a necessidade de se criar a nível das instituições
Uma cultura de verdade e qualidade. Errar e reconhecer o erro e a tentativa permanente de retomar o bom caminho na procura de novas soluções, é um extraordinário contributo para o desenvolvimento pessoal e profissional de qualquer ser humano.


“(…) a identificação do erro está sempre ligada à existência de um plano e à incapacidade não propositada de o conseguir; e que há erros que são cometidos por pessoas honestas – os erros honestos –, que podem ter uma componente humana ou de organização; e há erros que decorrem da violação das boas regras de fazer - erros por negligência ou violação.

(…)

Porque é que erramos e como é que erramos?

Edgar Morin afirmava, no seu Paradigma Perdido, que a tentativa e o erro permitia à espécie desenvolver-se, estando, assim, indissociavelmente ligada à nossa humanidade. De qualquer maneira, no quadro técnico, os erros implicam sempre a existência de um plano detalhado que implica as fases de planear, armazenar e executar e é, fundamentalmente, nesse plano que se deve pressupor a evitabilidade.

Estima-se que, quando ocorre um determinado erro exista uma componente de acção individual, por actos honestos ou por negligência, que corresponde a cerca de 60-65% das causas de acidente e uma componente institucional (desenho da estrutura física ou organizacional), que corresponde a cerca de 35% dessas causas. Há aqui um pilar intermédio, a equipa de trabalho (o seu contexto, a comunicação, as hierarquias, a liderança) que inclui uma componente individual e uma componente organizacional.

A performance humana é sempre algo imprevisível, uma vez que depende da destreza, da aplicação certa de regras, do conhecimento, da capacidade de decisão. Mas é preciso termos consciência de que todo o erro implica ou deve implicar compensação. Deste modo, quando erramos e reconhecemos que erramos há um balanço de utilização de conhecimentos e de exploração de novas soluções, e é dessa utilização balanceada, que resulta a capacidade de recuperação do erro.

Se, como dissemos, a performance não depende só do factor humano, mas também da instituição, o seu papel é fundamental na prevenção e recuperação dos erros. Assim, deve ser dada particular atenção ao desenho do sistema, aos turnos, à distribuição de tarefas, ao hardware, às instalações, aos protocolos e normas, à liderança, à monitorização de controlo de qualidade, à própria política de gestão de erro, etc. Todo o sistema deve evoluir no sentido da simplificação, da veiculação de informação, da definição de tarefas, da redução de passos de transmissão humana, da existência de check-lists, isto tudo com vista a agilizar a performance, e tornar-se mais seguro. Como disse James Reason “se não podemos mudar a condição humana, podemos mudar as condições sob as quais os humanos trabalham”.

Para compreender melhor este aspecto, recorro à teoria deste autor, que descreve a existência nos sistemas de falhas activas, ou actos pouco seguros, lapsos, enganos ou violações e falhas latentes ou patogénios residentes que são as decisões superiores, a inexistência de normas e a ausência de defesas mais ou menos eficazes. Quando alguns “buracos” surgem e se alinham numa trajectória então, acontece um acidente que, em geral, é causado por factores humanos aliados a factores organizacionais.

(…)

segunda-feira, 17 de março de 2008

Nova Ficha de Observação para o Ensino Especial

Já aqui foi dito várias vezes que não há Grelhas ou Instrumentos de avaliação perfeitos. Para além disso, cada escola tem as suas particularidades, tem metas específicas no seu Projecto Educativo, tem objectivos e indicadores de medida também eles muito específicos. Relembro por isso que qualquer das fichas aqui postada poderá servir de modelo, mas terá sempre que ser adaptada à realidade contextual das escolas.
Este é mais um contributo, desta vez, meu e do Professor Ramiro Marques. Irei afixar outras fichas ao longo da semana (do Pré-Escolar ao Secundário).

A grelha que segue é um misto de Ficha de Registo da Avaliação Final do Coordenador-Avaliador com anexos de Registo auxiliares para anotações da Análise Documental e anotações decorrentes das Aulas Assistidas. O objectivo de concentrar todos os registos do Coordenador-avaliador num só documento foi simplesmente simplificar a sua leitura e facilitar o posterior tratamento de dados, evitando a dispersão de informação por vários documentos. Também se podem criar documentos distintos para o efeito.



Read this doc on Scribd: Ficha - Ensino Especial (nova)

domingo, 16 de março de 2008

Comunicar pela música…

"Vai" – Ana Carolina

Uma declaração de princípios...

Uma excelente entrevista na SIC notícias com o Professor Adriano Moreira sobre o estado actual da Educação em Portugal.
Para ouvir clique no título deste post.

Questões levantadas:
- Reformas sucessivas - Instabilidade sucessiva;
- Desrespeito pelos professores;
- A avaliação docente não é questionada, os modelos SIM. A avaliação hoje é um processo absolutamente indispensável. A metodologia, o processo é que precisa ser revisto, porque não teve em conta a realidade educativa actual;
- A implementação de qualquer reforma na Educação necessita da cooperação/intervenção dos professores;
- A quebra das relações de confiança entre os professores e o ME - é o problema mais grave.

Uma tentativa de levar a bom porto o barco quase naufragado


Read this doc on Scribd: Ficha de Registo (completa) Penafiel
Breve análise crítica:

Um princípio ético da Investigação e da Avaliação em Educação é testar os instrumentos antes de os aplicar à população alvo… e nós estamos a criar instrumentos sem os testar… um erro muito grave! Aliás, pode acarretar danos irreparáveis. Mas não vou falar sobre isso, agora.

O que penso sobre o documento supra:

(Aspectos +)
Reconheço muito trabalho e mérito à equipa que concebeu o Instrumento de Registo da Avaliação do Desempenho Docente. Um documento muito completo.
(Aspectos -)
Sem testar os Instrumentos e numa primeira análise noto várias falhas: (1) muito extenso; (2) comportamentaliza demasiado; (3) há indicadores que dificilmente são mensuráveis (por exemplo, não sei como se mede empenho e participação em valores percentuais (%). Isto é um atentado a tudo o que se defende nas teorias mais recentes sobre avaliação em educação que tendem para uma avaliação qualitativa, formativa e formadora. Não abdicando da avaliação quantitativa, há que fazer o esforço do justo equilíbrio. Não é possível medir as relações com a comunidade em valores (%). O máximo que se pode fazer é definir uma escala de medida (ex. 1 – 4) que possa prever o perfil (relacional) de cada docente para cada situação a observar; em suma, (4) tenho muitas dúvidas quanto à aplicabilidade, fiabilidade e até validade destes Instrumentos.
Na interligação com o processo em que está mergulhado:
Do que atrás ficou dito (pela análise do documento), fez-me lembrar o behaviorismo na sua versão mais tradicional. Mas até os próprios behavioristas perceberam que as suas estratégias de observação das aulas eram reducionistas e que o essencial das aulas não está nos aspectos atomizados. E nós persistimos no erro. Parece teimosia. Não há grelha que aguente tantos aspectos, operacionalizados ao pormenor. Nem observador que não se disperse em tantos aspectos... A qualidade da avaliação não está na quantidade de itens a medir.
Eu acho que temos de ser o mais objectivos possível. Mas há uma regra de ouro que se ensina em Investigação: se queremos medir tudo, temos de abdicar de uma certa objectividade. Quanto mais aspectos estão em jogo menos objectivamente os conseguimos medir. Se queremos medir muito objectivamente, entre outras coisas, temos de seleccionar meia dúzia de aspectos que achamos essenciais.

O que se pretende com estes instrumentos é alguma coisa que me parece que os especialistas do ME não sabem fazer: observar tudo com todo o detalhe. Porque se o soubessem fazer não tinham criado aquelas pérolas de Fichas de Avaliação de Desempenho (oficiais). Sim, aquelas que têm parâmetros tão subjectivos quanto paradoxais e não sei com contas variáveis a influir em cada indicador. Impossíveis de medir segundo os critérios de objectividade, o que põe em risco outros critérios como o da equidade, da validade e fiabilidade dos resultados.

Como nós professores, só somos pessoas, não me parece que haja grande solução para esta trapalhada… por muito boa vontade dos professores e das escolas em dar o seu melhor. O processo está cheio de erros e nunca irá servir os propósitos para os quais foi implementado: (1) melhoria dos resultados dos alunos; (2) premiar a excelência, o mérito e a qualidade de desempenho dos professores...

Um processo do qual foram abolidas fases vitais como aquela que deveria de ter sido de trabalho preparatório à sua implementação. Ou seja, há um trabalho de conceptualização do processo de avaliação que não foi feito e não está feito. Não se começa um processo de avaliação a construir instrumentos, os instrumentos é o fim e não o princípio… Um processo que destrói e não constrói. Um processo que em nada contribui para o sucesso educativo dos alunos. Um processo que em nada contribui para o desenvolvimento profissional dos docentes.
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Nota: Não me parece nada de bom tom o que tem acontecido nos últimos dias na comunicação social, em que uns ditos pseudo-especialistas em educação vêm dizer que os professores não querem ser avaliados, temem a avaliação... Respeito a liberdade de expressão, mas nem todas as ideias que se dizem ou escrevem são boas. Por isso, desafio a que me apresentem textualmente as virtudes deste processo de avaliação para que eu possa refutar as ideias.

DAS QUALIDADES II

“Mestre, ontem o senhor falou das qualidades do Caminho”, disse um discípulo. “Ensinou que ele aceitava os erros, apagava a ansiedade, fertilizava a alma, e acabava com o sofrimento”.

“O Caminho também possui três qualidades da montanha, e uma qualidade do trapézio”, disse o mestre. E continuou:

“O pico da montanha permite que vejamos o mundo inteiro, e também o Caminho. A montanha exige paciência para ser vencida, e também o Caminho. A montanha não se deixa abalar por quem tenta subi-la; o Caminho não se abala com os caminhantes”.

“E qual a qualidade do trapézio?”, perguntou um aluno.

“O trapézio sempre está presente quando o acrobata se atira no espaço com confiança. Assim também é o caminho; ele não falha quando temos a coragem de segui-lo”, concluiu o mestre.

Paulo Coelho, Mar 2008

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A vida é o caminho, e o caminho é a vida vivida em plenitude. A meta o cume, as dificuldades a montanha escarpada… onde se ensina e aprende a escalar e a superar os obstáculos, onde se ensina e aprende a aliviar o esforço, a dor e o sofrimento do caminho saboreando a beleza e o encanto de cada passo, de cada sorriso, de cada lágrima, de cada flor, de cada pedra, de cada espinho… e uma vez alcançado o cume da montanha, podemos extasiar-nos com horizontes de rara beleza. Muitos atingem o cume sem saborear a beleza do caminho... perdendo a oportunidade de SER FELIZ!

sábado, 15 de março de 2008

Informação aos leitores

Intrusos e visitas indesejadas vão emergindo neste e noutros blogues pulverizando as caixas de comentários com links para páginas com vírus e com mensagens alarmantes de que os computadores estão infectados. Pedem de seguida que se faça um download de limpeza de vírus. Não é verdade. É uma armadilha para os mais ingénuos ou distraídos. São vírus. O perigo de ficar infectado é igual para os autores dos blogues e para os visitantes que cliquem nesses links. São atitudes condenáveis!
Até ao momento tenho apagado todos os links em cima de cada postagem, mas, para minha segurança e segurança dos meus leitores, decidi activar a moderação de comentários, com todos os inconvenientes que possa trazer de atrasos na publicação dos mesmos. Peço a vossa compreensão.

DAS QUALIDADES I

“O que é o Caminho?”, perguntou um dos discípulos.

“O Caminho tem uma qualidade do lótus, duas qualidades da água, e duas qualidades da medicina”, respondeu o mestre.

“Conte-nos sobre a qualidade do lótus”, disse um dos alunos.

“Assim como o lótus continua puro apesar da qualidade da água que o cerca, também a Busca Espiritual não se deixa contaminar por nossos erros”.

“Conte-nos das qualidades da água”, disse um aluno mais velho.

“Como a água apaga o fogo, o Caminho apaga a ansiedade. Como a água fertiliza a terra, o Caminho fertiliza a alma”.

“E quais são as qualidades da medicina?” perguntou outro.

“A medicina cura o veneno do escorpião, e o Caminho nos torna imunes ao veneno dos inimigos. Ela acaba com o sofrimento - assim como o Caminho”.

“Mas não é só isto. Amanhã direi mais”, falou o mestre.

Paulo Coelho, Mar 2008
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Mergulhar na interioridade, olhar para dentro, silenciar, discernir… torna-se vital nos tempos que correm, de desordem, de perplexidade e de um ruído ensurdecedor que nos rouba tempo para o essencial… a busca da serenidade e a construção da felicidade ao lado daqueles que nos querem bem.

Humor e descanso fazem sempre bem...


O Alentejo é uma terra linda…

Alentejo meu...
Quanta saudade bate por terra de encanto,
terra de esperanças renovadas
onde se respira serenidade
e os dias são mais luminosos e belos.
São escassos os dias que faltam
para que eu possa rejubilar de alegria
por meus olhos te verem de novo,
meu jardim de flores silvestres a brotar
no campo e em cada recanto,
por entre os espinhos e as pedras e
contra a aspereza do tempo seco.
No teu perfume que me inebria
restauro forças para mais uma etapa...

Alentejanas e Amorosas – Vitorino



sexta-feira, 14 de março de 2008

Luz ao fundo do tunel...

Resposta do Ministério da Educação às preocupações apresentadas pelo Conselho de Escolas a 12 de Março de 2008.

Na sequência trabalho que tem vido a ser desenvolvido desde Janeiro, é possível chegar a um entendimento entre o Ministério da Educação e o Conselho de Escolas, com o objectivo de apoiar as escolas na criação de condições para que os processos de avaliação sejam simples e desburocratizados, tirando partido da autonomia das escolas que o modelo de avaliação já prevê.
No mesmo sentido em que foi tomada a decisão sobre a flexibilidade dos prazos intermédios previstos no Decreto Regulamentar n.º 2/2008, reforça-se agora a autonomia das escolas para estabelecer as condições de avaliação, desde que todos os professores estejam avaliados no final do ano lectivo 2008/09;

Assim, neste memorando de entendimento foram acordados os seguintes princípios:

1. A Avaliação não foi suspensa, não foi adiada e não será experimentada. As escolas já iniciaram o trabalho, que deve prosseguir sem nenhum abrandamento ou suspensão, devendo-se tirar partido das “boas praticas” já em desenvolvimento em muitas escolas.

2. É necessário reconhecer os diferentes ritmos e condições para a concretização da avaliação que as escolas têm, no entanto, a avaliação é, não só um dever, mas também um direito dos professores, que esperam poder progredir na carreira e para tal precisam de ser avaliados.

3. Todos os instrumentos necessários à avaliação serão elaborados e aprovados até ao final do ano lectivo de 2007/08.

3. Para os docentes dos quadros que não estejam em condições de progredir na carreira a avaliação poderá estar concluída até final do ano civil de 2009. Até lá os prazos serão definidos pela escola, que deverá garantir:
a) Recolha de todos os elementos objectivos já existentes, ainda este ano lectivo;
b) Possibilidade de fixação de objectivos apenas para o próximo ano lectivo

4. Para os docentes contratados e docentes em condições de progressão na carreira a avaliação terá que estar concluída até ao final do ano lectivo 2007/08. As escolas podem simplificar e desburocratizar o processo de avaliação que deverá conter, obrigatoriamente:
- ficha de auto-avaliação
- outros elementos da ficha do conselho executivo (assiduidade e outros) passíveis de ser observados/avaliados.

4. Cada escola deve apresentar um Programa de Avaliação com identificação das dificuldades para o cumprimento dos objectivos mínimos que deve ser avaliado e validado pela DGRHE.

5. Em colaboração com os CFAEs, Será alargado o programa de formação em avaliação, já em curso para Conselhos Executivos, de forma a abranger todos os intervenientes na avaliação (conselhos executivos, coordenadores de departamento, comissões de avaliação, professores titulares avaliadores e professores avaliados).

6. Será garantido o acompanhamento do processo de avaliação pelo Conselho Cientifico para a Avaliação de Professores e pelo Conselho de Escolas para eventuais ajustamentos, no final de 2009, nos termos do previsto no Estatuto da Carreira Docente.

7. Será criado um Grupo de Trabalho para reforço das condições de concretização do processo de avaliação nas escolas, nomeadamente as condições relativas a Crédito horário para avaliação no próximo ano lectivo, ao horário (e outras compensações) dos membros dos conselhos executivos e dos professores coordenadores de departamento curriculares, bem como a condições de abertura do próximo concurso para professores titulares professores titulares (no qual poderão ser abrangidos os professores com mais de 18 anos de serviço docente).

Nota: Sempre valeu a pena 100 000 na rua... podem não chamar recuo ao recuo, mas não é por isso que o deixa de ser. A Luz pode não ser ainda muito forte, mas a Esperança está a renascer...

Dicas para a organização do Portefólio

Mais vale prevenir...

Os Adesivos

Mesmo contra o tecnoburocrático e malfado modelo de avaliação que nos querem impor... vou começar a postar novos documentos de apoio à Avaliação de Desempenho Docente. A semana tem sido complicada de trabalho... a próxima será igual (com as reuniões de avaliação). Os instrumentos de registo estão praticamente finalizados (Pré-Escolar, 1º Ciclo, 2º/3º Ciclo e Ensino Secundário e Ensino Especial) precisam apenas de uma revisão final. Irei postando logo que seja possível.
Postarei de seguida Orientações para a Organização do Portefólio do Docente.

Nota: Qualquer documento aqui postado poderá servir de modelo, mas terá sempre que ser adaptado à realidade contextual das escolas, às metas dos projectos educativos, aos indicadores de medida e demais orientações provenientes dos órgãos internos competentes (CP e/ou CE).

Grande desconcerto educativo

(clique na imagem para ler) © Jorge Delmar

Que estranha forma de Democracia! Lindas medidas, sim, senhora!!!

Nivelar por baixo hem? Não deveria ser ao contrário? Ou seja, puxar ao limite de capacidades e fazer desabrochar novas capacidades e competências em alunos que, não sendo na escola, não têm outra oportunidade de ter acesso ao ensino artístico e a outras expressões da cultura?

A escola tem a responsabilidade de criar igualdade de oportunidades aos alunos de condições inferiores favorecendo e estimulando de igual modo o contacto com o saber mais erudito, as necessidades de estética, de beleza… que não entram em casa por razões óbvias.

Os curricula, não lhe têm dado o lugar que merece e, a escola pouco tem feito para contrariar esta tendência… mas se o não fizermos, podemos estar a impedir que algumas crianças cheguem a determinadas aprendizagens de carácter mais erudito, que apesar de não estarem de acordo com a sua condição de nascença, podem ser a sua “vocação”. A situação agrava-se com as recentes medidas de reformar os Conservatórios e entregar uma boa parte das suas competências às escolas básicas. Deste modo, "diminuem as possibilidades de os alunos entre os seis e os quinze anos, ou seja, no período de vida mais adequado para a aprendizagem da música terem acesso, no ensino oficial, ao acompanhamento, à exigência e à dignidade pedagógica que essa aprendizagem requer.
E porquê? Porque as escolas básicas não têm nem se prevê que venham a ter num futuro próximo, condições logísticas para assumirem essa responsabilidade, porque a preparação dos professores que leccionam música tem lacunas graves, porque as condições em que estes professores trabalham são degradantes, porque as turmas têm vinte alunos ou mais, porque as escolas não dispõem de espaços adequados nem de instrumentos musicais… Porque, enfim, no nosso país, apesar da retórica da tutela, a música não foi no passado, nem é no presente encarada como uma área fundamental de aprendizagem formal, ainda que a investigação científica nos diga que é, ainda que a tradição educativa ocidental a justifique, ainda que seja obrigação moral da Escola transmitir a herança civilizacional e cultural às novas gerações." (Damião, 2008)
Referência:

Advergames

Chamam-se 'advergames', são jogos electrónicos que combinam entretenimento e publicidade, e, segundo a Direcção-Geral do Consumidor, usam estratégias tão eficazes na captação de atenção das crianças que "justificam atenção redobrada de todos pais e responsáveis por educação". O que está em risco? A saúde das crianças. Qual é o problema? Os produtos que consomem - e as estratégias que as levam a consumi-los. O alerta foi dado ontem.

In Jornal de Notícias, 14.3.2008

Para ler o texto publicado no JN e os resultados do estudo levado a efeito pela DGC, clique no link.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Antes de dormir...

Depois de 12 horas de intenso trabalho na escola… mais umas 2 horitas de TPC… um merecido descanso embalada ao som de uma belíssima melodia…

Um resto de tudo – João Pedro Pais


quarta-feira, 12 de março de 2008

Sinais preocupantes...


Olhe que deve... caso contrário vai cair no precipício... e vai conduzir ao abismo o futuro da educação, das nossas crianças e jovens e, consequentemente, o futuro da sociedade. Haverá consciência que suporte tamanha barbárie?

Formação e Ensino

Informação recebida da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra

Ex.mo(a) Senhor(a)

O Centro de Psicopedagogia da Universidade de Coimbra, pretende desenvolver com regularidade encontros, na forma de Conferências, Seminários e Workshops, com o objectivo de debater aspectos críticos respeitantes ao Ensino e Formação de Professores.

Nesses encontros, que se destinam a todos aqueles que se interessam pela Educação, participarão especialistas nacionais e estrangeiros de diversas áreas disciplinares.

A primeira dessas iniciativas, uma conferência seguida de debate, conta com a presença do Professor Kevin Miller, do Departamento de Estudos de Educação e Psicologia da Universidade de Michigan, que tem desenvolvido trabalhos de investigação relevantes sobre a aprendizagem da matemática.

Tenho a honra de convidar Exa. para participar nesta conferência, intitulada Childrens´s mathematics learning: Insights from cognitive research and cross-cultural comparisons, que terá lugar no dia 26 de Março de 2008, às 14.30 horas no Anfiteatro da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação.

Caso pretenda participar, peço-lhe o favor de proceder a inscrição através do endereço electrónico cpsicop@fpce.uc.pt ou telefone 239.851450 (Cf. Anexo). Peço-lhe, ainda, o favor de divulgar este evento junto de quem possa ter interesse por ele.

Com os meus melhores cumprimentos.

Maria Helena Damião

(Professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação)



Read this doc on Scribd: Conferência Prof Miller

terça-feira, 11 de março de 2008

"O fantasma do recuo"

© Luís Veloso

«'Recuo' é uma palavra que, no dicionário dos políticos, parece significar vergonha, humilhação, fraqueza, descrédito.

Esta ideia está de tal forma assimilada - e potenciada pelos analistas - que já não ocorre aos decisores introduzir alterações em decisões anunciadas, nem mesmo naquelas situações em que se apresentam claramente desajustadas ou mesmo lesivas dos interesses que pretendiam salvaguardar, receosos que se considere um 'recuo'.

Este receio está a envenenar e a tornar inúteis quaisquer negociações sobre matérias que devem ser objecto de concertação entre as diferentes partes envolvidas.

Modificar propostas, tomando em consideração os contributos positivos para o seu aperfeiçoamento, não é sinal de fraqueza, mas de seriedade.

Um político determinado é o que tem objectivos claros de que não abdica e não deixa de o ser pelo facto de os alcançar por vias diferentes daquelas que traçou.

Este Governo está a ceder ao medo da palavra 'recuo'.

Está a faltar-lhe simultaneamente humildade e grandeza para a assumir em nome do interesse do país cujo progresso muito beneficiaria se se privilegiassem mais os objectivos do que os "soundbytes".»

Manuela Ferreira Leite, In Expresso, 10.3.2008
*****

Nota: Reconhecer que somos falíveis e reconhecer os nossos erros é uma virtude, não um mal e muito menos deve ser alvitrado como humilhação. Esta humildade de se sentir caminheiro e aprendiz a vida inteira e de reconhecer as fragilidades humanas, não deve ser nada que nos envergonhe. Pelo contrário, deve ser encarado como uma oportunidade de desenvolvimento pessoal e profissional. Vergonha é (re)conhecer o erro e persistir nele!

Para restaurar forças...

Dias de muito trabalho nas escolas e muito cansaço… uma música para descontrair…

“Ne me quitte pas” – Jacques Brel


Curiosidades...


Na foto, a gritar de indignação, Fernanda Tadeu, mulher de António Costa, actual Presidente da Câmara de Lisboa e antigo número dois do Governo liderado por José Sócrates. Fernanda Tadeu é Educadora de Infância numa escola do concelho de Sintra e também está descontente com as Políticas Educativas deste Governo.

Foto da Marcha da Indignação dos Educadores/Professores de 8.3.2008, colhida no blog: Fotografia, Sempre!

A avaliação do desempenho dos profissionais da educação: qual a questão de fundo?


Por Manuel Matos
FPCE da Universidade do Porto


A avaliação do desempenho vem constituindo um verdadeiro braço de ferro entre o Ministério da Educação e os professores. As razões deste confronto são conhecidas, embora nem sempre nesse confronto sejam devidamente ponderados os múltiplos aspectos de que se revestem. Crê-se ser indispensável para a formulação de um juízo ético, minimamente exigente, distinguir o essencial do acidental.

Enquanto serviço público, pago pelas contribuições dos cidadãos, é da mais elementar justiça cívica que o trabalho dos profissionais da educação possa ser objecto dum juízo crítico (positivo ou negativo) por parte de quem representa legitimamente o interesse público, neste caso o próprio Ministério da Educação. Trata-se, no fundo, de reconhecer e aceitar o princípio da contratualidade política como a base da democracia moderna.

Admite-se assim – e os profissionais da educação não o têm contestado - que os efeitos derivados da qualidade da avaliação se repercutam na qualidade da carreira dos docentes de modo a verificar-se uma correspondência essencial entre o valor do trabalho subjectivamente produzido e o valor do seu significado pedagógico e social, traduzido num determinado momento da carreira profissional a que se pode ter acesso.

Para que seja possível operacionalizar este princípio, tem-se como indispensável a existência de duas condições: a primeira é que a natureza da carreira seja formalmente a mesma e a segunda, que todos os profissionais possam aceder a ela, desde que satisfaçam no plano profissional, isto é, do ponto de vista da qualidade do trabalho produzido, as condições exigidas para a respectiva progressão.

Ora, o que parece estar em causa no confronto a que vimos assistindo é, justamente, a alteração destas condições. Na verdade, a finalidade máxima da avaliação já não tem como primeira preocupação assegurar a correspondência entre a qualidade do trabalho produzido e a qualidade da carreira, mas, antes, controlar administrativamente o acesso a determinados patamares profissionais, tendo em vista a obediência a critérios económicos e financeiros. Subsidiariamente, associa-se a esse controlo administrativo uma alteração do perfil profissional dos docentes contemplados, uma vez que passam a caber-lhes funções eminentemente técnico-administrativas. E porque não políticas?

Como se sabe, a imposição de quotas aos professores titulares não foi minimamente justificada em termos pedagógicos, nem em boa verdade poderia sê-lo, sendo por isso que os critérios de avaliação dominantes, a adoptar em breve, repousam sobre comportamentos profissionais que têm, aparentemente, a vantagem de ser “observáveis” pelos futuros “responsáveis” e que, por isso mesmo, mais se prestam à mistificação e ao equívoco profissional por parte dos “observados”.

Em função desta alteração das condições de desenvolvimento da carreira, há lugar para reconhecer que a vida profissional dos docentes corre sérios riscos de ficar exposta, num futuro próximo, a processos de degradação psicológica e pedagógica acentuada por força de uma nova cultura profissional que será pautada, prioritariamente, por lógicas defensivas cada vez mais estratégicas. No novo contexto profissional em construção, será a competição a ditar os critérios das novas competências, o que fará de cada professor mais um adversário a evitar, que um colega a consultar e a apoiar. Nesta perspectiva, tornar-se-á rotina o que dizia uma colega há tempos, premonitoriamente:

— “Não me apetece falar desta escola. Já conheci outra, onde me sentia feliz porque tinha prazer no que fazia. Discutíamos, ouvíamos... Hoje não se discute, mandam-se bocas. E assim não sei brincar. Apetece-me desistir e investir só nas quatro paredes da sala de aula. (...) Provavelmente serei má professora. Digo muitas vezes não sei, mas a escola que temos não permite que digamos não tenho a certeza, ajuda-me!...”

Esse será o tempo do grau zero da pedagogia. Poderemos, ainda, conjurá-lo?


In a Página da Educação, nº 176, p. 8.
*****
Nota: Gostaria de ter resposta para esta última interpelação. Não tenho. Tenho Esperança. A Esperança de Voltaire... «Amanhã tudo será melhor». E no que depender de mim, estará...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Inquietações...


“pensar e estar completamente vivo é o mesmo, e isto implica que o pensar deve sempre começar de novo; é uma actividade que acompanha o viver e que se ocupa de conceitos tais como a justiça, a felicidade, a virtude”

Hannah Arendt

Avaliação

Por António Barreto

NÃO É POSSÍVEL APOIAR A MINISTRA POR INTEIRO, nem criticá-la por atacado. O seu legado de medidas, ideias e objectivos tem de tudo, do muito bom (a consolidação do cargo de director de escola, os contratos de três anos a favor de um princípio de estabilidade dos professores), ao muito mau (o sistema de avaliação, o regime de faltas dos alunos). Boas ideias, simples e necessárias, como fechar as escolas mais tarde e criar aulas de substituição, coexistem com propostas absurdas, como a de fazer intervir os pais na avaliação dos docentes ou de contar as notas dos alunos para a folha de serviços do professor. Como há também omissões dignas de recordação, em particular a aparente recusa de proceder, dentro da legislatura, à entrega das escolas às comunidades locais, às autarquias e às comunidades educativas (professores, pais e autarcas). A persistência de um modelo de educação integrada, unificada e centralizada é não só a génese de inúmeras deficiências actuais, como também a razão de ser da dificuldade ou da impossibilidade de levar a cabo as reformas úteis e necessárias. É também a causa da transformação dos problemas de educação em guerra social nacional.

O ELEMENTO ESSENCIAL das reformas de Maria de Lurdes Rodrigues consistiu, até hoje, na alteração da relação de forças dentro da educação. Em termos simples, retirou aos sindicatos uma parcela importante do poder que, sob várias formas, detinham até agora. Esta é a sua força. Nada seria possível fazer sem a remoção prévia da tenaz sindical que, sob múltiplas formas, mantinha a educação e o ministério como reféns. Mas essa reforma, mais propriamente política, seria ineficaz e apenas adjectiva se não fosse completada por alterações importantes e razoáveis nas questões substantivas: a gestão do sistema, o modelo de organização, a definição de novos conteúdos curriculares e dos manuais, entre outras. Esta a sua fraqueza.

O QUE SE PASSA NAS RUAS do país tem, evidentemente, conotações políticas. Não podia deixar de ser. A educação é um tema político de primeira importância. Aqueles que, no governo e alhures, denunciam a ingerência de “políticos” e “partidos”, avançam um argumento gasto e míope. Mas também é verdade que a contestação ultrapassou largamente as fronteiras da política pura e do sindicalismo, para se tornar também profissional e social. O governo já percebeu isso, mas persiste em negar a evidência, na esperança de comover os pais, em particular, e a “maioria silenciosa”, em geral. Daí o ter transformado os professores, todos os professores, em vilões. A atitude não é inédita e não merece que com ela se perca tempo.
O MOVIMENTO DOS PROFESSORES tem muitos objectivos: o director da escola, o conceito de autonomia, o estatuto da carreira docente e outros. Além da parcela de poder sindical. Acontece que os professores têm algumas razões. E a ministra também. O facto de se ter declarado guerra entre aqueles e esta é infeliz, pois impede detectar as razões que assistem uns e outra. Infelizmente, é assim a luta das classes e das instituições. É frequente perder-se a semente no meio do joio. A este propósito, sublinhe-se um erro decisivo na estratégia do governo, não se sabe se da autoria da ministra, mulher tranquila, se da responsabilidade do Primeiro-ministro, homem crispado. A ausência de vontade experimental, ou de estratégia empírica, esteve evidente desde o início. O governo queria organizar uma cruzada, fazer tudo ou nada, agir por enxurrada e realizar tudo ao mesmo tempo, em todo o sítio e para toda a gente. Com este método, os erros tomam uma dimensão colossal e torna-se impossível corrigir o que quer que seja.

O SISTEMA DE AVALIAÇÃO que a ministra pretende impor e que os sindicatos recusam é apenas um dos temas de contestação. Mas é o que tem surgido com mais evidência. A coberto de uma virtude indiscutível, a ideia de avaliação não é recusada por ninguém. É de bom-tom dizer que se é “a favor da avaliação, mas contra esta avaliação”. Para todos, ou quase, é uma espécie de santo-e-senha de honorabilidade. Acontece que não é. A palavra, o conceito, o mito e o tique nasceram há vinte ou trinta anos. Em Portugal e na Europa. Criado por burocratas e tecnocratas, os defensores da avaliação acreditam que um sistema destes promove a boa educação, melhora o ensino, castiga os maus profissionais, detecta os talentos, permite corrigir erros e combate o desperdício. Na verdade, o sistema e a sua ideologia, que infestaram o ministério da educação, são próprios de uma educação centralizada, integrada e uniforme. Na impossibilidade humana de “gerir” milhares de escolas e centenas de milhares de professores, os esclarecidos especialistas construíram uma teoria “científica” e um método “objectivo” com a finalidade de medir desempenhos e apurar a qualidade dos profissionais. Daí os patéticos esquemas, gráficos e grelhas com os quais se pretende humilhar, controlar, medir, poupar recursos, ocupar os professores e tornar a vida de toda a gente num inferno. O que na verdade se passa é que este sistema implica a abdicação de princípios fundamentais, como sejam os da autoridade da direcção, a responsabilidade do director e dos dirigentes e a autonomia da escola. O sistema de avaliação é a dissolução da autoridade e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa e ao diálogo entre profissionais. É um programa de desumanização da escola e da profissão docente. Este sistema burocrático é incapaz de avaliar a qualidade das pessoas e de perceber o que os professores realmente fazem. É uma cortina de fumo atrás da qual se escondem burocratas e covardes, incapazes de criticar e elogiar cara a cara um profissional. Este sistema, copiado de outros países e recriado nas alfurjas do ministério, é mais um sinal de crise da educação. Mais do que dos sindicatos ou dos professores, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues é vítima da 5 de Outubro.

«Retrato da Semana» - «Público» de 9 Mar 08

In Sorumbático

Nota: Como já tive oportunidade de o firmar em outos lugares, nomeadamente no texto A escola do futuro próximo, discordo em absoluto com a escola a tempo inteiro. É indiscutível que a sociedade tem que dar resposta a necessidades de outro âmbito e que estão muito para além do currículo prescrito. Despejar tudo em cima da escola e dos professores é solução fácil mas desadequada. Assim como é indiscutível que todas as crianças têm direito a que lhes sejam proporcionadas experiências diversas de enriquecimento cultural, para além do currículo normal, no entanto, como sabemos, as nossas escolas não têm condições para essas utopias. E também não acredito que seja uma mais valia para as crianças (pode ser para os pais e para o estado), mas é nelas que temos que pensar!

Confuso? É de ser 2ª feira... vamos lá trabalhar e ter esperança


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Nós Alentejanos... sempre temos um gaaaaaaanda sentido de humor :)

domingo, 9 de março de 2008

Hora da Poesia

UM POEMA

Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...

Miguel Torga, Diário XIII

A tentar construir o complexo puzzle da avaliação...

Caros colegas,

Nos últimos dias tenho estado a trabalhar, em colaboração com outros especialistas da Área da Educação, nos Instrumentos de Registo para a Avaliação de Desempenho Docente dos vários níveis de Ensino, inclusive do Ensino Especial.
Com todos os dados que recolhemos até ao momento, ao longo destas últimas semanas e com o contributo também de alguns professores do ensino não superior, estamos a dar os últimos retoques nesses instrumentos. Conto, por isso, começar a postá-los aqui ao longo dos próximos dias.
Bom trabalho!

Sinais positivos...


In Público (Clique na imagem para ler)

Pela igualdade e dignidade da mulher

Mais um extraordinário contributo de Miguel Ángel Santos Guerra no dia em que se celebrou o Dia Internacional da Mulher (8.3.2008). Reproduzo aqui o texto integral que está uma delícia e vale a pena ler. Este texto fez-me lembrar de um texto da mesma natureza da Professora Helena Damião, que se reporta também ao ensino e às condições que eram impostas às mulheres para leccionarem nos idos anos 20 do Séc. XX nos EUA. Vale a pena ler também [aqui].


Por la igualdad

Todavía es cierto que las mujeres renuncian más a su crecimiento profesional por amor filial, por amor conyugal o por amor materno. Y si no lo hacen esa renuncia son consideradas malas hijas, malas esposas o malas madres.
Todavía sigue siendo verdad que el paro se ceba con más crudeza en el sector femenino. Y es cierto que “las mujeres siempre serán dependientes hasta que tengan bolsa propia”, como decía Elizabeht Cady Stanton.
Todavía sucede que las mujeres reciben una menor remuneración (aproximadamente un treinta por ciento menos) por la realización de los mismos trabajos que los que hacen los hombres.
Todavía es cierto que las mujeres encuentran más difícilmente trabajo, que son más invisibles en el mundo laboral y que reciben exigencias discriminatorias al buscar empleo.
Todavía es una realidad sangrante que el fracaso laboral de las mujeres se atribuye a su sexo (o a su género). Sin embargo, cuando fracasan los hombres se atribuye el fracaso a su pereza o a su ineptitud.
Todavía es una realidad terrible el acoso sexual a las mujeres en el trabajo, por más que haya leyes y una conciencia social más afinada.
Todavía sigue viva la falacia de que si una mujer puede, todas las demás pueden. Es el “mito de la excepción”.
Todavía es cierto que mueren mujeres a manos de sus parejas. Hace unos días, en una sola jornada, fueron asesinadas cuatro mujeres. en España. Ni el terrorismo más brutal tiene esas estadísticas tan horribles.
Todavía sigue siendo cierto que… La lista es interminable. Propongo al lector o lectora que busque otros diez indicadores de la discriminación actual.
Decía que se ha avanzado. Por eso hay que ser optimistas. Pero que todavía queda mucho camino por recorrer. Resulta impresionante comprobar todo lo que ya se ha conseguido en este país. Leamos, para cerciorarnos, el libro “Rebeldes”, de la filósofa Amelia Valcárcel. No hace mucho (hablo del año 1923, que se toca casi con las manos) existía un contrato para maestras en Estados Unidos que hoy nos hace sonrojar. Lo reproduce Michel Apple en un interesante artículo titulado “Trabajo, enseñanza y discriminación sexual”, publicado en 1987.

“El presente es un contrato entre Miss……, profesora y el Consejo de Educación de la Escuela………, por el que Miss………se compromete a enseñar por un período de ocho meses, empezando el uno de septiembre de 1923. El Consejo de Educación se compromete a pagar a Miss……… la cantidad de 75 dólares al mes. Miss….. se compromete a:

1 No casarse. Este contrato será nulo y sin efecto si la profesora se casa.
2. No dejarse acompañar por hombres.
3. Estar en casa entre las 20 horas y las 6.00 horas, a menos que se encuentre desempeñando alguna función de la escuela.
4. No pasar tiempo en las heladerías.
5. No salir de la ciudad sin la autorización del Presidente del Consejo de Administración.
6. No fumar. Este contrato será nulo y sin efecto si se encuentra fumando a la profesora.
7. No tomar cerveza, vino ni whisky. Este contrato será nulo y sin efecto si se encuentra a la profesora bebiendo cerveza, vino o whisky.
8. No montar en carruaje ni en automóvil con hombre alguno, a excepción de su hermano o su padre.
9. No llevar vestidos de colores llamativos.
10. No tintarse el pelo.
11. Llevar dos calzones como mínimo.
12. No llevar vestido más de dos pulgadas por encima de los tobillos.
13. Mantener limpia la clase:
a. Barrer el suelo de la clase, al menos una vez al día.
b. Fregar el suelo de la clase con agua caliente y jabón, al menos una vez a la semana.
c. Encender la lumbre a las 7.00 de forma que la clase esté caliente a las 8.00 cuando entren los niños.
14. No usar polvos ni máscara para la cara, ni pintarse los labios”.Hoy no es concibe un contrato de esta naturaleza. Han sido las mujeres las que han conseguido las nuevas cotas de igualdad. Suya es la causa de la liberación, suyo ha de ser el mando y suyo el orgullo de esta bandera.

Sociedad, escuela y familia tienen que unirse para alcanzar la igualdad. Nosotros, los hombres, no podemos quedarnos al margen. Porque en esa lucha por la igualdad y por la dignidad se encuentra la salvación del mundo y de la historia. Esa es la gran causa de la justicia. Nosotros tenemos que revisar nuestras pautas sexistas, tenemos que incorporarnos a la lucha y tenemos que celebrar humildemente las victorias que se vayan consiguiendo. Hoy es un Día especial para reflexionar, para emocionarse y para actuar. Es el Día Internacional de la Mujer. Permítame el lector (o lectora) terminar con este pensamiento de Hedlen Reddy:n: “Sí. Soy sabia, pero es una sabiduría cargada de dolor. Sí, he pagado el precio, pero mira cuánto he ganado. Soy sabia, soy invencible, soy una Mujer”.
Hoy es el Día Internacional de la Mujer. A mi juicio, todavía hace mucha falta esta celebración. Muchos maliciosos y algunos ingenuos (incluyo en este grupo crítico a ciertas mujeres) dirán que no hace falta este Día, que todos los días son el Día de la Mujer y que por qué no existe el Día Internacional del Hombre. Pues muy sencillo. Porque quien ha sido víctima del sexismo desde tiempo inmemorial ha sido la mujer. Porque quienes todavía siguen discriminadas en esta sociedad androcéntrica son las mujeres. Dice Funnie Hurst: “Una mujer tiene que ser el doble de capaz que un hombre para llegar la mitad de lejos”. Se ha avanzado, pero todavía queda mucho camino por recorrer. Veamos:
Todavía es muy patente que hay estereotipos profesionales a la hora de elegir una carrera. Hay “profesiones masculinas” y “profesiones femeninas”. Curiosamente, las primeras tienen más relieve social y mayor remuneración.
Todavía es realidad que las expectativas que se hacen sobre las niñas son de menor ambición y calado que las que se formulan sobre los niños. Y ya se sabe que existen las profecías de autocumplimiento. Es decir, que la profecía de un suceso se suele convertir en el suceso de la profecía.

Uma opinião sensata

(artigo de opinião do Público, 8.3.2008)

Clique na imagem para ler

A DEMOCRACIA é um VALOR ABSOLUTO!


© Bandeira


Em Madagáscar, NÃO... foi em LISBOA, hoje! Um mar de gente encheu a Avenida da Liberdade, do Marquês de Pombal ao Rossio e deste rumo à Praça do Comércio. Não há memória, em mais de 30 anos de Democaracia, de um acontecimento estrondoso que tenha reunido tantos Professores... cerca de 100 000! Espantoso!!! Mais de 2/3 dos Professores Portugueses pedem uma mudança de Políticas Educativas.


Tenhamos esperança... a educação há-de tomar um novo rumo!


Fernando Savater e Hannah Arendt disseram exactamente isso. Temos a obrigação de sermos optimistas...

O melhor presente no dia da mulher (8 de Março)

Espantoso!!!

Ainda estou atónita e emocionada... pela entrega do presente mais colegial... 100 000 negas :)

100 000 mil professores na marcha da indignação...

REABERTURA...



Fotos: fenprof

No Expresso podem ser lidas as últimas actualizações da Lusa sobre a Crise na Educação em Portugal

Ver também Vídeo RTP 1 (ontem, 8.3.2008, durante a manifestação)

sexta-feira, 7 de março de 2008

Solidariedade e Colegialidade

"Aqueles que não compreenderem o teu silêncio, provavelmente também não compreenderão as tuas palavras"
Ebert Hubbard

Vamos responder ao apelo de vários bloguers para que amanhã a Marcha da Indignação dos Professores em Lisboa (14h30) seja marcada pelo grito do silêncio.

Este blog 100% Educacional vai aderir também a um silêncio de 24h.

(encerra actividades às 00h do dia 8 até às 24h do mesmo dia)
Nota: Continuarei a postar material de apoio aos educadores/professores na próxima semana.
Imagem colhida [aqui]