quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Leituras Imperdíveis II



Título: "Difícil é Educá-los"
Autor: David Justino
Editora: Fundação Francisco Manuel dos Santos
Data de Lançamento Outubro 2010
Colecção Ensaios da Fundação





Sinopse

Partindo da consciência do atraso educativo português, o autor analisa os diferentes factores que o poderão explicar, centrando-se em três dimensões: mais educação, melhor educação e maior equidade social. Conclui que a evolução do sistema de ensino se traduziu num aumento da escolarização e dos indicadores de cobertura nacional, mas nem por isso conseguiu atingir os níveis de qualidade correspondentes às expectativas dos portugueses. Esta evolução divergente não permitiu nem uma maior equidade social nem o retorno esperado do investimento realizado. Depois de recolocar o problema dos objectivos do sistema de ensino e do papel a desempenhar pelo Estado, o autor aborda as dificuldades de reforma e a urgência em se reflectir sobre o futuro da educação.

Leituras Imperdíveis I



  • Título: Difícil é Sentá-los: A Educação de Marçal Grilo
    Autor: Dulce Neto
    Edição/Reimpressão: 2009*
    Editora: Oficina do Livro
    Número Páginas: 336

    * 1ª edição de 2001

Sinopse
Ele foi à Política, gostou e saiu. Porque o poder tem um tempo e um código: em nome das pessoas, para as pessoas, com os olhos nas pessoas. Eduardo Marçal Grilo esteve quatro anos num dos ministérios menos populares de qualquer Governo: o da Educação. Fiel ao mote do gradualismo - um passo de cada vez, sempre com diálogo - fala hoje do seu mandato. As palavras são sobre os grandes temas educativos, mas também sobre os analistas políticos, que tudo julgam saber e pouco dominam, dos jornalistas que não fazem os trabalhos de casa, dos deputados que escapam pouco à preguiça, dos sindicalistas que estão longe das escolas. Mas para além do futuro dos politécnicos e das universidades, este homem fala das coisas simples que o marcaram: os meninos de escolas isoladas, os educadores que não conseguiam sentar os alunos, o conselho sábio de um homem de Chaves, a senhora idosa que queria aprender a ler. E do mundo pequenino de alguns políticos.

Da Profissão Docente - Conferências


The profession and training: between science and art of teaching

A profissão e a formação: entre a ciência e a arte de ensinar
21 de Janeiro de 2011 - 15h00

Instituto de Educação da Universidade de Lisboa Anfiteatro (Alameda da Universidade)

PROGRAMA

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A Boa Educação


Miguel Angel Santos Guerra, Doutor em Ciências da Educação e Catedrático de Didáctica e Organização Escolar na Universidade de Málaga, utiliza a metáfora da água para nos conduzir numa excelente reflexão sobre "A Boa Educação".
Vale a pena escutar.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Qualidade da Educação


Desafios à educação e sistemas educativos contemporânenos

Susana Gonçalves
Escola Superior de Educação de Coimbra, Portugal

Resumo
O artigo consiste num estudo teórico acerca da dimensão ética do ensino e do seu papel na formação de cidadãos responsáveis e socialmente comprometidos com valores democráticos e sustentáveis. Após breve incursão histórica nas funções e nos estatuto dos sistemas educativos, nos séculos XIX e XX, abordamos alguns modelos contemporâneos de pensamento social que procuram responder aos problemas da relação entre sociedade, cultura, democracia e educação nas sociedades plurais.

Palavras chave: educação, ética, excelência

In Revista Ibero-americana de Educação, Número 54/4, Dezembro de 2010

Artículo completo en formato PDF

Avaliação e Desempenho Escolar


¿En qué medida la evaluación colabora con la mejora escolar?

Zulma Perassi
Universidad Nacional de San Luis, Argentina

Resumen
En este artículo se interroga el vínculo existente entre la evaluación y la mejora, asumiendo que existen respuestas diferentes según el posicionamiento que adopte quien analiza esa relación.
Instalar escenarios propicios para que confluyan la Evaluación y la Mejora, en una dupla en la que interactúen procurando un mutuo fortalecimiento, compromete no sólo la opción conceptual, teórica e ideológica de una evaluación con sentido amplio, crítico y democrático, sino que además, replantea las prácticas en consonancia con ella.
En el desafío de gestar culturas evaluativas que articulen los dos conceptos, se delinea una praxis evaluadora que respeta ciertos principios ?en orden a los sujetos/objetos involucrados? y define algunas condiciones propicias para garantizar un intercambio colaborativo entre ambas.
En este trabajo se proponen las principales condiciones que se requieren para que un proceso evaluativo favorezca la mejora. Los enunciados más relevantes se inscriben en distintos espacios: del sujeto evaluado, del sujeto evaluador, de la institución, de los proyectos y del sistema educativo.

Palabras clave: evaluación, mejora, sujeto evaluador, sujeto evaluado

In, Revista Ibero-americana de Educação, Número 54/4, Dezembro de 2010

História da Educação: Currículo e Pedagogia


Currículo e pedagogia nos liceus portugueses entre a Monarquia e a República: as reformas do ensino secundário de 1905 e 1917

José Carlos de Oliveira Casulo
Professor e investigador, Universidade do Minho (IE/CIED), Portugal


Resumo
Em 1910, a multissecular monarquia portuguesa deu lugar a um regime republicano. Preocupação cimeira dos responsáveis pela nova ordem política foi a educação. No tocante ao ensino secundário, ministrado nos liceus, a primeira reforma republicana foi levada a cabo em 1917, por Joaquim Pedro Martins, precisamente doze anos depois da última reforma monárquica deste nível de ensino, realizada em 1905 por Eduardo José Coelho.
Neste artigo, sob o ponto de vista dos seus currículos, dos seus objectivos gerais e das suas directrizes pedagógico-fundamentais essenciais, estudam-se ambas as reformas no sentido de averiguar se se verificou, ou não, no ensino liceal português da época e nos aspectos acima referidos, uma transição com alterações tão substanciais quanto aquelas que se deram na forma política do Estado.
Introdutoriamente enquadra-se e esclarece-se o teor fundamental do artigo, seguindo-se a análise das reformas em causa, finda a qual se apresentam as conclusões da investigação feita e a bibliografia a considerar.

Palavras chave: Portugal; Liceus; Monarquia; República


In Revista Ibero-americana de Educação Número 54/4, Dezembro de 2010

Artículo completo en formato PDF

Estórias com Valores


O Primeiro Natal em Portugal

É véspera de Natal. Mas não para Irina. Para ela só será Natal a 7 de Janeiro, quando as aulas tiverem recomeçado.
A mãe aproveita umas horas extra, na pastelaria, para preparar fornadas de bolos-reis.
O pai, antes de sair, marcou-lhe páginas e páginas de trabalhos de casa. É preciso, para poder acompanhar os colegas,
Folheando o dicionário, a pequena ucraniana procura as palavras portuguesas que há-de escrever em frente das que tão bem conhece.
ОЛiВЕДЬ — lápis
ЗОШИТ — caderno
КИГА — livro
ШКОЛА — escola
Tudo diferente! Até o abecedário... Na escola, os outros fazem pouco dela e chamam-lhe “língua de trapos”. Que quererá isso dizer?
Vai à página 190, logo em seguida à 293. Era de calcular...
Tem, no entanto, orgulho em ser a melhor a matemática. Ninguém a bate em contas. Quando a professora entrega os testes e lhe dá vinte, há sempre um grupinho irritado que, no recreio seguinte, se junta, numa roda, à sua volta, cantarolando:

Irina, Irina, Irina,
Que menina tão fina!
Tem cara cor de sal,
Olhos cor de piscina.
Cabelos cor de margarina.
Ai, doem-te as saudades?
Vai tomar aspirina.

Na Ucrânia deixou tantos amigos...

Evita aqueles olhos escuros que se fixam nela, uns curiosos, outros trocistas, outros indiferentes.
Sente-se como uma extraterrestre. Porque é que os pais a mandaram vir?
Isola-se no recreio, a um canto, tentando desvendar a algaraviada das conversas. Às vezes, o Afonso murmura-lhe ao ouvido um segredo:
— Pareces uma fada!
E foge logo a correr.
Que palavrão será “fada”? Nem vale a pena procurar no dicionário. Algumas palavras que lhe dizem nem sequer lá vêm. A princípio ainda perguntou à mulher da limpeza o que significavam mas ela empurrou-a com a esfregona.
— Ordinária! Estes imigrantes mal sabem falar mas fixam logo a porcaria... Porque não voltam para o sítio de onde vieram?
Com lágrimas nos olhos, Irina vai agora à janela e vê as luzinhas acender e apagar nas árvores despidas. Por trás das paredes deslavadas das velhas casas, decerto se celebra a consoada. Como será?
Doze pratos se punham na mesa de festa no Natal da sua terra. Uma em memória de cada apóstolo.
É Natal em Portugal. Que interessa? A família está dispersa. A mãe a fazer bolos-reis que não vai provar porque para os ortodoxos é tempo de sacrifício e jejum. O pai lá anda, na construção civil. Como mais ninguém queria trabalhar na noite de 24, foi, sozinho, pintar um café que está a ser remodelado, ao fundo da rua. Os dois irmãos mais novos ficaram em Priluki, lá longe, com a avó.
Irina aquece a sopa e arranja uma sandes de queijo. Como pesa o silêncio!
De repente, sente um grito abafado no andar de cima. Algum assalto? Alguém que caiu? Não sentiu passos nem o baque de uma queda...
Com o coração a bater, põe-se a espreitar pelo óculo. Nada!
— Acudam! Acudam!
Mais ninguém se encontra no prédio. As lojas do rés-do-chão estão fechadas, os vizinhos do primeiro andar foram de férias. Por cima, na mansarda, mora uma rapariga nova, gorda, pálida.
Irina abalança-se a subir. A porta encontra-se apenas encostada e a miúda entra, a medo. Já ninguém grita. Um gemido fraco ecoa ao fundo do corredor.
Haverá feridos? Tem horror ao sangue. Por um momento, pensa em voltar para trás. Mas prossegue, pé ante pé, até ao quarto.
Deitada na cama, a moça, que ela conhece de vista, geme, agarrada à barriga enorme. Irina aproxima-se, repara que está alagada em suor.
— Ladrão atacar tu? Estar doente?
Tremendo, a outra responde:
— Chama o 112. O bebé vai nascer.
Que será o 112? Estará ela a delirar? Quase desfalece.
Então Irina precipita-se pela escada abaixo. A rua encontra-se deserta. Não conhece ninguém nas redondezas. Corre até ao café onde o pai está a pintar paredes.
— Pai, pai! — grita ela.
Anton desce do escadote, pousa o rolo, inquieto ao ver a filha naquela aflição.
— Que foi? Aconteceu alguma desgraça?
Mal sabe o que se passa, marca um número no telemóvel, dá a morada, pede urgência. Segue-a em passo apressado. Sobre eles desaba uma chuva gelada. Ficam com os cabelos a escorrer, encharcam os sapatos nas poças que, num instante, se formam.
Chegados ao prédio, o ucraniano galga os degraus dois a dois, entra sozinho no quarto da vizinha. A filha fica à espera.
— Irina, ferve uma panela de água. Traz-me um frasco de álcool, uma tesoura, toalhas.
A miúda obedece, confusa.
— Traz-me roupa lavada, para me mudar!
O pintor despe o fato-macaco, sujo de tinta e de pó, na casa de banho, enfia uma camisa branca, umas calças desbotadas. Esfrega as mãos e a tesoura com álcool.
— Irina, a água já ferve?
De novo no quarto, fala pausadamente com a rapariga, em voz alta. Ouve-se tudo cá fora.
— Força! Coragem! Está quase...
De súbito ouve-se o choro de um bebé.
— Entra, Irina — diz, pouco depois, o pai. — Vem ajudar. Já és crescida.
Entrega-lhe o recém-nascido.
A rapariga, na cama desalinhada, sorri.
— Embrulha-o num xailinho. Está na gaveta do meio.
Irina aconchega aquele corpo tão pequenino e frágil. Embala-o devagarinho, como fazia com as bonecas. Uma minúscula mãozinha aperta então o seu polegar.
O alarme de uma ambulância apita. Pára à entrada do edifício. Duas enfermeiras precipitam-se pela porta dentro.
— Então, viram-se atrapalhados? Um parto faz sempre confusão, principalmente aos homens.
— Sou médico — confessa o ucraniano. — Mas, em Portugal, ando nas obras...
As enfermeiras cruzam um olhar subitamente triste. Examinam a criança.
— O bebé nasceu no dia de Natal. É o nosso Menino Jesus.
A mãe olha para o homem e pergunta:
— Como é que o doutor se chama?
— Anton.
— António? Quer ser o padrinho? Vou pôr-lhe o seu nome.
As enfermeiras levam a rapariga e o bebé para a ambulância.
— Vão dar um passeio até à maternidade. Estão ambos óptimos.
— Manhã nós visitar! — exclama a garota.
Já passa da meia-noite. Pai e filha descem até ao patamar do primeiro andar. Na escada nunca há luz. Felizmente a gente do 112 usa lanternas... Mas, logo que o pessoal da ambulância se afasta, a escuridão instala-se. Às apalpadelas, o pai mete a chave na fechadura. Tropeça num embrulho.
— Que será? — espanta-se ele. — Esta é uma noite de surpresas.
Sobre o tapete de cairo está um embrulho enfeitado com um laçarote cor-de-rosa. Traz um bilhete preso com fita-cola.
Para uma fada loura.
com amizade
A menina abre-o. É um conjunto de canetas de ponta de feltro.
— O Pai Natal português não se esqueceu de ti — ri-se o médico.
— O Afonso é a única pessoa que me trata por fada — replica a Irina, um bocadinho corada.
Corre para o dicionário, passando as páginas até à número 159 e exclama, radiante:
OЗНАКА — fada
Depois, pega numa folha de papel e desenha, a amarelo, uma estrela a brilhar, a brilhar, a brilhar.

Luísa Ducla Soares
Há sempre uma estrela no Natal
Porto, Civilização Editora, 2006

(Via Clube Contadores de Histórias)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Hora da Poesia

Dá-me a Tua Mão

Dá-me
a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
– nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Clarice Lispector

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Uma viagem pela Poesia Portuguesa



Poemas Portugueses
Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Edição: 2010
Páginas: 2152
Editor: Porto Editora




Sinopse
Algo distingue a presente antologia de outras antologias de poesia portuguesa organizadas no passado: esta é a primeira antologia panorâmica que abarca a poesia portuguesa desde os seus alvores, na transição do século XII para o século XIII, cerca de seis décadas após o nascimento do Reino de Portugal, até ao presente, entendendo-se por presente o ano de 2008, data dos poemas mais recentes aqui recolhidos. Em consequência desta novidade, surge uma outra: a de ser esta a primeira vez que todo o arco temporal do século XX é objecto de um projecto antológico não exclusivo, isto é, nem temático, nem tendencioso. Por outras palavras, esta antologia, passe a redundância, começa no começo, e termina na actualidade. O que significa que, pela primeira vez, os leitores de poesia podem eles próprios, a partir de um único livro, produzir uma apreciação quer sobre a poesia escrita na totalidade do século XX, quer sobre as poéticas do século XX em confronto e diálogo entre si e com os diversos momentos da tradição poética portuguesa ao longo de oito séculos (mais em diálogo do que em confronto, assim cremos). Ou simplesmente fruir dos milhares de poemas aqui compilados, saltando de uns séculos para os outros, começando pelo princípio, pelo meio ou pelo fim, organizando um número indefinido de antologias pessoais. Nestas mais de 2000 páginas coexistem, diacronicamente, mais de 800 anos de poesia, desde a "Cantiga de Garvaia" de Pai Soares de Taveirós, datável do primeiro decénio do século XIII, até Outubro de 2008, data do mais recente poema aqui incluído, "Rasto", de Luís Quintais.

Jorge Reis-Sá e Rui Lage
Poemas Portugueses


Críticas
«Uma descrição objectiva desta antologia não pode deixar de destacar estes aspectos: a sua singularidade, a sua dimensão superlativa, a sua extensão panorâmica elevada ao máximo possível. Na verdade, trata-se da única antologia da poesia portuguesa que percorre toda a história literária desde o século XIII até ao século XXI [...]. Projecto antológico mais grandioso do que este realizado por Jorge Reis-Sá e Rui Lage é difícil imaginar.»
António Guerreiro, Expresso

domingo, 12 de dezembro de 2010

Da Esperança



Dá-nos Senhor, neste Advento, a coragem dos recomeços.
Não nos deixes acomodar ao saber daquilo que foi:
dá-nos largueza de coração para abraçar aquilo que é.
Afasta-nos do repetido, do juízo mecânico que banaliza a história,
pois a priva de surpresa e de esperança.
Torna-nos atónitos como os seres que florescem.
Torna-nos inacabados como quem deseja.
Torna-nos atentos como quem cuida.
Torna-nos confiantes como os que se atrevem
a olhar tudo, e a si mesmos, de novo
pela primeira vez.

Imagem: Rui Aleixo
Poema: José Tolentino Mendonça

sábado, 11 de dezembro de 2010

Desafios Educacionais à Escola Pública


"...Toda a gente está na escola, mas nem toda a gente aprende na escola e é preciso que toda a gente aprenda na escola, isto é, é preciso passar da ideia de uma escola para todos, que nós já concretizamos, para a ideia de uma escola onde todos aprendam. E é por isso que o factor da aprendizagem é hoje um factor tão importante para uma escola inclusiva, para uma democrática..." (António Nóvoa)

Segundo o mesmo investigador, há dois elementos centrais para ganhar esta batalha:
- o papel dos professores / professores de qualidade;
- e a maneira como criamos dispositivos de apoio à aprendizagem dos alunos.

(O autor explicita na entrevista infra a forma de concretização destes elementos. À volta destes giram muitos outros aspectos relevantes a que o investigador faz referência. Vale a pena escutar.)

Dos Direitos das Crianças


Vale a pena ler o artigo de Miguel Ángel Santos Guerra de 11 de Dezembro de 2010, que aborda um tema sempre actual - "Os Direitos das Crianças" e que nos conduz numa reflexão muito pertinente e profunda. Deixo também um vivo conselho, particularmente para todos aqueles que têm responsabilidades educativas - (Re)visitem a Declaração Universal dos Direitos das Crianças! É possível fazer mais e melhor! Fica o desafio!

La infancia robada
Habituados a contemplar la infancia en un contexto, nos olvidamos fácilmente de otros en los que la realidad es muy diferente. Como vemos escolarizada a la práctica totalidad de los niños y de las niñas de nuestro entorno, no reparamos en que existen millones de niños y de niñas sometidos a la tortura de la explotación laboral.

Hoy debemos considerar trabajo infantil (más allá de la relación laboral de empleo) toda aquella actividad económica, remunerada o no, realizada por niños y niñas, por debajo de la edad mínima de admisión al empleo o trabajo. La Convención sobre los Derechos del Niño, en su artículo 32, define con claridad el derecho del niño a ser protegido del trabajo infantil:

“Los Estados Partes reconocen el derecho del niño a estar protegido contra la explotación económica y contra el desempeño de cualquier trabajo que pueda ser peligroso o entorpecer su educación, o que sea nocivo para su salud o para su desarrollo físico, mental, espiritual, moral o social”.

No estoy muy de acuerdo con esta redacción, aunque sí con el principio que la inspira. Y no estoy de acuerdo porque no hay nada que especificar. Los niños y las niñas deben ser protegidos contra el desarrollo de cualquier trabajo que no sea el de su educación. Porque se puede dar a entender que si el trabajo no es peligroso o nocivo para la salud o para su desarrollo entonces no hay problema. Y lo hay.

Choca ver con qué facilidad se incumplen las leyes que no interesan. Si se atenta contra la propiedad privada de cualquier político o de cualquier juez, las consecuencias de esa acción serán inevitables, Pero si, contraviniendo la ley, se pone en peligro la vida de millones de niños y de niñas, no pasa nada.

Respecto al trabajo infantil existen algunos mitos y errores que conviene denunciar. Uno de ellos consiste en pensar que “el trabajo dignifica”. El trabajo es un valor para los adultos pero, para los niños y las niñas, es una forma de tortura. Otro mito es afirmar que “los niños y las niñas son explotados por sus padres y madres” cuando lo que en realidad sucede es que toda la familia es víctima de la pobreza. Un tercer mito es decir que “es mejor que los niños trabajen a que estén sin hacer nada”. Los niños y las niñas tienen derecho a su educación y ésta es esencial para su desarrollo. El cuarto mito al que quiero referirme es el que sostiene que “si un niño trabaja va a estar mejor preparado para conseguir empleos cuando sea adulto”. No es así. Por el contrario, todo lo que atenta contra una buena educación, limita las posibilidades de empleo en el fututo. “Los niños tienen mejores condiciones que los adultos para realizar ciertos trabajos”, dice el quinto mito. No es cierto que puedan realizar mejor los trabajos, aunque sí es cierto que son tratados y pagados de forma diferente. El sexto mito se enuncia así: “Es mejor que un niño trabaje a que esté robando”. No es cierta la afirmación de que hay delincuencia porque los niños no trabajan. El último se refiere a las niñas y dice “que las niñas que realizan trabajos domésticos en el hogar no trabajan”. Entonces, ¿qué hacen?

La pobreza es la principal causa del trabajo infantil en el mundo. Pero lo es también la avaricia y la insensibilidad de muchas personas que pretenden enriquecerse de forma abusiva.

Hay en el mundo un elevadísimo número de niños a quienes se está robando la infancia. Familias que viven en la miseria, sacan del trabajo de sus hijos e hijas un pequeño emolumento que les permite sobrevivir. El patrón es, a veces, el propio padre. Otras veces se trata de empresas que utilizan una mano de obra dócil y barata.

El problema no reside sólo en la explotación y en las malas condiciones de trabajo, que ya es mucho. El problema es que esa situación les arrebata el tiempo de juego y la ocasión de aprender. El lugar de los niños es el hogar, es la escuela. El lugar de los niños no es la fábrica, la calle o el campo. Además, cuando el trabajo no supone la plena desescolarización suele producir malos resultados en el aprendizaje, repetición de cursos y abandono temprano.

Hay muchas modalidades de trabajo infantil, Citaré las más frecuentes:

- Cuidado de la casa y de sus hermanos cuando los mayores no están.
- Trabajo doméstico en su propia casa o en casa de terceros.
- Industria textil y de calzado, del vidrio, de materiales eléctricos, construcción, fabricación de juguetes, minería, cuero…
- Petición de propinas, apertura de puertas de taxis, limpieza de parabrisas, cuidado y lavado de coches…
- Venta ambulante.
- Utilización de armas en situaciones de guerra.
- Recuperación de materiales reciclables.
- Explotación sexual, tráfico y venta de droga y actividades ilícitas.
- Preparación de la tierra, siembra y cosechas en el campo.
- Cuidado de animales y cultivos, fumigaciones, acarreo de agua.

Es necesario erradicar el trabajo infantil en el mundo. Todos los niños y las niñas deberían importarnos. Millones de víctimas se ven obligadas a realizar trabajos inhumanos y a renunciar a su derecho a la educación.

¿Qué pasa con la leyes que proclaman los derechos de los niños y de las niñas? Son papel mojado en muchos lugares del mundo en los que los infantes son condenados a la explotación más denigrante. La impune violación de los derechos de los niños y de las niñas no puede dejar indiferente a nadie. Y, por ello, nadie debe quedarse con los brazos cruzados. El hecho de que esos niños y esas niñas no estén cerca no quiere decir que no existan.

¿Cómo mostrarnos impasibles ante esta tragedia que sigue en vigor mientras nuestros niños y niñas acuden cada día a las escuelas? ¿Cómo no denunciar a quienes explotan de manera tan brutal a estas criaturas? ¿Cómo no gritar y exigir a los políticos que tomen cartas en el asunto? ¿Cómo no comprometernos a mandar a la ruina a todos aquellos negocios que se construyen con el sudor de los niños y de las niñas?