segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Professor faz a diferenca


Título O Professor Faz a Diferença
Autor(es)
Helena Santos Silva
José Lopes
I.S.B.N 978-972-757-722-4
Páginas 352
Editora Edições Lidel


Sinopse
Identificar os factores mais susceptíveis de ajudar os alunos a aprender tem sido objecto de várias investigações em educação, consolidadas com a aplicação prática em sala de aula.
Ao longo destes últimos anos, os autores constataram que a influência do professor é superior a factores como o ambiente familiar do aluno, a sua origem étnica e nível socioeconómico, a sua motivação e potencial intelectual. O que os professores fazem na sala de aula é o principal factor que determina a aprendizagem e o sucesso dos alunos. Nem todas as práticas pedagógicas têm o mesmo efeito na aprendizagem, a diferença está antes relacionada com determinadas características e atitudes dos professores. Que práticas e características dos professores estão então mais directamente relacionadas com uma aprendizagem eficaz dos alunos? Em O Professor Faz a Diferença, obra dirigida a professores e estudantes de cursos que habilitem para a docência, encontra-se resposta a esta e outras perguntas, ou seja, contraria-se a ideia feita de que todos os professores são iguais.
Através deste livro, o leitor toma ainda conhecimento das estratégias e métodos de ensino mais eficazes na aprendizagem dos alunos e poderá tirar partido das inúmeras sugestões de aplicação na sala de aula.


Principais Tópicos

Aprendizagem e desenvolvimento profissional do professor
As características do professor eficaz
Estratégias e métodos de ensino mais eficazes :

■Avaliação formativa
■Ensino recíproco
■Feedback professor-aluno/aluno professor
■Apresentações espaçadas versus apresentações espaçadas das matérias escolares
■Ensino de estratégias metacognitivas
■Aprendizagem cooperativa versus métodos não cooperativos
■Instrução directa, ensino explícito ou activo
■Estabelecer objectivos
■Organizadores prévios
■Combinar o estilo de ensino com o estilo de aprendizagem dos alunos


Público-Alvo

•Professores dos 1.º, 2.º e 3.º Ciclos dos Ensinos Básico, Secundário, EFA e Ensino Superior
•Alunos dos cursos de Licenciatura em Educação Básica
•Alunos de qualquer curso de Especialização ou de Mestrado que habilite para a docência


O(s) Autor(es)


Helena Santos Silva
Doutorou-se em 2001 na área de Formação de Professores e é desde 2007 Professora Associada no Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde desenvolve a sua actividade profissional no âmbito da formação inicial, contínua e pós-graduada de professores. É co-autora de dois livros de educação, nomeadamente da obra A Aprendizagem Cooperativa na Sala de Aula, publicada pela Lidel.

José Lopes
Doutorou-se em 1998 na Especialização de Psicologia da Educação e é desde 2004 Professor Associado no Departamento de Educação e Psicologia na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde é responsável pela formação inicial, contínua e pós-graduada de professores e de psicólogos. É autor de vários livros nas áreas da psicologia e da educação, com destaque para o livro A Aprendizagem Cooperativa na Sala de Aula, publicado pela Lidel.


Índice

Introdução
1. Avaliação formativa
2. Microensino
3. Intervenções globais para alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE)
4. Clareza do professor
5. Ensino recíproco
6. Feedback professor–aluno/aluno–professor
7. Relações professor-aluno
8. Apresentações espaçadas versus concentradas das matérias escolares
9. Ensino de estratégias metacognitivas
10. Ensino do autoquestionamento e da autoverbalização (auto-instrução cognitiva)
11. Desenvolvimento profissional do professor
12. Não rotular os alunos
13. Ensino de estratégias para resolução de problemas
14. Estratégias de ensino
15. Aprendizagem cooperativa versus métodos não cooperativos de aprendizagem
16. Ensino de estratégias de aprendizagem e de estudo
17. Instrução directa, ensino explícito ou activo
18. Aprendizagem de mestria ou de domínio
19. Exercícios e problemas resolvidos
20. Mapas de conceitos
21. Estabelecer objectivos
22. Tutoria entre pares
23. Sistema personalizado de ensino ou método Keller
24. Ensino com recurso a vídeos interactivos
25. Questionamento ou colocação de perguntas na sala de aula
26. Qualidade de ensino do professor avaliada pelos alunos
27. Efeito das expectativas do professor no desempenho escolar do aluno
28. Organizadores prévios
29. Combinar o estilo de ensino com o estilo de aprendizagem dos alunos
Índice remissivo

sábado, 6 de novembro de 2010

Hora da Poesia



HINO À VIDA

A vida é uma oportunidade, agarra-a.
A vida é beleza, admira-a.
A vida é bem-aventurança, saboreia-a.
A vida é um sonho, faz dele uma realidade.
A vida é um desafio, enfrenta-o.
A vida é um dever, cumpre-o.
A vida é um jogo, joga-o.
A vida é preciosa, cuida dela.
A vida é uma riqueza, conserva-a.
A vida é amor, disfruta-o.
A vida é um mistério, penetra-o.
A vida é promessa, cumpre-a.
A vida é tristeza, vence-a.
A vida é um hino, canta-o.
A vida é combate, aceita-o.
A vida é uma tragédia, abre-lhe os braços.
A vida é uma aventura, ousa-a.
A vida é felicidade, merece-a.
A vida é a vida, defende-a.

Madre Teresa de Calcutá

Da Reflexão

Eclesiastes lido por Luís Miguel Cintra: capítulo terceiro

«Todas as coisas têm o seu tempo. E todas passam debaixo do céu, segundo o termo a que cada uma foi prescrito.

Há tempo de nascer e tempo de morrer. Há tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou. Há tempo de matar e tempo de sarar. Há tempo de destruir e tempo de edificar. Há tempo de chorar e tempo de rir. Há tempo de se afligir e tempo de saltar de gosto. Há tempo de espalhar pedras e tempo de as ajuntar...»



Outras leituras do Livro do Eclesiastes:
Capítulo I
Capítulo II

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Da (in)disciplina



(Clique na imagem para ler)

Educação Sexual: Exposição


Chegou ao Pavilhão do Conhecimento "Sexo, e então?", uma exposição sem tabus que explica o amor e a sexualidade ao público mais jovem (idades compreendidas entre os nove e o catorze anos), mas também a educadores que queiram perceber como falar sobre isso com as suas crianças.

Acompanhados pelos divertidos personagens Titeuf, Nádia e os seus amigos, as crianças aprendem mais sobre o que é estar apaixonado, as mudanças da puberdade, como é fazer sexo e como se gera um bebé. Sempre através de dispositivos e atividades interativas. A informação, com rigor mas transmitida de forma divertida torna a aprendizagem mais fácil.

"Sexo...e então?" esteve na 'Cité des Sciences', em Paris, e vai estar no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa até dia 28 de agosto de 2011.


Horário
Terça a sexta-feira: 10h às 18h
Fim de semana: 11h às 19h

Preçário
Crianças: 4€
Adultos: 7€
Bilhete de família (2 adultos e nº ilimitado de crianças): 15€

Inquietações...



Do livro "História do Rei Transparente" de Rosa Monteiro. Uma sugestão de leitura do Terrear que vale a pena.


Eis um excerto delicioso e inquietante:


- Continuas a escrever o teu livro de palavras?
A pergunta de Nyneve surpreende-me. Endireito-me e olho para ela. A minha amiga, que também está a trabalhar na horta, descansa apoiada na enxada.
- Sim. Porquê?
- Porque te queria oferecer uma palavra. A melhor de todas.
- Ah, sim? Qual é?
- Compaixão. Que, como sabes, é a capacidade de nos colocarmos na pela do próximo e de com ele sentir o que ele sente.
- Sim, agrada-me. Mas por que me dizes que é a melhor?
- Porque é a única das grandes palavras em nome da qual não ferimos, não torturamos, não prendemos e não matamos…. Pelo contrário, evita tudo isso. Há outras palavras muito belas: amor, liberdade, honra, justiça… Mas todas elas, todas, podem ser manipuladas, podem ser utilizadas como armas de arremesso e causar vítimas. Por amor ao seu Deus, os cruzados acendem piras, e por um amor aberrante, os amantes ciumentos matam as suas amadas. Os nobres maltratam e abusam barbaramente dos seus servos em nome de uma hipotética honra; a liberdade de uns pode significar prisão e morte para outros e, quanto à justiça, todos julgam tê-la do seu lado, mesmo os tiranos mais cruéis. Só a compaixão impede estes excessos; é uma ideia que não pode impor-se aos outros a ferro e fogo, porque nos obriga a fazer justamente o contrário. Obriga-nos a aproximamo-nos dos outros, a sentir o que sentem e a compreendê-los… Lembra-te desta palavra, minha Leola. E, quando te lembrares, pensa também um pouco em mim.

Rosa Montero (2006). História do Rei Transparente. Porto:ASA (pp. 409-410).

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Congresso Internacional - Avaliação em Educação




APRENDER AO LONGO DA VIDA
Contributos, perspectivas e questionamentos do currículo e da avaliação


Ao longo das últimas décadas, o paradigma da “aprendizagem ao longo da vida” tem adquirido uma inegável centralidade nas retóricas e nas políticas de resposta aos desafios resultantes dos processos de globalização, de competitividade generalizada e, sobretudo, de aceleração tecnológica e de “virtualização” do saber, sendo, ao mesmo tempo, objecto das ambições emancipatórias dos sujeitos e das comunidades numa busca de equidade, justiça e democracia.

Nesta reconfiguração da educação, hoje com contornos marcadamente globais, assiste-se a profundas e radicais mudanças cujos efeitos sistémicos são bem evidentes na regulação das políticas educativas e curriculares com a emergência de instâncias transnacionais e/ou supranacionais, na construção e no desenvolvimento das identidades e percursos profissionais, na valorização científica e social dos contextos informais e não-formais de aprendizagem e na progressiva virtualização dos contextos e dispositivos de aprendizagem.

Seja como instrumento de inteligibilidade ou como dispositivo de acção, a avaliação tem assumido uma importância indiscutível na problematização deste conjunto de transformações, assim como na busca de soluções para os desafios suscitados pelo reforço do paradigma da “aprendizagem ao longo da vida”. Mesmo que dilacerado por mandatos diversos e antagónicos, o campo do currículo e da avaliação são, indiscutivelmente, lugares privilegiados para a produção de novas formas de pensar e de agir em educação.

É neste contexto que a temática do congresso se estruturará em torno dos seguintes eixos:
1.º: Avaliação das políticas curriculares de educação e formação ao longo da vida;

2.º: Aprendizagem ao longo da vida e avaliação do desempenho profissional;

3.º: Avaliação de “competências” adquiridas em contextos experienciais;

4.º: A avaliação das aprendizagens em ambientes formais, “virtuais” e a distância;

5.º: A avaliação da aprendizagem de adultos e educação não-formal


Programa e outras informações aqui.

Investigação em Educação


Biblioteca da Universidade do Minho - Dissertações de Mestrado:

Título: A utilidade da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) em Educação
Autores: Lavrador, Rute Sónia Fernandes
Data:2010-02-22
ID: http://hdl.handle.net/1822/10996

Título: A participação das crianças nos processos de promoção e protecção : estudo de caso numa CPCJ
Autores: Mota, Diana Sofia da Cruz
Data:2009-12-22
ID: http://hdl.handle.net/1822/10998

Título: O repertório musical português no Curso Básico do Ensino Especializado : manual para os 1º e 2º graus da disciplina de Formação Musical
Autores: Almeida, João Carlos Pinto de
Data:2009-12-16
ID: http://hdl.handle.net/1822/10995

Título: Melhorar a fluência da leitura com recurso ao computador pessoal : estudo de caso único de criança com dislexia
Autores: Araújo, Filipa Andreia Portela
Data:2009-12-22
ID: http://hdl.handle.net/1822/11003

Título: A utilização de software educativo na sala de aula, enquanto recurso promotor da articulação curricular e do desenvolvimento de competências no 1.º Ciclo do Ensino Básico
Autores: Ferreira, Paula Cristina Leite
Data:2009-12-11
ID: http://hdl.handle.net/1822/11000

Título: Análise das representações de género e seus valores na literatura infanto-juvenil e na formação da criança
Autores: Barbosa, Ana Maria Pereira Vieira
Data:2009-12-22
ID: http://hdl.handle.net/1822/10997

Título: Auto-percepções da capacidade de resiliência em jovens afro-portugueses residentes num bairro desfavorecido
Autores: Bernardo, Susana Concha
Data:2009-12-23
ID: http://hdl.handle.net/1822/10999

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Da Poesia de Sophia de Mello Breyner


O Centro Nacional de Cultura organiza a 27 e 28 de Janeiro de 2011 um Colóquio Internacional dedicado a Sophia de Mello Breyner Andresen, que decorre na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A primeira sessão, presidida por Paula Morão, conta com a participação de Nuno Júdice, Rosa Maria Martelo, Manuel Gusmão e Eucanaãn Ferraz.

Na conferência intitulada “Luz e desenho na poética de Sophia”, Nuno Júdice observa que «a poesia constrói-se sobre uma imagem calculada e enquadrada no discurso poético por uma relação entre o som que as palavras produzem e o desenho que as recorta no universo poético com o rigor de uma luz que as acompanha no momento da escrita».

«A prevalência da visualidade na construção do mundo» da poetisa «parece inquestionável», embora, ao nível do verso, poucos «terão retirado tantas consequências da relação entre o som e o sentido», assinala Rosa Maria Martelo, que vai refletir sobre «esta (aparente) contradição».

Eucanaãn Ferraz parte do titulo do poema “Esteira e cesto” para pensar «o quanto a sua poética pode ser aproximada do trabalho de entrançar cestos e esteiras, considerando-se, com a poeta, que “no entrançar de cestos e de esteira” é “como se o tecedor a si próprio se tecesse».

Helder Macedo, José Manuel dos Santos, Jorge Fernandes da Silveira e Piero Ceccucci são os convidados da sessão seguinte.

«Para Sophia, a felicidade não se procura, encontra-se. “Irrecusável, nua e inteira”, está “no esplendor da presença das coisas”. Concreta, é “uma felicidade do mundo objetivo, sem a menor mancha de caso pessoal”. “Está no brilho do mar e no vermelho da maçã”, é encontro, revelação, epifania. É início e acordo», nota José Manuel dos Santos.

Para Jorge Fernandes da Silveira, «o Brasil, e por extensão o Novo Mundo, é a desejada metade atlântica a conhecer. Dum lado, o seu ibero-europeu, Clássico, lê-se uma das mais comoventes biografias poéticas escritas em língua de Camões sobre o imaginário português dividido entre a terra e a água. Paradigmáticos desse modo de ser portuguesa e de estar em Portugal são os poemas “Pátria” e “Inscrição”. Do outro lado, lê-se uma apurada atenção ao que há de diferente na figura do que se lhe apresenta como o de fora, expressão, a um só tempo, similar e distinta de si mesma».



«Enquanto em Pessoa, entre o eu poético e a Noite entrelaça-se uma relação intensa e dialogal, feita de invocações, de imagens de encantamento, vistas pelos olhos da alma; em Sophia, a Noite com a sua beleza doce e malincónica ganha um sentido envolvente e profundo de metáfora da infância, quase metonímia da própria infância, daquele estado de maravilha e inocência inefáveis, com que na primeira idade se olha para o mundo, corando-o com as cores eufóricas da esperança e da promessa», constata Piero Ceccucci.

A tarde abre com a presença de Giulia Lanciani, Paula Morão, Federico Bertolazzi e Carlos Mendes de Sousa.

Paula Morão lembra que Sophia «passou a infância entre duas casas do Campo Alegre, no Porto: a dos pais e a dos avós. A memória da casa e dos jardins sobranceiros à foz do Douro surge com força impressiva na sua obra, tanto na poesia como na narrativa».



Na conferência “O cântico da longa e vasta praia. Eco atlântico em itinerário mediterrânico”, Federico Bertolazzi procura «esboçar os contornos de uma geofilosofia poética que coloca o mar como centro da reflexão ontológica e existencial».

Carlos Mendes de Sousa propõe-se «analisar o modo como a poesia de Sophia testemunha a incessante busca que a metáfora da dança emblematiza; dança em que o ser “se perde e se desune e se reúne”».

A última sessão do primeiro dia prevê as intervenções de Perfecto Cuadrado, Frederico Lourenço, Maria de Fátima Freitas Morna e José Manuel Mendes.

Perfecto Cuadrado chama a atenção para «outros territórios da escrita frequentados – sempre dentro do espaço comum da poesia – pela autora: a tradução, o ensaio, as narrativas e os chamados “contos para crianças”», que serão objeto de análise do conferencista, juntamente com os «vasos comunicantes» entre eles e o resto da obra de Sophia.



«No livro "Dual" encontramos uma das mais impressivas expressões reflexivas da obra de Sophia: "o tempo apaga tudo menos esse longo indelével rasto que o não-vivido deixa"». A comunicação de Frederico Lourenço «procura determinar o que significa o "não-vivido" na poética de Sophia e que reflexões a seu respeito encontramos de modo explícito ou implícito na sua poesia».

Fátima Freitas Morna sonda os «núcleos imagéticos fortes que não só relacionam os poemas e os contos entre si como os projetam numa espécie de grande narrativa da criação, fragmentária e elíptica, capaz de permitir finalmente vislumbrar “o nome deste mundo dito por ele próprio”».

«Antes e depois do 25 de abril de 1974, Sophia distinguiu-se entre os escritores que resistiram, primeiro, à extinção da SPE pela ditadura salazarista, e pugnaram pela sua reconstituição, o que só aconteceria em 1973 com a criação da APE.» José Manuel Mendes recorda a «intervenção singular» da autora.



O segundo dia do colóquio começa com Alexis Levitin, Teresa Amado e Michel Chandeigne.

Levitin abordará os desafios envolvidos na «tradução da transparência», enquanto que Chandeigne fala sobre a receção de Sophia em França.

«Nas notas escritas por Sophia Mello-Breyner a propósito da tradução de Hamlet, que a ocupou ao longo de anos, revelam-se alguns aspetos essenciais do modo como ela lê o poeta inglês, ou de como a escrita de Shakespeare provoca e inspira a sua própria escrita.» Teresa Amado comenta alguns exemplos dessa tradução.

A segunda sessão da manhã conta com as participações de Pedro Eiras, Richard Zenith, Jaime Siles e Miguel Serras Pereira.

Em “A face noturna”, Pedro Eiras «procurará encontrar em Sophia, para lá dos deuses solares, uma versão violenta e tenebrosa do divino», numa leitura que desafia «a partir do excesso e do caos» que desafia «o mito nietzschiano da criação apolínea».



Partindo de uma análise do poema “Ressurgiremos” (do Livro Sexto), Richard Zenith examina «a natureza e o lugar da religiosidade no universo poético de Sophia de Mello Breyner», sobretudo na «convivência nele de um sentimento pagão com a fé cristã».

Jaime Siles olha para os «textos em que a ligação de Sophia a Camões é iniludível» e responde às perguntas: «Que textos escolhe? O que privilegia? Que formas de relação – evocação, apropriação, transformação… - cultiva? Até que ponto se distingue de poetas seus contemporâneos?».

A «rutura» de Sophia com o mito «salvaguarda e reitera a potência criadora da imaginação mítica, libertando-a da fixação e da ocultação que o “terror das origens” lhe impunha. O exemplo não é aqui o de um roteiro de viagem segura, mas o daqueles que “navegavam sem o mapa que faziam””», refere Miguel Serras Pereira.

Depois do almoço, tempo para o encontro com Fernando J. B. Martinho, Gustavo Rubim, Anna Klobucka e Antonio Tabucchi.



A comunicação de Fernando J. B. Martinho «visa estudar o diálogo de Sophia com Pessoa, definindo como ponto axial desse diálogo os poemas de “Dual” e de “O Nome das Coisas”, "Em Hydra, evocando Fernando Pessoa" e "Cíclades (evocando Fernando Pessoa)"».

Gustavo Rubim baseia-se em «certas aparições bem conhecidas de Ricardo Reis na poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen - por exemplo, a secção III do livro “Dual”» - para «explorar o nexo entre forma e corpo como ponto onde se articula (se enuncia, se enreda e se desdobra) uma poética que quer ser ao mesmo tempo uma crítica, uma ética, uma estética e uma erótica».

«Partindo de uma leitura das duas máscaras míticas que a personagem transfigurada de Fernando Pessoa veste na poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen (Orfeu e Odisseu/Ulisses)», a conferência de Anna Klobucka «interroga o funcionamento da diferença sexual no diálogo intertextual entre as obras e os sujeitos autorais dos dois poetas.»



Já Antonio Tabucchi «fala de uma viagem especial em que revisita alguns lugares celebrados por Sophia de Mello Breyner (Delfos, Templo de Poseidon, Cnossos, etc.), revendo-os à luz do sentido simbólico que os versos de Sophia lhes atribuíram».

A última sessão do colóquio tem a presença de Isabel Almeida, Sofia Silva e Clara Rocha.

Centrada num núcleo restrito de poemas, Isabel Almeida estuda a obra de Sophia e de Camões, com o propósito de perceber «em que medida é pertinente e em que medida se torna revelador o estabelecimento de pontes entre ambos».

Sofia de Sousa Silva descobre «uma possível relação entre Sophia de Mello Breyner Andresen e Adília Lopes», já que ambas «refletem sobre o que é a poesia e, ao fazê-lo, procuram uma solução para um problema legado pela modernidade: como conciliar a liberdade da arte com uma função social?»



«A relação de amizade entre Sophia de Mello Breyner Andresen e Miguel Torga, ao longo de várias décadas, teve expressão literária em diversos textos, e particularmente nas evocações e retratos que os dois autores nos deixaram nas suas obras», sublinha Clara Rocha, cuja comunicação incidirá sobre essas figurações a partir de inéditos e de textos publicados.

O colóquio termina com uma mesa-redonda com António Osório, Nuno Júdice, Armando Silva Carvalho, Gastão Cruz, Ana Luísa Amaral e Luís Quintais, com moderação de Ana Marques Gastão.

Inscrições e outras informações sobre o Colóquio aqui.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010