quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Do Valor de Educar


O valor de educar, o valor de instruir

de Fernando Savater, Ricardo Moreno Castillo, Nuno Crato, Helena Damião


Código: 34931
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 96
Editor: Porto Editora
ISBN: 978-972-0-34931-6
Colecção: QUESTÕES-CHAVE DA EDUCAÇÃO



Sinopse

"Os bons professores sabem há muito que o ensino estruturado é importante, que não se pode esquecer a motivação dos alunos nem a pressão para o estudo, que a tabuada e a mecanização das operações são necessárias, que a ortografia não deve ser desleixada e que a compreensão dos bons textos literários é crucial. Os bons professores sabem há muito o que os teóricos da pedagogia romântica querem que eles esqueçam."
Nuno Crato, FFMS

"Com estas conferências «Questões-chave da Educação», a FFMS pretende contribuir para a reflexão colectiva e a discussão pública sobre todas as questões que directa ou indirectamente envolvem a Educação. Pretendemos fazê-lo no cumprimento de alguns princípios, como sejam o rigor, a independência e a liberdade."
António Barreto, FFMS

Apresentação da obra por António Barreto
Ficha do produto

Da Amizade

A Flor da Alegria

O João e a Rosalinda viviam na mesma cidade, na mesma rua e em casas mesmo encostadinhas. Tão encostadinhas que só um muro separava os dois quintais – o quintal do João e o quintal da Rosalinda. Mas como os dois amigos passavam o tempo a saltar o muro – ora salto eu para o quintal da Rosalinda, ora salto eu para o quintal do João – os pais de ambos resolveram deitar abaixo o muro e ficaram com um grande e belo quintal para todos.
E era no quintal, debaixo da laranjeira grande, que os dois amigos mais gostavam de brincar. E que brincadeiras! Ele eram corridas, ele eram gargalhadas, ele eram cantigas! Até a D. Gertrudes, avó da Rosalinda, dizia rindo também:
— Ai, estes risos! Como eles me fazem bem!
Mas um dia... a Rosalinda não apareceu debaixo da laranjeira grande. Preocupado, João foi logo a correr a casa da amiga. Estaria doente?
Foi a mãe de Rosalinda que abriu a porta e disse:
— A Rosalinda está na sala. Já chamámos o médico. Não tem febre, não tem dores, parece que nem tem nada, mas está tão triste! É que, sabes, a tristeza pode ser uma doença.
Então João entrou na sala e encontrou a amiga sentada numa cadeira, com a cabecinha muito direita, as trancinhas negras caídas nos ombros, os olhos parados, as mãos imóveis... e caído aos seus pés o Bebé, seu boneco preferido, com uma lágrima redondinha como uma pérola a deslizar nas suas bochechas rosadinhas.
Era isso, então, concluiu o João. A Rosalinda estava doente de tristeza.
Nessa noite, João deitou-se, muito triste também, a pensar na amiga. Os seus olhos fecharam-se e ele ouviu, vinda não sabia de onde, uma voz misteriosa que dizia:
— Só tu podes salvar Rosalinda. Sobe ao pico mais alto das Montanhas da Neve e lá encontrarás a Flor da Alegria. Colhe-a e trá-la contigo, pois só ela pode salvar a tua amiga.
Então João pôs-se a caminho das Montanhas da Neve. Quando se preparava para começar a subida, apareceu-lhe no caminho um dragão, com a sua cauda de serpente e as suas asas a vibrar de fúria:
— Não sabes que eu sou o guardião destas Montanhas? Não sabes que nunca ninguém por aqui conseguiu passar?
— Mas eu tenho de subir ao pico mais alto das Montanhas da Neve para colher a Flor da Alegria e salvar a minha amiga Rosalinda que está doente de tristeza — explicou o João.
O dragão, indeciso, coçou com as suas fortes garras a cabeça coberta de escamas e, mais brando, disse:
— É bonito isso da Amizade! Olha, poderás subir ao pico mais alto das Montanhas para colheres a Flor da Alegria, mas terás de vencer três provas muito difíceis para mostrares que és mesmo amigo da Rosalinda. É que a Amizade não é coisa fácil, sabes?
E João, ao recordar a carinha triste da amiga, encheu-se todo de coragem e prometeu ao dragão:
— Faço tudo, mesmo tudo o que for preciso, para salvar Rosalinda.
— Isso que disseste é bonito também. Agora vou dizer-te as três provas que terás de vencer para chegares ao pico mais alto das Montanhas da Neve: entrar na Caverna dos Leões Ferozes; trazer a coroa de diamantes da Rainha das Fadas que está no ramo mais alto da mais alta árvore do Bosque dos Abetos; e, por fim, atravessar o Lago das Águas Verdes. Então encontrarás a Flor da Alegria — e o dragão desapareceu numa nuvem de fogo.
E o João continuou a caminhar.
Numa clareira, encontrou um leão bebé, de pêlo dourado, que brincava, pulava e rebolava sobre um tapete macio feito de musgo verde e folhas caídas das árvores.
João parou um bocadinho a olhar encantado o leãozinho quando ouviu, atrás de si, um barulhinho leve. Era um tigre felino, de pêlo amarelo e pescoço listrado de preto, que se preparava para atacar o leão bebé. Então, sem pensar no perigo, João deu um salto, agarrou o leãozinho e escondeu-se com ele numa caverna escura que se abria mesmo ao lado da clareira. Do lado de fora, o tigre bem tentava atacá-los, mas a entrada da caverna era estreita e ele não conseguia entrar. Por fim, foi-se embora, rugindo um forte rugido de cólera.
Quando o nosso herói se preparava para partir, apareceram, vindos do outro lado da caverna, o Pai Leão, a Mãe Leoa e, pulando à volta deles, três filhotes, irmãos do leão bebé.
— Obrigada por salvares o nosso filho — disse a Mãe Leoa, aconchegando a si o leãozinho, com a sua pata macia.
— Ele é muito desobediente. Saiu sozinho da caverna e só a tua coragem o salvou — disse o Pai Leão, agitando a sua farta juba, em sinal de agradecimento. Que podemos fazer por ti, amigo?
E o João falou:
— Eu tenho de entrar na caverna dos Leões Ferozes para subir ao pico mais alto das Montanhas da Neve e aí colher a Flor da Alegria para salvar a minha amiga Rosalinda que está doente de tristeza.
— Mas a caverna dos Leões Ferozes é esta. E, olha, nós não somos ferozes. Só atacamos os outros animais para nos defendermos ou quando temos muita fome. Agora vamos contigo até ao outro lado da caverna. É lá que fica o caminho para o pico mais alto das Montanhas da Neve.
E os leões acompanharam o João até à saída da caverna e despediram-se com grande amizade.
João olhou para o alto pico coberto de neve e, enchendo-se de força, começou a subida. Ia a atravessar um bosque muito verde e cerrado quando ouviu lá do cimo:
— Ai! Ai! Ui! Ui! Ai! Ui!
Olhou e viu um macaquito muito aflito com o rabito enrolado no ramo de uma árvore.
— Ajuda-me cá! Ajuda-me cá! — pediu o macaquito. — Estava aqui a ensaiar saltos mortais para a grande Festa dos Macacos que é já amanhã quando o meu rabo (sabes, o rabo dos macacos é muito importante) se me enrolou neste ramo. E agora aqui estou preso. Achas que podes libertar-me?
O João que, como já adivinharam, era muito amigo dos animais, não se fez rogado. Trepou até ao ramo onde estava o macaquito e desenrolou com todo o cuidado o seu rabito.
— Ora aqui estou eu livre de novo. E com o meu rabinho inteiro! Estou-te muito agradecido. O que posso fazer por ti, amigo?
— Eu tenho de ir buscar a coroa de diamantes da Rainha das Fadas que está no ramo mais alto da mais alta árvore do Bosque dos Abetos.
— Mas o Bosque dos Abetos é aqui. E a mais alta árvore do bosque é esta mesma onde nós estamos. Espera um instantinho que eu sou um macaquito ágil e bom trepador e vou retribuir-te o teu favor.
E o macaco subiu ao ramo cimeiro da árvore e voltou com uma coroa de diamantes que brilhavam como mil estrelas acesas. E, com muitos abraços e agradecimentos, despediram-se e cada um seguiu o seu caminho.
E João andou, andou, andou, já muito cansado, mas com os olhos pregados no pico mais alto das Montanhas da Neve onde crescia a Flor da Alegria que iria salvar a sua amiga Rosalinda que estava doente de tristeza.
Até que chegou às margens do Lago das Águas Verdes. E, no meio dos altos arbustos, foi encontrar, ferida, uma Águia Real que em vão tentava voar, batendo as suas enormes asas, aflita e sofredora.
— Águia Real, está sossegada. Eu vou tratar de ti e poderás voar de novo.
E João ficou nas margens do Lago das Águas Verdes durante três dias e três noites para tratar a Águia Real. Por fim, ela conseguiu erguer-se e ensaiou um pequeno voo.
— Já posso voar de novo! Como te estou agradecida! Que posso fazer por ti, amigo?
— Eu tenho de atravessar o Lago das Águas Verdes, subir ao pico mais alto das Montanhas da Neve e colher a Flor da Alegria para salvar a minha amiga Rosalinda que está doente de tristeza.
— Nada mais fácil. O meu ninho é mesmo lá no pico mais alto das Montanhas. Sobe para cima de mim sem medo. Nós, as Águias Reais, somos as mais fortes e as mais corajosas das aves.
E João, agarrado ao pescoço da sua amiga, voou muito alto, sobre o lago das Águas Verdes. E todos os animais do bosque levantaram para o céu uns olhos redondos de espanto. E até os peixinhos do lago puseram de fora as cabecinhas curiosas. É que nunca ninguém tinha visto um rapazinho voar montado numa Águia Real!
A Águia pousou no pico mais alto das Montanhas da Neve, despediu-se do amigo e voou para o seu ninho.
E ali mesmo, no meio da neve, abrigada de todos os ventos por um rochedo, João encontrou a Flor da Alegria. O seu pé era delicado e frágil, as suas folhas tinham a forma de um coração e as suas pétalas tinham a cor quente da amizade. Então, com muito cuidado, João colheu a Flor, apertou-a contra o coração, desceu as Montanhas da Neve a correr e a correr entrou na casa de Rosalinda.
Já ela estava sentada na sua cadeira, com a cabecinha muito direita, as trancinhas negras caídas nos ombros, os olhos parados, as mãos imóveis... e caído aos seus pés o Bebé, seu boneco preferido, com uma lágrima redondinha como uma pérola a deslizar nas suas bochechas rosadinhas.
João colocou a Flor da Alegria nas mãos de Rosalinda. Então uma estrelinha, muitas estrelinhas começaram a brilhar nos olhos da amiga. Ela sacudiu a cabeça e as suas trancinhas negras começaram a bailar para um lado, para o outro. Depois as suas mãos apanharam o Bebé e secaram a lágrima-pérola das suas bochechinhas rosadas.
E virou-se para o João a rir. E o seu riso era tão alegre, tão claro, tão cristalino que ele começou a rir também.
E a partir desse dia voltaram as brincadeiras debaixo da laranjeira grande. E que brincadeiras! Ele eram corridas, ele eram gargalhadas, ele eram cantigas! Até a D. Gertrudes, avó da Rosalinda, dizia rindo também:
— Ai, estes risos! Como eles me fazem bem!
E a Flor da Alegria?
Essa não morreu nunca. Ficou a morar para sempre no coração do João e no coração da Rosalinda.

Manuela Monteiro
A flor da alegria
Porto, Campo das Letras, 2006


Via Clube Contadores de Histórias - recebido por email

sábado, 23 de outubro de 2010

Estórias com Valores


Mais um excelente artigo de opinião do Professor Miguel Ángel Santos Guerra (23.10.2010). Contém relatos vários de experiências/vivências positivas de professores que vale a pena ler e divulgar. Eu costumo dizer que o BEM também é contagioso... e como diria o Miguel, o exemplo é uma forma eficaz de autoridade!

Dice la profesora inglesa Joan Dean que, si los profesores compartiésemos las experiencias positivas que vivimos, encontraríamos una fuente inagotable de energía y de optimismo. No lo hacemos por un falso pudor, por pereza o por creer que lo que hacemos no tiene la misma importancia que las iniciativas que otros llevan a cabo.

¿Cuántas experiencias creativas, hermosas y emocionantes llevan a cabo los docentes en los diversos ámbitos de intervención del sistema educativo? ¿E, incluso, fuera del mismo? ¿Por qué no difundirlas y combatir así ese fondo de pesimismo que es tan nocivo y, por otra parte, tan antagónico con la esencia de la educación?

Me han enviado un maravilloso documento pedagógico que quiero compartir con mis lectores y lectoras. Se trata de la iniciativa que hace varios años, diez aproximadamente, está llevando a la práctica un maestro colombiano llamado Humberto Luis Soriano Borges en La Gloria, Departamento de Magdalena (República de Colombia). Se trata de una biblioteca ambulante que se mueve a lomos de un burro y de una burra. La burra se llama Alfa y el burro se llama Beto. “Biblioburro” llama a su biblioteca andante este joven maestro.

Él dice que hay niños y niñas que viven apartados de cualquier tipo de libros, ya que sus familias se encuentran diseminadas por los valles y perdidas en pequeñas aldeas de montaña. No llega allí ningún tipo de vehículo y ellos no tienen posibilidades de acudir a los centros de población en los que hay bibliotecas.

Los fines de semana, el maestro Soriano, carga de libros las alforjas de Alfa y Beto y va con esos humildes tesoros al encuentro de los niños y de las niñas que los reciben con entusiasmo. El dice que pretende cultivar su imaginación, que pretende poner un poco de color en sus vidas grises. Él dice, que esos niños y niñas “atravesados por la violencia”, necesitan asomarse a las maravillas que encierran los libros.

Es emocionante ver las caras de los niños y de las niñas leyendo los libros y haciendo ejercicios diversos después de la lectura. Es emocionante escuchar las opiniones que los padres y las madres de esos niños manifiestan respecto a la iniciativa del maestro..

- Espectacular, dice una niña entusiasmada refiriéndose al encuentro con Alfa y Beto.

- Como los niños no pueden acudir a las bibliotecas, el maestro les trae la biblioteca a los niños, señala una mamá agradecida.

Mi admiración por este maestro que no se somete a su horario ni está pendiente del reloj para medir su jornada. Él acude a visitar a los niños y a las niñas que, alborozados, celebran la llegada de la biblioteca.

Me admira también que no se trate de una experiencia de un día o de dos, ocasional, pasajera, sino de un proyecto prolongado en el tiempo, que se ha hecho parte de la vida de esas personas a las que Paulo Freire calificaba de “los desheredados de la tierra”.

Me pregunto por qué no hace el gobierno la tarea que este humilde maestro realiza en sus horas de descanso. ¿Por qué abandona el gobierno a esas criaturas que necesitan acceder a los bienes de la cultura en mayor medida que otras que tienen a mano muchos medios y recursos? ¿Por qué las ignora y las deja abandonadas a su suerte? Tiene que ser este soñador y sacrificado maestro el que realiza estas labores de rescate. Él tiene que brindar su preocupación, su sensibilidad, su tiempo y su dinero para suplir las carencias del Ministerio de Educación del país. Uno llega a pensar si no es verdad aquella antigua sospecha que muchos albergaban respecto al poder: ¿no le interesará que los ciudadanos y ciudadanos sean ignorantes? De esa manera no pondrán en solfa su actitud y sus políticas. De esa manera no pretenderán desalojarles del poder.

Cuando contemplaba, emocionado, las imágenes a las que remito al lector o lectora (escriban en cualquier buscador la palabra biblioburro), pensaba en la desafección que muchos de nuestros escolares muestrean hacia los libros y hacia la lectura. ¿Qué nos pasa? Creo que la sobreabundancia nos ha saciado y ya no mostramos aprecio a bienes de los que otros carecen y que valoran en muy alto grado. Es muy significativo ver cómo reciben los niños y las niñas de estas aldeas al maestro y a sus burros y comparar esa actitud con el rechazo que algunos de nuestros escolares tienen hacia la lectura.

He contado en alguna ocasión la anécdota que el fallecido y querido Eduardo Haro Tecglen transcribió en su entonces habitual columna de El País. Contaba que, estando haciendo una mudanza, un joven levantaba sudoroso en su casa una pesada caja de libros. Eduardo le dice:

- Siento que tengas que hacer un esfuerzo tan grande. Los libros pesan y, además, la caja es excesivamente grande.

Y el chico le dice:

- No se preocupe por mí, Don Eduardo. Lo mío no es nada. Lo malo es lo suyo que tiene que leerlos.

¿Por qué este rechazo, por qué esta aversión, por qué esta actitud negativa hacia la lectura. Es preciso pensar qué estrategias didácticas utilizamos en las casas y en las escuelas. Y pensar si otros estímulos están conquistando las parcelas de curiosidad innata que tiene el ser humano. Es preciso pensar también si nuestra actitud hacia la lectura arrastra hacia los libros o aleja de ellos a nuestros hijos y a nuestros alumnos. Porque no hay forma más bella y más eficaz de autoridad que el ejemplo. Los niños y las niñas actúan como nosotros somos, no tanto como nosotros les decimos que tienen que actuar. Una persona que no ama los libros no puede contagiar el deseo de leer. El maestro colombiano de nuestra historia es una apasionado de la lectura, es un verdadero ejemplo de amor a los libros. Por eso contagia su actitud, por eso transmite tan eficazmente su emoción.

In El Adarve (23.10.2010)
(Nota: os sublinhados são meus)

Hora da Poesia e da Sátira



Soneto quase inédito


Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.

JOSÉ RÉGIO (Soneto escrito em 1969)

Na Hora da Poesia, o Valor das Palavras



As palavras

Adiro a uma nova terra adiro a um novo corpo
As palavras identificam-se com o asfalto negro
o tropel das nuvens
a espessura azul das árvores acesas pelos faróis
o rumor verde

As palavras saem de um ferida exangue
de teclas de metal fresco
de caminhos e sombras
da vertigem de ser só um deserto
de armas de gume branco

Há palavras carregadas de noite e de ombros surdos
e há palavras como giestas vivas

Matrizes primordiais matéria habitada
forma indizível num rectângulo de argila
quem alimenta este silêncio senão o gosto de
colocar pedra sobre pedra até à oblíqua exactidão?

As palavras vêm de lugares fragmentários
de uma disseminação de iniciais
de magmas respirados
de odor de gérmen de olhos

As palavras podem formar uma escrita nativa
de corpos claros
Que são as palavras? Imprecisas armas
em praias concêntricas
torres de sílex e de cal
aves insólitas

As palavras são travessias brancas faces
giratórias
elas permitem a ascensão das formas
elevam-se estrato após estrato
ou voam em diagonal
até à cúpula diáfana

As palavras são por vezes um clarão no dia calcinado

Que enfrentam as palavras? O espelho
da noite a sua impossível
elipse
Saem da noite despedaçadas feridas
e são signos do acaso pedras de sol e sal
a da sua língua nascem estrelas trituradas

António Ramos Rosa, In Gravitações, 1984

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Formação Contínua de Professores

(recebido via e-mail)

Ex.mo(a) senhor(a) professor(a),
Envio-lhe em anexo o cartaz para a primeira acção de formação levada a cabo pelo ISCRA, "O Paradigma Social da Identidade Cristã".

Esta acção de formação é acreditada especificamente para professores de EMRC, grupo 290, funciona integralmente em regime online, confere um (1) crédito e tem a duração de 25 horas.
Com os meus cumprimentos,
Ana Ferreira
Assistente Administrativa

(Clique na imagem para ler informações)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Recursos Educativos


GAVE : Banco de Itens
Base de dados do GAVE - Gabinete de Avaliação Educacional do Ministério da Educação - com itens das várias disciplinas do ensino básico e secundário. Os Professores têm acesso a uma área reservada com trabalhos de casa, fichas de avaliação e outros.



(Clicar na imagem para aceder ao Banco de Itens)

ADD - Padrões do Desempenho


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CONCURSO LITERÁRIO


CONCURSO LITERÁRIO FERNANDO CARDOSO / LIVROS & LEITURAS

O Concurso Literário Fernando Cardoso / Livros & Leituras dirige-se às escolas portuguesas e aos alunos do 1.º e 2.º ciclos.


PARTICIPAÇÃO POR ESCOLA

As escolas concorrentes devem enviar à revista Livros & Leituras, através do e-mail geral@livroseleituras.com, até 31 de Dezembro de 2010, os trabalhos sobre a obra de Fernando Cardoso destinada a crianças e jovens.

Os trabalhos não devem ter menos de uma página, em formato A4, nem mais do que três.

Cada escola pode enviar o máximo de dois trabalhos, um respeitante ao 1.º Ciclo, o outro ao 2.º Ciclo. Se a escola tiver apenas um dos ciclos, deverá enviar apenas um trabalho.

No e-mail de envio, devem constar os seguintes dados: nome, morada e telefone da escola, nome do professor ou professores autores do trabalho.

Os prémios que se destinam às bibliotecas das escolas vencedoras são os seguintes:

1.º prémio - 20 livros de Fernando Cardoso;

2.º prémio - 10 livros de Fernando Cardoso à escolha da escola premiada;

3.º prémio - 5 livros de Fernando Cardoso à escolha da escola premiada.


PARTICIPAÇÃO POR ALUNO

Os alunos que frequentem o 1.º e 2.º ciclos e que pretendam participar a título individual, podem também fazê-lo. Basta enviarem à Livros & Leituras, através do e-mail geral@livroseleituras.com, até 31 de Dezembro de 2010, os seus trabalhos sobre as obras “Ninguém e o Pássaro Azul” ou sobre “O Ladrão dum Menino Jesus”, de Fernando Cardoso.

Os trabalhos não devem ter menos de uma página, em formato A4, nem mais de duas.

Cada concorrente pode enviar o máximo de dois trabalhos, desde que sejam sobre as duas supracitadas obras.

No e-mail de envio devem constar os seguintes dados: nome, idade, morada e telefone do autor do trabalho e, bem assim, os elementos respeitantes à escola que frequenta (nome, morada, telefone).

Prémios para os jovens vencedores:

1.º prémio - 5 livros de Fernando Cardoso à escolha do concorrente premiado;

2.º prémio - 3 livros de Fernando Cardoso à escolha do concorrente premiado;

3.º prémio - 1 livro de Fernando Cardoso à escolha do concorrente premiado.


Outras Informações: aqui

Avaliação de Desempenho Docente - Síntese

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Três anos a partilhar... Educação


13/10/2007 ... 13/10/2010



1485 post

+ de 152 000 visitas

+ de 290 000 páginas

... e o desejo de continuar a partilhar...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A inclusão social de pessoas com deficiência


1º COLÓQUIO INTERNACIONAL

A força dos pais


6 de Novembro

Fundação Calouste Gulbenkian


Em Portugal, é a 1ª vez que se realiza um congresso desta natureza, centrado na perspectiva da pessoa e da família.
Um congresso organizado por pais com a ajuda de técnicos.
É que o tema em debate é a construção de um novo PARADIGMA, a INCLUSÃO social das pessoas com deficiência e a valorização do papel das suas famílias.
A abertura solene do colóquio será feita pela Sr.ª Dr.ª Maria Cavaco Silva.
Faça já a sua inscrição porque a adesão está a ser enorme e no auditório 2 apenas há 300 lugares, depois do que terá de ser aberto o auditório ao lado (com videoconferência) para todos os outros.


Veja aqui, o programa
(documento PDF).

Preenchimento de documento online (documento WORD).

Veja aqui, as instruções de inscrição (documento PDF).

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Concurso "Projecto Escola Electrão"

(clique na imagem para ler)


Os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos (REEE) constituem o tipo de resíduos com o maior crescimento na União Europeia. Cada cidadão europeu gera, em média, 14 quilogramas de REEE por ano, segundo a Comissão Europeia, embora outros estudos apontem para valores superiores.
Um dos problemas associado ao fluxo dos REEE é a presença de substâncias perigosas para o ambiente a saúde. Como exemplos, podem-se referir o arsénio, o chumbo, o cádmio, o crómio, o mercúrio, o cloreto de polivinil e os clorofluorcarbonos, entre outros.
O problema é tão grave que em 2006 saiu uma directiva comunitária proibindo que os novos equipamentos contenham algumas das substâncias acima referenciadas.
O Projecto escola-electrão, da iniciativa da Amb3E (Associação Portuguesa de Gestão de Resíduos de Equipamentos Electrónicos Electrónicos), pretende sensibilizar os alunos e a comunidade escolar para o correcto encaminhamento dos REEE, pelo efeito combinado de acções de divulgação e da participação num concurso inter-escolas.
Esta é a 3ª edição deste projecto, tendo a segunda edição, que decorreu no ano lectivo transacto, envolvido 603 escolas, com cerca de 405 666 alunos.
Respeitando a autonomia pedagógica das escolas, nomeadamente o seu Projecto Educativo, a Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular convida as escolas a associar-se a esta iniciativa, que se enquadra no contexto da Educação Ambiental e do Desenvolvimento Sustentável que as escolas têm vindo a promover.