terça-feira, 27 de julho de 2010

Passatempos Culturais


Baseado no filme infra "Contraluz" realizado por Fernando Fragata e em colaboração com o realizador, Paulo Freixinho (autor de Palavras Cruzadas) brinda-nos com um passatempo interessante para o qual convido os meus leitores.

(clique na imagem e imprima para resolver o passatempo)


Nota: As 62 palavras que preenchem a grelha encontram-se na zona dos comentários, ordenadas alfabeticamente (aqui).

Mensagens de Esperança


Cinema Português a "Contraluz"

Um homem que se isolou desde a morte da mulher está prestes a pôr fim à vida quando uma estranha mensagem proveniente de um GPS o faz inverter caminho.

Uma mãe desesperada com o comportamento da filha, que se afirma diariamente salva por uma voz vinda do telemóvel, mete-se com esta a caminho em busca de uma explicação e enfrenta uma situação fatal.

Um homem tenta ajudar um rapaz perturbado a retroceder no seu fito: regressar ao lugar onde perdeu a namorada e reencontrá-la, pela morte, registando o momento que a antecede com uma máquina fotográfica.

Cinco personagens desesperadas em “Contraluz” a quem o argumento do realizador Fernando Fragata oferece vias de esperança, aparentemente através de marcos simbólicos de natureza tecnológica representando a orientação, comunicação, o registo... uma ideia tão bem conseguida quanto bem intencionada?... Inequívoca e maioritariamente, o filme beneficia de um bom trabalho fotográfico. O mesmo se pode dizer da direcção musical a cargo de Nuno Maló, ainda que este abuse do tom épico.

É, porém, além dos diálogos minimalistas, em termos de gestão narrativa e de conteúdo, que o filme é menos bem sucedido: de facto, entrecruzar as histórias de várias personagens exige uma precisão e sentido de prioridade capazes de distribuir equitativamente a nossa atenção por todas elas. Desvios narrativos e a sobre dosagem de elementos catalizadores arriscam aqui esse equilíbrio. Qualquer um dos filmes do mexicano Alejandro G. Iñarritu (“Babel”, “21 Segundos” ou “Amor Cão”), por exemplo, serviria para exemplificar essa boa gestão .

Por outro lado, se é de louvar quer a declarada mensagem de esperança que Fernando Fragata afirma querer transmitir, quer o facto de todas as personagens verem abrir-se o seu caminho para além do que tinham fixado como ponto final, é menos clara a validade do modo como tal é conseguido: na verdade, apesar do potencial simbólico, nunca o uso daqueles meios tecnológicos passa o casual, não sendo suficientemente aprofundado ou coordenado sequer com a nossa capacidade de transcendência, vontade ou livre arbítrio, para credibilizar a índole transcendente a que o filme aspira.


Sons das Palavras


sábado, 24 de julho de 2010

Hora da Poesia, do Sonho, da Saudade...





Estrela do Mar
Jorge Palma
Composição: Jorge Palma

Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia sozinho ao relento
E ali longe do tempo acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

Sou a estrela do mar
Só ele obedeço, só ele me conhece
Só ele sabe quem sou no principio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim

Não se era maior o desejo ou o espanto
Mas sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são poucos ou nada para a estrela do mar

"À escola o que é da escola"



António Nóvoa fala sobre conteúdos que devem ser prioritários na escola

O educador português e reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa, defende a priorização do conhecimento e da cultura no currículo. "Outros conteúdos devem ser responsabilidade da sociedade."


Uma entrevista que vale a pena ler na integra.


"Imagine que a escola é um pote." O pedido tem sido repetido pelo educador português António Nóvoa, um dos mais respeitados nomes na área de formação de professores, em palestras ao redor do mundo. Ele mostra no telão a imagem de um recipiente em que dentro se veem itens como Matemática, Língua e História. "Porém as crianças precisam ter noções de meio ambiente, certo?", diz. "E aulas de cidadania e higiene", completa ele, inserindo, por meio de uma animação, mais conteúdo na vasilha. "Alguém precisa preveni-los também contra a aids, a violência sexual..." Quando o pote já está quase cheio, ele mesmo responde: "Tudo isso é importante, mas não deve ser responsabilidade da escola."

Reitor da Universidade de Lisboa e doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e em História pela Universidade Sorbonne, em Paris, Nóvoa conjuga experiência internacional e conhecimento histórico ao defender que, para fazer um bom trabalho, a escola deve decidir o que é essencial ensinar aos alunos - e gastar tempo e esforços apenas com isso. "À escola o que é da escola", diz. Outros conteúdos devem ser cobrados de outras instituições. Leia a seguir a entrevista que o educador deu a NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR no fim do ano passado, quando esteve no Brasil.

Qual é o principal desafio de um gestor escolar atualmente?
ANTÓNIO NÓVOA Acredito que é decidir o que é essencial ensinar aos alunos e garantir que as disciplinas elementares não sejam prejudicadas pela avalanche de conteúdos que são propostos atualmente. Hoje, a equipe docente se ocupa da Educação Ambiental, alimentar e comportamental e com programas de prevenção a aids, acidentes de trânsito e violência sexual. Todos muito importantes, mas que não são responsabilidade da escola. Ao tentar colocar tudo no mesmo pote, falta espaço para o básico.

Como saber o que é essencial?
NÓVOA
Há um pensamento notável de Olivier Reboul, filósofo francês (1925-1992). Ele diz que deve ser ensinado na escola tudo o que une e tudo o que liberta. O que une é aquilo que integra cada indivíduo num espaço de cultura, em determinada comunidade: a Língua, as Artes Plásticas, a Música, a História etc. Já o que liberta é o que promove a aquisição do conhecimento, o despertar do espírito científico, a capacidade de julgamento próprio. Estão nessa categoria a Matemática, as Ciências, a Filosofia etc. Com base nesse princípio, podemos selecionar o que é mais importante e o que é acessório na Educação das crianças.

Temas como Educação sexual, alimentar e ambiental poderiam ser descartados do currículo escolar?
NÓVOA
Não, mas hoje existem instituições e profissionais com conhecimento nessas áreas que podem prover essa formação. Há museus, associações, estudiosos, institutos e fundações mais preparados para tratar de certos temas do que um professor. Nós, docentes, não podemos fazer tudo. Devemos concentrar esforços numa Educação especificamente escolar. É claro que isso implica uma maior responsabilidade da sociedade com outros temas, com espaço para a cobrança por todos, inclusive os gestores escolares.

Por que é tão difícil separar o conteúdo escolar do "conteúdo social"?
NÓVOA
Esse é um problema dificílimo, sobretudo no Brasil, em que tantos alunos têm ainda enormes carências sociais. Por isso, há a tendência de a equipe docente ceder espaço para atividades que, teoricamente, ajudam na promoção da igualdade de direitos. Contudo, não existe inclusão social se os estudantes não aprendem as ferramentas básicas do conhecimento e da cultura. No século passado, muito se investiu em um conceito de Educação integral, no qual a escola deveria acolher a criança, ensinar todo o necessário e depois devolvê-la pronta à sociedade. Isso fazia sentido porque a maior parte da população era analfabeta e ignorante. A escola tinha de compensar o que não existia fora dela. Hoje, ocorre justamente o contrário. É hora de devolver a criança à sociedade.

Até que ponto o gestor pode mexer no currículo quando há uma política nacional definida pelo governo?
NÓVOA
Muitas propostas de Educação complementares ao currículo não são impositivas. Cabe aos diretores de cada escola escolher o que priorizar. Tanto é assim que em vários países, embora a política educacional seja única, verifica-se um dualismo cada vez mais acentuado: as elites investem na Educação privada, cuja base estrutural é a aprendizagem, enquanto as escolas públicas estão cada vez mais centradas em dimensões sociais e assistenciais. Essa Educação feita em duas velocidades é o pior dos cenários para o nosso futuro, pois só aumenta a desigualdade de oportunidades.

O que responder aos que cobrarão o ensino de outros temas?
NÓVOA
Que não se pode pretender que a sala de aula resolva todos os problemas. Muitas vezes, se ouve a pergunta: o que a escola pode dar à sociedade? Agora é tempo de inverter a questão: o que a sociedade pode dar à escola? Como a comunidade vai ajudar na missão educativa? À escola o que é da escola. À sociedade o que é da sociedade.

A menor presença dos conteúdos sociais garante a qualidade do ensino?
NÓVOA
Garante que os conteúdos essenciais tenham mais tempo para ser ensinados pelo professor. Porém a qualidade do trabalho didático depende fundamentalmente da existência de bons professores. Nos anos 1970, demos muita importância à racionalização, planificação e avaliação do ensino, à procura de fórmulas racionais, que deveriam orientar nossa ação. Na década seguinte, focamos as reformas dos programas e dos currículos. Em seguida, voltamos nossas atenções à administração e gestão das escolas. Por esse caminho, alimentávamos a ilusão de que as novas tecnologias resolveriam todos os problemas. Agora, neste início do século 21, começamos a compreender que nada consegue substituir um bom professor. Os educadores competentes valem muito mais do que qualquer técnica, método ou teoria. A equipe gestora deve dar toda a atenção a isso se quiser construir uma escola melhor.

Como a escola pode ajudar na formação de professores melhores?
NÓVOA
Tenho defendido que os docentes precisam se formar dentro das escolas, em contato com o cotidiano e com os estudantes. É preciso criar estruturas que tenham incorporado o conhecimento, a pesquisa e as práticas profissionais e coloquem tudo isso a serviço da formação. O que se passa num hospital universitário pode servir de inspiração. Os jovens residentes são formados por outros médicos com grande proximidade com a pesquisa e o dia a dia da profissão. Da mesma forma, os professores deveriam ser formados por outros mestres e interagir com a academia.

Como garantir que os professores iniciantes tenham um acompanhamento dos mais experientes?
NÓVOA
É preciso assegurar que cada aluno-mestre (aquele que está estudando para ser professor) vá adquirindo autonomia no exercício profissional. Primeiro, observando os mais experientes. Depois, ajudando-os e, finalmente, assumindo a docência sob a supervisão de um tutor. Ao mesmo tempo, deve-se promover a integração de todos eles na cultura da profissão, incentivando a participação em tudo o que acontece na instituição escolar. Ainda é recomendado transformar certos casos e situações do trabalho escolar em problemas de pesquisa, ou seja, discutindo-os do ponto de vista teórico e prático, refletindo sobre eles e produzindo conhecimento pertinente para a profissão. É uma rotina desse tipo que permite concretizar uma formação eficaz dentro da escola.

Há bons exemplos de instituições que adotam tal sistema?
NÓVOA
Sim. Há muitos modelos no mundo inteiro. Eu próprio participei de experiências desse tipo em universidades nos Estados Unidos, na Suíça e em Portugal. Em alguns casos, o sistema funciona em escolas comuns da rede pública. Em outros, há instituições especiais associadas a universidades e, como regra geral, sempre existe um tutor dos professores novatos. Com a integração à vida profissional, a supervisão se transforma, progressivamente, em trabalho de cooperação com os colegas. A ação dos amigos críticos, aqueles que nos ajudam a refletir e a avançar na profissão, torna-se dominante. E, pouco a pouco, os jovens professores vão assumindo, também eles, o papel de colegas críticos dos outros.

Pesquisas realizadas pela Fundação Victor Civita mostram que o coordenador pedagógico ainda atua pouco na formação dos professores. Como mudar essa realidade?
NÓVOA
A formação deveria ser a preocupação central dos coordenadores pedagógicos. Se concebermos a formação numa perspectiva de cooperação e de partilha, é possível pensar todo o trabalho escolar baseado nela. Em Portugal, um bom exemplo é o do Movimento da Escola Moderna, que pratica um sistema de formação cooperada desde os anos 1960. Os organizadores recolhem boas práticas de ensino na rede pública e socializam o material em reuniões aos sábados ou durante a semana para quem se interessar. São mais de 2 mil associados em 17 núcleos regionais. O trabalho tem dado bons resultados em sala de aula.

Como o gestor pode promover a cooperação entre os docentes dentro da própria escola?
NÓVOA
A profissão de professor é muito desgastante e exigente. Hoje, ela não pode ser vivida isoladamente. É fundamental falar dos problemas com os colegas, em diálogo aberto, num quadro de partilha e de colaboração mútua. É muito importante que haja alguém que dinamize esses processos e que ajude a organizar o trabalho escolar - e esse alguém pode ser o coordenador pedagógico. Nada se consegue sozinho. Os problemas educativos só podem ser resolvidos por meio de uma ação coletiva.

O que torna um coordenador pedagógico preparado para fazer esse trabalho de orientação dos colegas?
NÓVOA
Ele deve ter os conhecimentos necessários anteriores, mas, a partir do momento em que é colocado como um líder, deve assumir uma atitude de pesquisador de casos e possibilidades de soluções e, sobretudo, fazer um exercício de reflexão sobre a própria experiência docente. É muito importante que o coordenador pedagógico - ou quem exerça o papel de formador - saiba ouvir e tenha uma grande capacidade de se relacionar e de organizar.


Continua aqui e aqui.


In Revista Nova Escola (Junho/Julho de 2010)

Convite - Forum Microsof de Educação Inovadora







Programação do Fórum Microsoft de Educação Inovadora que será realizada no dia 4 de Agosto em São Paulo.

Confirmação de presenças até o dia 26 de julho no contato indicado no convite.

(clique na imagem para ler melhor)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Inquietações...



A História de uma mulher e a sua galinha


Uma mulher possuía uma galinha que lhe dava um ovo todos os dias.
Ela pensava para consigo mesma como poderia obter dois ovos por dia e não apenas um. Para atingir o seu propósito, decidiu dar à galinha o dobro da comida.
A partir daquele dia a galinha tornou-se gorda e preguiçosa e nunca mais pôs nenhum ovo.

Autor: Esopo

terça-feira, 20 de julho de 2010

Literatura Infanto-Ambiental




Texto: Mónica Silva
Ilustração: Dina Silva
Colecção: As Aventuras do Verdinho
Título: O Tesouro Azul
Formato: 22,5 cm x 22,8 cm
N.º páginas: 32
Extras: 5 Mini-Jogos
Encadernação: capa dura plastificada
ISBN: 978-989-96016-1-1
Impresso em papel reciclado

Encomendas:
Natureza Brincalhona – Educação Ambiental, Lda. Incubadora D. Dinis,
Rua da Carvalha, n.º 570, Sala 15.1, Parceiros
2400-441 Leiria
Contribuinte nº.: 508690021
Matrícula CRLeiria nº. 508690021
Tel.: 244 859 465 Fax: 244 859 469
http://www.natureza-brincalhona.pt/
geral@natureza-brincalhona.pt

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Revisão Curricular em Projecto


Sucesso Educativo na Finlândia: algumas dicas para a 5 de Outubro


A propósito do post anterior, da medida dos mega-agrupamentos em Portugal, dos exemplos dos EUA e da Finlândia neste âmbito... aqui fica um Documentário da BBC onde se faz referência a outras "chaves" do sucesso educativo neste país.
Vamos pôr os olhos e os ouvidos nestes exemplos. Não queremos modelos? Estou farta de maus exemplos, copiem lá qualquer coisita de excelência!!!


(In)Sucesso versus Mega-Agrupamentos


Em Nova Iorque, a taxa de sucesso entre os alunos que foram transferidos para escolas mais pequenas é superior à dos que permanecem nos velhos estabelecimentos.

(continuar a ler notícia)

Outro exemplo: Na Finlândia, só três por cento dos estabelecimentos têm mais de 600 alunos.

Em Portugal pensa-se ao contrário, mega ou giga-agrupamentos? Será que só se pensa, neste retângulo restrito à 5 de Outubro, na capacidade de armazenamento? E a capacidade de ensino e aprendizagem? Onde ficam? E outras questões como o aumento a indisciplina, a deterioração do clima de escola e das relações interpessoais,... não irão prejudicar o sucesso escolar? Os estudos existentes dizem que sim, mas isso não é preocupante para o ME, o que importa é poupar (outo indicativo dos estudos realizados).

Ilustração: Antero

Vida(s) de professor



(clique na imagem para ler)
Ilustração: Jack