Um videoclip elaborado para a participação no concurso "Esmiuçar Copenhaga" (2010), realizado na Escola Básica Integrada do Carregado com a participação de alunos de várias nacionalidades. Um projecto que merece ser divulgado. Parabéns aos alunos intervenientes e à professora Cátia Machado que os orientou. O vídeo já entrou a concurso... esperamos um bom resultado!
quinta-feira, 22 de abril de 2010
"Um planeta às cores"
Um videoclip elaborado para a participação no concurso "Esmiuçar Copenhaga" (2010), realizado na Escola Básica Integrada do Carregado com a participação de alunos de várias nacionalidades. Um projecto que merece ser divulgado. Parabéns aos alunos intervenientes e à professora Cátia Machado que os orientou. O vídeo já entrou a concurso... esperamos um bom resultado!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Igualdade de oportunidades
Num tempo em que se fala tanto de igualdade de oportunidades e de escolas inclusivas, vale a pena ler o excerto (infra) de uma entrevista dada pelo professor Francisco Goulão (professor surdo-mudo). Este professor para além da sua actividade de docência com pessoas com Necessidades Educativas Especiais (Surdos) e intrinsecamente ligada a ela dinamiza na blogosfera um projecto muito interessante e que merece ser visitado aqui.
(continua aqui)
(clique na imagem para ler)
Inquietações...
Um dos últimos textos assinado pela escritora Rosa Lobato Faria. Uma excelente reflexão sobre a vida e o que de melhor/pior ela contém.
(clique na imagem para ler)
Projecto Pedagógico
Jardins Saudáveis é um site de carácter educacional onde se pode encontrar um conjunto variado de recursos pedagógicos para trabalhar ao nível da Educação Pré-Escolar, particularmente na área da Educação para a Saúde. Vale a pena visitar.
Aqui fica um exemplo do trabalho de acção que é e pode ser desenvolvido nesta área com as crianças do nível etário supramencionado (pré-escolar).
Aqui fica um exemplo do trabalho de acção que é e pode ser desenvolvido nesta área com as crianças do nível etário supramencionado (pré-escolar).
Um miúdo fixe como eu
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sábado, 17 de abril de 2010
Programa Cultural II
Informação recebida do Centro Multimeios de Espinho
(clique na imagem para ler)
Local: Centro Multimeios de Espinho
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Investigação em Educação Especial
Título: A habilitação profissional para a docência generalista e as necessidades educativas especiais : as mudanças à luz da nova legislação e do processo de Bolonha
Autores: Freitas, Mónica Cristina Ferreira de
Data:2009-07-07
Autores: Freitas, Mónica Cristina Ferreira de
Data:2009-07-07
(Dissertação de Mestrado)
Resumo: O direito à diferença e à igualdade de oportunidades educativas tem vindo a ser proclamado desde 1986 na legislação portuguesa. A procura de um sistema educacional que promova programas adequados às características e necessidades de todos os alunos, de forma evitar a exclusão e a segregação, sobretudo dos alunos com necessidades educativas especiais (NEE), está cada vez mais presente numa sociedade que defende a implementação de uma Escola Inclusiva (UNESCO, 1994). Porém, a inclusão pressupõe mais do que a substituição de uma escola tradicional por uma inclusiva; implica alterações profundas e significativas a nível de valores e de práticas. Estudos revelam que o sucesso da inclusão depende em grande parte do desempenho do professor da turma; demonstram a necessidade de desenvolver programas de formação que possibilitem aos futuros profissionais a aquisição de competências que lhes permitam responder eficazmente às necessidades educativas e desenvolver atitudes positivas face à inclusão (Correia & Martins, 2000; UNESCO, 1994 citado por Sanches, 1995). No momento em que se atribui ao professor da turma o papel de coordenador de todo o processo educativo do aluno com NEE (Decreto-Lei nº 3/ 2008) à luz do Processo de Bolonha e do Decreto – Lei nº 43/2007, este estudo teve como objectivo descrever e perceber se o novo curso de Educação Básica apresenta ou não aos futuros profissionais os conteúdos necessários para o desenvolvimento de um trabalho adequado com alunos com NEE e até que ponto a nova legislação os considera. Assim, influenciada pelo paradigma naturalista, desenvolvi um estudo que procurou avaliar o tipo de formação que o novo curso proporcionará aos futuros professores, tendo como base os planos de estudo das 28 instituições de Ensino Superior que formam professores no nosso país e as realidades percepcionadas pelos quatro profissionais que participaram na estruturação deste novo curso. Os dados obtidos foram recolhidos através da análise de documentos e posteriormente cruzados com a informação recolhida através de entrevistas parcialmente estruturadas, de resposta aberta. Foram analisados e apresentados de uma forma descritiva, inferencial e correlacional. Com estes conclui-se que apesar dos participantes considerarem importante incluir a área de NEE nos cursos de formação, há uma descontinuidade teórica e legislativa que se traduz na diminuição significativa da percentagem de inclusão desta unidade, quando comparada com o curso anterior, deixando em aberto a possibilidade dos futuros profissionais poderem vir a não frequentar nenhuma unidade curricular neste âmbito.
Download do estudo: http://hdl.handle.net/1822/10521
Resumo: O direito à diferença e à igualdade de oportunidades educativas tem vindo a ser proclamado desde 1986 na legislação portuguesa. A procura de um sistema educacional que promova programas adequados às características e necessidades de todos os alunos, de forma evitar a exclusão e a segregação, sobretudo dos alunos com necessidades educativas especiais (NEE), está cada vez mais presente numa sociedade que defende a implementação de uma Escola Inclusiva (UNESCO, 1994). Porém, a inclusão pressupõe mais do que a substituição de uma escola tradicional por uma inclusiva; implica alterações profundas e significativas a nível de valores e de práticas. Estudos revelam que o sucesso da inclusão depende em grande parte do desempenho do professor da turma; demonstram a necessidade de desenvolver programas de formação que possibilitem aos futuros profissionais a aquisição de competências que lhes permitam responder eficazmente às necessidades educativas e desenvolver atitudes positivas face à inclusão (Correia & Martins, 2000; UNESCO, 1994 citado por Sanches, 1995). No momento em que se atribui ao professor da turma o papel de coordenador de todo o processo educativo do aluno com NEE (Decreto-Lei nº 3/ 2008) à luz do Processo de Bolonha e do Decreto – Lei nº 43/2007, este estudo teve como objectivo descrever e perceber se o novo curso de Educação Básica apresenta ou não aos futuros profissionais os conteúdos necessários para o desenvolvimento de um trabalho adequado com alunos com NEE e até que ponto a nova legislação os considera. Assim, influenciada pelo paradigma naturalista, desenvolvi um estudo que procurou avaliar o tipo de formação que o novo curso proporcionará aos futuros professores, tendo como base os planos de estudo das 28 instituições de Ensino Superior que formam professores no nosso país e as realidades percepcionadas pelos quatro profissionais que participaram na estruturação deste novo curso. Os dados obtidos foram recolhidos através da análise de documentos e posteriormente cruzados com a informação recolhida através de entrevistas parcialmente estruturadas, de resposta aberta. Foram analisados e apresentados de uma forma descritiva, inferencial e correlacional. Com estes conclui-se que apesar dos participantes considerarem importante incluir a área de NEE nos cursos de formação, há uma descontinuidade teórica e legislativa que se traduz na diminuição significativa da percentagem de inclusão desta unidade, quando comparada com o curso anterior, deixando em aberto a possibilidade dos futuros profissionais poderem vir a não frequentar nenhuma unidade curricular neste âmbito.
Download do estudo: http://hdl.handle.net/1822/10521
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Convite e proposta de leitura

Apresentação do livro:
A IMPORTÂNCIA DE SER ELECTRÃO
O átomo e as suas ligações: um olhar sobre a evolução da química
A IMPORTÂNCIA DE SER ELECTRÃO
O átomo e as suas ligações: um olhar sobre a evolução da química
de
JOSÉ LOPES DA SILVA e PALMIRA FERREIRA DA SILVA
A obra será apresentada por Baltazar Romão de Castro e Mário Barbosa,
no dia 15 de Abril de 2010, às 21h15, na Quinta de Bonjóia,
Rua de Bonjóia, 185, no Porto.
JOSÉ LOPES DA SILVA e PALMIRA FERREIRA DA SILVA
A obra será apresentada por Baltazar Romão de Castro e Mário Barbosa,
no dia 15 de Abril de 2010, às 21h15, na Quinta de Bonjóia,
Rua de Bonjóia, 185, no Porto.
Este livro foi escrito de forma de forma a poder ser lido por leitores interessados mas sem formação específica na área da Química (e da Física), e também por aqueles que querem recordar pormenores que se foram esbatendo na sua memória ao longo do tempo ou que gostam de estar informados sobre o estado actual dos conhecimentos e as perspectivas do que se avizinha.
Numa perspectiva da Química, o livro descreve a constituição dos átomos e das moléculas, enfatizando o papel determinante do electrão no avanço do conhecimento sobre esse processo e a correlação deste com as propriedades macroscópicas das substâncias e dos materiais.
A correlação entre o microscópico e o macroscópico é abordada de uma forma simples, sem recurso a expressões matemáticas, referindo o enquadramento histórico da evolução do conhecimento sobre o átomo e a molécula que, de alguma maneira, acompanhou a afirmação da Química como ciência básica do conhecimento.
Assim, A Importância de Ser Electrão constitui um útil contributo para uma maior e melhor compreensão das potencialidades da Química e da forma como a ela chegámos, num longo percurso que se iniciou muito antes da nossa era e chegou aos dias de hoje.
Do Preâmbulo
“Ao escolhermos o título deste livro inspirando-nos no da peça de Oscar Wilde, The Importance of Being Earnest, tivemos presente a importância da descoberta do electrão para o espantoso desenvolvimento de várias disciplinas científicas que marcou o século XX.
É, em boa medida, o caso da Química que, devido às suas contribuições para o aprofundamento do conhecimento do mundo microscópico e da sua capacidade de produzir novos produtos, inventando novos compostos e novos materiais, ocupa um lugar de destaque na história do «boom científico» que atravessou o século passado e se prolonga na actualidade.
Na verdade, não obstante as suas pequeníssimas dimensões, é no comportamento activo do electrão, dependente da sua energia, que encontramos justificações confiáveis, nada insignificantes, de propriedades dos elementos químicos e dos materiais por eles formados. “
Numa perspectiva da Química, o livro descreve a constituição dos átomos e das moléculas, enfatizando o papel determinante do electrão no avanço do conhecimento sobre esse processo e a correlação deste com as propriedades macroscópicas das substâncias e dos materiais.
A correlação entre o microscópico e o macroscópico é abordada de uma forma simples, sem recurso a expressões matemáticas, referindo o enquadramento histórico da evolução do conhecimento sobre o átomo e a molécula que, de alguma maneira, acompanhou a afirmação da Química como ciência básica do conhecimento.
Assim, A Importância de Ser Electrão constitui um útil contributo para uma maior e melhor compreensão das potencialidades da Química e da forma como a ela chegámos, num longo percurso que se iniciou muito antes da nossa era e chegou aos dias de hoje.
Do Preâmbulo
“Ao escolhermos o título deste livro inspirando-nos no da peça de Oscar Wilde, The Importance of Being Earnest, tivemos presente a importância da descoberta do electrão para o espantoso desenvolvimento de várias disciplinas científicas que marcou o século XX.
É, em boa medida, o caso da Química que, devido às suas contribuições para o aprofundamento do conhecimento do mundo microscópico e da sua capacidade de produzir novos produtos, inventando novos compostos e novos materiais, ocupa um lugar de destaque na história do «boom científico» que atravessou o século passado e se prolonga na actualidade.
Na verdade, não obstante as suas pequeníssimas dimensões, é no comportamento activo do electrão, dependente da sua energia, que encontramos justificações confiáveis, nada insignificantes, de propriedades dos elementos químicos e dos materiais por eles formados. “
Recursos Educativos On-line
A EDUFORUM é um espaço de partilha de recursos educativos para professores. Na escolha e publicação de recursos há uma forte preocupação pedagógica, ética e humanista: são escolhidos e publicados conteúdos interessantes de todas as áreas disciplinares que podem motivar a aprendizagem e são rejeitados conteúdos que incluam violência e linguagem imprópria.
Deixo o convite a visitar o espaço supramencionado através do link http://www.eduforum.pt/.
(clique na imagem para aceder ao site)
domingo, 4 de abril de 2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Inquietações...
Um desafio diário, quanto a mim. Aqui fica ele para quem o quiser agarrar!
Feliz Páscoa!
Jejuar Na Quaresma
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Estórias com Valores
OS TAPETES PARA A PROCISSÃO
Prólogo
A semana antes da Páscoa chama-se Semana Santa. Em Antigua, uma cidade colonial construída pelo Espanhóis no final do século XVI, procissões de pessoas costumam deambular pelas ruas, transportando estátuas velhas de séculos, numa tentativa de fazer reviver a morte e a ressurreição de Cristo. Esta tradição é tão forte hoje quanto o era no tempo dos Espanhóis, embora tenha sido transformada pelo contacto com a cultura indígena da Guatemala.
Como penhor da sua fé, os habitantes fazem tapetes de serradura, flores e frutas coloridas, que são colocados no pavimento por onde passarão as procissões. Todos os anos são feitos tapetes com desenhos diferentes. E todos os anos as procissões os calcam, destruindo os seus padrões tão primorosamente desenhados!
Passei a infância na Guatemala. A minha família era chinesa e adepta da religião budista, mas a Semana Santa era diferente de todas as outras, mesmo para uma família tão tradicional como a nossa. Juntávamo-nos sempre nos passeios com os vizinhos para ver os tapetes, antes de os cortejos os pisarem. Enquanto assistia à procissão, sentia que a história de que falavam estava a acontecer naquele preciso momento. A beleza daqueles tapetes efémeros, feitos com tanto amor, ficou para sempre na minha memória e no meu coração.
A cor tradicional da Semana Santa é o roxo. Por isso é que a minha mãe vende tantos rolos de tecido dessa cor durante a época da Páscoa. Um dia, o carteiro trouxe um envelope com letras prateadas impressas.
— Um convite! — exclamou a minha mãe.
Como não sabia ler espanhol muito bem, deu-o a ler à minha irmã.
— Diz aqui que o tio Colocho e a tia Malía nos convidam para o baptizado do bebé, no Domingo de Páscoa.
Um pedaço de papel escrito em chinês caiu do envelope. A minha mãe leu-o, porque nós não conseguíamos ler chinês, embora oralmente percebêssemos tudo o que era dito em casa.
— Também nos convidam para passar lá a Semana Santa antes do baptismo. Claro que vamos! — exclamou a minha mãe, cheia de alegria.
Todos saltámos de contentamento.
Na Quinta-Feira Santa, enfiámo-nos no nosso carro ferrugento e viajámos para a cidade de Antigua. O meu pai encheu a bagageira com as nossas coisas, às quais juntou uma caixa de refrigerantes e um cesto de laranjas. Durante a viagem, cantámos como se fossemos autênticos mariachis. Soubemos que tínhamos chegado a Antigua porque o carro começou, de repente, a percorrer ruas empedradas.
O tio Colocho, a tia Malía e os nossos primos estavam à nossa espera à porta da loja. Para cabermos todos ao almoço, tinham colocado uma mesa enorme no centro do estabelecimento.
Durante a refeição, semeada de palavras cantonesas, contámos anedotas aos nossos primos e fartámo-nos de rir.
De repente, algo me chamou a atenção no canto da sala. Era uma estatueta da Virgem de Guadalupe, colocada junto de Kuan Yin, a deusa chinesa. Pareciam amigas, envolvidas pelo incenso que ardia junto delas.
A minha mãe disse à tia Malía em chinês:
— Lembras-te de quando éramos pequenas na China e íamos para a ponte para ver a corrida dos barcos no rio?
A tia Malía sorriu:
— Era o Festival do Barco do Dragão. Nesse dia, costumávamos atirar tamais[1] chineses ao rio, para nos darem sorte.
Riram-se muito. Depois ficaram em silêncio, talvez a recordar aqueles dias longínquos. A tia Malía disse então:
— Meninos, amanhã de madrugada vai realizar-se a procissão que sai de La Merced, a igreja que fica ao fundo da rua. Os vizinhos estão a fazer tapetes de serradura por todo o bairro. Ide ver!
Tapetes de serradura!
O passeio estava cheio de redes com agulhas de pinheiro, girassóis, e flores roxas e amarelas. Havia sacas cheias de serradura tingida de cores brilhantes: magenta, turquesa, laranja e verde. Vagens de marfim vegetal enchiam o ar com o seu cheirinho a mar e a palmeiras.
Don Ortiz, que vivia do outro lado da rua, estava a fazer um tapete. Primeiro, colocava no chão uma camada de serradura natural e molhava-a. Depois, os seus ajudantes faziam desenhos com serradura colorida, por cima dessa camada. Havia tábuas suspensas sobre o tapete para poderem decorar tudo sem estragar o que já tinham feito. Usavam peneiras para espalhar a serradura colorida por cima de estênciles de cartão, perfurados de forma a formar padrões. Mediam os desenhos com cuidado, e segundo as instruções de Don Ortiz. Por fim, um ajudante percorria o tapete todo com um borrifador de água, para que a serradura se mantivesse bem plana.
Era tão bonito! Parecia um tapete verdadeiro!
— Queres ajudar, minha menina? — perguntou Don Ortiz, quando me viu a olhar.
Dei um salto e respondi:
— Quero, sim.
— Então traz aquela serradura vermelha para as rosas e a farinha para os lírios. E vê se encontras a peneira mais pequena, porque estas flores são muito delicadas.
Por cima da tapeçaria de serradura colorida, os artesãos colocavam flores de marfim vegetal e agulhas de pinheiro. Um a um, os tapetes foram aparecendo pela rua abaixo. Estava já escuro quando a tia Malía disse:
— Vão para a cama. A procissão sai de manhã bem cedo.
Sexta-Feira Santa amanheceu enevoada. Havia muita gente à porta da igreja. Don Ortiz, vestido de nazareno, viu-nos e disse:
— Meninos, querem os restos de serradura?
— Queremos, sim — respondi, excitada. — Vamos fazer um tapete pequenino, com o desenho de uma casa. Despachem-se, vem aí a procissão!
Fizemos rapidamente uma cabaninha com um telhado vermelho e paredes amarelas. Usamos serradura roxa para o céu e agulhas de pinheiro para a relva. Também colocamos ramos de buganvília. Pétalas das flores do pátio compuseram um coração e estrelas e os cometas foram feitos com bagos de arroz e girassóis. Ainda consegui colocar uma bordadura de laranjas e regar tudo com água. Que bonito!
De repente, alguém sussurrou:
— Vem aí a procissão!
Ao som de um tambor, todos os nazarenos colocaram uma plataforma de madeira enorme aos ombros, na qual estava uma estátua de Jesus a carregar a Cruz. A estátua era rodeada por orquídeas e musgo da floresta e os seus olhos brilhavam. O meu coração vibrava, embora a coroa de espinhos e o sangue da face me fizessem tremer. Todos se ajoelharam.
O Cristo movia-se ao som da música triste tocada pela banda que fechava a procissão. Parecia uma pessoa real. Os nazarenos, vestidos de roxo e curvados sob o peso do andor, estavam envoltos por uma nuvem de incenso branco.
Seguia-se o andor da Virgem Maria, carregado por mulheres. Uma espada espetada no coração de Nossa Senhora simbolizava a sua enorme dor. Chorava lágrimas de cristal porque o seu Filho em breve morreria. A banda tocava uma marcha destinada a consolá-la a ela e a nós.
A procissão tinha finalmente atingido a nossa parte da rua. De repente, dei-me conta de que os nazarenos iriam calcar o nosso lindo tapete! A cada passo que eles davam, o meu coração sentia-se mais apertado. Então, pus-me em frente do nosso tapete. Não queria que o destruíssem. “Não passem por aqui! Não passem por aqui!”, dizia mentalmente.
Don Ortiz pegou-me na mão e puxou-me dali para fora.
— Filha, isto faz parte da tradição. Fazemos destes tapetes ofertas à vida. Não reparaste nisso? As flores desabrocham e logo morrem, mas deixam sementes para que outras cresçam. À morte segue-se a vida e à vida segue-se a morte.
Não consegui detê-los. Passo a passo, os pés dos nazarenos rasgaram a relva, as paredes e o telhado da nossa casa. Apagaram as estrelas e os cometas. Esborrataram as cores. Pisaram as flores e espalharam as laranjas com os pés. O nosso tapete era agora um rio triste que corria pelo meio da rua, cheirando a mar e a palmeiras.
Seguimos a banda. Debaixo de um sol escaldante, a procissão da Semana Santa desenrolava-se lentamente pelas ruas empedradas. Cristo já tinha morrido a estas horas. Havia homens vestidos como romanos e nazarenos vestidos de negro. Estes transportavam o Cristo morto num caixão magnífico, feito de ouro e cristal.
Deambulámos pelas ruas, em busca de outras procissões. Na maioria das vezes, apenas encontrámos vestígios arruinados de tapetes maravilhosos.
Nessa noite, chegámos a casa cansados e tristes.
No dia seguinte, a minha mãe e a tia Malía fizeram tamais chineses para o baptizado.
— As procissões são tão comoventes — disseram em chinês.
A minha mãe acrescentou:
— São tão bonitas como os festivais que celebramos na China. Realizam-se todos os anos, mas são sempre diferentes.
No Domingo de Páscoa, a igreja estava engalanada com cores alegres porque era o dia da Ressurreição, o dia em que Cristo voltou à vida. O meu priminho foi baptizado com o nome de Angel. Angel Sem Quan. Quando lhe deitaram água sobre a cabeça, desatou a chorar e o seu pranto ecoou pela cúpula da igreja.
Nessa mesma tarde, na festa, Don Ortiz falou sobre o tapete que faríamos no ano seguinte. Falou de um com pombas e pães com forma de crocodilos. Pensei logo em fazer um com borboletas e pássaros. Don Ortiz tinha razão. Depois de o tapete que tínhamos feito para a procissão ter sido destruído, podíamos pensar em fazer logo outro.
No seu pequeno altar, a Virgem de Guadalupe e a deusa Kuan Yin brilhavam à luz da vela.
Fizemos uma grande festa no pátio. Coube-me a mim dar a última pancada no pote de barro que tínhamos suspenso. Parti-o e os rebuçados aterraram todos na minha cabeça. O meu priminho, o Angel, achou muita graça.
E assim terminou a Semana Santa.
Amelia Lau Carling
Sawdust Carpets
Toronto, Groundwood Books, 2005
(Tradução e adaptação)
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Prólogo
A semana antes da Páscoa chama-se Semana Santa. Em Antigua, uma cidade colonial construída pelo Espanhóis no final do século XVI, procissões de pessoas costumam deambular pelas ruas, transportando estátuas velhas de séculos, numa tentativa de fazer reviver a morte e a ressurreição de Cristo. Esta tradição é tão forte hoje quanto o era no tempo dos Espanhóis, embora tenha sido transformada pelo contacto com a cultura indígena da Guatemala.
Como penhor da sua fé, os habitantes fazem tapetes de serradura, flores e frutas coloridas, que são colocados no pavimento por onde passarão as procissões. Todos os anos são feitos tapetes com desenhos diferentes. E todos os anos as procissões os calcam, destruindo os seus padrões tão primorosamente desenhados!
Passei a infância na Guatemala. A minha família era chinesa e adepta da religião budista, mas a Semana Santa era diferente de todas as outras, mesmo para uma família tão tradicional como a nossa. Juntávamo-nos sempre nos passeios com os vizinhos para ver os tapetes, antes de os cortejos os pisarem. Enquanto assistia à procissão, sentia que a história de que falavam estava a acontecer naquele preciso momento. A beleza daqueles tapetes efémeros, feitos com tanto amor, ficou para sempre na minha memória e no meu coração.
A cor tradicional da Semana Santa é o roxo. Por isso é que a minha mãe vende tantos rolos de tecido dessa cor durante a época da Páscoa. Um dia, o carteiro trouxe um envelope com letras prateadas impressas.
— Um convite! — exclamou a minha mãe.
Como não sabia ler espanhol muito bem, deu-o a ler à minha irmã.
— Diz aqui que o tio Colocho e a tia Malía nos convidam para o baptizado do bebé, no Domingo de Páscoa.
Um pedaço de papel escrito em chinês caiu do envelope. A minha mãe leu-o, porque nós não conseguíamos ler chinês, embora oralmente percebêssemos tudo o que era dito em casa.
— Também nos convidam para passar lá a Semana Santa antes do baptismo. Claro que vamos! — exclamou a minha mãe, cheia de alegria.
Todos saltámos de contentamento.
Na Quinta-Feira Santa, enfiámo-nos no nosso carro ferrugento e viajámos para a cidade de Antigua. O meu pai encheu a bagageira com as nossas coisas, às quais juntou uma caixa de refrigerantes e um cesto de laranjas. Durante a viagem, cantámos como se fossemos autênticos mariachis. Soubemos que tínhamos chegado a Antigua porque o carro começou, de repente, a percorrer ruas empedradas.
O tio Colocho, a tia Malía e os nossos primos estavam à nossa espera à porta da loja. Para cabermos todos ao almoço, tinham colocado uma mesa enorme no centro do estabelecimento.
Durante a refeição, semeada de palavras cantonesas, contámos anedotas aos nossos primos e fartámo-nos de rir.
De repente, algo me chamou a atenção no canto da sala. Era uma estatueta da Virgem de Guadalupe, colocada junto de Kuan Yin, a deusa chinesa. Pareciam amigas, envolvidas pelo incenso que ardia junto delas.
A minha mãe disse à tia Malía em chinês:
— Lembras-te de quando éramos pequenas na China e íamos para a ponte para ver a corrida dos barcos no rio?
A tia Malía sorriu:
— Era o Festival do Barco do Dragão. Nesse dia, costumávamos atirar tamais[1] chineses ao rio, para nos darem sorte.
Riram-se muito. Depois ficaram em silêncio, talvez a recordar aqueles dias longínquos. A tia Malía disse então:
— Meninos, amanhã de madrugada vai realizar-se a procissão que sai de La Merced, a igreja que fica ao fundo da rua. Os vizinhos estão a fazer tapetes de serradura por todo o bairro. Ide ver!
Tapetes de serradura!
O passeio estava cheio de redes com agulhas de pinheiro, girassóis, e flores roxas e amarelas. Havia sacas cheias de serradura tingida de cores brilhantes: magenta, turquesa, laranja e verde. Vagens de marfim vegetal enchiam o ar com o seu cheirinho a mar e a palmeiras.
Don Ortiz, que vivia do outro lado da rua, estava a fazer um tapete. Primeiro, colocava no chão uma camada de serradura natural e molhava-a. Depois, os seus ajudantes faziam desenhos com serradura colorida, por cima dessa camada. Havia tábuas suspensas sobre o tapete para poderem decorar tudo sem estragar o que já tinham feito. Usavam peneiras para espalhar a serradura colorida por cima de estênciles de cartão, perfurados de forma a formar padrões. Mediam os desenhos com cuidado, e segundo as instruções de Don Ortiz. Por fim, um ajudante percorria o tapete todo com um borrifador de água, para que a serradura se mantivesse bem plana.
Era tão bonito! Parecia um tapete verdadeiro!
— Queres ajudar, minha menina? — perguntou Don Ortiz, quando me viu a olhar.
Dei um salto e respondi:
— Quero, sim.
— Então traz aquela serradura vermelha para as rosas e a farinha para os lírios. E vê se encontras a peneira mais pequena, porque estas flores são muito delicadas.
Por cima da tapeçaria de serradura colorida, os artesãos colocavam flores de marfim vegetal e agulhas de pinheiro. Um a um, os tapetes foram aparecendo pela rua abaixo. Estava já escuro quando a tia Malía disse:
— Vão para a cama. A procissão sai de manhã bem cedo.
Sexta-Feira Santa amanheceu enevoada. Havia muita gente à porta da igreja. Don Ortiz, vestido de nazareno, viu-nos e disse:
— Meninos, querem os restos de serradura?
— Queremos, sim — respondi, excitada. — Vamos fazer um tapete pequenino, com o desenho de uma casa. Despachem-se, vem aí a procissão!
Fizemos rapidamente uma cabaninha com um telhado vermelho e paredes amarelas. Usamos serradura roxa para o céu e agulhas de pinheiro para a relva. Também colocamos ramos de buganvília. Pétalas das flores do pátio compuseram um coração e estrelas e os cometas foram feitos com bagos de arroz e girassóis. Ainda consegui colocar uma bordadura de laranjas e regar tudo com água. Que bonito!
De repente, alguém sussurrou:
— Vem aí a procissão!
Ao som de um tambor, todos os nazarenos colocaram uma plataforma de madeira enorme aos ombros, na qual estava uma estátua de Jesus a carregar a Cruz. A estátua era rodeada por orquídeas e musgo da floresta e os seus olhos brilhavam. O meu coração vibrava, embora a coroa de espinhos e o sangue da face me fizessem tremer. Todos se ajoelharam.
O Cristo movia-se ao som da música triste tocada pela banda que fechava a procissão. Parecia uma pessoa real. Os nazarenos, vestidos de roxo e curvados sob o peso do andor, estavam envoltos por uma nuvem de incenso branco.
Seguia-se o andor da Virgem Maria, carregado por mulheres. Uma espada espetada no coração de Nossa Senhora simbolizava a sua enorme dor. Chorava lágrimas de cristal porque o seu Filho em breve morreria. A banda tocava uma marcha destinada a consolá-la a ela e a nós.
A procissão tinha finalmente atingido a nossa parte da rua. De repente, dei-me conta de que os nazarenos iriam calcar o nosso lindo tapete! A cada passo que eles davam, o meu coração sentia-se mais apertado. Então, pus-me em frente do nosso tapete. Não queria que o destruíssem. “Não passem por aqui! Não passem por aqui!”, dizia mentalmente.
Don Ortiz pegou-me na mão e puxou-me dali para fora.
— Filha, isto faz parte da tradição. Fazemos destes tapetes ofertas à vida. Não reparaste nisso? As flores desabrocham e logo morrem, mas deixam sementes para que outras cresçam. À morte segue-se a vida e à vida segue-se a morte.
Não consegui detê-los. Passo a passo, os pés dos nazarenos rasgaram a relva, as paredes e o telhado da nossa casa. Apagaram as estrelas e os cometas. Esborrataram as cores. Pisaram as flores e espalharam as laranjas com os pés. O nosso tapete era agora um rio triste que corria pelo meio da rua, cheirando a mar e a palmeiras.
Seguimos a banda. Debaixo de um sol escaldante, a procissão da Semana Santa desenrolava-se lentamente pelas ruas empedradas. Cristo já tinha morrido a estas horas. Havia homens vestidos como romanos e nazarenos vestidos de negro. Estes transportavam o Cristo morto num caixão magnífico, feito de ouro e cristal.
Deambulámos pelas ruas, em busca de outras procissões. Na maioria das vezes, apenas encontrámos vestígios arruinados de tapetes maravilhosos.
Nessa noite, chegámos a casa cansados e tristes.
No dia seguinte, a minha mãe e a tia Malía fizeram tamais chineses para o baptizado.
— As procissões são tão comoventes — disseram em chinês.
A minha mãe acrescentou:
— São tão bonitas como os festivais que celebramos na China. Realizam-se todos os anos, mas são sempre diferentes.
No Domingo de Páscoa, a igreja estava engalanada com cores alegres porque era o dia da Ressurreição, o dia em que Cristo voltou à vida. O meu priminho foi baptizado com o nome de Angel. Angel Sem Quan. Quando lhe deitaram água sobre a cabeça, desatou a chorar e o seu pranto ecoou pela cúpula da igreja.
Nessa mesma tarde, na festa, Don Ortiz falou sobre o tapete que faríamos no ano seguinte. Falou de um com pombas e pães com forma de crocodilos. Pensei logo em fazer um com borboletas e pássaros. Don Ortiz tinha razão. Depois de o tapete que tínhamos feito para a procissão ter sido destruído, podíamos pensar em fazer logo outro.
No seu pequeno altar, a Virgem de Guadalupe e a deusa Kuan Yin brilhavam à luz da vela.
Fizemos uma grande festa no pátio. Coube-me a mim dar a última pancada no pote de barro que tínhamos suspenso. Parti-o e os rebuçados aterraram todos na minha cabeça. O meu priminho, o Angel, achou muita graça.
E assim terminou a Semana Santa.
Amelia Lau Carling
Sawdust Carpets
Toronto, Groundwood Books, 2005
(Tradução e adaptação)
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Via Clube Contadores de Histórias
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