Dá que pensar, não é verdade?
quarta-feira, 31 de março de 2010
Os média digitais na vida dos jovens
Um vídeo para reflectir sobre a influência dos média digitais na construção da identidade social dos jovens.
terça-feira, 30 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
Amizade. Sempre!

Amigo
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Hora da Poesia e da Homenagem

Com que pedra de sal
com que promessa
com que pássaro solto pela casa
com que folha de louro
com que sonho
com que lua entornada no alpendre
com que livro de quem
com que sonata
temperarei a dor da tua ausência
o silêncio
o vazio na minha cama
os gritos do meu corpo
o pão por partir da minha alma
Com que chuva
lavarei o rumor dos teus passos
no magoado coração dos dias
Com que pranto
afogarei teu rasto
com que manto de lava
com que mar.
(excerto)
Rosa Lobato Faria in A Gaveta de Baixo
(1932 - 2010)
sábado, 30 de janeiro de 2010
Ensino Especial na Escola e Transição para a Vida Activa
TRANSIÇÃO DA ESCOLA PARA A VIDA ADULTA: JOVENS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS / GUIA DE APOIO PARA A COMUNIDADE EDUCATIVA
Autor: FRANCISCO JOSÉ PIRES ALVES
Autor: FRANCISCO JOSÉ PIRES ALVES
Sinopse
Este livro foi desenvolvido para prestar informações ao pessoal docente e não docente, técnicos especializados, no âmbito da Educação Especial, outros membros da comunidade escolar, incluindo serviços para jovens e adultos sobre as melhores práticas e sobre os factores-chave que apoiam a planificação e a transição dos jovens com Necessidades Educativas Especiais.
A presente edição apresenta uma síntese reflexiva da dissertação de Mestrado em Educação Especial (2009) do autor supramencionado.
Este guia de apoio publicado na livraria BUBOK , encontra-se disponível em http://franpires.bubok.pt/
Se quiser ler um extracto deste livro, pode fazê-lo aqui.
Corroborando com o autor, são escassos os trabalhos publicados no nosso país sobre a temática da TVA. Por se tratar de uma questão pertinente e actual, deixo aqui este registo de um estudo que me parece uma boa ajuda para quem se movimenta no campo educativo, já que com a publicação do DL n.3 / 2008, de 7 de Janeiro, a TVA dos alunos com NEE passou a ser um imperativo legal e a ter um carácter obrigatório, a integrar forçosamente no serviço dos estabelecimentos de ensino nacionais.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Inquietações...
Toda hora é hora de correr em busca de....
Vejamos com quantos anos algumas personalidades bem conhecidas conseguiram destacar-se.
5 anos – Mozart compõe sua primeira obra musical.
12 anos – Bento IX é consagrado papa em 1032.
19 anos – Bill Gates abandona a faculdade e funda a Microsoft.
24 anos – D. Pedro I proclama a Independência do Brasil.
26 anos – Albert Einstein dá à luz a teoria da relatividade.
29 anos – Alexandre, o Grande, consolida seu império.
32 anos – Stephen Hawking descreve os buracos negros.
33 anos – Pedro Álvares Cabral aporta no Brasil.
33 anos – Santos Domont sobrevoa Paris no 14-bis.
35 anos – Napoleão é coroado imperador da França.
40 anos – Paulo Coelho escreve o Diário de um Mago.
45 anos – Isaac Newton explica a Lei da Gravidade.
46 anos – Cristóvão Colombo descobre a América.
49 anos – Gengis Khan, o bárbaro, torna-se senhor do mundo civilizado.
50 anos – Charles Darwin publica A Origem das Espécies.
57 anos – Nicolau Copérnico afirma que a Terra gira em torno do Sol.
58 anos – Miguel de Cervantes publica Dom Quixote.
62 anos – Deodoro da Fonseca proclama a República.
66 anos – Winston Churchill é nomeado primeiro-ministro da Inglaterra.
75 anos – Cora Coralina publica seu primeiro livro. Poemas dos bancos de Goiás e outras histórias mais.
88 anos – Raymond Davis Jr. recebe o Prêmio Nobel de Física em 2002.
12 anos – Bento IX é consagrado papa em 1032.
19 anos – Bill Gates abandona a faculdade e funda a Microsoft.
24 anos – D. Pedro I proclama a Independência do Brasil.
26 anos – Albert Einstein dá à luz a teoria da relatividade.
29 anos – Alexandre, o Grande, consolida seu império.
32 anos – Stephen Hawking descreve os buracos negros.
33 anos – Pedro Álvares Cabral aporta no Brasil.
33 anos – Santos Domont sobrevoa Paris no 14-bis.
35 anos – Napoleão é coroado imperador da França.
40 anos – Paulo Coelho escreve o Diário de um Mago.
45 anos – Isaac Newton explica a Lei da Gravidade.
46 anos – Cristóvão Colombo descobre a América.
49 anos – Gengis Khan, o bárbaro, torna-se senhor do mundo civilizado.
50 anos – Charles Darwin publica A Origem das Espécies.
57 anos – Nicolau Copérnico afirma que a Terra gira em torno do Sol.
58 anos – Miguel de Cervantes publica Dom Quixote.
62 anos – Deodoro da Fonseca proclama a República.
66 anos – Winston Churchill é nomeado primeiro-ministro da Inglaterra.
75 anos – Cora Coralina publica seu primeiro livro. Poemas dos bancos de Goiás e outras histórias mais.
88 anos – Raymond Davis Jr. recebe o Prêmio Nobel de Física em 2002.
Nunca é tarde, não é verdade? Nem cedo…
Informações retiradas do livro Pílulas de Sabedoria Instantânea, de Max Gehringer.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Da Leitura e da Escrita
O ciclo de palestras “Os livros que estou a ler” regressa a 2 de Fevereiro (terça-feira), pelas 18h30, na Casa Fernando Pessoa. A primeira convidada é a jornalista e escritora Leonor Xavier.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Um imperativo: Pensar a Escola

Já teve início, na UCP lisboa, o Fórum "Pensar a Escola. Preparar o Futuro".
A sessão da manhã está a ser marcada pela sessão de abertura a cargo do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga.
Transmissões online em http://www.educris.com/
Amanhã, dia 23 de Janeiro, todos os internautas vão ter acesso às conferências, em diferido, que hoje se realizam na Universidade Católica Portuguesa. Sempre a partir das 10h30.
Amanhã, dia 23 de Janeiro, todos os internautas vão ter acesso às conferências, em diferido, que hoje se realizam na Universidade Católica Portuguesa. Sempre a partir das 10h30.
Para conhecer o programa clique aqui.
"Código Pedagógico" dos Jesuítas
Uma entrevista com Margarida Miranda, professora do Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. A referida docente traduziu a Ratio Studiorum, o plano de estudos seguido pelos Jesuítas e cujo grande mentor foi Santo Inácio de Loyola. O lançamento foi no passado dia 15 de Janeiro. O De Rerum Natura falou com ela a este propósito e passamos a transcrever o conteúdo dessa entrevista que merece ser reflectida e discutida no âmbito do actual sistema educativo.
P: Em concreto, o que é a Ratio Studiorum dos Jesuítas?
R: Ratio Studiorum é o nome abreviado de Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Iesu, o plano educacional que a Companhia de Jesus pôs à frente dos seus colégios nas mais variadas partes do globo (da Europa à Ásia, do Japão ao Brasil). Embora vulgarmente se traduza por código, ou método, a Ratio Studiorum é mais do que o plano de estudos, ou o curriculum escolar, ou o regulamento dos colégios dos jesuítas. Ela é na verdade o regime escolar (e, nessa medida, também o plano de estudos, o código e o regulamento) que presidiu ao ensino nos colégios dos Jesuítas, desde que foi composto (no final do séc. XVI) até à extinção da Companhia de Jesus, em 1773 (com as necessárias adaptações, claro).
O documento reparte-se em 30 capítulos. Cada um deles consiste num conjunto de regras para cada uma das funções dos membros de um colégio, docentes e discentes, a começar pelo Provincial da Ordem, logo seguido dos reitores (autoridade máxima dos colégios), continuando nos diversos professores e a terminar nas classes iniciais do colégio. Por isso, cada capítulo se intitula “Regras para o professor de …”, ou "Regras para os alunos de …”. Depois, temos ainda “Normas para os exames escritos”, “Normas para os prémios [escolares]”, “Normas para as Academias” – uma espécie de clubes em que a actividade escolar e a produção literária eram estimuladas como recreio e fonte de lazer.
Trata-se, portanto, de um documento que inaugurou uma nova era na institucionalização da educação escolar e que, por isso, acabou por ser seguido também por outras ordens religiosas, que começaram a dedicar-se ao ensino.
P: Há quem defenda que a Ratio Studiorum é uma das obras pedagógicas mais importantes de toda a história da educação ocidental. Rómulo de Carvalho designa-a por monumento. É dessa opinião?
R: Podemos medir a sua importância pelo êxito evidente que acompanhou o ensino dos colégios. Ao longo da sua longa actividade escolar e através da mobilidade real do seu corpo docente, os Jesuítas foram, na verdade, ‘mestres da Europa’. A verdade é que a Ratio Studiorum criou um novo estilo internacional de educar, com um ensino escolar gratuito, dirigido a todas as classes sociais – não apenas a clérigos, mas também a leigos – numa época em que se vivia uma verdadeira explosão da procura escolar na Europa, após a invenção da imprensa.
Além disso, o plano de estudos que ela propunha, gozava da adequação ao consenso comum da Europa do seu tempo: aliava as letras humanas e as artes liberais (isto é próprias do homem livre) à importância da formação do carácter. Com as letras humanas vinha todo o património literário e filosófico greco-romano que o Humanismo e o Renascimento ensinavam a valorizar integralmente. E com aquele património vinha ainda o ideal da eloquência, do domínio da palavra, que é como quem diz, da comunicação verbal! Era num tempo em que formar bons oradores não era produzir discursos bonitos mas homens sábios, capazes de comunicar ao mundo, sem powerpoints mas de forma agradável, o seu muito saber e o seu muito saber pensar, argumentar e criticar. E, ainda, formar alunos para o serviço do bem comum, por meio da intervenção cívica. Essa é uma das características que mais nos separa deste modelo de educação: o primado da palavra (pensada, falada e escrita) e a eleição clara de valores éticos.
O que vejo neste ‘monumento pedagógico’ é a incorporação de diversos componentes educativos já em vigência, num mesmo programa educacional, o que é extremamente claro. Nem todos são de criação jesuítica, naturalmente, mas a sua originalidade está na feliz articulação de todos eles de forma tão sistemática.
P: Quando exploramos a construção da Ratio Studiorum não podemos deixar de ficar admirados com o tempo que demorou, os ensaios que implicou, as revisões a que obrigou… Por isso, a coerência é apontada como uma das suas características mais marcantes. Tendo um conhecimento tão profundo da obra, corrobora esta ideia?
R: É bem verdade! A Ratio resulta de cerca de meio século de ensaios, correcções, melhoramentos, novos ensaios, novas versões… Nada há transformado em “regra” universal que não tenha sido primeiro ‘universalmente’ testado para depois ser submetido à crítica de todos os agentes e finalmente aprovado em forma de letra. É claro que não se pode impor efectivamente uma reforma, sem a cooperação de todos os agentes nela envolvidos. Ora, a implementação da Ratio Studiorum era uma ampla reforma, a maior de sempre, ou melhor, uma grande acto fundacional, sem precedentes, destinado a numerosas instituições escolares, situadas em ambientes muito diferentes, que haviam de perdurar durante séculos. Por isso, tudo tinha que nascer de forma prudente e amadurecida.
Aliás, se a Ratio Studiorum operava sobre uma rede escolar muito vasta, com uma única cabeça, com circulação efectiva de informação e com documentos normativos, ela não esquecia de modo algum a necessidade de adequação aos tempos e aos lugares. É uma ideia muito comum ao longo do texto, responsável certamente pela sua exequibilidade.
Mas isso não desmente a sua preocupação pelo rigor e pela ordem: ordem nas matérias, ordem na divisão dos alunos, cada classe com seu mestre e com seu grau de exigência, ordem na progressão entre classes, ordem nos graus de dificuldade a percorrer, de acordo com objectivos de aprendizagem sempre muito claros, sem preconceitos contra uma clara hierarquia de saberes e de funções escolares.
P: Estudiosos da pedagogia inaciana (por exemplo, José Lopes, padre jesuíta que se doutorou na área) identificam nela as ideias essenciais do Movimento da Educação Nova, que emergiu em finais do século XIX. Porém, Santo Inácio não se considera um original, reconhecendo a sua inspiração em escolas que conheceu de perto, nomeadamente da Universidade de Paris. Podemos dizer que se trata de uma obra pedagógica de transição entre o mundo medieval e o renascentista?
R: Como disse há pouco, a Ratio incorpora, num mesmo programa, métodos e práticas escolares que já vigoravam, embora de forma fragmentada. Nalgumas regiões, a sua obra consistiu num enorme desenvolvimento dessas práticas. Noutras foi um fenómeno extremamente inovador porque não havia alternativas. Experiência modeladora das opções pedagógicas e didácticas da Ratio foi sem dúvida a experiência colhida na Universidade de Paris (a qual, por sua vez, já dava continuidade às escolas dos Irmãos da Vida Comum), mas também a passagem de alguns jesuítas pelo Colégio Trilingue de Alcalá de Henares, cuja Universidade era um dos grandes centros de irradiação do Humanismo na Península. Mas acima de tudo isso está uma outra realidade: é que, em toda a parte, a Companhia de Jesus vivia uma atmosfera intelectual que assimilava a cultura eclesiástica tradicional com um elevado sentido de cooperação com a cultura contemporânea. Os colégios não eram apenas instituições escolares. Eram lugares de grande importância cívica. Bibliotecas, lugares de produção, impressão e edição de livros, observatórios astronómicos, museus, laboratórios, salas de teatro, de música e de dança, de exposição de pinturas e composições literárias… No final do séc. XVI, o programa jesuítico sustentava a compatibilidade entre a educação ‘humanística’, por um lado, e a filosofia ou ciência aristotélica e a teologia de S. Tomás, por outro, numa mundividência que atravessava uma linha de continuidade de muitos séculos. Essa verdade torna as categorias ‘medieval’ e ‘renascentista’ momentaneamente arbitrárias.
O certo é que as tradicionais classes para o estudo da gramática, humanidades e retórica acabaram por se converter no principal modelo dos nossos estudos secundários e por estar na origem do ensino secundário público.
P: Termino perguntando-lhe se a Ratio Studiorum tem sentido no presente e se tem futuro?
R: A essa pergunta, só posso dar a minha resposta pessoal e não a resposta da especialista em ciências da educação, que não sou. É claro que Ratio Studiorum que agora faz sentido (no presente e no futuro) não é a reprodução cega do modelo de 1599, mas a produção de um modelo que respeite os mesmos princípios orientadores: educação para a excelência; apropriação activa de conteúdos e de competências através do exercício constante por parte do aluno; educação humanística que não descure o primado da palavra e da capacidade de pensar; formação humana integral (formação intelectual, humanística e interdisciplinar mas também artística e espiritual); integração dos saberes, que fomente a aliança entre as humanidades e as ciências como saberes complementares e possa superar a actual tendência para a fragmentação dos saberes; saber humanístico que respeite o lugar do legado clássico na nossa identidade e o primado da dignidade da pessoa humana; clareza de valores éticos, já que a educação integral passa pela educação do indivíduo para a autêntica liberdade e responsabilidade, de modo a fazê-lo despertar para os valores da justiça e do serviço, para a consciência social (local e universal) e para a cooperação cívica. E, finalmente, outra questão de extrema actualidade: a noção de que os professores devem conhecer os seus discípulos individualmente e tomar consciência de que os influenciam mais pelo exemplo do que pela palavra; mas sobretudo uma elevada consciência da importância que tem motivar e preparar esses professores, trazê-los satisfeitos e atender os seus pedidos, por serem eles os factores cruciais do êxito escolar.
R: Ratio Studiorum é o nome abreviado de Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Iesu, o plano educacional que a Companhia de Jesus pôs à frente dos seus colégios nas mais variadas partes do globo (da Europa à Ásia, do Japão ao Brasil). Embora vulgarmente se traduza por código, ou método, a Ratio Studiorum é mais do que o plano de estudos, ou o curriculum escolar, ou o regulamento dos colégios dos jesuítas. Ela é na verdade o regime escolar (e, nessa medida, também o plano de estudos, o código e o regulamento) que presidiu ao ensino nos colégios dos Jesuítas, desde que foi composto (no final do séc. XVI) até à extinção da Companhia de Jesus, em 1773 (com as necessárias adaptações, claro).
O documento reparte-se em 30 capítulos. Cada um deles consiste num conjunto de regras para cada uma das funções dos membros de um colégio, docentes e discentes, a começar pelo Provincial da Ordem, logo seguido dos reitores (autoridade máxima dos colégios), continuando nos diversos professores e a terminar nas classes iniciais do colégio. Por isso, cada capítulo se intitula “Regras para o professor de …”, ou "Regras para os alunos de …”. Depois, temos ainda “Normas para os exames escritos”, “Normas para os prémios [escolares]”, “Normas para as Academias” – uma espécie de clubes em que a actividade escolar e a produção literária eram estimuladas como recreio e fonte de lazer.
Trata-se, portanto, de um documento que inaugurou uma nova era na institucionalização da educação escolar e que, por isso, acabou por ser seguido também por outras ordens religiosas, que começaram a dedicar-se ao ensino.
P: Há quem defenda que a Ratio Studiorum é uma das obras pedagógicas mais importantes de toda a história da educação ocidental. Rómulo de Carvalho designa-a por monumento. É dessa opinião?
R: Podemos medir a sua importância pelo êxito evidente que acompanhou o ensino dos colégios. Ao longo da sua longa actividade escolar e através da mobilidade real do seu corpo docente, os Jesuítas foram, na verdade, ‘mestres da Europa’. A verdade é que a Ratio Studiorum criou um novo estilo internacional de educar, com um ensino escolar gratuito, dirigido a todas as classes sociais – não apenas a clérigos, mas também a leigos – numa época em que se vivia uma verdadeira explosão da procura escolar na Europa, após a invenção da imprensa.
Além disso, o plano de estudos que ela propunha, gozava da adequação ao consenso comum da Europa do seu tempo: aliava as letras humanas e as artes liberais (isto é próprias do homem livre) à importância da formação do carácter. Com as letras humanas vinha todo o património literário e filosófico greco-romano que o Humanismo e o Renascimento ensinavam a valorizar integralmente. E com aquele património vinha ainda o ideal da eloquência, do domínio da palavra, que é como quem diz, da comunicação verbal! Era num tempo em que formar bons oradores não era produzir discursos bonitos mas homens sábios, capazes de comunicar ao mundo, sem powerpoints mas de forma agradável, o seu muito saber e o seu muito saber pensar, argumentar e criticar. E, ainda, formar alunos para o serviço do bem comum, por meio da intervenção cívica. Essa é uma das características que mais nos separa deste modelo de educação: o primado da palavra (pensada, falada e escrita) e a eleição clara de valores éticos.
O que vejo neste ‘monumento pedagógico’ é a incorporação de diversos componentes educativos já em vigência, num mesmo programa educacional, o que é extremamente claro. Nem todos são de criação jesuítica, naturalmente, mas a sua originalidade está na feliz articulação de todos eles de forma tão sistemática.
P: Quando exploramos a construção da Ratio Studiorum não podemos deixar de ficar admirados com o tempo que demorou, os ensaios que implicou, as revisões a que obrigou… Por isso, a coerência é apontada como uma das suas características mais marcantes. Tendo um conhecimento tão profundo da obra, corrobora esta ideia?
R: É bem verdade! A Ratio resulta de cerca de meio século de ensaios, correcções, melhoramentos, novos ensaios, novas versões… Nada há transformado em “regra” universal que não tenha sido primeiro ‘universalmente’ testado para depois ser submetido à crítica de todos os agentes e finalmente aprovado em forma de letra. É claro que não se pode impor efectivamente uma reforma, sem a cooperação de todos os agentes nela envolvidos. Ora, a implementação da Ratio Studiorum era uma ampla reforma, a maior de sempre, ou melhor, uma grande acto fundacional, sem precedentes, destinado a numerosas instituições escolares, situadas em ambientes muito diferentes, que haviam de perdurar durante séculos. Por isso, tudo tinha que nascer de forma prudente e amadurecida.
Aliás, se a Ratio Studiorum operava sobre uma rede escolar muito vasta, com uma única cabeça, com circulação efectiva de informação e com documentos normativos, ela não esquecia de modo algum a necessidade de adequação aos tempos e aos lugares. É uma ideia muito comum ao longo do texto, responsável certamente pela sua exequibilidade.
Mas isso não desmente a sua preocupação pelo rigor e pela ordem: ordem nas matérias, ordem na divisão dos alunos, cada classe com seu mestre e com seu grau de exigência, ordem na progressão entre classes, ordem nos graus de dificuldade a percorrer, de acordo com objectivos de aprendizagem sempre muito claros, sem preconceitos contra uma clara hierarquia de saberes e de funções escolares.
P: Estudiosos da pedagogia inaciana (por exemplo, José Lopes, padre jesuíta que se doutorou na área) identificam nela as ideias essenciais do Movimento da Educação Nova, que emergiu em finais do século XIX. Porém, Santo Inácio não se considera um original, reconhecendo a sua inspiração em escolas que conheceu de perto, nomeadamente da Universidade de Paris. Podemos dizer que se trata de uma obra pedagógica de transição entre o mundo medieval e o renascentista?
R: Como disse há pouco, a Ratio incorpora, num mesmo programa, métodos e práticas escolares que já vigoravam, embora de forma fragmentada. Nalgumas regiões, a sua obra consistiu num enorme desenvolvimento dessas práticas. Noutras foi um fenómeno extremamente inovador porque não havia alternativas. Experiência modeladora das opções pedagógicas e didácticas da Ratio foi sem dúvida a experiência colhida na Universidade de Paris (a qual, por sua vez, já dava continuidade às escolas dos Irmãos da Vida Comum), mas também a passagem de alguns jesuítas pelo Colégio Trilingue de Alcalá de Henares, cuja Universidade era um dos grandes centros de irradiação do Humanismo na Península. Mas acima de tudo isso está uma outra realidade: é que, em toda a parte, a Companhia de Jesus vivia uma atmosfera intelectual que assimilava a cultura eclesiástica tradicional com um elevado sentido de cooperação com a cultura contemporânea. Os colégios não eram apenas instituições escolares. Eram lugares de grande importância cívica. Bibliotecas, lugares de produção, impressão e edição de livros, observatórios astronómicos, museus, laboratórios, salas de teatro, de música e de dança, de exposição de pinturas e composições literárias… No final do séc. XVI, o programa jesuítico sustentava a compatibilidade entre a educação ‘humanística’, por um lado, e a filosofia ou ciência aristotélica e a teologia de S. Tomás, por outro, numa mundividência que atravessava uma linha de continuidade de muitos séculos. Essa verdade torna as categorias ‘medieval’ e ‘renascentista’ momentaneamente arbitrárias.
O certo é que as tradicionais classes para o estudo da gramática, humanidades e retórica acabaram por se converter no principal modelo dos nossos estudos secundários e por estar na origem do ensino secundário público.
P: Termino perguntando-lhe se a Ratio Studiorum tem sentido no presente e se tem futuro?
R: A essa pergunta, só posso dar a minha resposta pessoal e não a resposta da especialista em ciências da educação, que não sou. É claro que Ratio Studiorum que agora faz sentido (no presente e no futuro) não é a reprodução cega do modelo de 1599, mas a produção de um modelo que respeite os mesmos princípios orientadores: educação para a excelência; apropriação activa de conteúdos e de competências através do exercício constante por parte do aluno; educação humanística que não descure o primado da palavra e da capacidade de pensar; formação humana integral (formação intelectual, humanística e interdisciplinar mas também artística e espiritual); integração dos saberes, que fomente a aliança entre as humanidades e as ciências como saberes complementares e possa superar a actual tendência para a fragmentação dos saberes; saber humanístico que respeite o lugar do legado clássico na nossa identidade e o primado da dignidade da pessoa humana; clareza de valores éticos, já que a educação integral passa pela educação do indivíduo para a autêntica liberdade e responsabilidade, de modo a fazê-lo despertar para os valores da justiça e do serviço, para a consciência social (local e universal) e para a cooperação cívica. E, finalmente, outra questão de extrema actualidade: a noção de que os professores devem conhecer os seus discípulos individualmente e tomar consciência de que os influenciam mais pelo exemplo do que pela palavra; mas sobretudo uma elevada consciência da importância que tem motivar e preparar esses professores, trazê-los satisfeitos e atender os seus pedidos, por serem eles os factores cruciais do êxito escolar.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Artigos CIEd sobre Educação
Título: Formação e transição para o mundo do trabalho através das tecnologias da informação e comunicação : as novas desigualdades de género
Autores: Rocha, Maria Custódia Jorge da
Data:2009
ID: http://hdl.handle.net/1822/10074
Título: Facetas da democratização : uma escola exigente
Autores: Antunes, Fátima
Data:2009
ID: http://hdl.handle.net/1822/10082
Título: Perspectivas organizacionais sobre a liderança feminina em contexto educativo
Autores: Rocha, Maria Custódia Jorge da
Data:2000
ID: http://hdl.handle.net/1822/10075
Título: Planificação do ensino-aprendizagem das ciências e mudança conceptual : uma proposta de conciliação
Autores: Leite, Laurinda
Data:1998
ID: http://hdl.handle.net/1822/10077
Título: Podcasts in higher education : students’ and lecturers’ perspectives
Autores: Carvalho, Ana Amélia Amorim
Aguiar, Cristina
Santos, Henrique Dinis dos
Oliveira, Lia Raquel
Marques, Aldina
Maciel, Romana
Data:2009
ID: http://hdl.handle.net/1822/10080
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
O papel individual e intransmissível no crescimento pessoal
No puedo crecer por ti
É o título do último artigo semanal (09.01.2010) de Miguel Ángel Santos Guerra. Vale a pena ler.
Cada persona tiene que madurar y crecer a través de su propio esfuerzo. Nadie puede suplir a otro en la tarea de su maduración. Los demás pueden ayudar, aconsejar, aplaudir, pero no pueden reemplazar a nadie en lo que cada persona tiene que hacer. Hay que regar el árbol, abonarlo y podarlo, pero es el árbol quien tiene que crecer. Y, por cierto, hace muy poco ruido cuando crece. No se puede tirar de las ramas hacia arriba para que lo haga. Los agentes externos facilitan, propician ayudan, pero no crecen por él.
Suelo aplicar a la educación una metáfora que Neruda dedica al amor. Amar (educar) es hacer con las personas lo que la primavera hace con los cerezos. La primera crea las condiciones pero es el árbol el que crece. el que florece, el que da frutos. Es necesaria la primavera, pero ella sola no hace que el árbol se desarrolle. En plena primavera hay árboles que se atrofian, que acaban muriendo.
Reivindico aquí la autonomía del ser humano para llegar a ser lo que realmente quiere ser, dentro de sus posibilidades genéticas, dentro de sus potencialidades, en el marco del contexto que elige. Reivindico su derecho a desarrollar al máximo y de forma autónoma sus potencialidades.
Lo que los hijos y alumnos nos dicen a los adultos es lo siguiente: “Ayúdame a hacerlo sólo”. De lo que se trata no es de que los alumnos y los hijos piensen como nosotros sino de que piensen por sí mismos. Lo que se pretende no es que decidan lo que nosotros queremos sino que aprendan a decidir por sí mismos.
La indoctrinación se diferencia de la educación en que no deja un margen a la libertad del individuo. Impone los valores a la fuerza. Y un valor que se impone a la fuerza deja de ser un valor. La educación propone, sugiere, explica, pero respeta la libertad del educando. De ahí la importancia de la libertad y de la responsabilidad que de ella se deriva. No es cierto que hasta que no tengan responsabilidad no se les puede conceder libertad sino que mientras no ejerciten la libertad no pueden adquirir responsabilidad. (Tengo que matizar lo que he dicho. Porque he hablado de conceder libertad. Sería más preciso hablar de devolver la libertad. Porque la libertad es suya, no es que nosotros se la concedamos).
Cuando se habla y se piensa y se escribe sobre educación se suele poner el foco en los educadores y menos veces en los educandos. Ellos tienen una parte inexcusable de responsabilidad.
Hace tiempo y no sé dónde leí (o escuché) una anécdota que viene como anillo al dedo para explicar lo que quiero decir. Un profesor recibe una demanda exigente de un alumno para que le explique con más detalle, con más pormenores, de manera desmenuzada y clara el tema que tiene que estudiar. Y, además, le exige que le indique dónde puede encontrar más información.
El profesor le dice que le explicará lo que le pide, pero que será en otro momento. Invita a comer a su alumno y, en los postres, le dice que le permita hacerle un pequeño favor en muestra del aprecio que le tiene. El favor consiste en pelar el melocotón que el alumno va a tomar de postre.
- No, por favor, dice el alumno, yo puedo hacerlo sin dificultad alguna.
- Por favor, insiste el profesor, yo lo haré encantado. Quiero mostrarte mi aprecio.
El profesor monda el melocotón cuidadosamente. Una vez realizada la tarea le dice al sorprendido alumno:
- Permíteme ahora partírtelo en pequeños trozos para que puedas comerlo con facilidad.
- No, por favor, profesor, yo puedo hacerlo solo. Estoy acostumbrado.
El profesor parte el melocotón en pedazos ante la asombrada mirada de su alumno. Y, al terminar, le dice, metiendo un trozo en la boca:
- Permíteme que te lo mastique para que puedas comerlo de manera más fácil.
El alumno comprende lo que le ha querido decir el profesor con la metáfora del melocotón. Avergonzado, se disculpa con rapidez:
- Gracias, profesor Tiene usted razón. Me he equivocado al pedir que recorriese por mí el camino que yo tenía que atravesar en el proceso de mi aprendizaje.
- Sí, amigo, yo no puedo crecer por ti, concluye el profesor.
En el discurso pedagógico se olvida frecuentemente el papel del alumno, como si todo dependiese del quehacer del profesor, de la institución escolar y de la familia. Es cierto que algunos docentes han quemado las mejores ilusiones de sus alumnos por aprender, pero no es menos cierto que algunos alumnos han destruido las mejores intenciones que tenían sus profesores de enseñar. Tendremos mejores alumnos en la medida que haya buenos profesores, pero será más fácil que haya buenos profesores si tenemos buenos alumnos.
Los alumnos tienen su papel, un papel determinante. Porque sólo aprende el que quiere. Cuando un alumno no se esfuerza, cuando no pone nada de su parte, se hace inútil la tarea del profesor.
Hay que insistir en esa parte de la responsabilidad en el éxito escolar. Frecuentemente se atribuye el fracaso a la administración educativa, al profesorado, a la familia, a los medios de comunicación, a la sociedad en general, pero no se piensa en la parte que le corresponde al estudiante. Hay que decirlo así de claro.
El estudiante tiene que ser consciente del privilegio que supone poder estudiar de forma gratuita. Hay muchos niños y jóvenes en el mundo que no pueden disfrutar de él. Tiene que saber lo que cuesta su puesto en una escuela. Tiene que prestar atención a cada explicación o consigna, tiene que tratar bien las instalaciones y los materiales, tiene que esforzarse (porque el estudio requiere esfuerzo) de forma continuada y tiene que respetar a quienes tratan de ayudarle a aprender. En sus manos está una gran parte de la clave del éxito o del fracaso..Tenemos que decírselo así de claro los profesores y profesoras. Y no menos claramente los padres y las madres.
In El Adarve
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
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