terça-feira, 22 de setembro de 2009

A (auto)avaliação das escolas: “virtudes” e “efeitos colaterais”


Um artigo que vale a pena ler.


Da Conclusão

A instituição de sistemas de avaliação das escolas, em diferentes geografias sóciopolíticas, surge habitualmente associada à preocupação em promover a qualidade dos respectivos sistemas educativos.34 Contudo, a qualidade, dada a sua “dispersão semântica”, pode ser invocada ao serviço de agendas e agentes muito diversos. De resto, frequentemente, a qualidade desdobra-se em valores que, apesar da sua forte consensualidade e aparente convergência, raramente podem ser satisfeitos em simultâneo. Assim, por exemplo, como advertem Sergionvanni e outros (1987, p. 7), citados por Natércio Afonso (2002, p. 53), valores como equidade, excelência, eficiência e liberdade, podendo ser tomados como as quatro faces de um sistema de qualidade, convivem, contudo, “num constante estado de tensão, de tal modo que uma excessiva ênfase num deles prejudica a expressão de cada um dos outros três.” Também aqui se afirma a natureza política da avaliação: a prevalência de uma das faces sobre as outras depende, em última instância, do (des)equilíbrio) de poderes dos agentes e das agendas em presença.

Paralelamente, em Portugal raramente se tem equacionado a avaliação da escola enquanto “organização educativa complexa” (AFONSO, A. J., 2003), privilegiando-se antes formas pobres e “preguiçosas” de avaliação (AZEVEDO, 2007), com destaque para a produção e divulgação dos muito propagandeados rankings das escolas, sub-produto da média aritmética dos resultados dos exames do 12º ano. Os efeitos de “beatificação” das escolas melhor posicionadas (e consequente branqueamento de alguns dos processos que as catapultaram a essa posição) e de “demonização” das relegadas para o fim da tabela (e consequente apagamento dos esforços e implicação dos que aí trabalham) são hoje já relativamente bem conhecidos.

Uma visão acrítica e ingénua, ainda que bem intencionada, dos processos de avaliação das escolas leva com frequência a um registo normativo e laudatório que põe em destaque as “virtudes” e as potenciais “melhorias” associadas àqueles processos. Contudo, importa acautelar que certas formas de avaliação, sobretudo aquelas que desprezam (ou ignoram) o estatuto da escola como “organização educativa complexa”, comportam também “efeitos colaterais” que podem não ser despiciendos e induzir mesmo formas de “democratização segregativa” (MERLE, 2002). Estes riscos surgem fortemente potenciados em contextos de pressões performativas e quando se indexa, como no caso português, aos resultados da avaliação um conjunto de “prémios e castigos”. Nestas circunstâncias, como assinala Ball (2002, p. 16): “as fabricações organizacionais são uma fuga ao olhar atento e directo, uma estratégia de gestão da impressão que, de facto, cria uma fachada calculada”35.
Neste contexto, o professor tenderá cada vez menos a trabalhar com as crianças, para a passar a trabalhar as crianças para que estas brilhem nos testes. As escolas, naturalmente, envolver-se-ão cada vez menos nos absorventes e exigentes processos de promoção do sucesso educativo, para se dedicarem a vistosas encenações de fabricação dos resultados. Aqui, mais importante do que a autenticidade, parece ser a plasticidade, ou seja, a capacidade de ajustamento às demandas do momento, o que implica, desde logo, “reformar” o próprio professor. É que, como alerta Ball (2002, p. 3): “A reforma não muda apenas o que nós fazemos, muda também quem somos”.
Apesar das dificuldades e limites que a assunção da escola como “organização educativa complexa” coloca aos processos avaliativos, e muito particularmente à avaliação do “factor escola”, como oportunamente adverte Azevedo (2007, p. 69), essas condicionantes impõem prudência, mas não justificam a desistência. O que se impõe é a superação da visão simplista e redutora de um processo que é, antes de mais, político (DIAS SOBRINHO, 2000), ou seja, envolve uma grande pluralidade (e conflitualidade) de interesses, valores, perspectivas, objectivos. Reconhecer o amplo “arco semântico do conceito de avaliação” (SANTOS GUERRA, 2002, p. 272), concebê-la como uma prática instituinte que corporiza uma construção colectiva que se actualiza em cada escola enquanto “arena política”, constituem dois “requisitos” básicos para resgatar a avaliação institucional das derivas gerencialistas e (re)colocá-la ao serviço de uma agenda que persegue a “qualidade democrática” da escola (AFONSO, A. J., 2003).

Notas:
34 No caso do sistema educativo português, o normativo que aprova o sistema de avaliação da educação e do ensino não superior, inclui nos seus objetivos “Promover a qualidade do sistema educativo, da sua organização e dos seus níveis de eficiência, apoiar a formulação e o desenvolvimento de políticas de educação e formação e assegurar a disponibilidade de informação de gestão daquele sistema “(Lei nº 31/2002, de 20 de Dezembro, alínea a) do artº 3º ).
35 Acrescenta o mesmo autor (BALL, 2002, p. 19) que: “As tecnologias políticas do mercado, gestão e performatividade não deixam espaço para um ser ético autônomo ou coletivo. Estas tecnologias políticas têm potencialmente profundas consequências para a natureza do ensinar e do aprender.”

Texto Integral


In SA, Virgínio. A (auto)avaliação das escolas: "virtudes" e "efeitos colaterais". Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2009, vol.17, n.62, pp. 87-108. ISSN 0104-4036.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mini-agenda Cultural


Da Fundação Calouste Gulbenkian
(clique nos links e imagens para aceder aos sítios e saber mais informações)



CONFERÊNCIA




COM INVESTIGADORES

O evento consiste num conjunto de actividades para todas as idades. No centro estão os investigadores, em contacto directo com o público, num ambiente não científico. >>

> 21 e 22 de Setembro, das 9h às 18h
O Futuro de Bolonha, 10 Anos Depois
Auditório 2
Apenas a Sessão de Abertura, das 10h às 11h, é de entrada livre. As restantes intervenções terão transmissão directa online.


EXPOSIÇÕES

> Acaba a 27 de Setembro
MU. Lua em chão de terra batida, de Pedro Morais
Centro de Arte Moderna

Inauguram a
9 de Outubro
no Centro de Arte Moderna
> Anos 70 - Atravessar fronteiras
> A interpretação dos Sonhos. Fotografias de Jorge Molder
> Jesper Just

a 16 de Outubro no edifício Sede
> Art Déco, 1925


ENCONTRO COM



O maestro e pianista Daniel Barenboim, além de inaugurar a temporada de Música 2009-2010, terá um encontro com o público no dia 22.
Assinalando a edição em português da sua obra Everything is Connected, Barenboim estará no Auditório 2 para uma conversa sobre o livro e o poder da música. Para saber mais >>
Daniel Barenboim (1942) ganhou reconhecimento público quando co-fundou em 1999 com o seu amigo Edward Said a Orquestra West-Eastern Divan que todos os verões convida jovens músicos de Israel e do Médio Oriente para formarem uma orquestra, reunindo jovens músicos árabes e judeus.


FILMES E CONCERTOS - Ciclo Stockhausen: 'Ascensão', 'Esperança'



> Dias 3, 4 e 5 de Outubro
Dois filmes e três concertos estão agendados para homenagear o compositor alemão Karlheinz Stockhausen. Neste ciclo serão apresentadas uma obra em estreia mundial e outra será executada pela primeira vez em Portugal.
Considerado um dos maiores compositores do final do século XX, Stockhausen (1928-2007) criou obras que revolucionaram a percepção de ritmo, melodia e harmonia.

Pensamentos e Reflexão



Dá que pensar, não é verdade?


Derek Walcott – Caribenho (1930) – Dramaturgo, Poeta, Nobel da Literatura (1992)

domingo, 20 de setembro de 2009

Hora da Poesia



Porque todos os dias são dia da mãe, aqui fica a minha singela homenagem a todas as mães.





Palavras para a Minha Mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

sábado, 19 de setembro de 2009

Da (Des)igualdade de oportunidades


Mais um excelente artigo de reflexão de Miguel Santos Guerra (19.09.2009) sobre uma temática interessante - justiça e igualdade de oportunidades. O autor utiliza uma expressão bíblica para traspor para a vida quotidiana e dá exemplos de como ela se operacionaliza. O autor bíblico não utilizou a expressão infra com o significado que aqui lhe é atribuido, no entanto, é uma expressão que hoje não é pacífica porque de alguma forma pode levantar questões de ética e justiça. Vale a pena ler.

El efecto Mateo

La expresión “efecto Mateo” proviene de la cita bíblica que se recoge en el capítulo 13, versículo 12 del Evangelio de San Mateo (que se repite en Mateo 25, 29 y en otros evangelios hasta en cinco ocasiones ) y que dice así: “Porque al que tiene se le dará y tendrá en abundancia; pero al que no tiene, incluso lo que tiene se le quitará”.

Autores relevantes de la psicología, como Merton o Bunge, han reflexionado sobre el efecto Mateo, entendiendo que los bienes a los que la cita hace referencia pueden ser materiales (dinero, riqueza, posesiones…) o inmateriales (prestigio, confianza, autoestima…).

Merton fue el primero que utilizó este concepto aplicándolo a la producción científica. Dice que un científico acreditado tendrá menos problemas en hacer valer sus investigaciones que un joven desconocido en el ámbito de la ciencia. Por eso funcionan tan bien los padrinazgos. Un autor novel estampa su firma al lado de un autor consagrado. Padrino y ahijado se benefician del efecto Mateo. El ahijado realiza la verá cómo su trabajo ve la luz (beneficio del ahijado) y el padrino se apunta un mérito atribuyéndose un trabajo que no ha hecho (beneficio del padrino). Uno pone el nombre y el otro pone es esfuerzo. Los dos se benefician

Si un autor conocido lleva un texto a una Editorial o a una revista para su publicación, es probable que se lo admitan sin más preámbulos. Es más, es probable que le pidan originales sin saber qué calidad van a tener.

Cualquier oposición o convocatoria de plaza recoge como elemento de valoración los méritos adquiridos anteriormente. Se valora el mejor expediente, la mayor experiencia, el mejor currículo Es decir que, al que ya tiene, se le dará más. Y si alguien va a pedir trabajo, es probable que le pregunten por la experiencia previa. Al que ya la tiene se le dará la oportunidad de tener más. Y si alguien no ha podido tener esa experiencia previa, ¿cómo podrá alcanzarla si siempre se le niega la posibilidad de iniciarla?

El efecto Mateo tiene aplicaciones en todos los campos. A la hora de comprar un producto, por ejemplo, es probable que el cliente se decida por el que es más conocido.

Si vas a pedir una hipoteca te exigen que dispongas de avales que garanticen la devolución del dinero prestado. Se la concederán al que más bienes tenga porque así el Banco tendrá más seguridad en recuperar su dinero y sus intereses. Vemos otro ejemplo de la esfera económica. Parece ser que los sindicatos han llegado al acuerdo con el Gobierno de subir un 0.3 el sueldo de los funcionarios y funcionarias. Pues bien, a quienes cobran un sueldo más alto, se les subirá más que a quienes lo cobran más bajo. Al que tiene, se le dará.

En el ámbito de la educación se ve de una forma palmaria. Si un estudiante ha sido brillante en años anteriores es probable que en el año siguiente se le preste más atención. Si siempre ha tenido un buen expediente se esperará que lo vuelva a obtener.

- ¿Cómo ha podido hacer un ejercicio tan malo?, dice un profesor acerca del trabajo de un alumno de calificaciones altas.
- ¿Cómo ha podido hacer un ejercicio tan bueno, dice el mismo profesor sobre el trabajo de un alumno habitualmente flojillo.

Cundo se hacen evaluaciones de las que se derivan clasificaciones, los situados en cabeza se benefician del efecto Mateo, mientras que los últimos de la lista volverán a ser castigados por su efecto nocivo. Por ejemplo, si en el Informe PISA, Finlandia ocupa el primer lugar, el país será premiado con el reconocimiento y el prestigio. No hace falta tomar decisiones para gratificar a los primeros. Basta que sean primeros para ser gratificados…

Vemos otra aplicación. En las elecciones, los partido mayoritarios son beneficiados con un número de diputados y diputadas mucho mayor que el que se aplica a los partidos minoritarios.

Apliquemos el efecto Mateo a las cuestiones relativas al género. Si los hombres ocupan lugares preeminentes en la academia, el poder, la economía, la literatura, las artes, los deportes…,, el efecto Mateo hará que salgan beneficiados en la toma de decisiones cuando haya selección de personal, entrega de premios o de reconocimiento.

Nancy Frazer dice que respecto a las políticas de igualdad hay que poner en marcha unas que obedezcan a la redistribución y otras al reconocimiento. Lo explica diciendo que hay dos tipos de grupos, por ejemplo, el de ricos y el de pobres. Habrá que establecer políticas de redistribución de los bienes. Hay otros grupos que son de diferente naturaleza, por ejemplo homosexuales/lesbianas y heterosexuales. En estos dos grupos lo que habrá que poner en marcha son políticas de reconocimiento.

En todos los casos funciona de la misma manera el efecto en el otro polo. Es decir, por ejemplo, que al que no tiene bienes que garanticen la devolución del préstamo no le concederán la hipoteca. Y, por ejemplo, al estudiante que ha ido cosechando fracasos se le prestará menos atención

Este efecto tiene afinidad con otros que han sido estudiados por la psicología educativa, por ejemplo “efecto Pigmalión”, “efecto” halo”, “efecto bola de nieve”, “efecto riqueza”, “efecto acumulativo”… Todos ellos tienen planteamientos análogos.

Hay que corregir los efectos nocivos del efecto Mateo. Una forma de hacerlo es dar prioridad a la participación en detrimento de la competitividad rabiosa. Otra es establecer mecanismos que protejan a los más desfavorecidos. La forma más radical de hacerlo es conceder ayudas de forma invertida. Es decir, ayudar más a quienes hayan demostrado estar peor, saber menos o tener menos. En definitiva, corregir desigualdades.

In El Adarve

Para recordar e descontrair


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Proposta de Leitura e Passatempo Cultural



Título: Terra Java
Autor: João Lopes Marques
Editor: Oficina do Livro
ISBN: 9789895553990
Ano de Edição/ Reimpressão: 2008
1ª Edição
N.º de Páginas: 270
Preço(c/IVA)15 Euros





"Terra Java" de João Lopes Marques, é um interessante livro em forma de romance que nos revela uma outra história da descoberta da Austrália.

Para ler a Sinopse da obra e conhecer uma breve biografia do autor, clique aqui.

Fica a proposta de leitura da obra supracitada e um passatempo da autoria de Paulo Freixinho. O autor de Palavras cruzadas considerado como o verdadeiro cruzado das palavras, um homem de verticais com uma ambição horizontal. Vale a pena visitar o blogue do Paulo.



Clique na imagem para ampliá-la e, se desejar, imprima.



Nota: Não vale "batotices"... 1º tente resolver e.... só depois confronte com as soluções do autor aqui.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Casa-Poema Fernando Pessoa



Inauguração da Casa-Poema
Hoje, 16 de Setembro, a Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, transforma-se num poema, por dentro e por fora. Fachada exterior e paredes albergarão inúmeras versões de uma só ode de Ricardo Reis (Fernando Pessoa). A inauguração da Casa-Poema será acompanhada, durante o dia, de animação de rua. Às 19h30, actores da Tenda – Palhaços do Mundo dirão poemas de Pessoa, das janelas da Casa Fernando Pessoa para a rua em frente. Pelas 21h30, na mesma rua, terá lugar um espectáculo musical pelo Flak Ensemble, e às 22h30 a peça de teatro «Todos os Casados do Mundo são Mal Casados», dramaturgia de Inês Pedrosa a partir de textos de Ovídio e Fernando Pessoa, encenada e interpretada por Diogo Dória.


*******

Casa Fernando Pessoa - Um universo plural

Inaugurada em Novembro de 1993, a Casa Fernando Pessoa foi concebida pela Câmara Municipal de Lisboa como um centro cultural destinado a homenagear Fernando Pessoa e a sua memória na cidade onde viveu e no bairro onde passou os seus últimos quinze anos de vida, Campo de Ourique.

Possuindo um auditório, jardim, salas de exposição, objectos de arte, uma biblioteca exclusivamente dedicada à poesia, além de uma parte do espólio do poeta (objectos e mobiliário que pertenceram ao poeta e que são actualmente património municipal), a Casa Fernando Pessoa é um pequeno universo polivalente onde, nos seus três pisos principais, se realizam colóquios, sessões de leitura de poesia, encontros de escritores, espectáculos musicais e de teatro, conferências temáticas, workshops, exposições de artes plásticas, sessões de apresentação de livros, ateliers para crianças, numa programação o mais possível diversificada.



Visitas - Horário:

De Segunda a Sábado,
das 10h00 às 18h00

Encerra aos domingos e feriados

Entrada livre

Visitas Guiadas


Para saber mais sobre a Casa Fernando Pessoa, [Casa - Programação - Fernando Pessoa - Banco de Poesia - Biblioteca Biblioteca Digital de Fernando - Pessoa Serviço Educativo] clique aqui.

(Re)lembrar e uma proposta de trabalho


aqui falei do filme "A Turma", um filme de Laurent Cantet. Uma metáfora sobre a sociedade francesa, sobre a nova realidade multicultural e sobre como no sistema educativo se encerra o verdadeiro poder de um país. Um filme realista sobre a escola pública.

O jornal El País escreveu sabiamente um excelente retrato do mesmo:

Una película empeñada en reproducir la vida sin adulterarla, en describir con conocimiento, respeto y sentimiento los conflictos que provoca intentar educar y enseñar, las tensiones de todo tipo que laten en un colegio multirracial y con mayoría de inmigrantes, el retrato de las preocupaciones prioritarias de los adolescentes alumnos, la táctica de un profesor joven y humanista para ser escuchado y respetado por chavales que sienten instintivo enfrentamiento con cualquier forma de autoridad. El director Laurent Cantet aborda Entre les murs con vocación de documentalista, sin forzar el dramatismo ni encontrar soluciones definitivas, utilizando sabiamente la gente que no está interpretando, que se limita a ser como es, sin ir de listo ni de moralista. Y lo que muestra es emotivo y duro, cotidiano y cercano. Ofrece sensación de verdad, de haber captado con inteligencia y sensibilidad los claroscuros de la vida, de saber de lo que habla, de huir del énfasis y la adulteración. Bertrand Tavernier había utilizado un tono parecido para hablar de un universo similar en la hermosa Hoy empieza todo. Como él, Laurent Cantet también demuestra con Entre les murs que el arte no está reñido con lo didáctico, que el retrato sociológico puede ser conmovedor. Es una pelicula tan hermosa como necesaria, un soplo de autenticidad y de frescura, una justificada Palma de Oro.




Este filme pode ser trabalhado nas escolas portuguesas, nas nossas aulas, em vários níveis de escolaridade e em diferentes perspectivas. Serve para ver, compreender e endender a hierarquia educativa e social, assim como as normas a elas subjacentes.

Podemos trabalhar diferentes aspectos. Deixo de seguida um guião que pode ajudar os docentes que o desejem fazer. Lá podem encontrar dicas de trabalho. Uma excelente sugestão para desenvolver na área curricular não disciplinar de Formação Cívica e que pode ser articulada com todas as áreas curriculares disciplinares e não disciplinares. Deixo também o link de acesso a um completo dossier temático. Bom trabalho!


a_turma

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ensaio sobre a origem da imagem


CONVITE

(clique na imagem para ler)

Ir a pé para a escola?


Pourquoi ne vont-ils plus à l'école à pied ?
Écrit par Yves Heuillard
Le 14 septembre 2009


"Pourquoi ne vont-ils plus à l'école à pied ?" s'interroge le New York Times. L'article décrit la peur qu'ont les parents, dans les zones suburbaines des grandes villes américaines, de laisser leurs enfants aller à l'école à pied ou à vélo. Les enfants sont le plus souvent transportés en voiture à l'école, même si celle-ci n'est qu'à une ou deux centaines de mètres.

Les faits divers les plus sordides sont à l'origine de cette peur, et en réponse, des générations de parents et de personnels éducatifs ont mis en place des rituels draconiens de sécurité avec force escortes, caméras, talkies-walkies, autour de ce qui était naguère la chose la plus simple du monde : aller à la l'école.

Le quotidien rapporte les propos de parents inquiets mais aussi de parents engagés pour lesquels « d’une certaine manière, aller à l’école à pied quand personne n’y va plus, est devenu un acte politique » . Reste que la règle du « on se sait jamais » a tendance à engendrer un syndrome d’hypervigilance général. Des parents se sont même vu accusés de mettre leur enfant de 10 ans en danger pour l’avoir laissé se rendre à pied au terrain de football, distant de 1,5 km.

Le quotidien rapporte qu’en 1969, 41 % des enfants allaient à l’école à pied ou en vélo, contre 13 % en 2001, selon les données de National Household Travel Survey. Et il pointe du doigt le problème d’une société où les enfants sont moins livrés à eux-mêmes, toujours dans le giron des parents, une société où l’étranger est souvent vu comme une menace.

(...)
Leitura integral do artigo In ddmagazine