quarta-feira, 8 de julho de 2009

Preocupante!


30 mil crianças portuguesas assediadas por dia na Internet

Matilde - chamemos-lhe assim - tem 14 anos. Há duas semanas encontraram-na no areal da praia de Leça da Palmeira, abandonada, muitíssimo assustada, o corpo marcado com violência. Um homem descarregou-a ali, depois de a violar. E ela pensava que aquele seria um dia feliz, a tarde em que conheceria o miúdo por quem se apaixonara na Net, com quem falava horas perdidas no Messenger, a quem mandava emails em catadupa. Ele dizia que era um rapaz ainda novo. Mais velho que ela é certo, já com carta de condução mas ainda assim um puto, e ela acreditou. Ele dizia que iam só ao café olhar um para o outro e ela acreditou, orgulhosa por ele vir do Sul até Matosinhos para conhecê-la.

Marcaram o encontro para 19 de Junho, uma sexta-feira, no Porto, perto do bairro social onde Matilde mora com os pais. Do que se passou a seguir sabe-se pouco. À menina, aluna do secundário, custa falar das voltas de carro com aquele homem adulto, dos abusos sexuais em vários locais isolados, das agressões que inviabilizaram a fuga. Com o cair da noite chegou a preocupação dos pais, a filha que tardava, o telemóvel sempre mudo. Quando já nada justificava a demora, foram à esquadra reportar o desaparecimento.

Matilde foi encontrada no areal de Leça. A história monossilábica que relatou foi, mais tarde, confirmada pelo Instituto de Medicina Legal do Porto - ficou provada a violação - e pelos muitos emails trocados, que os pais encontraram no computador da filha e que entregaram à brigada que investiga abusos sexuais na Invicta. Até ontem (3 de Julho), o predador ainda não tinha sido detido.

A história de Matilde não é única - é só a mais recente. Este ano, a Polícia Judiciária (PJ) já contabiliza meia dúzia de casos semelhantes, casos de rapazes e raparigas menores, que se enamoraram na Internet por abusadores sexuais, que aí marcaram encontros e que acabaram violentados no mundo real. Em 2008 foram oito os casos que resultaram em violação, mais cinco de exposição íntima perante uma webcam. "Mas os números pecam por defeito. Há cifras negras e a tendência é para aumentar. A maioria dos casos não chega à polícia", explica o inspector-chefe Camilo de Oliveira, responsável pela investigação de crimes sexuais na directoria do Centro da PJ. "E não é só por vergonha que os miúdos se calam. Têm medo que os pais lhes cortem a Internet e lhes tirem o telemóvel".

Se se falar 'apenas' de assédio sexual de menores online - sem abuso físico, mas com referências explícitas a sexo, troca de fotos e vídeos com nudez, simulações de actos sexuais e exibições através de webcam - as cifras nacionais estimadas pela PJ sobem para 30 mil vítimas por dia, entre os 10 e os 15 anos. São 5% das crianças portuguesas nessa faixa etária. Percebe-se melhor o perigo quando o Instituto Nacional de Estatística atesta que 96,6% dos menores entre os 10 e os 15 anos utilizam o computador, 83% têm PC em casa e 92,7% acedem à Internet. Acrescente-se os dados da rede social Hi5, a mais usada em Portugal: 50% dos utilizadores têm entre 8 e 13 anos. Ou o facto de proliferarem na Net páginas que explicam como desbloquear o programa de controlo parental do computador "Magalhães".

Parques infantis virtuais
"Para os predadores as redes sociais da Internet são os parques infantis deste século, onde crianças brincam sem supervisão dos pais. E podem escolher as vítimas que preferem. Se querem loiras, de olhos azuis são essas que contactam. São verdadeiros catálogos", acrescenta o inspector. Nos EUA, o FBI cruzou a base de dados de abusadores condenados com a lista de utilizadores do MySpace e encontrou 90 mil correspondências. "Potencialmente, todos os predadores portugueses estarão nas redes sociais. Quem tem acesso à Net anda lá, garanto-lhe, e tem de ser muito inábil para não conseguir 'apanhar' nenhum menor", diz Camilo de Oliveira.

Na maioria dos casos, não há abuso físico. Os predadores satisfazem-se à distância. Através da Internet, 'entram' nos quartos onde a maioria das crianças usa o computador, à porta fechada. O aliciamento é fácil e rápido. Do paleio simples passa-se às perguntas sobre sexo. Liga-se a webcam. Mais umas conversas e a criança manda fotos íntimas. Do outro lado pode vir depois a chantagem. "Despe-te para a webcam, senão mando as fotos aos teus colegas. Simula, senão ponho os vídeos no Youtube". Bastam uns dias para um adolescente ficar refém das fantasias de um predador ou ver a sua intimidade à escala da World Wide Web - em 2008, a PJ investigou 160 casos de pornografia de menores, 26,3% relativos às novas tecnologias.

A universalidade da Internet obriga à cooperação internacional. Os operadores das redes e chats, estão maioritariamente nos EUA. Os pedidos ao Hi5 são recorrentes. "E nem sempre é fácil ou rápido aceder aos registos", explica o inspector-chefe Jorge Duque, que investiga crimes de alta tecnologia na PJ. A partir de 5 de Agosto as operadoras são obrigadas a reter os dados de tráfego durante um ano. "Ajuda, claro. Mas a nossa maior ajuda são os miúdos. Devem pedir contactos, emails, pormenores, guardar imagens que recebem e apontar o endereço do servidor (IP) com data e hora. Só assim localizamos o agressor".

In Expresso, 8.7.2009

Educar em Valores: uma proposta de leitura


Ainda a propósito dos últimos posts sobre a Educação e a(s) (des) Igualdade(s), aqui fica uma proposta de leitura interessante. A educação escolar pode não ser a solução para todos os males das sociedades, no entanto, apesar de todas as limitações é ainda o melhor caminho que conhecemos.


COEDUCANDO PARA UNA CIUDADANÍA EN IGUALDAD
Compromisos con las agendas globales y nacionales


Autor: Madeleine ARNOT
Colección: Colección Ministerio de Educación y Ciencia
Traductor: Redactores en Red
ISBN: 978-84-7112-534-7
Número de páginas: 304
Tamaño: 17 x 24
Fecha de la edición: 26/06/09
Edición número: 1ª

22,98 €
no incluye IVA



La rapidez de los cambios que vivimos se refleja en este nuevo libro de Madeleine Arnot, pensado desde la problemática que nos va desvelando el siglo XXI, que la ha llevado a un doble salto conceptual: nuestro ámbito de referencia ya no es el Estado, cada Estado nacional, sino el mundo, inmerso en el proceso de globalización. Así, el horizonte cambia y se amplia de pronto, y hay que repensarlo todo, porque nuestro escenario es ya otro. Y al mismo tiempo, la educación ya no es el bagaje que debe permitir a las generaciones jóvenes insertarse en el mercado de trabajo o adquirir los instrumentos básicos para vivir en un contexto inmediato. La educación, o al menos una parte de ella, debe transformarse en educación para una ciudadanía global. En un instrumento capaz de dar a la gente joven las referencias necesarias para convivir en un mundo amplio y diverso, de una diversidad yuxtapuesta y simultánea, y marcado a la vez por la afirmación de la igualdad de derechos y por la realidad de las desigualdades, las diferencias, los prejuicios, las jerarquías.
Siguiendo en muchos momentos los sutilísimos conceptos de Basil Bernstein, Arnot se adentra en el análisis de la construcción de unas personalidades masculinas y femeninas aún fuertemente dependientes de las posiciones de clase y de género, aún alejadas, en este momento, de las capacidades que exigirá la construcción de una ciudadanía global que ella ve, sobre todo, como una nueva ética global.
Madeleine Arnot, una vez más, se sitúa un paso más allá de los debates del momento para describir con gran exactitud el paisaje que está a la vuelta de la esquina y apuntar, al mismo tiempo, la posibilidad de unas soluciones basadas en la extraordinaria riqueza de una cultura tradicional femenina aún medio escondida entre los andrajos de Cenicienta, y que, sin la intervención de un hada madrina que actúe bajo la forma de un movimiento potente de mujeres, parece imposible que nadie la invite a la fiesta de la globalización.

Extracto del "Prólogo a la edición española", de Marina SUBIRATS

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MADELEINE ARNOT es Catedrática de Sociología de la Educación de la Universidad de Cambridge, Reino Unido.


EXTRACTO DEL CONTENIDO (para ler clique no link)

terça-feira, 7 de julho de 2009

(Des)igualdade...


A propósito do post infra "A escola não serve para nada!?" lembrei-me deste vídeo que aguardava uma oportunidade para aqui ser divulgado em forma de denúncia de práticas de (des)igualdade, de (des)respeito pelos direitos da humanidade, da dignidade humana, em nome de uma religião e de um deus menor. Apenas me oferece comentar que só um deus menor poderia considerar a mulher um ser inferior. Não se trata aqui da Lei de Deus, mas da lei dos homens e, essa, nem sempre corresponde à vontade de Deus. Saberá o homem algum dia decifrar plenamente essa vontade?...


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Alunos vencedores


Um testemunho de um vencedor. Um aluno que se dedica ao estudo com muito empenho, trabalho, esforço... e que é exemplo para os demais colegas. Talento e trabalho são valores reconhecidos pela comunidade escolar. Lindo! Parabéns ao João, à família, aos seus professores e a todos os que o ajudam a crescer integralmente como pessoa.


NÃO ME CONSIDERO SOBREDOTADO

João Bandovas, aluno da EB 2, 3 “Sebastião da Gama”, de Estremoz, foi o vencedor do Concurso Nacional de Leitura 2008/2009, cuja final foi transmitida pela RTP1 no passado dia 15 de Junho. As provas da Final Nacional, em que participaram estudantes do 3º Ciclo e do Ensino Secundário, realizaram-se nos dias 30 e 31 de Maio último, no Cine-Teatro da Encarnação, em Lisboa.

À terceira foi de vez: o João Pedro Bandovas, sagrou-se vencedor, na categoria do 3º Ciclo do Ensino Básico, da terceira edição do Concurso Nacional de Leitura, um concurso de âmbito nacional, em que participaram trezentas escolas e dezoito distritos, com centenas de estudantes dos quais, depois de ultrapassadas as duas primeiras fases (escolar e distrital), apenas 24 chegaram à final realizada em 30 e 31 de Maio último.
Natural de Estremoz, 14 anos de idade, aluno da Escola Sebastião da Gama, onde concluiu este ano o 3º Ciclo do Ensino Básico (9º), “com 5 em todas as disciplinas”, o João Pedro é já um veterano deste concurso, pois participou nas suas três edições. Na primeira, em 2007, parou na fase distrital onde ficou empatado com outro estudante, “fomos a uma prova oral de desempate e como o meu ponto fraco é a parte oral passou o outro”.
Em 2008, na fase distrital conseguiu o 1º lugar e o apuramento para a final nacional, onde se classificou em 2º lugar. “Este ano voltei a concorrer e fiquei em primeiro lugar”.
Apresentado em formato bastante diferente dos anteriores que se baseavam na memória e na rapidez, em que o candidato mais rápido a carregar num botão tinha direito a responder a uma pergunta, sobre uma obra literária previamente lida, o concurso deste ano foi muito mais complexo e mais exigente, “integrava outro tipo de provas que avaliavam a nossa criatividade, a expressão escrita, a expressão oral, e a capacidade de argumentação”.
Para a Final Nacional deste ano foram seleccionados três livros: “Diário” de Anne Frank; “O Fogo e as Cinzas”, de Manuel da Fonseca; “A História Interminável”, de Michael Ende.
As questões, ou, melhor dito, as tarefas pedidas aos concorrentes incidiam sobre uma das três obras previamente seleccionadas sendo os concorrentes pontuados, tendo em conta as capacidades demonstradas e o seu desempenho em termos de leitura, escrita, oralidade, argumentação, criatividade. “Tínhamos que saber praticamente os livros todos, as características das personagens, parentescos, diversos pormenores da obra... e falar ou escrever sobre isso, sempre em poucos minutos ou mesmo poucos segundos. É muito stressante, estar ali sob pressão, ter necessidade de escrever algo para obter uma boa pontuação”.
O João escolheu o “Diário” de Anne Frank, de que leu um excerto e escreveu uma frase, e defendeu na prova de argumentação, onde ultrapassou o tempo que lhe estava destinado. “Só tinha 30 segundos para argumentar sobre o livro e quando cheguei ao fim dos 30 segundos ainda tinha algo para dizer, achei que era importante, porque o Diário de Anne Frank é uma obra que todos devíamos ler”.
Mas tudo acabou em bem e a verdade é que, depois de duas viagens em dois dias seguidos a Lisboa, horas de espera e de gravação, muito nervosismo, o João Bandovas, um miúdo de 14 anos, de Estremoz, sagrava-se vencedor, na categoria do 3º Ciclo, do Concurso Nacional de Leitura de 2008/2009, a que concorreu devido ao seu “gosto pela leitura”. Como prémio recebeu um computador portátil, livros, várias lembranças da RTP e uma pequena quantia em dinheiro para apoio às despesas de deslocação.
Modesto, não se deslumbra com o triunfo. “Foi uma experiência diferente que me marcará para sempre, tem um sabor diferente, continuarei com toda a humildade e a dar o meu melhor e nada mais”.
À sua escola, aos professores que o incentivaram e apoiaram neste percurso deixa um “sincero agradecimento”.

Planos para o futuro
No próximo ano lectivo, o João Pedro ingressa no Ensino Secundário e muda de escola. Garante que vai continuar a trabalhar. Vou “dar o meu melhor para obter bons resultados”. E quanto a concursos, pensa estar, pelo menos, um ano a descansar, a preparar-se para “outras batalhas”, apesar de ter vivido, como admite, “uma experiência que me marcará para sempre”, por agora acha que não vai repetir.
O seu projecto de vida aponta para outros horizontes. “Agora no secundário vou aprofundar mais os temas e escolher. Talvez vá para a ciência”.

Entre a música e a ciência
Ao gosto pela leitura, João Pedro Bandovas junta, como disse, o interesse pela ciência e o talento para a música, domínios em que também não deixa os seus créditos por mãos alheias. “Gosto de tudo, tenho interesse por todas as áreas e acho que se me dedicar a uma vou ser bem sucedido”, assegura.
Estuda violino desde a infância, destacando-se já hoje como exímio violinista. Mas apesar do talento “o violino é só um hobby”, não pensa seguir uma carreira artística “porque em Portugal é complicado, mas gostava muito”.
Diz que quer ser cientista, hesitando entre a neuro-cirurgia, a química e a física. “Sempre me interessou bastante a ciência”, afirma convictamente. Por isso tem participado no concurso “Cientista em Acção”, promovido pelo Centro de Ciência Viva de Estremoz, classificando-se em primeiro no prémio Déodat Dolomier, no concurso realizado o ano passado, a que apresentou o trabalho científico “Lei da Acção-reacção”, e o segundo lugar no concurso deste ano a que concorreu com o trabalho “Mecânica dos Fluidos – Fluidos não-newtonianos”.
Mas a vida deste miúdo não se limita apenas à música e às ciências e à participação em concursos: os seus interesses vão ainda para a informática, as artes cinematográficas (já produziu dois pequenos filmes), e o desporto sendo praticante de basquetebol e das chamadas “multi-actividades de aventura” que lhe permitem o contacto com a Natureza.
“Para a pintura e o desenho não tenho jeito nenhum, se for desenho geométrico, ali tudo certinho, ainda vai, mas o resto... (risos) e para a dança, sou um pés de chumbo” confessa, enquanto explica que não se pode ser bom em tudo e por isso recusa o epíteto de sobredotado.

Festa de despedida
Na passada sexta-feira, 19, a sua escola fez-lhe uma surpresa: à saída do exame de Português foi chamado à biblioteca. Aí aguardava-o uma pequena recepção em que participaram alguns colegas e docentes da sua turma, seus pais [o bancário José Bandovas e a enfermeira Isabel Afonso] e outros familiares. Ao som do seu violino exibiram-se fotos documentando alguns momentos da sua vida, houve bolos, emoção e discursos, a mãe agradeceu à escola, aos professores e aos condiscípulos do João Pedro o carinho, a amizade e o contributo que deram para a sua formação, e a directora do Agrupamento de Escolas de Estremoz, Adosinda Pisco teve palavras de louvor para o aluno, afirmando que a escola sente “muito orgulho pelas suas qualidades e gosto de aprender” e apontando o João Pedro Bandovas como exemplo para os outros estudantes terminou com votos de que continue no mesmo caminho de “excelência” que tem trilhado até ao momento, um caminho de “mérito e excelência”.

In Brados do Alentejo (25.6.2009)

Síntese da colocação de docentes


Breve síntese da apresentação dos resultados do CONCURSO DE DOCENTES 2009 (Fonte: snpl)




Aqui
há mais dados. A merecer uma análise cuidada.

Concurso de Docentes 2009



Listas definitivas do concurso interno/externo disponibilizadas durante a tarde de hoje, aqui.

Da Política Educativa


Excerto de uma entrevista com Stephen P. Heyneman*, consultor de Política Educativa Internacional. Deixo 2 questões afloradas nessa entrevista dada ao Público (6.7.2009), onde pode ser lida na íntegra.


“Começaria por dar computadores aos professores”
Recentemente, num artigo de opinião, Don Tapscott, um especialista canadiano em tecnologia, recomendava ao presidente norte-americano que pusesse os olhos em Portugal e no seu investimento em computadores individuais para os alunos do ensino básico. O Magalhães não convence Stephen P. Heyneman que esteve em Lisboa para falar sobre a política educativa da administração Obama, na Universidade Católica Portuguesa, há uma semana.

“É um computador colorido. Gosto da sua portabilidade. O que me perturba é ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas. E os professores?”, pergunta. “Começaria por dar computadores aos professores para trabalharem e organizarem as suas lições. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação”, responde. O que viu, no Porto ou em Lisboa, foi crianças a brincar com o Magalhães, “como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar”. “Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação, mas sim o da sua integração no trabalho escolar”, sublinha.

Heyneman lembra um estudo comparativo feito na Áustria e nos EUA sobre a utilização dos computadores. Enquanto na Áustria o programa foi um sucesso porque os professores foram envolvidos e tiveram formação para aprender a trabalhar e foram eles que ensinaram as crianças; nos EUA não houve formação, nem integração no currículo e os resultados do programa não foram positivos. É em estudos como este que Portugal deveria reflectir, aconselha.


“Testar é produzir igualdade”
Se muitos estudos dizem que os alunos com melhores resultados são os filhos das classes médias. Há muito que Stephen P. Heyneman diz que “as crianças das famílias pobres têm bons resultados”. A sua teoria foi testada em 29 países, entre eles o Chile, Índia, Tailândia ou Irão. “Quanto mais pobre, maior o impacto da educação. Quanto mais rico, maior o impacto da família”, explica, lembrando que a maior parte das crianças do mundo não estão representadas nas estatísticas da OCDE ou nos estudos feitos nos países desenvolvidos. “O que é verdade é o que se passa nos EUA, onde estão apenas dois por cento das crianças do mundo?”, questiona. Heyneman considera importante fazer exames. “Testar é produzir igualdade. Os testes são a oportunidade para cortar com as desigualdades. Nos países pobres, as provas revelam que as crianças pobres têm os mesmos resultados do que as ricas”.


* É professor de Política Educativa Internacional na Universidade de Vanderbilt, Tennessee, nos EUA. Trabalhou no Banco Mundial durante 22 anos, e, nos últimos anos tem sido consultor em diversos países, do Gana ao Japão, da Rússia à Nova Zelândia. “Apesar de ser americano, não represento os EUA”, diz. Tem estudado diversos temas como no que é que a educação pode contribuir para a coesão social, a corrupção e os negócios em torno da educação. Tem estado em Portugal, a convite do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior, sediado no Porto, a estudar o sistema português. É preciso mais autonomia, defende.