sábado, 13 de junho de 2009

Hora da Poesia Popular


O poeta Fernando Pessoa também escreveu versos populares. Em dia de festas populares, aqui ficam umas belas quadras sobre Stº António de Lisboa.


Mangerico, mangerico,
Mangerico que te dei,
A tristeza com que fico
Inda amanhã a terei.

Santo António de Lisboa
Era um grande pregador,
Mas é por ser Santo António
Que as moças lhe têm amor.

Meu coração a bater
Parece estar-me a lembrar
Que, se um dia te esquecer,
Será por ele parar.
Fernando Pessoa

A Invulgar Cultura Literária de Stº António


Azulejo (Stº António a pregar aos peixes) - Guimarães


Santo António de Lisboa*, embora muito festejado e venerado como santo pelo povo, é, no entanto, menos conhecido como um homem de cultura literária invulgar e como um verdadeiro intelectual da Idade Média. Reveladora dessa cultura ímpar, é a sua obra escrita, cheia de beleza e densidade de pensamento, como nos testemunham os seus Sermões, autênticos tesouros da Literatura e da História. Vasta, profunda, extraordinária, a respeito da Sagrada Escritura.
Ampla, variada e bem apropriada nas transcrições dos Padres da Igreja e dos Autores Clássicos.
Impressionante, para o tempo, não apenas pelo conhecimento que revela das ciências naturais e das humanidades, mas igualmente pelo erudito discurso sobre noções jurídicas, como poder, Direito e Justiça.



* Nasceu em Lisboa, no primeiro século da nossa nacionalidade (entre 1191-1195), tendo falecido em Pádua (Itália) em 1231.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Injusta (des)igualdade de oportunidades


Em Comunicado, a Comissão Episcopal Portuguesa explica as razões porque considera discriminatória a medida anterior (OFC-DGIDC/2009/DSDC), colocando os docente de EMRC em situação de injusta desigualdade face ao exercício pleno das funções e desenvolvimento profissional dos docentes em geral.


NOTA_CEEC_EMRC_2009

Alterações na Carreira dos Docentes de EMRC


Aqui fica, como referido em post infra, o Ofício-Circular da Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular (OFC-DGIDC/2009/DSDC) que foi enviado para as Direcções Regionais de Educação dando cumprimento a um Despacho de Sua Excelência o Secretário de Estado da Educação, com um conjunto de orientações para a actuação dos estabelecimentos de ensino, relativas à disciplina-área curricular disciplinar de Educação Moral e Religiosa Católica.


Min.educao EMRCeprofessores

Preocupante!



A Federação Nacional de Professores anunciou que poderá abandonar as negociações com o Ministério da Educação (ME) se na nova ronda, marcada para hoje (6ª feira), este não der sinais de ter mudado de posição em relação ao Estatuto da Carreira Docente e ao Modelo de Avaliação de Desempenho.

Numa nota enviada à comunicação social, e se tal acontecer, “a Fenprof admite ser inútil e, até, negativa a participação em reuniões que apenas serviriam para iludir os professores, fazendo parecer que há negociação sem, de facto, haver".

Preocupante! Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

Os portugueses precisam de quem dê o exemplo


Nas comemorações do 10 de Junho, António Barreto exorta o poder e os polítcos a "dar o exemplo". Uma mensagem de excepção da qual deixo aqui um excerto e remeto para o texto integral.

(...)

É a pensar nessas gerações que devemos aproveitar uma comemoração e um herói para melhor ligar o passado com o futuro.

Não usemos os nossos heróis para nos desculpar. Usemo-los como exemplos. Porque o exemplo tem efeitos mais duráveis do que qualquer ensino voluntarista.

Pela justiça e pela tolerância, os portugueses precisam mais de exemplo do que de lições morais.

Pela honestidade e contra a corrupção, os portugueses necessitam de exemplo, bem mais do que de sermões.

Pela eficácia, pela pontualidade, pelo atendimento público e pela civilidade dos costumes, os portugueses serão mais sensíveis ao exemplo do que à ameaça ou ao desprezo.

Pela liberdade e pelo respeito devido aos outros, os portugueses aprenderão mais com o exemplo do que com declarações solenes.

Contra a decadência moral e cívica, os portugueses terão mais a ganhar com o exemplo do que com discursos pomposos.

Pela recompensa ao mérito e a punição do favoritismo, os portugueses seguirão o exemplo com mais elevado sentido de justiça.

Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo "ethos" deveria ser o de servir.

Dê-se o exemplo e esse gesto será fértil! (...)

terça-feira, 9 de junho de 2009

"Da necessidade de receber"




Tenho conhecido muitas pessoas que se preocupam com os outros, que são extremamente generosas na hora de dar, e que encontram um profundo prazer quando alguém lhes pede um conselho ou apoio.

Até aí tudo bem – é ótimo poder fazer o bem ao nosso próximo.

Entretanto, tenho conhecido muito poucas pessoas que são capazes de receber algo – mesmo quando lhes é dado com amor e generosidade.

Parece que o ato de receber faz com que se sintam numa posição inferior, como se depender de alguém fosse algo indigno. Pensam: “se alguém está nos dando algo, é porque somos incompetentes para consegui-lo com o próprio esforço”. Ou então: “A pessoa que me dá agora, um dia irá cobrar com juros”. Ou ainda, o que é pior: “Eu não mereço o bem que me querem fazer”.

Por que agimos assim?

Porque nos custa entender que este universo é feito de dois movimentos. O primeiro é a expansão, rigor, disciplina, conquista; o segundo é a concentração, meditação, entrega.

Basta olhar o nosso coração (e não é a toa que o coração sempre foi identificado como o símbolo da vida) para compreender que são estas duas energias que o fazem bater, contrair-se e expandir-se no mesmo ritmo.

As muitas estrelas do céu estão emitindo luz, mas ao mesmo tempo estão sugando tudo a sua volta, naquilo que é conhecido pelos físicos como força de gravidade.

Assim, os atos de dar e de receber, embora sejam aparentemente opostos, fazem parte do mesmo e contínuo movimento.

Não é melhor quem dá com generosidade, nem é pior quem recebe com alegria. O amor é, justamente, fruto destas duas coisas.

In Paulo Coelho

Professores de 1ª, 2ª e 3ª


Mudanças no estatuto da carreira dos docentes de Educação Moral e Religiosa Católica impostas pela Tutela da Educação por Despacho e que se afiguram como obstáculo a dificultar a vida de milhares de docentes que se veêm agora impedidos de leccionar outras áreas curriculares para as quais têm habilitação própria. Por exemplo um professor de EMRC que também tenha uma licenciatura em História, Filosofia ou outra, pode ficar impedido de leccionar a respectiva área curricular disciplinar. É mais uma medida da Tutela que pretende menorizar a função dos professores, neste caso de um grupo disciplinar a extinguir (parece ser essa a intenção da tutela). Mas o despacho não se fica por aqui. Logo que tenha acesso a ele, farei a sua divulgação.



Bispos acusam Ministério da Educação de discriminar professores de Moral


A Comissão Episcopal da Educação Cristã foi surpreendida com um despacho do secretário de Estado da Educação Valter Lemos que prevê que os professores de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) só possam participar na vida da escola ou ensinar outras disciplinas, para as quais têm habilitações, se não tiverem o horário completo. Os bispos pedem a suspensão do despacho, “resultante de uma decisão unilateral do Ministério da Educação”.

“Consideramos ilegal e discriminatória a limitação imposta”, dizem em comunicado à imprensa, declarando que estão “em total desacordo com as orientações oriundas da secretaria de Estado da Educação”. Os professores de EMRC fazem carreira como todos os outros docentes, por isso, é com “surpresa e apreensão” que os bispos olham para as mudanças previstas.

Segundo o texto da tutela, citado no comunicado dos bispos, as escolas não poderão contratar outros docentes de EMRC se o professor do quadro não tiver o seu horário completo. Com esta exigência, estes profissionais não podem exercer outras funções na escola ou integrar órgãos directivos, como têm feito até agora. Por exemplo, não podem ser directores de turma ou dar Área Projecto ou Estudo Acompanhado.

No que diz respeito aos professores contratados de EMRC, também são discriminados comparativamente aos outros, porque o seu horário só pode ser preenchido com as horas não comportadas no horário do professor do quadro. Portanto, não podem completar o seu horário com horas de outras áreas ou disciplinas, para as quais tenham habilitações para ensinar, nem podem ocupar outros cargos ou funções.

Estas medidas colocam os professores de EMRC “em situação de injusta desigualdade em relação aos demais, decorrendo daí prejuízos para a sua vida pessoal e carreira profissional”, além de lhes conferir um “estatuto de menoridade”, já que os impede de “participarem plenamente na vida da comunidade escolar”, escrevem os bispos. A comissão episcopal lembra que as conversações têm sido interrompidas por “longos períodos de silêncio” por parte do ministério.

Há anos, que a Igreja Católica se queixa do horários do 1.º ciclo que dificultam a integração da disciplina de EMRC, por causa das actividades extra-curriculares. Cerca de 40 por cento dos alunos, do básico ao secundário, frequentam a disciplina.

Bárbara Wong, 07.06.2009, In Público
Foto: Público

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Projectos com sentido(s)


(clique na imagem para aceder ao projecto)

Ajudar não dói e é útil à humanidade


Ainda sobre a anunciada campanha da AMI, importa saber que é muito importante ajudar. Gestos como dar radiografias (já sem qualquer valor de diagnóstico), torna-nos co-cooperadores na ajuda humanitária. Como fazer? Onde? Quando?

Colocar as radiografias nos sacos disponíveis em qualquer farmácia, de 5 a 26 de Junho.

Cada tonelada de radiografias dá origem a cerca de 10Kg de prata. A venda da prata ajuda a AMI a partir para aqueles pontos do mundo em que aconteçam catástrofes naturais ou onde a ajuda humanitária seja premente e a melhorar ainda mais a assistência que prestam aos mais desfavorecidos em Portugal.

Ao participar nesta campanha está também a proteger o ambiente: reciclar as radiografias evita lixo e recupera um metal precioso.

Participe! "não só ajuda os outros como se ajuda a si próprio e aos seus filhos a preservar o planeta."

Para saber mais sobre a acção humanitária da AMI em Portugal e no Mundo, consulte a página oficial desta Organização.

Por Portugal e uma Europa mais Fraterna




Arrancou na passada 6ª feira, 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, a 14ª edição da Campanha de Reciclagem de Radiografias. Durante três semanas, apoiada por todas as Farmácias do País, a AMI vai recolher o maior número possível de radiografias com mais de cinco anos e/ou sem valor clínico para posterior reciclagem e extracção de prata nelas contida.
Este é um dos vários projectos de cariz ambiental da AMI que a levou recentemente a criar o seu quarto pilar de acção.
O Ambiente junta-se, assim, às três outras áreas de acção da AMI (Assistência Médica, Acção Social e Alertar Consciências), quer a nível Internacional, quer a nível Nacional.

(In DN, 5.6.2009)

Do Rescaldo...



Foto: JMA (Moçambique, 2007)


Depois de várias lutas, hoje só me apetece dizer Victor Hugo*:

"A minha vingança é a fraternidade"


* Palavras do seu discurso de abertura ao Congresso da Paz em Paris no dia 28 de Agosto de 1849.

domingo, 7 de junho de 2009

Hora da Poesia e da Arte


Renoir

Reivindicação da arte


A boa, que ao seu amor nada nega
E se lhe entrega com antecipação
Saiba: que não é boa vontade não
Mas talento, o que ele deseja na esfrega.

Mesmo se à velocidade do som
Do sou-tua dela à cópula chega
Não é pressa que o botão dele carrega
Quando às bolas seminais dá vazão.

Se é o amor que primeiro atiça o fogo
Precisa ela depois, para Inverno amparado
De ser dona ainda de um traseiro dotado.
De facto, mais que o fervor no olhar
(Também faz falta) um truque há que usar:
Coxas soberbas, em soberbo jogo.

Bertold Brecht