terça-feira, 9 de junho de 2009

Professores de 1ª, 2ª e 3ª


Mudanças no estatuto da carreira dos docentes de Educação Moral e Religiosa Católica impostas pela Tutela da Educação por Despacho e que se afiguram como obstáculo a dificultar a vida de milhares de docentes que se veêm agora impedidos de leccionar outras áreas curriculares para as quais têm habilitação própria. Por exemplo um professor de EMRC que também tenha uma licenciatura em História, Filosofia ou outra, pode ficar impedido de leccionar a respectiva área curricular disciplinar. É mais uma medida da Tutela que pretende menorizar a função dos professores, neste caso de um grupo disciplinar a extinguir (parece ser essa a intenção da tutela). Mas o despacho não se fica por aqui. Logo que tenha acesso a ele, farei a sua divulgação.



Bispos acusam Ministério da Educação de discriminar professores de Moral


A Comissão Episcopal da Educação Cristã foi surpreendida com um despacho do secretário de Estado da Educação Valter Lemos que prevê que os professores de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) só possam participar na vida da escola ou ensinar outras disciplinas, para as quais têm habilitações, se não tiverem o horário completo. Os bispos pedem a suspensão do despacho, “resultante de uma decisão unilateral do Ministério da Educação”.

“Consideramos ilegal e discriminatória a limitação imposta”, dizem em comunicado à imprensa, declarando que estão “em total desacordo com as orientações oriundas da secretaria de Estado da Educação”. Os professores de EMRC fazem carreira como todos os outros docentes, por isso, é com “surpresa e apreensão” que os bispos olham para as mudanças previstas.

Segundo o texto da tutela, citado no comunicado dos bispos, as escolas não poderão contratar outros docentes de EMRC se o professor do quadro não tiver o seu horário completo. Com esta exigência, estes profissionais não podem exercer outras funções na escola ou integrar órgãos directivos, como têm feito até agora. Por exemplo, não podem ser directores de turma ou dar Área Projecto ou Estudo Acompanhado.

No que diz respeito aos professores contratados de EMRC, também são discriminados comparativamente aos outros, porque o seu horário só pode ser preenchido com as horas não comportadas no horário do professor do quadro. Portanto, não podem completar o seu horário com horas de outras áreas ou disciplinas, para as quais tenham habilitações para ensinar, nem podem ocupar outros cargos ou funções.

Estas medidas colocam os professores de EMRC “em situação de injusta desigualdade em relação aos demais, decorrendo daí prejuízos para a sua vida pessoal e carreira profissional”, além de lhes conferir um “estatuto de menoridade”, já que os impede de “participarem plenamente na vida da comunidade escolar”, escrevem os bispos. A comissão episcopal lembra que as conversações têm sido interrompidas por “longos períodos de silêncio” por parte do ministério.

Há anos, que a Igreja Católica se queixa do horários do 1.º ciclo que dificultam a integração da disciplina de EMRC, por causa das actividades extra-curriculares. Cerca de 40 por cento dos alunos, do básico ao secundário, frequentam a disciplina.

Bárbara Wong, 07.06.2009, In Público
Foto: Público

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Projectos com sentido(s)


(clique na imagem para aceder ao projecto)

Ajudar não dói e é útil à humanidade


Ainda sobre a anunciada campanha da AMI, importa saber que é muito importante ajudar. Gestos como dar radiografias (já sem qualquer valor de diagnóstico), torna-nos co-cooperadores na ajuda humanitária. Como fazer? Onde? Quando?

Colocar as radiografias nos sacos disponíveis em qualquer farmácia, de 5 a 26 de Junho.

Cada tonelada de radiografias dá origem a cerca de 10Kg de prata. A venda da prata ajuda a AMI a partir para aqueles pontos do mundo em que aconteçam catástrofes naturais ou onde a ajuda humanitária seja premente e a melhorar ainda mais a assistência que prestam aos mais desfavorecidos em Portugal.

Ao participar nesta campanha está também a proteger o ambiente: reciclar as radiografias evita lixo e recupera um metal precioso.

Participe! "não só ajuda os outros como se ajuda a si próprio e aos seus filhos a preservar o planeta."

Para saber mais sobre a acção humanitária da AMI em Portugal e no Mundo, consulte a página oficial desta Organização.

Por Portugal e uma Europa mais Fraterna




Arrancou na passada 6ª feira, 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, a 14ª edição da Campanha de Reciclagem de Radiografias. Durante três semanas, apoiada por todas as Farmácias do País, a AMI vai recolher o maior número possível de radiografias com mais de cinco anos e/ou sem valor clínico para posterior reciclagem e extracção de prata nelas contida.
Este é um dos vários projectos de cariz ambiental da AMI que a levou recentemente a criar o seu quarto pilar de acção.
O Ambiente junta-se, assim, às três outras áreas de acção da AMI (Assistência Médica, Acção Social e Alertar Consciências), quer a nível Internacional, quer a nível Nacional.

(In DN, 5.6.2009)

Do Rescaldo...



Foto: JMA (Moçambique, 2007)


Depois de várias lutas, hoje só me apetece dizer Victor Hugo*:

"A minha vingança é a fraternidade"


* Palavras do seu discurso de abertura ao Congresso da Paz em Paris no dia 28 de Agosto de 1849.

domingo, 7 de junho de 2009

Hora da Poesia e da Arte


Renoir

Reivindicação da arte


A boa, que ao seu amor nada nega
E se lhe entrega com antecipação
Saiba: que não é boa vontade não
Mas talento, o que ele deseja na esfrega.

Mesmo se à velocidade do som
Do sou-tua dela à cópula chega
Não é pressa que o botão dele carrega
Quando às bolas seminais dá vazão.

Se é o amor que primeiro atiça o fogo
Precisa ela depois, para Inverno amparado
De ser dona ainda de um traseiro dotado.
De facto, mais que o fervor no olhar
(Também faz falta) um truque há que usar:
Coxas soberbas, em soberbo jogo.

Bertold Brecht

sábado, 6 de junho de 2009

Do Altruismo


Um excelente texto de reflexão sobre valores universais que é urgente preservar. Do nosso já habitual cronista Miguel Ángel Santos Guerra. Vale a pena ler.

El filósofo Javier Sádaba acaba de publicar un interesante libro que se titula “La vida buena. Cómo conquistar nuestra felicidad”. En uno de los capítulos habla de los enemigos de la felicidad, entre los que cita el aburrimiento, la abusiva presencia de “el otro” y el egoísmo.. Dice, entre otras muchas cosas, este vasco afincado desde hace años en Madrid: ”Más allá de la capacidad social y de la simpatía, hay un argumento poderoso para no ser egoísta, en sentido estrecho, y sí altruista. Se trata de los sentimientos morales. Siendo altruistas y dando vacaciones al egoísmo, nos sentiríamos mejor, seríamos más felices”.

Traigo a colación esta cita porque hace unos días llegué desde Valencia a Madrid para enlazar con otro vuelo que me llevase a Málaga. Tenía por delante tres horas y media de espera parapara realizar la conexión. Pensé que, si me acompañaba la suerte, quizás podía viajar en un vuelo anterior que se hubiese retrasado y ahorrarme esa larga espera. Al llegar al aeropuerto vi en la pantalla que, en efecto, el vuelo de Málaga tenía una hora de retraso y podía viajar si me admitían en él. Acudí apresuradamente al mostrador de atención al cliente y expliqué mi situación a la azafata que, con cara de pocos amigos, me escuchó sin pestañear:

- Eso no se puede hacer. El vuelo está cerrado.
- - ¿Cómo que no se puede hacer, si a mí mismo me lo han hecho otras veces?
- - Sólo se puede hacer cuando se ha pagado tarifa de primera clase y usted tiene una tarifa reducida.
- - Luego técnicamente se puede admitir a un pasajero aunque el vuelo esté cerrado.
- - Le digo que no se puede.
- - ¿Y si lo solicito en la entrada del avión?
- - Vaya si quiere, pero ya le digo que es inútil.

Fui corriendo al mostrador en el que un joven comprobaba la identidad de los pasajeros y las tarjetas de embarque. Le expliqué mi situación y le pedí, por favor, que me admitiese en ese vuelo que no era el mía pero que me permitía llegar al, destino tres horas antes. Me dijo que no había ningún problema.

- Espere al final y le diré el asiento que tiene.
- Le di las gracias. En el vuelo de regreso a Málaga saqué unas hojas y redacté estas líneas que ahora estás leyendo. Me preguntaba por esa actitud básica de las personas que, de forma antagónica, hace que unas estén en disposición de ayudar al prójimo y otras en la de complicarle la vida.

- Si puedo, te ayudaré, dicen unos.

- Si puedo, te fastidiaré, dicen los otros.

- Me preguntaba qué le había llevado a la azafatxa a negarme un favor que no costaba dinero, ni esfuerzo, ni tiempo alguno. Un favor que no causaba ningún perjuicio a terceros y por el que ella no corría ningún tipo de riesgo alguno.

No le llevó a mantener esa postura el cumplimiento celoso de la norma ya que técnica y legalmente se podía hacer lo que le pedía. Lo cual significa que desconoce lo que se puede y no se puede hacer. O, lo que es peor, me engañó al decirme que no era posible embarcar en ese vuelo.

Estoy hablando de la actitud.

(...)

De lo que estoy seguro es de que las personas que tienen una actitud altruista hacia los demás son más felices. Hablo de actitud básica porque sé que las personas no se dividen de una forma tan radical en personas que benefician al prójimo siempre y personas que lo perjudican siempre que pueden. Unos y otros, excepcionalmente, cruzan el signo de sus actuaciones. Pero sustancialmente creo que se puede reconocer a personas de un tipo y del otro. He visto esta postura bipolar en tantas ocasiones que me lleva a pensar que cada uno va forjando en la vida esta actitud básica hacia sus semejantes.

(...)

Dice Javier Sádaba que el egoísmo es antiestético, que rebosa fealdad. Me pregunto por lo que sería el mundo si todos adoptásemos un actitud altruista. Estoy seguro de que sería otro mundo, Un mundo mejor en el que todos seríamos más felices.