quinta-feira, 28 de maio de 2009

Convite

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Sondagem Visão: O estado da «Educação» em Portugal


Numa 1ª leitura, quase na diagonal, da Sondagem inframencionada sobre o que pensam os portugueses do ensino, confirmei o que esperava: os portugueses mantêm a mesma opinião a cerca da imagem da escola e do desempenho dos professores nos últimos anos. Uma imagem que é de exaltação e orgulho para os professores e demolidora e de humilhação para os governantes e titulares da pasta da tutela da educação.

OS PROFESSORES SÃO
"OS CAMPEÕES DA SALA DE AULA"
(Visão, 28.5.2009)


É um ex-secretário de Estado da Educação, José Manuel Canavarro que nos alerta para os resultados de dois anteriores estudos realizados nos últimos 6 anos (um elaborado em Setembro de 2003 pela Universidade Católica e outro em Novembro desse mesmo ano pela empresa Pitagórica.

«No primeiro, os pais classificavam de forma positiva a escola dos seus filhos; no segundo, a mesma avaliação foi atribuída aos professores. Seis anos depois, parece haver estabilidade nas opiniões: a imagem da escola e dos agentes educativos mantém-se positiva».

Só a título de exemplo, consideramos 3 questões dessa sondagem de modo a perceber a clareza dos números, dos factos e dos testemunhos:

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A análise destes resultados devem dar que pensar, não só aos governantes, mas também aos mais directos responsáveis pela educação - os pais. Isto se tivermos em conta que ressalta deste estudo como um dos factores que mais tem contribuído para a menor qualidade da educação de que «os alunos não querem estudar» - 40,2%. Não queremos (des)responsabilizar ninguém, mas dá que pensar, não é verdade?

Segundo esta sondagem, há uma boa parte da população a considerar que a Educação não cumpre totalmente o seu papel. A verdade é que não sabemos de que educação se trata: a educação que deve ser dada em casa ou a educação/ensino nas escolas? Esta é uma de várias perguntas desta sondagem que me causa alguma perplexidade. E quem respondeu a este inquérito saberia ao que estava a responder? Assalta-me esta dúvida. Se bem que eu também considere que a educação (família) também não cumpre totalmente o seu papel (uma questão para outro debate).

Quanto à Educação (escola), parece que é esta a bandeira da sondagem, dizem os resultados que 36,8% (NÃO CUMPRE). Não cumpre e como podemos ver no gráfico anterior, os responsáveis mais directos que têm sido má influência na educação, são os Governantes, Ministros da Educação (56,6%) e Alunos (48,4%).23,2% dos inquiridos considera que os professores têm sido má influência na educação. (Conferir no quadro supra)
E a avaliação do desempenho da «Educação» em Portugal fica-se pelo 5,4 numa escala de (0 a 10). Um suficiente fraquinho.


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Todos os dados desta sondagem merecem uma análise mais cuidada, e outras reflexões para enriquecer o debate. Vamos a isto. Fica o desafio a quem quiser dar uma achega.

Sondagem Visão enaltece os profissionais da educação


Ainda não tive o previlégio de ler esta sondagem da Revista Visão de hoje que conta com uma matéria bastante extensa e com variados testemunhos, sobre o estado da Educação em Portugal. Mas deixo aqui o aperitivo para a leitura. E agora vou comprar a revista, ler e talvez mais logo deixe aqui algumas notas de interesse e reflexão sobre esta matéria.

Imagem daqui

A Lei da Educação Sexual nas Escolas e a Educação de Adultos


Eduquem os adultos primeiro
Inês Pedrosa
O entendimento desrespeitoso sobre os menores de idade é a raiz de todos os problemas da educação.

O tema da distribuição dos preservativos nas escolas só é polémico porque ainda há quem não se queira habituar à ideia de que crianças e jovens não são marionetas dos pais: têm uma identidade autónoma e direitos específicos. As sucessivas sentenças judiciais em que "o superior interesse da criança" é tomado como sinónimo de "os caprichos dos pais biológicos", decretando que as crianças sejam levadas à força para longe dos que as criaram e amaram, só reforçam esta ideia boçal.

Os gritos de Alexandra, largada aos dois anos por uma mãe alcoólica que se prostituía, e devolvida quatro anos depois a esta mesma mulher, deviam ser capazes de nos abanar. "Luta mãe, não me deixes ir", suplicou a menina, antes de ser arrastada para um país e uma língua que desconhece (a Rússia, o país da mulher que a pariu). Os títulos da imprensa tablóide, onde pelo menos os gritos dos desgraçados e abandonados se ouvem, não lhe valeram de nada. Idália Moniz, a secretária de Estado-adjunta e da Reabilitação, afirmou que a decisão se baseou em "pareceres de técnicos qualificados" - por isso, tudo está bem. Se um técnico qualificado tivesse o poder de arrancar a senhora secretária de Estado ao seu mundo e à sua família, e a despachasse para um povoado a trezentos quilómetros de Moscovo, para viver com gente que desconhece, tudo estaria bem?

Este entendimento desrespeitoso sobre os menores de idade é a raiz de todos os problemas da educação em Portugal. Quando se fala em educação sexual, os adultos mais conservadores (uma outra forma de dizer reprimidos, ou mal resolvidos) entram em urticária moral.

Entendendo a sexualidade como um cortejo de perversidades infinitas, uma coisa suja e feia, uma vertigem de prazeres que não se sabe onde irá parar, querem proteger os seus rebentos disso mesmo - ou seja, das suas cabeças torturantes e torturadas. Precisam da inocência dos outros para se redimirem, e associam a sexualidade à perda da inocência.

Querem controlar os pensamentos e actos dos seus meninos. O terror manifestado pelas comunidades católica e muçulmana face à distribuição de preservativos nas escolas é eloquente: dizem eles que o preservativo é "um incentivo" ao sexo. Parece-me que é preciso ter-se uma mente completamente ocupada por sexo para olhar para um bocado de látex e ficar a salivar de luxúria. Acresce que o projecto agora aprovado é bem claro: os preservativos serão oferecidos em gabinetes de informação e apoio aos estudantes do 10º ao 12º ano - ou seja, rapazes e raparigas com mais de quinze anos. Não estarão disponíveis em máquinas espalhadas pelos estabelecimentos de ensino - se estivessem assim à solta, provocariam certamente animadas lutas de balões de água nos recreios, mas não mais do que isso. Um desperdício.

Um estudo recente da Associação do Planeamento Familiar demonstrou que metade dos jovens de 15 anos é virgem. Os mais novos têm hoje muito mais informação sobre sexualidade do que os seus pais tinham com a mesma idade - o que significa também um decréscimo da curiosidade e do interesse em experimentar tudo já. O crescimento do mundo das relações virtuais é sintoma desta mudança, que se prende também com um sentimento de insegurança face aos contactos físicos. Esta geração cresce no meio de um bombardeamento de notícias sobre pandemias, germes, contágios e crimes de pedofilia. Por outro lado, todo o conhecimento que os jovens têm sobre estas matérias é superficial e alarmista: sabem o que é a sida, em abstracto, mas sabem pouco sobre as formas de contágio e os perigos, e desconhecem o que sejam outras doenças sexualmente transmissíveis.

Continuam a circular nas escolas mitos como os de que o coito interrompido (pobres raparigas!) previne a gravidez, ou que não se engravida à primeira relação sexual, ou que a sida e as outras doenças do sexo só atacam os homossexuais. Por isso é tão importante que exista uma educação para a sexualidade. Creio que o melhor sistema será introduzi-la na disciplina de que ela faz parte: as ciências da natureza. A ideia de uma educação sexual "transversal" está condenada ao falhanço - o caso extremo da professora de História de Espinho que substituía o feudalismo pela análise crítica sobre a vida privada dos alunos demonstra-o. Os jovens têm direito a saber como funciona o corpo humano e o que pode acontecer com ele nas relações íntimas. Educação para a intimidade, felizmente, não há: o que somos na cama é o somatório do que somos e sonhamos fora dela. Qualquer que seja a nossa idade. Respeitemos isso.

In Expresso, 27 de Mai de 2009

Professores em luta!



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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Imperativo!


Encontramo-nos no sábado!

(Um documento que subscrevo em conjunto com outros bloguers e movimentos de professores)


1) Este governo desfigurou a escola pública. O modelo de avaliação docente que tentou implementar é uma fraude que só prejudica alunos, pais e professores. Partir a carreira docente em duas, de uma forma arbitrária e injusta, só teve uma motivação economicista, e promove o individualismo em vez do trabalho em equipa. A imposição dos directores burocratiza o ensino e diminui a democracia. Em nome da pacificação das escolas e de um ensino de qualidade, é urgente revogar estas medidas.

2) Os professores e as professoras já mostraram que recusam estas políticas. 8 de Março, 8 de Novembro, 15 de Novembro, duas greves massivas, são momentos que não se esquecem e que despertaram o país. Os professores e as professoras deixaram bem claro que não se deixam intimidar e que não sacrificam a qualidade da escola pública.

3) Num momento de eleições, em que se debatem as escolhas para o país e para a Europa, em que todos devem assumir os seus compromissos, os professores têm uma palavra a dizer. O governo quis cantar vitória mas é a educação que está a perder. Os professores e as professoras não aceitam a arrogância e não desistem desta luta: sair à rua em força é arriscar um futuro diferente. Sair à rua, todos juntos outra vez, é o que teme o governo e é do que a escola pública precisa. Por isso, encontramo-nos no próximo sábado.

Ver lista de subscritores In Movimento Escola Pública
Ler também o destaque do Público

Da Política Educativa


Santana Castilho, In Público, 27.5.2009

Demasiado intransigente na terminologia, politicamente incorrecto, ... no entanto, vale a pena ler a análise que faz dos erros e persistência nos mesmos, levados a efeito por este governo e por esta política educativa que não leva ninguém a bom porto.

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terça-feira, 26 de maio de 2009

Evolução ou Regressão nos Valores da Família?


Na Escola...

Como acabar com o Voluntariado nas Escolas


Decreto-Lei n.º 124/2009 de 21 de Maio - Regulamenta o trabalho voluntário a prestar por pessoal docente aposentado

Ainda não me tinha debruçado sobre este decreto por uma questão de prioridades, até porque estou muito longe do seu enquadramento legal. Depois de ler atentamente, detive-me sobre alguma terminologia que me deixou perplexa. Assim:

Cabe à escola:
- Publicitar a oferta
- Seleccionar e proceder ao recrutamento dos voluntários
- Estabelecer com os candidatos os respectivos programas de voluntariado
- Avaliar periodicamente as prestações dos voluntários

Ao professor voluntário cabe:
- Cumprir prazos, horários, número de horas mínimas de trabalho, ...
- Elaborar um relatório anual da actividade que deve integrar uma auto -avaliação do trabalho desenvolvido
...
Pode ler-se em DL 124/2009 de 21 de Maio.

Mas há mais... entre as quais, o preâmbulo ao respectivo decreto-lei enquadra este atentado ao voluntariado no âmbito de uma evolução personalista, ligada ao direito ao desenvolvimento da personalidade. Que estranho! Eu interpreto-o precisamente como um impedimento, um obstáculo de acesso livre a esse direito. Este diploma vem invadir todos os espaços de liberdade, da escola e daqueles, os poucos, que ainda se dedicam ao serviço de voluntariado. Mas é o que eu penso, é uma opinião pessoal e vale o que vale.