terça-feira, 14 de abril de 2009

Sinto-me :) alegre com tantos mimos


Muito obrigada a todos os visitantes e amigos ;)
Os mais recentes...


Da Isabel Monteverde e Isabel Cabral / Da Isabel Monteverde



Doces de Páscoa



Sorrisos




Quatro notas de destaque para iniciar o 3º período lectivo e mais dois normativos


Prémio Nacional de Professores 2009

O Ministério da Educação promove a terceira edição do Prémio Nacional de Professores, dirigido a todos os educadores de infância e professores dos ensinos básico e secundário. As candidaturas podem ser submetidas electronicamente através do Portal da Educação (www.min-edu.pt/premio09/, até 31 de Maio.


ME propõe novo concurso para professor titular e mais melhorias na carreira docente

A abertura de um novo concurso para professor titular, a criação de mais um escalão nesta categoria, a diminuição dos tempos de permanência nos 1.º, 2.º e 3.º escalões (em um ano) e no 5.º escalão (em dois anos), bem como a atribuição de prémios de desempenho, são algumas das propostas entregues pelo Ministério da Educação, no dia 7 de Abril, às organizações sindicais representativas dos docentes.


Fixação do número de adjuntos do director para os agrupamentos e as escolas

O Ministério da Educação procede à fixação do número de adjuntos do director para os estabelecimentos públicos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, de acordo com um despacho publicado no Diário da República.

Para mais informações, consultar:

Despacho n.º 9745/2009 de 8 de Abril [PDF]


Definição das reduções da componente lectiva para os cargos de direcção e de coordenação

O Ministério da Educação procede à definição das reduções da componente lectiva para o exercício de cargos de direcção e de coordenação, nos agrupamento e nas escolas, através de um despacho publicado no Diário da República.

Para mais informações, consultar:

Despacho n.º 9744/2009 de 8 de Abril [PDF]

Da Serenidade

Um excelente bálsamo de reflexão, a inspirar... ao amor, à vocação, à poesia, ao regresso ao trabalho, ...



One year in two minutes from Eirik Solheim on Vimeo.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Escola, igualdade e diferença



É o tema da décima primeira sessão do ciclo de conferências "O dever de educar". Realiza-se amanhã, 14 de Abril, pelas 18h15.

Nas últimas sessões, dedicadas às capacidades cognitivas e à motivação, enveredou-se por uma abordagem genérica da aprendizagem, que legitima a afirmação da igualdade. Esta requer, porém, uma outra que lhe é complementar: a abordagem da diferença. De facto, se é certo que todos dispomos de uma estrutura cognitiva, também é certo que ela só existe e se desenvolve num certo contexto cultural. Neste passo, surgem diversas perguntas: Como é que a escola tem tratado a igualdade e a diferença? É possível conciliar estes dois aspectos? Se sim, como se poderão conciliar?

O convidado é Joaquim Pires Valentim, professor da Universidade de Coimbra, doutorado em psicologia social, que se tem interessado de modo muito particular pelo funcionamento do sistema educativo e pelas questões da igualdade e da diferença, da educação compensatória e intercultural.

A sessão realiza-se na Livraria Minerva (rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos) em Coimbra é a aberta ao público (com certificado de presença).

Organização: Helena Damião, João Boavida, Isabel de Carvalho Garcia, Mónica Vieira e Aurora Viães.

Grandes debates sobre educação em livro


Um livro que reune um alargado leque de textos sobre problemáticas educativas recentes, debatidas em tempo real no blogue "A Educação do meu Umbigo" de Paulo Guinote (professor do Ensino Básico). O blogue português mais lido e comentado. Vale a pena espreitar e acompanhar. Boas leituras!


Sinopse

No princípio nem era o Verbo. Era apenas uma ideia, um desejo: o desejo de divulgar textos de ocasião, guardados na gaveta ou de divulgação restrita.

O tempo, um primeiro-ministro bem vestido e uma equipa no Ministério da Educação com imenso tacto para lidar com os problemas educativos fizeram com que um blogue destinado certamente ao esquecimento se tornasse estranhamente frequentado, comentado e agora publicado em papel e forma de livro, a aspiração oculta de todo e qualquer blogueiro que se preza.

Esta é a compilação possível, em formato aceitável, dos textos publicados entre Novembro de 2005 e Novembro de 2008, correspondendo a três anos da vida do blogue A Educação do Meu Umbigo.

Lidos de acordo com a sua cronologia original, salvo pontuais excepções e alguns acertos de pormenor, funcionam como uma narrativa sobre a actualidade educativa em Portugal, lançando um olhar ácido sobre situações, protagonistas e outras incredulidades que têm afligido o nosso sistema educativo. Relidos por quem os escreveu oscilam entre o desencanto, a irritação, a esperança, a perplexidade e outras coisas que não fica bem confessar na contracapa de um livro.

"Programas para crianças"


Por




Aqui há dias, os jornais trouxeram o resultado de um estudo sobre a programação infantil na televisão portuguesa. Praticamente inexistente, claro. E dei comigo a pensar na qualidade que tinham os programas para crianças nos idos de setenta e oitenta.

Recordo-me dos tempos pré-históricos em que, sem condições nenhumas (lembras-te, António Santos, do barracão da Francisco Baía?) se fazia um telejornal infantil todas as semanas, com reportagens e entrevistas e a participação das crianças (recebiam-se caixotes de correspondência!), a terminar sempre com dois comentadores, como nos telejornais dos adultos, só que aqui eram dois bonecos, o Elias e o Horácio (uma das maiores glórias da minha vida foi um dia ouvir uma criança aos berros "vai ali a mãe do Elias!"). O programa chamava-se "Jornalinho"-e decerto que a Laurinda Alves deve ter muitas saudades dele: lá começou, uma quase miúda que punha o capacete na cabeça e ia de moto fazer reportagens… Depois, um dia, disseram-nos que o programa já durava há muito tempo, que por nossa causa havia muita coisa à espera- e nós, democraticamente, retirámo-nos de cena. A muita coisa que havia nunca chegou a haver.

E, para lá do "Jornalinho", que saudades dos telejornais históricos, exactamente como se fossem os dos adultos (pivots em estúdio, correspondentes em vários locais, etc..) só que, correspondendo a factos acontecidos nesse dia… mas há centenas de anos. O que nos divertimos a fazer o telejornal do dia em que Vasco da Gama chegou a Lisboa, com a jornalista de microfone em punho atrás dele e ele só a responder "ó minha senhora, eu quero é ir dormir, que estou estafado!"

Era no tempo em que a Maria do Sameiro Souto estava à frente do departamento. E, a seu lado, a Maria Alberta Menéres. E tudo era tão diferente!

E depois foi o tempo das várias séries da "Rua Sésamo" - e como é bom ouvir hoje muitos adultos dizerem "aprendi a ler com a Rua Sésamo". Gente do teatro como Alexandra Lencastre (que de certeza nunca teve público mais rendido aos seus encantos do que os miúdos que a conheciam por "Guiomar"), Fernanda Montemor, Fernando Gomes, Pedro Wilson e tantos outros marcaram presença diária junto das crianças.

Depois, um dia, também isso acabou. Ficava muito caro e, como a taxa da natalidade estava a diminuir, não era rentável. (Não se riam, mas palavra que foi a justificação que um responsável me deu…)

E pronto, a partir daí, foi mais ou menos um deserto, às vezes com um ou outro lampejo, que raramente vai além disso.

É assim que se chega aos "Morangos com açúcar"…

In Jornal de Notícias, 2009-04-11

Hora da Poesia e da VIDA II






“Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado?
Ressuscitou: não está aqui.”
Mc 16, 6



Manhã de Maria


Acabei de sentir o meu Filho a abraçar-me.
Foi como se Nazaré e Belém se juntassem num único momento,
o meu sim e o primeiro balbuciar humano de Deus.
E voltei a ouvir aquele riso que dava vida às coisas,
e a sentir as mãos tão solícitas em tocar e curar.
Revivi os sinais e as palavras que guardei como tesouros,
as vidas transformadas pelo seu olhar,
e os futuros abertos pelo seu perdão.
Estremeci de alegria como Ele me fizera estremecer
quando fui ter com Isabel.
Mas esta era uma alegria nova,
capaz de vencer todas as tristezas e curar todas as lágrimas.
A alegria de um amor sem fim, de um dia sem ocaso.
Senti-o curar no peito a ferida que a lança no seu lado
também abrira em mim, como tinha dito o bom Simeão.
Não desejo noites como estas a nenhuma mãe
e agora sei como rasga o coração a morte de um filho.
João esteve sempre comigo
e nem chorar sabíamos porque as lágrimas
não diziam aquela dor imensa
e uma estranha esperança a lutarem em nós.
Era o fim mas tudo parecia suspenso
de um princípio que nos ultrapassava,
como se estivéssemos nos primeiros lugares
de um mundo novo que ia romper a casca da história.
Era o fim da vida que conhecíamos, de egoísmo e indiferença,
e sentíamo-nos tão pequeninos e frágeis
para o novo que se aproximava.
Há pouquinho, com o primeiro raio do sol desta manhã,
o meu querido Filho abraçou-me como só Ele sabe
e convidou-me a entrar na vida nova.
Olhei-O, toquei-Lhe, senti-O tão o mesmo e tão Outro,
a envolver-me de um amor indescritível,
que se estendia aos seus amigos, e a tantos, e a todos
do mundo e do universo. Nesse amor me encontro
e saboreio a surpresa de Maria, de Pedro e de João
e de todos os que hoje e em muitos outros hoje
vão encontrar a Vida no meu Filho!

P. Vítor Gonçalves

sábado, 11 de abril de 2009

Hora da Poesia e da VIDA


PÁSCOA

Um dia de poemas na lembrança
(Também meus)
Que o passado inspirou.
A natureza inteira a florir
No mais prosaico verso.
Foguetes e folares,
Sinos a repicar,
E a carícia lasciva e paternal
Do sol progenitor
Da primavera.
Ah, quem pudera
Ser de novo
Um dos felizes
Desta aleluia!
Sentir no corpo a ressurreição.
O coração,
Milagre do milagre da energia,
A irradiar saúde e alegria
Em cada pulsação.

Miguel Torga (Gaia, 30 de Março de 1991)

In Diário XVI

sábado, 4 de abril de 2009

Inquietações...


A felicidade exige valentia

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte
1888 - 1935

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Vamos Gigglar em Família?


Entre muitas outras propostas interessantes, educativas e divertidas que podemos encontrar aqui, deixo duas para vos convidar a entrar:
(Basta clicar nas imagens para aceder aos sítios)


(1)

Assinar online



(2)

E... UMA DOCE PÁSCOA ;)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mimos de Páscoa para Amigos Blogueiros



Este selo foi concebido para pessoas especiais... blogueiros(as) que trabalham em prol da fecundidade. A todos quantos por aqui passem e se identifiquem com o lema, pois façam o favor de colher o selinho da fecundidade.

Feliz Páscoa!

Estórias com Valores


Para comemorar o Dia Internacional do Livro Infantil, escolhi um conto "O Patinho Feio" de Hans Christian Andersen. Deste poeta e escritor Dinamarquês destacam-se outros contos conhecidos entre nós: O Abeto, A Caixinha de Surpresas, Os Sapatinhos Vermelhos, O Pequeno Cláudio e o Grande Cláudio, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, A Roupa Nova do Rei e A Princesa e a Ervilha...


O Patinho Feio
A mamãe pata tinha escolhido um lugar ideal para fazer seu ninho: um cantinho bem protegido, no meio da folhagem, perto do rio que contornava o velho castelo.
Mais adiante estendiam-se o bosque e um lindo jardim florido.
Naquele lugar sossegado, a pata agora aquecia pacientemente seus ovos. Por fim, após a longa espera, os ovos se abriram um após o outro, e das cascas rompidas surgiram, engraçadinhos e miúdos, os patinhas amarelos que, imediatamente, saltaram do ninho.
Porém um dos ovos ainda não se abrira; era um ovo grande, e a pata pensou que não o chocara o suficiente.
Impaciente, deu umas bicadas no ovão e ele começou a se romper.
No entanto, em vez de um patinho amarelinho saiu uma ave cinzenta e desajeitada. Nem parecia um patinho.
Para ter certeza de que o recém-nascido era um patinho, e não outra ave, a mãe-pata foi com ele até o rio e o obrigou a mergulhar junto com os outros.
Quando viu que ele nadava com naturalidade e satisfação, suspirou aliviada. Era só um patinho muito, muito feio.
Tranqüilizada, levou sua numerosa família para conhecer os outros animais que viviam nos jardins do castelo.
Todos parabenizaram a pata: a sua ninhada era realmente bonita. Exceto um. O horroroso e desajeitado das penas cinzentas!
— É grande e sem graça! — falou o peru.
— Tem um ar abobalhado — comentaram as galinhas.
O porquinho nada disse, mas grunhiu com ar de desaprovação.
Nos dias que se seguiram, as coisas pioraram. Todos os bichos, inclusive os patinhos, perseguiam a criaturinha feia.
A pata, que no princípio defendia aquela sua estranha cria, agora também sentia vergonha e não queria tê-lo em sua companhia.
O pobre patinho crescia só, malcuidado e desprezado. Sofria. As galinhas o bicavam a todo instante, os perus o perseguiam com ar ameaçador e até a empregada, que diariamente levava comida aos bichos, só pensava em enxotá-lo.
Um dia, desesperado, o patinho feio fugiu. Queria ficar longe de todos que o perseguiam.
Caminhou, caminhou e chegou perto de um grande brejo, onde viviam alguns marrecos. Foi recebido com indiferença: ninguém ligou para ele. Mas não foi maltratado nem ridicularizado; para ele, que até agora só sofrera, isso já era o suficiente.
Infelizmente, a fase tranqüila não durou muito. Numa certa madrugada, a quietude do brejo foi interrompida por um tumulto e vários disparos: tinham chegado os caçadores!
Muitos marrequinhos perderam a vida. Por um milagre, o patinho feio conseguiu se salvar, escondendo-se no meio da mata.
Depois disso, o brejo já não oferecia segurança; por isso, assim que cessaram os disparos, o patinho fugiu de lá.
Novamente caminhou, caminhou, procurando um lugar onde não sofresse.
Ao entardecer chegou a uma cabana. A porta estava entreaberta, e ele conseguiu entrar sem ser notado. Lá dentro, cansado e tremendo de frio, se encolheu num cantinho e logo dormiu.
Na cabana morava uma velha, em companhia de um gato, especialista em caçar ratos, e de uma galinha, que todos os dias botava o seu ovinho.
Na manhã seguinte, quando a dona da cabana viu o patinho dormindo no canto, ficou toda contente.
— Talvez seja uma patinha. Se for, cedo ou tarde botará ovos, e eu poderei preparar cremes, pudins e tortas, pois terei mais ovos. Estou com muita sorte!
Mas o tempo passava, e nenhum ovo aparecia. A velha começou a perder a paciência. A galinha e o gato, que desde o começo não viam com bons olhos recém-chegado, foram ficando agressivos e briguentos.
Mais uma vez, o coitadinho preferiu deixar a segurança da cabana e se aventurar pelo mundo.
Caminhou, caminhou e achou um lugar tranqüilo perto de uma lagoa, onde parou.
Enquanto durou a boa estação, o verão, as coisas não foram muito mal. O patinho passava boa parte do tempo dentro da água e lá mesmo encontrava alimento suficiente.
Mas chegou o outono. As folhas começaram a cair, bailando no ar e pousando no chão, formando um grande tapete amarelo. O céu se cobriu de nuvens ameaçadoras e o vento esfriava cada vez mais.
Sozinho, triste e esfomeado, o patinho pensava, preocupado, no inverno que se aproximava.
Num final de tarde, viu surgir entre os arbustos um bando de grandes e lindíssimas aves. Tinham as plumas alvas, as asas grandes e um longo pescoço, delicado e sinuoso: eram cisnes, emigrando na direção de regiões quentes. Lançando estranhos sons, bateram as asas e levantaram vôo, bem alto.
O patinho ficou encantado, olhando a revoada, até que ela desaparecesse no horizonte. Sentiu uma grande tristeza, como se tivesse perdido amigos muito queridos.
Com o coração apertado, lançou-se na lagoa e nadou durante longo tempo. Não conseguia tirar o pensamento daquelas maravilhosas criaturas, graciosas e elegantes.
Foi se sentindo mais feio, mais sozinho e mais infeliz do que nunca.
Naquele ano, o inverno chegou cedo e foi muito rigoroso.
O patinho feio precisava nadar ininterruptamente, para que a água não congelasse em volta de seu corpo, criando uma armadilha mortal. Mas era uma luta contínua e sem esperança.
Um dia, exausto, permaneceu imóvel por tempo suficiente para ficar com as patas presas no gelo.
— Agora morrerei — pensou. — Assim, terá fim todo meu sofrimento.
Fechou os olhos, e o último pensamento que teve antes de cair num sono parecido com a morte foi para as grandes aves brancas.
Na manhã seguinte, bem cedo, um camponês que passava por aqueles lados viu o pobre patinho, já meio morto de frio.
Quebrou o gelo com um pedaço de pau, libertou o pobrezinho e levou-o para sua casa.
Lá o patinho foi alimentado e aquecido, recuperando um pouco de suas forças. Logo que deu sinais de vida, os filhos do camponês se animaram:
— Vamos fazê-lo voar!

— Vamos escondê-lo em algum lugar!
E seguravam o patinho, apertavam-no, esfregavam-no. Os meninos não tinham más intenções; mas o patinho, acostumado a ser maltratado, atormentado e ofendido, se assustou e tentou fugir. Fuga atrapalhada!
Caiu de cabeça num balde cheio de leite e, esperneando para sair, derrubou tudo. A mulher do camponês começou a gritar, e o pobre patinho se assustou ainda mais.
Acabou se enfiando no balde da manteiga, engordurando-se até os olhos e, finalmente se enfiou num saco de farinha, levantando uma poeira sem fim. A cozinha parecia um campo de batalha. Fora de si, a mulher do camponês pegara a vassoura e procurava golpear o patinho. As crianças corriam atrás do coitadinho, divertindo-se muito.
Meio cego pela farinha, molhado de leite e engordurado de manteiga, esbarrando aqui e ali, o pobrezinho por sorte conseguiu afinal encontrar a porta e fugir, escapando da curiosidade das crianças e da fúria da mulher.
Ora esvoaçando, ora se arrastando na neve, ele se afastou da casa do camponês e somente parou quando lhe faltaram as forças.
Nos meses seguintes, o patinho viveu num lago, se abrigando do gelo onde encontrava relva seca.
Finalmente, a primavera derrotou o inverno. Lá no alto, voavam muitas aves. Um dia, observando-as, o patinho sentiu um inexplicável e incontrolável desejo de voar.
Abriu as asas, que tinham ficado grandes e robustas, e pairou no ar. Voou. Voou. Voou longamente, até que avistou um imenso jardim repleto de flores e de árvores; do meio das árvores saíram três aves brancas.
O patinho reconheceu as lindas aves que já vira antes, e se sentiu invadir por uma emoção estranha, como se fosse um grande amor por elas.
— Quero me aproximar dessas esplêndidas criaturas — murmurou. — Talvez me humilhem e me matem a bicadas, mas não importa. É melhor morrer perto delas do que continuar vivendo atormentado por todos.
Com um leve toque das asas, abaixou-se até o pequeno lago e pousou tranqüilamente na água.
— Podem matar-me, se quiserem — disse, resignado, o infeliz.
E abaixou a cabeça, aguardando a morte. Ao fazer isso, viu a própria imagem refletida na água, e seu coração entristecido deu um pulo. O que via não era a criatura desengonçada, cinzenta e sem graça de outrora. Enxergava as penas brancas, as grandes asas e um pescoço longo e sinuoso.
Ele era um cisne! Um cisne, como as aves que tanto admirava.
— Bem-vindo entre nós! — disseram-lhe os três cisnes, curvando os pescoços, em sinal de saudação.
Aquele que num tempo distante tinha sido um patinho feio, humilhado, desprezado e atormentado se sentia agora tão feliz que se perguntava se não era um sonho!
Mas, não! Não estava sonhando. Nadava em companhia de outros, com o coração cheio de felicidade.
Mais tarde, chegaram ao jardim três meninos, para dar comida aos cisnes.
O menorzinho disse, surpreso:
— Tem um cisne novo! E é o mais belo de todos! E correu para chamar os pais.
— É mesmo uma esplêndida criatura! — disseram os pais.
E jogaram pedacinhos de biscoito e de bolo. Tímido diante de tantos elogios, o cisne escondeu a cabeça embaixo da asa.
Talvez um outro, em seu lugar, tivesse ficado envaidecido. Mas não ele. Seu coração era muito bom, e ele sofrera muito, antes de alcançar a sonhada felicidade.