terça-feira, 14 de abril de 2009

Da Serenidade

Um excelente bálsamo de reflexão, a inspirar... ao amor, à vocação, à poesia, ao regresso ao trabalho, ...



One year in two minutes from Eirik Solheim on Vimeo.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Escola, igualdade e diferença



É o tema da décima primeira sessão do ciclo de conferências "O dever de educar". Realiza-se amanhã, 14 de Abril, pelas 18h15.

Nas últimas sessões, dedicadas às capacidades cognitivas e à motivação, enveredou-se por uma abordagem genérica da aprendizagem, que legitima a afirmação da igualdade. Esta requer, porém, uma outra que lhe é complementar: a abordagem da diferença. De facto, se é certo que todos dispomos de uma estrutura cognitiva, também é certo que ela só existe e se desenvolve num certo contexto cultural. Neste passo, surgem diversas perguntas: Como é que a escola tem tratado a igualdade e a diferença? É possível conciliar estes dois aspectos? Se sim, como se poderão conciliar?

O convidado é Joaquim Pires Valentim, professor da Universidade de Coimbra, doutorado em psicologia social, que se tem interessado de modo muito particular pelo funcionamento do sistema educativo e pelas questões da igualdade e da diferença, da educação compensatória e intercultural.

A sessão realiza-se na Livraria Minerva (rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos) em Coimbra é a aberta ao público (com certificado de presença).

Organização: Helena Damião, João Boavida, Isabel de Carvalho Garcia, Mónica Vieira e Aurora Viães.

Grandes debates sobre educação em livro


Um livro que reune um alargado leque de textos sobre problemáticas educativas recentes, debatidas em tempo real no blogue "A Educação do meu Umbigo" de Paulo Guinote (professor do Ensino Básico). O blogue português mais lido e comentado. Vale a pena espreitar e acompanhar. Boas leituras!


Sinopse

No princípio nem era o Verbo. Era apenas uma ideia, um desejo: o desejo de divulgar textos de ocasião, guardados na gaveta ou de divulgação restrita.

O tempo, um primeiro-ministro bem vestido e uma equipa no Ministério da Educação com imenso tacto para lidar com os problemas educativos fizeram com que um blogue destinado certamente ao esquecimento se tornasse estranhamente frequentado, comentado e agora publicado em papel e forma de livro, a aspiração oculta de todo e qualquer blogueiro que se preza.

Esta é a compilação possível, em formato aceitável, dos textos publicados entre Novembro de 2005 e Novembro de 2008, correspondendo a três anos da vida do blogue A Educação do Meu Umbigo.

Lidos de acordo com a sua cronologia original, salvo pontuais excepções e alguns acertos de pormenor, funcionam como uma narrativa sobre a actualidade educativa em Portugal, lançando um olhar ácido sobre situações, protagonistas e outras incredulidades que têm afligido o nosso sistema educativo. Relidos por quem os escreveu oscilam entre o desencanto, a irritação, a esperança, a perplexidade e outras coisas que não fica bem confessar na contracapa de um livro.

"Programas para crianças"


Por




Aqui há dias, os jornais trouxeram o resultado de um estudo sobre a programação infantil na televisão portuguesa. Praticamente inexistente, claro. E dei comigo a pensar na qualidade que tinham os programas para crianças nos idos de setenta e oitenta.

Recordo-me dos tempos pré-históricos em que, sem condições nenhumas (lembras-te, António Santos, do barracão da Francisco Baía?) se fazia um telejornal infantil todas as semanas, com reportagens e entrevistas e a participação das crianças (recebiam-se caixotes de correspondência!), a terminar sempre com dois comentadores, como nos telejornais dos adultos, só que aqui eram dois bonecos, o Elias e o Horácio (uma das maiores glórias da minha vida foi um dia ouvir uma criança aos berros "vai ali a mãe do Elias!"). O programa chamava-se "Jornalinho"-e decerto que a Laurinda Alves deve ter muitas saudades dele: lá começou, uma quase miúda que punha o capacete na cabeça e ia de moto fazer reportagens… Depois, um dia, disseram-nos que o programa já durava há muito tempo, que por nossa causa havia muita coisa à espera- e nós, democraticamente, retirámo-nos de cena. A muita coisa que havia nunca chegou a haver.

E, para lá do "Jornalinho", que saudades dos telejornais históricos, exactamente como se fossem os dos adultos (pivots em estúdio, correspondentes em vários locais, etc..) só que, correspondendo a factos acontecidos nesse dia… mas há centenas de anos. O que nos divertimos a fazer o telejornal do dia em que Vasco da Gama chegou a Lisboa, com a jornalista de microfone em punho atrás dele e ele só a responder "ó minha senhora, eu quero é ir dormir, que estou estafado!"

Era no tempo em que a Maria do Sameiro Souto estava à frente do departamento. E, a seu lado, a Maria Alberta Menéres. E tudo era tão diferente!

E depois foi o tempo das várias séries da "Rua Sésamo" - e como é bom ouvir hoje muitos adultos dizerem "aprendi a ler com a Rua Sésamo". Gente do teatro como Alexandra Lencastre (que de certeza nunca teve público mais rendido aos seus encantos do que os miúdos que a conheciam por "Guiomar"), Fernanda Montemor, Fernando Gomes, Pedro Wilson e tantos outros marcaram presença diária junto das crianças.

Depois, um dia, também isso acabou. Ficava muito caro e, como a taxa da natalidade estava a diminuir, não era rentável. (Não se riam, mas palavra que foi a justificação que um responsável me deu…)

E pronto, a partir daí, foi mais ou menos um deserto, às vezes com um ou outro lampejo, que raramente vai além disso.

É assim que se chega aos "Morangos com açúcar"…

In Jornal de Notícias, 2009-04-11

Hora da Poesia e da VIDA II






“Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado?
Ressuscitou: não está aqui.”
Mc 16, 6



Manhã de Maria


Acabei de sentir o meu Filho a abraçar-me.
Foi como se Nazaré e Belém se juntassem num único momento,
o meu sim e o primeiro balbuciar humano de Deus.
E voltei a ouvir aquele riso que dava vida às coisas,
e a sentir as mãos tão solícitas em tocar e curar.
Revivi os sinais e as palavras que guardei como tesouros,
as vidas transformadas pelo seu olhar,
e os futuros abertos pelo seu perdão.
Estremeci de alegria como Ele me fizera estremecer
quando fui ter com Isabel.
Mas esta era uma alegria nova,
capaz de vencer todas as tristezas e curar todas as lágrimas.
A alegria de um amor sem fim, de um dia sem ocaso.
Senti-o curar no peito a ferida que a lança no seu lado
também abrira em mim, como tinha dito o bom Simeão.
Não desejo noites como estas a nenhuma mãe
e agora sei como rasga o coração a morte de um filho.
João esteve sempre comigo
e nem chorar sabíamos porque as lágrimas
não diziam aquela dor imensa
e uma estranha esperança a lutarem em nós.
Era o fim mas tudo parecia suspenso
de um princípio que nos ultrapassava,
como se estivéssemos nos primeiros lugares
de um mundo novo que ia romper a casca da história.
Era o fim da vida que conhecíamos, de egoísmo e indiferença,
e sentíamo-nos tão pequeninos e frágeis
para o novo que se aproximava.
Há pouquinho, com o primeiro raio do sol desta manhã,
o meu querido Filho abraçou-me como só Ele sabe
e convidou-me a entrar na vida nova.
Olhei-O, toquei-Lhe, senti-O tão o mesmo e tão Outro,
a envolver-me de um amor indescritível,
que se estendia aos seus amigos, e a tantos, e a todos
do mundo e do universo. Nesse amor me encontro
e saboreio a surpresa de Maria, de Pedro e de João
e de todos os que hoje e em muitos outros hoje
vão encontrar a Vida no meu Filho!

P. Vítor Gonçalves

sábado, 11 de abril de 2009

Hora da Poesia e da VIDA


PÁSCOA

Um dia de poemas na lembrança
(Também meus)
Que o passado inspirou.
A natureza inteira a florir
No mais prosaico verso.
Foguetes e folares,
Sinos a repicar,
E a carícia lasciva e paternal
Do sol progenitor
Da primavera.
Ah, quem pudera
Ser de novo
Um dos felizes
Desta aleluia!
Sentir no corpo a ressurreição.
O coração,
Milagre do milagre da energia,
A irradiar saúde e alegria
Em cada pulsação.

Miguel Torga (Gaia, 30 de Março de 1991)

In Diário XVI