quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Estórias de (en)cantar

Mozart, o menino mágico


Havia um cravo no meio do quarto e uma janela a dar para a rua. O cravo não era uma flor e sim um instrumento polido, elegante, bonito, capaz de fazer música, de encher os dias com o som suave das suas teclas brancas e negras, com a alegria dos seus acordes, das suas harmonias leves e limpas como a voz do vento.
O menino levantou-se do chão, sentou-se no banco almofadado e pousou as mãos pequeninas sobre as teclas. Que música ia nascer dos seus dedos saltitantes como pássaros contentes com a chegada da Primavera?
Atrás do menino havia um vulto e atrás do vulto uma luz igual à que cobre as telas dos pintores. O menino gostava da luz e o seu sorriso de menino feliz era já uma espécie de música a enfeitar a vida da casa.
“Amadeu”, — disse a voz atrás do menino —, “hoje tens ainda muito trabalho pela frente, dois minutos para estudar, uma longa lição para aprender.”
O menino gostava que soubessem que, para ele, tocar era uma maneira de brincar e que o cravo, o piano e o violino bem podiam tomar o lugar dos cavalos de pau, dos soldadinhos de chumbo, das máscaras de cartão.
Um dia o menino desenhou a giz um rosto no chão, uma andorinha no tapete persa, uma borboleta na tampa do cravo. Depois inventou letras gémeas dos algarismos e das notas de música e deu nomes raros às melodias que lhe esvoaçavam na cabeça, roubando-lhe o sono e o sossego.
Os dedos do menino saltavam, nervosos, de tecla para tecla, de música para música. O vulto, atrás do menino, era familiar e meigo. Chamava-lhe Pai, queria-lhe muito. À frente, num trono alto, um homem enfeitado de ouro ouvia, atento, a música que nascia dos dedos pequenos do menino. Chamavam-lhe Imperador e era senhor de uma cidade luminosa chamada Viena. Gostou do que ouviu e disse: “Há-de ir longe, muito longe este menino”. Não se enganava, o Imperador.
O menino não gostava de castigos, de notas desafinadas, de ralhetes, de sons de trompete. Amava a doçura do cravo e a voz alta e sonante do piano. Queria tocar com os dedos pequeninos o horizonte da música. Não lhe faltava nem vontade, nem saber, nem engenho. Era um menino mágico igual aos dos sonhos e das lendas.
Um dia o menino faz as malas, guarda nelas, bem guardados, os brinquedos e as partituras, pega na mão da irmã, na mão do pai, nas rédeas do vento e lança-se na lonjura dos caminhos. Hoje Munique, amanhã Paris, depois Bruxelas e Coblenz, mais adiante Londres e Frankfurt. O menino aprende os nomes das cidades e das gentes que se deixam assombrar em salas brilhantes e grandes com o som da música que nasce, irrequieta, dos seus dedos.
“Chegou o dia”, diz o pai do menino, “de mostrares as tuas sinfonias”. O menino achava que era ainda cedo, mas gostava de obedecer à vontade do pai. Escreveu no caderno de viagem os nomes de Bach e de Haendel e da música de ambos fez companhia fiel para concertos e andanças. A música era agora o seu único brinquedo, a festa dos seus dedos pequeninos e velozes sobre as teclas brancas e negras.
Rendem-se as cidades à magia dos seus dedos que inventam trios e sinfonias como cascatas de som. Hoje Haia, amanhã Paris, depois Milão, de novo Londres e Munique.
O menino está doente e cansado. Chamam-lhe prodígio, menino-prodígio, e ele não gosta.
Prefere que lhe chamem apenas menino, ou então Wolfgang Amadeus, Amadeu para os amigos que com ele partilham a viagem destes versos.
O menino gosta de fazer amigos. Florença é uma cidade bonita, clara e cantante, com praças, igrejas e mercados. Um outro menino com dedos mágicos como os seus toca violino e gosta de brincar. Chama-se Tomás e tem olhos azuis. A música os junta, a música os separa.
Cada um segue o seu rumo, que as estradas de fazer amigos nem sempre são iguais às de fazer música.
Em Roma há quem diga: “Uma grandeza assim só em Miguel Angelo”. O menino não sabe quem seja, se é músico ou pintor, mas pressente que é alguém tão alto e brilhante como as catedrais do mundo na hora fantástica em que todos os sinos chamam para a festa. O menino tem nos ouvidos o eco imenso dos aplausos. Que lhe dêem, doravante, tudo menos silêncio e escuridão.
O menino não gosta de usar cabeleira postiça, casaca bordada a ouro, pó na face. Mas que há-de fazer? Toca nos salões, nas salas de concerto para gente rica e exigente e só lhe resta seguir a moda, respeitar o gosto de quem manda. Ninguém espera que ria, que brinque, que salte e que corra. Mas ele, às vezes, lembra-se que ainda é menino e em vez de música deixa uma pirueta, uma careta na lembrança de cardeais e de duques.
O menino também sabe cantar com uma voz fina e perfeita que enche as capelas e os salões. Canta um Miserere e Roma fica de joelhos a adorar nele uma santidade que não tem, uma realeza que não quer ter. Ele é somente um menino, um menino de músicas mágicas, mas ainda e sempre um menino.
Às vezes o menino sonha que tem altura de estátua, largura de rio, tamanho de onda.
Depois acorda em sobressalto e sobra-lhe do sonho que teve uma réstia de som, um farrapo de música, um ímpeto de sinfonia. O menino descobre que cresce ao ritmo dos sonhos que de noite e de dia o visitam, à velocidade luminosa dos astros.
O menino acrescenta palavras à música, dá voz a personagens, dá corpo a reis e a mitos, dá nome a cidades e a séculos. Tem catorze anos e escreve uma ópera. Depois escreve uma cantata para casar um arquiduque. Dá nomes às óperas: Mitridate, Lúcio Silla, Finta Giardiniera. O mundo é um tapete de espantos e vénias que se desenrola a seus pés.
O triunfo é um pássaro que lhe cabe na concha da mão. Mas apetece-lhe ser sempre menino. Para sempre menino, como se pudesse ser esse o seu destino.
O menino está em Paris, mas pertence a todas as cidades que amam a sua música, que cantam na voz das suas óperas e cantatas. Paris abre-lhe portas que a tristeza se apressa a fechar. Parte a mãe para um lugar aonde não chega, nunca chegará, o som da sua música. O menino está só e infeliz. Sente-se indefeso como todos os meninos. Volta a casa e chora, dobrado como um menino triste, no colo do pai que o consola.
O menino sonha com uma flauta que seja mágica, com uma música que seja diferente.
Usa a língua italiana nas primeiras óperas e a língua alemã, a que entra no que diz e no que escreve, para escrever outras a que chama: Flauta Mágica, O Rapto do Serralho. Todas lhe exaltam a mão esquerda, a mágica mão que dança sobre as teclas como uma bailarina com véus de sonho e de brisa.
Há um vulto ao lado do menino, que não é o de seu pai, nem o de um anjo protector. É um vulto que se escreve com nome de música. Chama-se Joseph Hayden e diz: “Compositor maior, senhores, nunca eu vi ou ouvi”. O menino torna-se gigante na admiração e no afecto dos que o ouvem tocar. É um menino gigante com um riso alegre e sonoro como é sempre o riso dos meninos quando a música os faz felizes.
O menino é pálido, magro, doente. Mesmo quando a febre e a fadiga o levam à cama, não deixa de compor, de escrever, de inventar sinfonias e concertos, de mandar cartas, de endereçar mensagens. Não sabe nem quer parar. Não é capaz. Há nos seus olhos uma luz que não se apaga e que o faz ter sempre rosto de menino, idade de menino, gestos de quem ainda deixou muito para brincar.
As mãos do menino cantam, dançam, inventam. São mágicas como o riso do menino.
Quando se erguem no ar, fazem crescer a força da música que acorda as cidades, de Salzburgo, onde nasceu, até Milão, Paris ou Londres, que não se cansam de dizer: “Como tu nunca vimos igual”. Mas o menino sente que o elogio é coisa incómoda, de feição só para gente idosa. Dá uma gargalhada e nasce uma nova sinfonia.
As mãos do menino esbanjam o dinheiro que ganham com pequenas e grandes coisas, com festas e com surpresas, presentes e brindes. O menino é generoso e gosta de ser amado.
Só se sente feliz quando, à sua beira, os outros também são felizes. É essa, afinal, a lei de ouro da sua música.
O menino sabe que a harmonia do mundo começa e acaba na sua música. Fora dela é a desordem, a tristeza, a doença. Façam-lhe tudo menos estragar, ofuscar a luz da sua música.
Vê-lo-ão em fúria, com mãos ameaçadoras e palavras altas e graves, se lhe maltratarem uma sinfonia, uma cantata, uma ópera.
O menino esquece-se do tempo. A música acena-lhe de dentro da noite, chama alto por ele. E ele perde o sentido das horas, deixa escapar por entre os dedos o fio do tempo. Compõe, compõe sempre, com uma pressa só igual à de quem corre contra o tempo por saber que já não tem tempo. Dorme sem ter horas, escreve sem ter fome ou sede, inventa-se e reinventa-se no muito que faz como se lhe restassem poucos dias para o fazer, para o sonhar.
Engana-se quem o festeja, quem o quer adulado e adorado. Para ele só a música conta e a ternura dos que ama, a da mulher, do pai, dos amigos. A música não é uma casa, nem uma estrada, nem uma lua acesa a medo no escuro da noite. A música é um universo povoado por cometas, planetas e sóis de mil e uma cores. E ele é o único habitante capaz de pôr ordem nesse universo, de lhe dar harmonia, sentido e voz.
Há quem não goste que o menino toque de igual modo para os que tudo têm e para os que são donos de nada. Para uns querem brilho, para outros silêncio apenas. Mas o menino não faz distinção entre uns e outros. Para ele há os que sabem e os que não sabem ouvir. No meio está uma espiral de sons, de notas mágicas, que cresce com os sonhos do menino.
O menino tem já a idade das sinfonias e das óperas que compôs. Cresceu, mas não deixou de ser menino. Acorda quando o dia acorda e passeia pela casa arejada e branca as ideias novas, as melodias cantantes, os fragmentos de música que depois vão salpicar de notas as partituras, os cadernos. Nenhum dia é igual ao outro dia. Sucedem-se, diferentes, porque a música que os habita também nunca se repete.
Um dia, um rei diz ao menino: “Esta ópera é muito bela, mas tem notas a mais”. O menino, que é rei e senhor da sua música, fica sisudo e responde: “Só tem as notas que são precisas”. Aos reis, aos imperadores, aos arquiduques só se responde quando eles pedem uma resposta. Mas o menino, que também é rei, à sua maneira, responde com as palavras que acha justas e acertadas. Não precisa de coroa nem de trono.
Há um muro de inveja levantado à volta do menino. Mas ele não se importa porque sabe que há uma luz que nada nem ninguém impedirá de entrar na sua música. Cobiçam-lhe a alegria, o génio, o gosto de ser menino, o riso e o prazer de ser livre. Mas ele não se importa porque sabe que há na sua música uma voz a que nenhuma outra voz se pode sobrepor, por ser única e imensa.
O menino nunca abandona aqueles que ama. A música é a ponte que os liga. Constança, sua mulher, adoece e o menino, que a vida tornou crescido e atento a tudo, toca para ela, para que a febre baixe e a dor não lhe roube o sono. “Dorme, Constança, dorme porque há uma música bonita que traz sonhos nas asas e os poisa sobre as tuas pálpebras”.
A doença começa a lançar um véu de tons sombrios sobre os olhos do menino, que nunca pára de tocar, nem para dormir nem para comer. O menino sente que uma grande pressa lhe magoa o peito e lhe agita os dedos. Todas as horas se tornam apenas instantes quando tem de compor. Todos os dias se tornam minutos quando tem de tocar. Uma vida inteira, mesmo longa, seria breve para toda a música que tem dentro da cabeça.
Hoje um acto de ópera, amanhã um andamento de sinfonia ou de concerto, uma cantata, um divertimento. O menino sente que a febre lhe arde nos olhos e que a noite lhe adormece nos dedos. Tem pressa, cada vez mais pressa. Chegam amigos, mas não está para eles; quer estar só. Só, com a música toda que tem para escrever.
Um homem visita o menino sem deixar o nome. Fala de alguém que partiu, da pena que sente, da tristeza que o verga. Quer uma música que saiba dizer tudo isso e muito mais, que diga a sombra e a mágoa. A encomenda está feita, o preço combinado: cem ducados. Ficará pronto, promete o menino, em quatro semanas. Com o Requiem, que é assim que a obra se chama, cresce, veloz, a tristeza do menino.
Um pássaro vestido de névoa pousa no parapeito da janela do quarto do menino. Anuncia dias sem luz, horas magoadas e sombrias. E o menino trabalha, trabalha sempre, no desamparo da cama desfeita, da comida entornada, da febre a subir, do corpo a doer. Tem pressa, muita pressa, mas o tempo não chega para cumprir a promessa.
O pássaro está pousado dentro do sono do menino a vigiar-lhe os sonhos, a seguir-lhe as ideias, a afugentar-lhe a febre com um constante bater de asas. A cabeça do menino está cheia de música. Entram e saem do quarto aqueles que ama. “Está tão doente o menino”, lamentam-se. Ele não os pode ouvir, que os seus ouvidos são conchas, búzios e casulos onde a música não cessa nunca de tocar.
O menino adormece e acorda, desmaia e volta à razão. Deixou de poder distinguir a noite do dia, a sombra da luz. E a pressa, essa, nunca abranda. “Tenho o Requiem para acabar, não faltarei à promessa”. Mas falta sem querer faltar. Quando vêm buscar a obra, o menino fecha
os olhos e já não está para responder, seja a quem for.
É mais triste que a tristeza o dia da despedida. O menino vai deitado com tão pouca companhia: as lágrimas de quem sempre soube amá-lo, a sinfonia grave da chuva, mais a cantata do vento, mais a ópera do silêncio. Há um pássaro pousado no poleiro alto de um cedro a dizer adeus, baixinho, com um leve bater de asas. “Adeus, menino, adeus que saudades já temos de ti...”
No patamar de uma nuvem está um cravo aberto, um piano com teclas de vento. O menino senta-se e toca e as estrelas em volta começam a cantar. Passa um cometa e diz: “Bonita música essa, Amadeu. Passa um meteoro e murmura: “Ensina-me também a cantar, Amadeu”. Cá em baixo, na terra, enfeita-se o silêncio com o eco de mil coros. O menino guarda a partitura e viaja sobre um raio de luz até ao planeta distante onde só a música pode ser rainha.
Está um pássaro pousado nas teclas de um piano, está um pássaro a cantar enquanto a noite dorme. O menino brinca com a lua, veste casaca bordada a ouro e tem cabelos feitos com fios de prata.
Voltou a ter a idade saltitante dos brinquedos e dos sonhos. O seu riso é do tamanho da alegria do mundo. Tudo em redor se cala só para o ouvir tocar, com o encantamento imenso que apenas a magia é capaz de explicar. Até já, até sempre, Amadeu!
José Jorge Letria
Mozart, o menino mágico
Porto, Ambar, 2006

Fora de Prazo

Sócrates - Fora de Prazo (Sócrates - Best Before) from Spam Cartoon on Vimeo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

E vale a pena ser professor?

A resposta de um especialista em Teoria e História da Educação, Professor Doutor João Ruivo. Vale a pena ler.


Claro que vale. E muito! Ser professor é a mais nobre dádiva à humanidade e o maior contributo para o progresso dos povos e das nações. E, como ninguém nasce professor, é necessário aprender-se a ser. Leva muitos anos de estudo, trabalho, sacrifício, altruísmo e até dor.

Um professor tem que aprender o que ensina, o modo de ensinar e tudo (mesmo tudo) sobre os alunos que vão ser sujeitos à sua actividade profissional. Mas não se iludam: depois de tudo isso um professor nunca está formado. Tem que aprender sempre. Um professor carrega para toda a vida o fardo de ter que ser aluno de si próprio. De se cuidar, de estar sempre atento, ter os pés bem postos no presente e os olhos bem focados no futuro.

Ser professor obriga a não ter geração. Professor tem que saber lidar com todas elas, as que o acompanham durante quatro décadas de carreira. É pai, mãe e espírito santo. E, para o Estado, ainda é um funcionário que, zelosamente, se obriga a cumprir todas as regras da coisa pública.

Por tudo isso, professor é obra permanentemente inacabada. É contentor onde cabe sempre mais alguma coisa. O professor é um intelectual, mas também é um artesão; é um teórico, mas que tem que viver na e com a prática; é um sábio, mas que tem de aprender todos os dias; é um cientista que tem que traduzir a sua experimentação para mil linguagens; é um aprendente que ensina; é um fazedor dos seres e dos saberes; mas é também um homem, ou uma mulher, como todos nós, frágil, expectante e sujeito às mais vulgares vulnerabilidades.

O professor contenta-se com pouco: alimenta a sua auto-estima com o sucesso dos outros (os que ensina), e tanto basta para que isso se revele como a fórmula mágica que traduz a medida certa da sua satisfação pessoal e profissional. Por isso é altruísta e, face ao poder, muitas vezes ingénuo e péssimo negociador.

O professor vive quase todo o tempo da sua carreira em estádios profissionais de enorme maturidade e de mestria. São estádios em que a maioria dos docentes se sentem profissionalmente muito seguros, em que trabalham com entusiasmo, com serenidade e com maturidade, e em que, num grande esforço de investimento pessoal, se auto conduzem ao impulsionar da renovação da escola e à diversificação das suas práticas lectivas.

Infelizmente, de onde devia partir o apoio, o incentivo e o reconhecimento social, temos visto aplicar medidas políticas, e expressar pensamentos, através de palavras e de obras, que menorizam os professores, que os denigrem junto da opinião pública, no que constitui o maior ataque à escola e aos professores perpetrado nas últimas três décadas do Portugal democrático.

Um ataque teimoso, persistente, vitimador e injustificado que tem levado o grande corpo da classe docente a fases profissionais negativas, de desânimo, de desencanto, de desinvestimento, de contestação, de estagnação, e de conformismo, o que pressagia a mais duradoira e a mais grave conjuntura profissional de erosão, mal-estar e de desprofissionalização.

Se não for possível colocar um fim rápido a estas políticas de agressão profissional, oxalá uma década seja suficiente para repor toda uma classe nos trilhos do envolvimento, do empenhamento e do ânimo, que pressagiem o regresso ao bem estar e à busca do desenvolvimento pessoal.

Importante, agora, será a persistência na ilusão. Os professores são uma classe única e insubstituível. A sociedade já não sabe, nem pode, viver sem eles. O Estado democrático soçobraria sem a escola. O novo milénio atribui aos professores funções e competências indispensáveis ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento. O futuro tem que ser construído com os professores e as suas organizações. Nunca contra, ou apesar deles.

Ser professor é, portanto, tudo isto e muito mais. É uma bênção, é um forte orgulho e uma honra incomensurável. Quem é professor ama o que faz e não quer ser outra coisa. Mesmo se, conjuntural e extemporaneamente, diz o contrário. Fá-lo por raiva e revolta contra os poderes que, infamemente, o distraem da sua missão principal e, injustamente, o tentam julgar na praça pública, com cobardia e sempre com grave falta ao rigor e à verdade.

Como diria a minha colega Alen, ao longo da história mais recente a sociedade já precisou que os professores fossem heróis para que assegurassem o ensino nos momentos mais difíceis e nas condições mais adversas; já necessitou que fossem apóstolos para que aceitassem ganhar pouco; que fossem santos para que nunca faltassem, mesmo quando doentes; que se revelassem sensíveis, para que garantissem as funções assistenciais e se substituíssem à família e ao Estado; e que, simultaneamente, se mantivessem abertos e flexíveis para aceitarem todas as novas políticas e novas propostas governamentais. Mesmos as mais ilógicas e infundadas.

Porém, agora é bom que os mantenhamos lúcidos para que possam ultrapassar com sucesso este desafio, esta dura prova a que todos os dias se têm visto sujeitos e para que possam ver ficar pelo caminho as políticas e os políticos que os quiseram humilhar.

João Ruivo, Professor do IPCB
In Editorial do ENSINO MAGAZINE online, Ano XII, Nº131, Janeiro 2009

O poder da PALAVRA

UM CEGO EM PARIS

Conta-se que havia um cego sentado numa rua, em Paris, com um boné aos pés e um pedaço de madeira que dizia, escrito com giz branco: "Por favor, ajude-me, sou cego".

Um publicitário, da área de criação, que passava em frente, parou e viu umas poucas de moedas no boné. Sem pedir licença, pegou no cartaz, virou-o, pegou no giz e escreveu outro anúncio. Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi-se embora.

Pela tarde, o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola. Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas. O cego reconheceu as pisadas e perguntou-lhe se havia sido ele a reescrever o seu cartaz e o que havia escrito nele. O publicitário respondeu: "Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras". Sorriu e continuou seu caminho.

O cego nunca soube, mas o novo cartaz dizia: "Hoje é Primavera em Paris, e eu não posso vê-la".

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Natureza Brincalhona

O site Natureza Brincalhona, destinado a crianças, pretende sensibilizá-las para a protecção do ambiente com a ajuda de 5 amiguinhos: o Verdinho, a Sara, o Rui, o cogumelo Pintas e as Natura Verdes.

O site da Natureza Brincalhona apresenta um conjunto de ferramentas educacionais e ambientais no espaço criança como jogos ambientais, os quais podem ser utilizados pelas crianças. A secção dos Repórteres do Ambiente dá acesso ao Blog do Verdinho que, por sua vez, apresenta histórias, dicas ambientais e trabalhos realizados por crianças e escolas. Podem enviar trabalhos para o blog do Verdinho, http://verdinho_naturezabrincalhona.blogs.sapo.pt, através do e-mail verdinho@natureza-brincalhona.pt

A brincar aprende-se a colorir a natureza!! É o lema da Natureza Brincalhona.
Visitem o site http://www.natureza-brincalhona.pt/

Recentemente a Natureza Brincalhona editou um livro lúdico dirigido às crianças, impresso em papel reciclado, cujo titulo é “As Aventuras do Verdinho – O Planeta Verde”. Poderá adquirir um livro educativo e divertido sobre a protecção e conservação da natureza, com cinco mini-jogos sobre esta temática ao preço de 10 € (inclui os gastos de envio). Este livro é um óptimo instrumento de trabalho e uma excelente forma de transmitir às crianças o grande valor de cuidar da Natureza.

Em finais de Janeiro será colocada na página da Natureza Brincalhona para download uma ficha de orientação de leitura para professores e educadores.

O preço de venda do livro ao público é de 10 €.

O livro está a ter aceitação por parte das escolas primárias e dos jardins-de-infância.

Neste momento, encontra-se à venda na Fnac Viseu e na Fnac Vasco da Gama, em Leiria na livraria Americana, na livraria Boa Leitura, na livraria Letras & Livros e na Didako, na Marinha Grande na livraria Letras & Livros, nas Caldas da Rainha na livraria Martins Fontes e na livraria Loja 107, em Tomar na livraria Entre Livros e na livraria Terbeana, em Braga na livraria 100ª Página e na livraria Minho e no portal http://www.paravenda.net/. Brevemente estará em mais livrarias.

Natureza Brincalhona – Educação Ambiental, Lda.
Incubadora D. Dinis, Rua da Carvalha, n.º 570, Sala 15.1, Parceiros
2400-441 Leiria
Tel.: 244 859 465 Fax: 244 859 469
http://www.natureza-brincalhona.pt/
geral@natureza-brincalhona.pt

(Informação recebida via Natureza Brincalhona)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Escola: o que temos, o que queremos

(clique na imagem para ler)

Programa:
Há mais escola para lá da avaliação de professores e do Estatuto da Carreira Docente. Que escola procuramos e defendemos?
A escola inclusiva é uma miragem?
O sucesso para todos é facilitismo?
A escola é prazer, esforço ou disciplina?
Professores: profissionais livres e responsáveis ou funcionários obedientes?
Alunos: aprender como e o quê?
É urgente.....Agir sobre o que conta!


31 de Janeiro, Auditório da Escola Secundária Camões, Lisboa (Metro Picoas)


15h: Debate - Escola: o que temos, o que queremos

Com:
Luíza Cortesão (docente na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Univ. do Porto, Presidente do Insitituto Paulo Freire – Portugal)
Manuel Sarmento (docente na Universidade do Minho)


Painel de comentadores:
Isabel Salavessa (Associações de Pais e Encarregados de Educação das Escolas Inês de Castro e Avelar Brotero, de Coimbra)
Joaquim Raminhos (Director do Centro de Formação de Professores de Escolas do Barreiro e Moita)
Rosário Matos (Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas Francisco Arruda, de Lisboa)

17h30: Sessão com representantes de movimentos e sindicatos de professores para debater futuras acções de luta

Iniciativa promovida pelo Movimento Escola Pública Igualdade e Democracia

"O dever de formar com ou contra a sociedade?"

(foto da última sessão
"O dever de formar para educar")

A Livraria Minerva acolhe a 27 de Janeiro, pelas 18h15, a sétima sessão do ciclo "O dever de educar", desta vez com o tema "O dever de formar com ou contra a sociedade?".

O convidado da sessão é Carlos de Sousa Reis, professor do Instituto Politécnico da Guarda e investigador na área da filosofia da educação, alguém que conhece como poucos os valores que norteiam (parte d)a nossa sociedade, uma vez que se tem dedicado à sua identificação e análise.

Efectivamente, aceita-se actualmente como verdadeira a ideia de que a educação escolar deve seguir os desígnios da sociedade circundante, os seus anseios e necessidades e acompanhar a sua evolução. Desta maneira, preparar-se-iam os mais jovens para essa mesma sociedade.

Estará correcto aceitar esta ideia acriticamente quando se trata da educação para os valores? Deverá, neste caso, a educação escolar distanciar-se estrategicamente da sociedade? Deverá a educação ter a ambição de a mudar? Estas algumas das questões a que Carlos de Sousa Reis vai procurar responder.

Local:
Livraria Minerva (Rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos), em Coimbra.

As sessões deste ciclo são quinzenais e estão abertas ao público (com certificado de presença).

Organização: Helena Damião, João Boavida, Isabel de Carvalho Garcia, Mónica Vieira e Aurora Viães.

Educação... um direito de todos

O vídeo infra traça o "retrato" da realidade Brasileira onde prevalecem as (des)igualdades de oportunidades na Educação e posteriormente na integração no mundo do trabalho.



Mudando apenas o nome do país, o retrato encaixa quase na perfeição na realidade Portuguesa:

- Ausência de investimento na Educação;

- Fracos desempenhos e maus resultados dos alunos portugueses no estudos do PISA;

- Medidas e Políticas Educativas que negligênciam o direito à Igualdade de Oportunidades:

- Normativos Legais desvalorizam uma Educação em Valores. Numa leitura atenta aos documentos curriculares mais recentes, muito sucintamente, as ideias repassadas são: (1) todos os valores são relativos, construídos, subjectivos, equivalentes; (2) os alunos possuem capacidade de auto-orientação no plano axiológico; (3) a escola não pode impor valores particulares, deve respeitar a liberdade de escolha (Cf. LBSE-Lei 49/2005 e DL 6/2001);

- Sistema de Ensino Português promove a Relativização das Aprendizagens (onde tudo vale e onde o conhecimento erudito pouco importa). Daqui decorre, entre muitos outros perigos, o de vivermos numa ilusão: A escola pode reproduzir e consolidar clivagens sociais.

- A Escola Pública sem capacidade de resposta à premente necessidade de esbater desigualdades de oportunidades:

- Seguir abordagens literalmente não directivas, centradas no aluno, privilegiar o relativismo cultural, axiológico ou a contextualização da aprendizagem no grupo social, só leva à ignorância, à (i)literacia, à escolaridade de amnésia planificada e, naturalmente, ao acentuar das desigualdades de oportunidades (Steiner e Ladjali, 2005) .

- (...)

domingo, 25 de janeiro de 2009

Inquietações...



É mais importante fazer as coisas que devem ser feitas do que fazer as coisas como devem ser feitas.
P. Drucker

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Revista de Investigação em Educação


Revista de Ciências da Educação
Unidade de I&D de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa


Do último número [07]-Set/Out/Nov/Dez-2008 sobre a Pedagogia do Ensino Superior, destaco:

Dossier
Desenvolvimento intelectual e ético em estudantes do ensino superior
Implicações pedagógicas
Helena Marchand +
{ pdf } ....... pág. 9-18

E-learning e abordagens à aprendizagem no ensino superior
António M. Duarte +
{ pdf } ....... pág. 39-50

Metodologias colaborativas, educação na e para a responsabilidade na formação em enfermagem
Maria Aurora Rodríguez Borrego + , Julia Boronat Mundina + , Isabel Freire +
{ pdf } ....... pág. 63-74

Formação ético-dentológica dos professores de ensino superior
Subsídios para um debate
Maria Teresa Estrela + , Joana Marques + , Francisco Cordeiro Alves + , Mariana Feio +
{ pdf } ....... pág. 89-100

Para a excelência pedagógica do ensino superior
Manuela Esteves +
{ pdf } ....... pág. 101-110

Recensões
Recensão de Professional Development. Lifelong Learning Sector: Mentoring, de Susan Wallace & Jonathan Gravells
(2005). Exeter: Learning Matters
Célia Figueira +
{ pdf } ....... pág. 137-140

Conferências
Crise da modernidade e inovações curriculares
Da disciplina para o controle
Alfredo Veiga-Neto +
{ pdf } ....... pág. 141-150

Outros artigos [aqui]

Hoje, votação na Assembleia da República do Projecto infra

Sem qualquer conotação política, coloco aqui o Projecto de Lei sobre a ADD que foi apresentada pelo Grupo Parlamentar do CDS-PP e que vai hoje a votação no Parlamento.
Longe de ser um Bom Projecto, é um caminho possível, visto que estamos a meio do ano lectivo e nenhum outro seria o ideal nesta fase do campeonato. Vale a pena ler.
(clique no canto superior direito para ler)
Projecto de Lei sobre a Avaliação do Desempenho Docente




Adenda (13h):
Projecto rejeitado no Parlamento. A luta continua!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Petição de Pais e Encarregados de Educação


***********************************
PETIÇÃO À SENHORA MINISTRA DA EDUCAÇÃO ***********************************

Dr.ª Maria de Lurdes Rodrigues:

Nós os Pais e Encarregados de Educação declaramo-nos preocupados.
A situação a que chegámos é talvez o culminar da “tomada de assalto” das escolas pela burocracia e pelas elites que fomos criando em muitos anos de políticas educativas atípicas para a própria condição humana. Ela reflecte bem o estado geral da educação em Portugal, e não augura nada de bom se não ponderarmos o rumo em que estamos lançados.
Várias ameaças pairam sobre a educação nacional neste momento, sobre as quais tecemos as seguintes considerações:

a) Avaliação dos professores
Afirmamos a necessidade de um sistema de avaliação de desempenho, tanto para os professores como para as escolas enquanto instituições colectivas. A avaliação não é uma questão laboral mas sim uma questão educativa de fundo e uma indispensável ferramenta estratégica para a melhoria de competências e práticas pedagógicas e científicas, e para garantia da qualidade das aprendizagens.
Em consciência, não podemos concordar com sistemas de avaliação “fast-food”, criados à luz de critérios economicistas, sem quadros independentes, formados e especializados na problemática educativa, e sem critérios e objectivos de longo prazo devidamente estabelecidos. É imperativo saber o que queremos da escola moderna e dos novos professores para saber o que vamos avaliar.
Consideramos prejudicial aos interesses dos nossos filhos e do futuro do país, um sistema de avaliação que visa pressionar o professor a facilitar a avaliação dos alunos. Os nossos filhos merecem uma preparação efectiva e não meramente estatística. As estatísticas de sucesso podem servir para abrilhantar relatórios, mas não servem os interesses dos nossos filhos nem o futuro do país.

b) O estatuto do aluno – em particular o novo regime de faltas
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