segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Livres... como Fernão Capelo Gaivota




Jonathan Livingston Seagull, 1973
Gênero: Drama
Origem: EUA

Fernão Capelo Gaivota
Fernão Capelo Gaivota é uma ave quem não se contenta em voar apenas para comer. Ele tem prazer em voar e esforça-se em aprender tudo sobre vôo. Por ser diferente do bando, é expulso. Com excelente trilha sonora de Neil Diamond e magnífica fotografia, o filme é uma parábola. Faz uma analogia entre o homem e a gaivota, no sentido de mostrar as dificuldades de superação dos limites, do encontro com a liberdade verdadeira, pautada no amor e na compreensão do outro.

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Nota:
Um aplauso aos professores pela coerência demonstrada entre a palavra e o agir.

Coerência...

Mimos...


Recebido da colega Licas. Agradecida pela distinção.

As regras, para quem o receber são: *
1. exibir a imagem do selo.
2. linkar o blogue pelo qual você recebeu a nomeação.
3. escolher seis mulheres a quem entregar o "BLOGUE DE OURO".
4. deixar um comentário nesses blogues, para saberem que receberam o prémio.

* Vou pensar em "mulheres diferentes" que mereçam tal distinção. Não me quero repetir. Talvez não encontre o número exigido, por duas razões: (1) porque já receberam anteriormente o prémio; (2) porque a maior parte das "mulheres diferentes" que conheço não têm blogues.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

É nas escolas que a luta se vence...



Por uma revisão que elimine a divisão da carreira em categorias; que estabeleça um modelo de avaliação pedagogicamente construído e garanta a abolição das quotas; que valorize a componente lectiva dos docentes, expurgando do seu horário os cada vez maiores tempos destinados a tarefas burocráticas; que elimine todos os mecanismos criados para afastar, da profissão, docentes que são necessários às escolas, designadamente através de uma espúria prova de ingresso. São essas exigências, sintetizadas num abaixo-assinado, que, no próprio dia 19 de Janeiro, serão entregues, pelas 15 horas, no Ministério da Educação. Simultaneamente, nas restantes capitais de distrito, também a Plataforma Sindical dos Professores, em reuniões solicitadas aos senhores Governadores Civis, fará a entrega do texto do abaixo-assinado e dará conta das suas preocupações sobre o actual momento que se vive na Educação.
[ler mais]

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Inquérito e Petição

Pelos ALUNOS, pela dignidade da CARREIRA DOCENTE, pelo Futuro do Ensino Público em Portugal, os professores portugueses colocaram online um inquérito que é simultaneamente uma petição.

Para responder ao Inquérito assinando a Petição, clique na imagem infra ou aqui.

Hora da Poesia e da Esperança

Pergunta-me


Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer

Mia Couto, In Raiz de Orvalho e Outros Poemas

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

"O dever de formar para educar"

(foto da última sessão “O dever de educar para o professor”)

Realiza-se, hoje, 13 de Janeiro, pelas 18h15, na Livraria Minerva – Coimbra, a sexta sessão do ciclo O dever de educar. Esta sessão é subordinada ao tema "O dever de formar para educar".
Discute-se, nesta sessão, a formação de quem ensina, para poder assumir tal dever com responsabilidade. Questiona-se, em particular, que princípios devem nortear essa formação? Como se deve concretizar? Quem a deve assumir?...
É convidado Rui Marques Veloso, professor aposentado da Escola Superior de Educação de Coimbra que colaborou na formação de várias gerações de professores, mantendo o seu interesse e trabalho nesta área.

Local: Livraria Minerva (Rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos), em Coimbra.
As sessões deste ciclo são quinzenais e estão abertas ao público (com certificado de presença).

Organização: Helena Damião, João Boavida, Isabel de Carvalho Garcia, Mónica Vieira e Aurora Viães.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Formação


Informação recebida do Espaço Pradis


1. Enviamos em anexo o folheto informativo do Curso de Mestrado sobre Dificuldades de Aprendizagem e Desenvolvimento Sócio-cognitivo, que se realizará na Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich sob a coordenação do Prof. Doutor António Luís Montiel

Inscrições abertas
Data de início - 2 de Março de 2009
Para mais informações consulte: http://www.eseimu.pt/
Cláudia Garcia / Marta Alexandre
Secretariado do Conselho de Direcção
Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich
Tel. 21 3929560 Fax. 21 3929569


2. Enviamos novamente informação das próximas actividades programadas no Espaço PRADIS:

«COMBATE AO INSUCESSO ESCOLAR DOS SEUS FILHOS» - NOVO
Inovadora Avaliação Escolar Complementar para identificar as causas do insucesso escolar e propor as medidas de apoio que melhor se adequam a cada caso em particular.

OFICINA - FILHOS MAIS INTELIGENTES E SERENOS - NOVO
Destinada a encarregados de educação e profissionais preocupados por desenvolver uma personalidade equilibrada e segura nos mais novos.

ACÇÕES DE FORMAÇÃO - DESENVOLVIMENTO DA ORALIDADE E DA ESCRITA - Novas datas para 1º semestre de 2009
Destinadas a Educadores de Infância, Professores do Ensino Básico e Secundário, Psicólogos e outros profissionais ou estudantes da orientação educativa.
Acção 1: Comunicação, Linguagem, Fala e áreas afins (2 horas e meia)
Acção 2: Consciência Fonológica – O Reflexo da Oralidade na Escrita (3 horas e meia)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A (des)construção da PAZ

Sentados à mesa das negociações ou dos obstáculos?


Um cartoon que dá muito que pensar...

Espólio digital da cultura portuguesa

Biblioteca Digital - Instituto Camões arrancou a 8 de Janeiro com um 'site' onde mais de 220 milhões de pessoas terão acesso a documentos portugueses.

A partir de agora, com a inauguração da Biblioteca Digital Camões, Os Lusíadas ficam disponíveis para leitura em eReader, iPod Notes, Plucker, Mobipocket, telemóvel.

Acessíveis aos visitantes do site do Instituto Camões (http://www.instituto-camoes.pt/) permanecerão agora à volta de 1200 documentos da cultura portuguesa dos últimos cinco séculos.

(clique na imagem para aceder ao site)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A matemática nos cartoons

Quando as garotas conquistam bons resultados em Matemática, isto é atribuído a esforço e dedicação. Quer dizer, elas se saem bem porque trabalham muito e obedecem regras. Por sua vez, ao justificar o sucesso dos meninos, seus professores e professoras invocam características como potencial, capacidade e brilhantismo.


Não nos surpreendemos quando crianças e adolescentes em idade escolar reclamam de terem de estudar Matemática, pois reconhecemos este saber pelos múltiplos sentidos historicamente construídos na cultura, que convergem em caracterizá-lo como um campo especialmente difícil. Ocorre que os conhecimentos matemáticos são tomados como complexos a priori e, conseqüentemente, os sujeitos bem sucedidos neste campo - que obtêm boas notas e se interessam por ele ­- são considerados gênios talentosos.

Walkerdine (1995), em sua pesquisa sobre garotas e a Matemática, nos mostra o quanto as descrições de professores e professoras sobre o desempenho de seus alunos e alunas são inteiramente construídas na cultura e diferenciadas segundo uma lógica sexista. Por exemplo, quando as garotas conquistam bons resultados em Matemática, isto é atribuído a esforço e dedicação. Quer dizer, elas se saem bem porque trabalham muito e obedecem regras. Por sua vez, ao justificar o sucesso dos meninos, seus professores e professoras invocam características como potencial, capacidade e brilhantismo. A pesquisadora afirma: ?é praticamente mais fácil para um camelo passar pelo buraco de uma agulha que uma dessas garotas ser considerada brilhante em Matemática? (p. 215).

Esses sentidos de complexidade do conhecimento matemático, de que Matemática seja algo para poucos ?iluminados?, entre outros equivalentes, fazem parte da cultura popular, continuam a ser produzidos e circulam quotidianamente, por exemplo, em cartuns, histórias em quadrinhos, bandas desenhadas, tiras, charges e outras historinhas publicadas nas páginas de jornais e revistas.

Na pesquisa A produção de significados sobre Matemática nos cartuns (Silveira, 2002), analisei cartuns e quadrinhos publicados em jornais, em revistas e na Internet. Nesse estudo, procurei mostrar, inspirada em teorizações do campo dos Estudos Culturais, que os cartuns, enquanto texto cultural, ensinam não só os conteúdos que eles abordam em seus argumentos, mas também muitas outras coisas. Em relação a um conjunto inicial de aproximadamente 160 cartuns que tratam de Matemática, apresentando em seus argumentos conteúdos da matemática escolar - simbologia da linguagem matemática, propriedades ou teoremas, problemas matemáticos, fórmulas e outros conhecimentos reconhecidos como típicos do saber, do raciocínio e do pensamento matemáticos ? defini, para fins de análise, três focos. No primeiro, a metanarrativa da onisciência, observei aqueles significados que conferem ao conhecimento matemático um caráter diabólico, complexo, inacessível, transcendental, totalizante, que apresentam a crença de que o mundo é matematizado segundo leis divinas. Em o gênero da Matemática, mostro aqueles que, opondo as mulheres aos homens, posicionam estes últimos num pólo privilegiado de raciocínio e aquelas num pólo oposto, deficitário, generificando a área da Matemática, definindo-a como masculina, assim como se generifica o trabalho docente como feminino. No terceiro foco, o terror das provas, identifiquei aqueles que se dedicam a mostrar os momentos de avaliação, nas aulas de Matemática, sempre povoados por sentimentos de desespero, medo, pavor e sofrimento.

Os significados sobre Matemática nos cartuns são aqueles mais ou menos recorrentes na cultura. É importante observar, contudo, que parece que eles contemplam um outro espaço de produção discursiva, distinto daqueles que prescrevem como devemos ser, buscando fixar condutas. Ao inscrever-se no território do humor, repetem esses discursos correntes para ironizá-los, satirizá-los, romper com suas lógicas, pois aquilo que evidenciam é mostrado de um jeito diferente, e nem sempre de um mesmo jeito. Como diz Larrosa (1998), ?o riso mostra a realidade a partir de outro ponto de vista? (p. 223). Dessa forma, os cartuns suspendem significados cristalizados no interior da cultura, e criam riso sobre eles, apontando para a possibilidade de outros significados. Se não são capazes de romper com uma lógica, usam ela mesma para mostrar sua incongruência.

Por isso, as análises realizadas sobre este material mostraram um jeito de compreender e representar a Matemática que tem repercussões na educação. Não penso que conhecer narrativas como essas ? que nos ensinam que Matemática é um campo difícil, complexo, abstrato, caracterizado predominantemente por qualidades que aprendemos a identificar como masculinas, e que é uma disciplina ?assustadora?, ?raladora?, responsável pelo fracasso de muitos estudantes ? inviabilize que professores e professoras façam uso desses textos culturais em sala de aula. Acredito, sim, que conhecer os saberes que circulam nesses discursos e as relações de poder que envolvem, nos fazem (re)pensar nossas práticas, por exemplo, incluindo em nossas preocupações a historicização que mostra a contingência dos significados produzidos na cultura. Por isso, nossa tarefa é manter as representações sob permanente desconfiança e vigilância, mostrando que aquilo que adquire estatuto de verdade é produto do poder, não resultando de uma suposta operação asséptica e neutra da racionalidade dita universal, natural e transcendental. As concepções arraigadas sobre matemática são um típico exemplo de como certos ditos vão sendo naturalizados, transformando cultura em natureza.

Referências Bibliográficas:

LARROSA, Jorge. Elogio do riso. In: ______. Pedagogia Profana. Porto Alegre: Contrabando, 1998. p. 208-228.

SILVEIRA, Márcia Castiglio da. Produção de significados sobre matemática nos cartuns. Porto Alegre: UFRGS, 2002. Dissertação (Mestrado) ? Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2002.WALKERDINE, Valerie. O raciocínio em tempos pós-modernos. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 207-226, jul./dez. 1995.


Silveira, Márcia Castiglio, A matemática nos cartoons, In Jornal "a Página", ano 13, nº 136, Julho 2004, p. 29.

Um estudo

Tese de Doutoramento em Estudos da Criança - Área de Conhecimento de Língua Portuguesa
Universidade do Minho
Título: Para a caracterização do contexto de ensino-aprendizagem da literacia no 1º ciclo de escolaridade : das competências dos alunos às concepções e práticas dos professores
Autor: Pereira, Iris Susana Pires
Data: 2008-06-26

Resumo:
No capítulo 1 deste trabalho, discute-se a ideia de que, em contexto escolar, a literacia, entendida como o processo de construção de significados veiculados pela linguagem escrita, é uma prática transversal, mas também plural e situada porquanto implica a utilização de diferentes variedades de linguagem, cada qual definida por um domínio do conhecimento específico. Argumenta-se que, por essa razão, as variedades de linguagem com que se representa o conhecimento escolar são singulares relativamente àqueles que as crianças inicialmente dominam, com as quais representam os significados emergentes dos contextos sócio-culturais quotidianos. Ainda neste capítulo, fundamenta-se a dimensão situada da linguagem da escola através da descrição e análise do funcionamento dos demonstrativos anafóricos, mostrando-se a sua adequação à representação de variáveis de significado realizadas em textos que se lêem e escrevem nas diferentes áreas de conhecimento escolar. No capítulo 2, assume-se a ideia de que a aprendizagem do conhecimento escolar depende da aprendizagem da singularidade dos padrões linguísticos usados para representar esse conhecimento, defendendo-se, por isso, que o objecto da pedagogia da literacia, delimitada ao espaço curricular constituído pela aula de língua, é essa singularidade. Argumenta-se que a implementação de uma pedagogia que tenha por objectivo promover o ensino-aprendizagem da ‘linguagem da escola’ poderá potenciar o sucesso escolar de todos os alunos. Além disso, descreve-se uma proposta de estruturação da pedagogia da literacia em quatro princípios, nomeadamente o de ‘prática situada’, o de ‘ensino explícito’, o de ‘enquadramento crítico’ e o de ‘prática transformada’, que são linguística e psicologicamente fundamentados. No capítulo 3, introduz-se o estudo empírico realizado, que foi, em primeira instância, desencadeado pelas dificuldades em literacia reveladas pelos alunos portugueses. Esse estudo consistiu na caracterização do contexto escolar de ensinoaprendizagem da literacia, já que as dificuldades em literacia se têm vindo a atribuir na literatura relevante à configuração de contextos caracterizados pela existência de uma descontinuidade entre as necessidades de aprendizagem dos alunos, colocadas pela singularidade da linguagem escolar, e o sentido das práticas pedagógicas dos seus professores, que não são as mais adequadas para sanar essa dificuldade linguística. Em consequência, o estudo implicou duas sub-unidades de análise do contexto escolar de ensino-aprendizagem da literacia, cada qual associada a um objectivo específico: (i) a capacidade dos alunos de construírem os significados realizados por estruturas linguísticas tipicamente escolares, com o objectivo de conhecer o grau de dificuldade que mostram nessa actividade, e (ii) a pedagogia da literacia implementada pelos seus professores, com o objectivo de a caracterizar. No estudo, seguiu-se uma estratégia investigativa de ‘múltiplos casos’, mais concretamente de quatro contextos de ensino-aprendizagem da literacia, constituídos por duas turmas de alunos do 3º e duas do 4º ano do 1º ciclo de escolaridade e respectivas professoras. No capítulo 4 deste trabalho, apresentam-se os resultados da caracterização da primeira sub-unidade em análise, realizada com base na análise quantitativa (e qualitativa) de dados recolhidos com a aplicação de uma prova especificamente construída para o efeito, centrada na compreensão dos demonstrativos anafóricos em diferentes textos com representatividade escolar. Esses resultados revelam que a construção dos significados veiculados por essas estruturas causou bastantes dificuldades aos alunos, embora diferenciadas segundo o seu ano de escolaridade. No capítulo 5, apresentam-se os resultados da caracterização da pedagogia da literacia, obtida com base na análise qualitativa de dados recolhidos numa entrevista e em actividades que foram solicitadas aos professores dos mesmos alunos para os textos da prova. Essa análise mostra como a linguagem não é reconhecida como objecto de ensino-aprendizagem e como, consequentemente, não se realiza um trabalho pedagógico adequado para que os alunos ultrapassem as suas dificuldades linguísticas. O último capítulo deste trabalho apresenta a principal conclusão que emerge da convocação dos resultados do estudo de cada uma dessas sub-unidades de análise, nomeadamente a de que os contextos escolares de ensino-aprendizagem da literacia que estudámos se caracterizam, efectivamente, pela existência de uma descontinuidade entre as necessidades que os alunos enfrentam no processo de construção dos significados veiculados pelos textos escritos que circulam na escola e as práticas pedagógicas dos seus professores, e discute algumas das explicações possíveis para este estado de coisas. Argumenta-se, por fim, que estes resultados corroboram empiricamente as proposições teóricas que sustentaram a realização inicial da investigação, pelo que se pode considerar que a principal aportação deste trabalho é a da generalização de um quadro teórico no âmbito da (pedagogia da) literacia, discutindo-se possíveis caminhos de investigação e de intervenção que são desencadeados pela generalização dessa teoria.