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domingo, 26 de junho de 2016

CALENDÁRIO ESCOLAR 2016/2017

Despacho n.º 8294-A/2016 – DR n.º 120/2016, 1º Suplemento, Série II de 2016-06-24. 


(RESUMO)

ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO

 1.º Período
Início Entre 9 e 15 de setembro de 2016
Termo 16 de dezembro de 2016

2.º Período
Início 3 de janeiro de 2017
Termo 4 de abril de 2017

3.º Período
Início 19 de abril de 2017
Termo 6 de junho de 2017 – para os alunos dos 9.º, 11.º e 12.º anos ;
16 de junho de 2017 – para os alunos do 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos;
23 de junho de 2017 – para os alunos do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º anos.

Interrupções letivas
1.º – Férias de Natal: De 19 de dezembro de 2016 a 2 de janeiro de 2017
2.º – Carnaval: De 27 de fevereiro de 2017 a 1 de março de 2017
3.º – Férias da Páscoa: De 5 a 18 de abril de 2017

 Calendário de provas:

domingo, 22 de maio de 2016

Aos meus professores: a humildade do reconhecimento e da gratidão

Diz-nos a experiência que em momentos de fragilidade o ser humano torna-se mais vulnerável, frio e revoltado, menos agradecido e mais distante. É nestes momentos que sinto vestir a pele ao contrário. Ajoelho e dou graças por todos os bens e graças recebidas, e pelas pessoas “culpadas” pelo ser que hoje sou.
Sou o que sou, sei o que sei, devido em primeiro lugar aos meus pais, que me transmitiram os seus genes e a sua educação. Mas sou o que sou, sei o que sei, devido em segundo lugar aos meus professores, que me tem transmitido a cultura que a humanidade acumulou e a educação ligada a essa cultura.
Quanto eu gostaria de generalizar o que penso e sinto firmando que nunca estamos nem estaremos demasiado gratos aos nossos pais nem aos nossos professores. Eles acompanham-nos pela vida fora, mesmo quando estamos sozinhos.
Ontem estive a atualizar o meu Curriculum Vitae (CV) por questões profissionais e académicas e refleti sobre estas pequenas coisas a que chamo “pequenos nadas”, a que ninguém deve dar importância, mas que para mim têm um valor inestimável. O nome dos pais põe-se sempre no CV, porque de certa forma fazem parte da nossa identidade. O nome dos professores devia também fazer parte de todos os "curricula", porque a nossa formação se deve em grande parte a eles. Sei que em alguns países (como a Alemanha) é ou pelo menos era habitual colocar-se, numa página final das teses de doutoramento, o nome de todos os professores de licenciatura e de pós-graduação. Apesar do esmerado esforço de reconhecimento, admito que é injusto para todos quantos os antecederam. Quando falo em reconhecimento e gratidão, passam-me muito nomes pela memória, mas a figura que surge sempre em primeiríssimo lugar é a minha estimada professora do ensino primário que me acompanhou quatro difíceis anos (antes e na transição do abril de 74).
Falar do papel dos pais seria talvez redundante, toda a gente os tem e toda a gente sabe o que eles significam para eles. Talvez não seja tão redundante falar dos professores, antes devia ser privilégio de toda a humanidade, mas sabemos que há infelizmente no mundo quem não os tenha ou que não tenha os professores que precise; e há, também infelizmente, quem os tenha e não reconheça suficientemente o valor que eles tiveram, têm ou podem vir a ter nas suas vidas. As crianças e jovens (todos nós, afinal, porque já o fomos) têm alguma dificuldade em fazer imediata justiça aos professores com quem convivem diariamente. Mas à medida que crescem (que crescemos), vão descobrindo a dimensão da herança que lhes devem e construindo dentro de si, ainda que escondida, uma gratidão profunda.
Nem todos os professores que se cruzaram nas nossas vidas foram os melhores professores, é verdade, mas todos eles deixaram marcas indeléveis, ousaria até dizer que eles são co-construtores daquilo que hoje somos. Temos, de facto, um lugar especial dentro de nós onde guardamos com saudade alguns dos nossos professores. Para as pessoas que aí colocamos a nossa gratidão é maior. A escolha dos nossos melhores professores não é apenas racional. Escolhemos afetivamente alguns dos nossos mestres, porque sentimos que eles, além de educação e cultura, nos transmitiram um afeto enorme. Gostamos deles por várias razões, mas também porque eles gostaram de nós. E como o gostar é uma característica humana, muito humana, os melhores professores são imensa e intensamente humanos.
Não ousaria nomeá-los, pois sei que seria injusta, mas o meu pensamento está em vós e a minha gratidão é imensa. Todas as palavras ficariam aquém do bem que me têm feito. A alguns tenho ainda a agradecer a aliança, a confiança e a amizade, por isso, as palavras serão sempre poucas. O meu bem-haja, professor(a)!
22.05.2016

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

21 Filmes sobre Educação



Neles o tema da educação é explorado de uma forma criativa e inspiradora.
Alguns desses filmes podem ser encontrados aqui na sua versão integral (youtube).


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Ciência define a sala de aula ideal

Do primeiro dia no jardim da infância ao último do ensino médio, alunos passam quase 12 mil horas na escola. Por isso o portal Bright, de inovação em educação, recorreu a uma pesquisa de cientistas das Universidades de Washington e da Califórnia em Berkeley para descobrir qual é a sala de aula ideal. Os pesquisadores descobriram que, quanto mais claro o ambiente, melhor o desempenho dos alunos em disciplinas como matemática e leitura. Por outro lado, paredes com decoração pesada – e até pôsteres do Jornada nas Estrelas – têm efeito negativo.
Coordenado pela professora Sapna Cheryan, do Departamento de Psicologia da Universidade de Washington, o grupo de pesquisadores fez uma varredura na literatura científica para identificar quais aspectos físicos importam mais para os estudantes. Descobriu que a infraestrutura do prédio, como a intensidade de luz natural que ele recebe ou a qualidade do ar que circula pelas instalações, tem um papel significativo nas notas dos estudantes e no seu nível de concentração em geral.
Além disso, de acordo com o texto do Bright, objetos colocados na sala podem sinalizar implicitamente o quanto um estudante é valorizado. Uma experiência analisada pelo grupo de Cheryan sustentou que alunas que estudaram Ciência da Computação em salas com estereótipos de objetos masculinos, como posters do Jornada nas Estrelas, mostraram menos interesse de seguir carreira na área do que meninas cujas salas tinham posters com imagens da natureza.
Embora seja difícil replicar alguns elementos da sala de aula – se ela está voltada para um muro, por exemplo, é complicado aumentar a luminosidade –, vários dos achados da equipe de Cheryan podem ser adotados em questão de horas, com baixo investimento. Vamos aos principais componentes da sala ideal:
Untitled
  1. Luz: A luz do dia é um fator critico – e tanto melhor se houver plantas, árvores e outros elementos naturais do lado de fora da janela. Em um estudo com mais de 2 mil salas de aula da Califórnia, de Washington e do Colorado, estudantes expostos a um maior nível de luz do dia tiveram notas de 2% a 26% mais altas em matemática e leitura do que aqueles expostos a menos luz, mesmo levando em conta características de controle estatístico, como classe social e raça. Cheryan sugere, para salas sem janelas, o usp de luzes fluorescentes potentes para imitar a luz do sol. A pintura da sala também a ajuda a ficar mais clara.
  2. Barulho: Como seria de se esperar, o silêncio realmente ajuda a concentração. Estudantes em salas próximas de rotas de aviões tiveram notas consistentemente inferiores em testes de leitura do que os matriculados em escolas de vizinhanças tranquilas.
  3. Temperatura: Estudantes aparentemente aprendem melhor em salas com temperatura entre 20 e 23 graus. Da mesma forma, a má qualidade do ar atrapalha os estudos.
  4. Acessibilidade: Obviamente, escolas precisam ser inclusivas, com estrutura adequada para alunos com necessidades especiais – como elevadores, rampas e passagens desobstruídas.
  5. Layout: De acordo com um estudo analisado pelos cientistas rearranjar as carteiras em estações de trabalho ajuda a deixar as meninas mais confortáveis na sala. Dito isto, as estações de trabalho podem aumentar o grau de distração dos estudantes.
  6. Plantas: Já foi demonstrado que a presença de plantas tem um efeito calmante nas pessoas, não importa de qual idade.
  7. Decoração das paredes: Paredes com decoração extremamente carregada já se mostraram uma fonte de distração, embora pôsteres de animais e de paisagens naturais ou frases inspiradoras possam influenciar positivamente os estudantes. No entanto, objetos que sutilmente passam a imagem de que certos grupos não pertencem àquele ambiente (como pôsteres de figuras históricas que eram todas homens brancos) pode ter efeito prejudicial nos estudantes que não se identificam com esses ícones. Da mesma forma, pôsteres que mostram estereótipos desrespeitosos de uma cultura (como o Chefe Wahoo, logotipo do time de beisebol Cleveland Indians que é uma caricatura de um nativo) foram associados a sentimentos de baixa auto-estima.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

domingo, 7 de junho de 2015

Educação, uma função antiga e partilhada

Na continuidade do post anterior intitulado "A função educativa da escola: ser e parecer",  deixo aqui mais alguns pontos de reflexão sobre a temática.


A educação é a função mais antiga da escola, embora, desde sempre a partilhe com outras instituições, nomeadamente, a família. Hoje é consensual que a educação é um direito de todos e que está consignada na Declaração Universal dos Direitos do Homem (artº 26 e 27) e na Declaração dos Direitos das Crianças (artº 28); aliás, um direito que está consignado na Constituição da Republica Portuguesa de 1976 no seu artº 2, nº 1 e na LBSE de 2005 (e também na anterior de 86) artº 2, nº 1.

Como podemos verificar, pelos documentos supraditos, o direito da criança à educação ainda que seja um dever e uma tarefa que deve ser partilhada com a família; à escola cabe uma missão e tarefas específicas. Segundo a Convenção dos Direitos da Criança, cabe ao Estado (neste caso à escola que o representa, mas também a outras instituições) «assegurar progressivamente o exercício desse direito na base da igualdade de oportunidades» (artº 28, ponto 1.). Nesse mesmo ponto, alínea f) pode ainda ler-se em relação à função do Estado: «Tomam medidas para encorajar a frequência escolar regular e a redução das taxas de abandono escolar.

O artº 29 da mesma Convenção, dá particular relevo aos objectivos da educação, a qual deve destinar-se a promover o desenvolvimento da personalidade da criança, dos seus dons e aptidões mentais e físicas, na medida das suas potencialidades. Deve ainda preparar a criança para uma vida adulta activa numa sociedade livre e inculcar o respeito pelos pais, pela sua identidade, pela sua língua e valores culturais, bem como pelas culturas e valores diferentes dos seus.

A educação é deste modo considerada mais que um mero processo de transmissão de conhecimentos, ela é sobretudo um espaço de formação integral dos cidadãos (Silva, 2002). O culto da sabedoria é, entre outras, uma função educativa da escola, e caminho para melhorar o mundo (Linguiça, 2007c). Condição sine qua non, o resultado é a sua degradação, ou seja, «Mais do que pobres, tornamo-nos inférteis» (Couto, 2005, 11). Porém, tem que existir um certo equilíbrio nesse processo de transmissão cultural (ensino) -, um trabalho pedagógico complexo que não se deve limitar a inculcar nos alunos uma imposição cultural arbitrária (Bordieu & Passerron, 1970) mas deve desenvolver o espírito crítico do aluno (LBSE, 2005, artº 7).

Ter consciência dessa realidade é razão suficiente para um cuidado particular para não negligenciarmos a verdadeira função da escola – educar (Patrício, 1988). A transmissão de conhecimentos e o desenvolvimento de competências, não pode estar aliada de uma outra função da escola não menos importante, a da transmissão de valores humanos (Quintana Cabanas, 2005; Silva, 2002; Torres Santomé, 1995). Só neste âmbito, de uma educação integral, ou seja, de uma formação do “homem todo”, é possível atingir o sucesso educativo «essencial para a realização dos indivíduos e o progresso na sua formação, no sentido dos valores humanos e (…) integração na vida activa, como cidadãos e participantes empenhados na comunidade» (Silva, 2002, 455), dando assim, resposta às exigências e necessidades do nosso tempo.

A própria LBSE no seu artº 2, nº 4 apela para o «desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos incentivando a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários e valorizando a dimensão humana do trabalho». Mas logo de seguida, no mesmo artigo, nº 3 alínea a) pode ler-se «O estado não pode atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas».

Levanta-se de imediato uma interpelação: se o estado se demite de apresentar um referencial de valores, a quem cabe essa tarefa? À escola? À família? Ou a ambas? Caberá à escola definir esses valores que considera (com valor) como metas educacionais do seu Projecto educativo?

(continua...)

In, Linguiça, M. F. (2008). Orientações Curriculares: da diversidade à (des)igualdade de oportunidades. Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (pp. 22-23). 

Referências Bibliográficas:
Bourdieu, P. & Passerron, J-C. (1970). La reproduction: elements por une théorie du système d’enseignement. Paris: Les Éditions de Minuit.
Couto, M. (2005). Pensatempos. Lisboa: Editorial Caminho.
Linguiça, M. F. (2007c). Metamorfoses em educação e o elogio do conhecimento (Texto policopiado, pp. 2).
Quintana Cabanas, J. A. (2005). Crítica pedagógica de los sistemas educativos occidentales [Versão electrónica].  Ensaio: aval. pol. públi. Educ..  Rio de Janeiro, V.13, nº 46, 55-66. Acedido em 27 de junho, 2006, em http://www.scielo.br/
Torres Santomé, J. (1995). O Currículo Oculto. Porto: Porto Editora.
Silva, L. M. (2002). Bibliotecas escolares e construção do sucesso educativo. Braga: Universidade do Minho. Centro de Estudos em Educação e Psicologia, Instituto de Educação e Psicologia, (Originariamente, Tese de Doutoramento em Educação apresentada à Universidade do Minho em 1998).
Outras:
Convenção dos Direitos das Crianças (1989). Acedido em 12 Agosto, 2007, em http://www.unicef.pt/artigo.php?mid=18101111&m=2
Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948, publicada em Diário da Republica a 9 de Março de 1978.Lei nº 46/86 – Lei de Bases do Sistema Educativo (1ª LBSE).
Lei nº 49/2005 – Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE).

sexta-feira, 29 de maio de 2015

"As aulas de português são um massacre"

Texto da autoria de Teolinda Gersão, escrito depois de ajudar os netos a estudar Português. Teolinda Gersão é escritora, Professora Catedrática aposentada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova de Lisboa.
"Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete”: “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum, o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento, e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados; almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.
No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa. No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela, subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?
A professora também anda aflita. Pelo visto, no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português, que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo, o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou: a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens, ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.
E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação. O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.
João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática".

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Filmes - estórias de docentes dedicados e inspiradores

Os professores são de uma importância fundamental na formação dos cidadãos. Desde a mais tenra idade, são eles um dos maiores espelhos das nossas crianças, em conjunto com seus pais.
Apresentamos uma lista infra de uma seleção de 14 filmes inspiradores que contam histórias de docentes dedicados e que tratam da importância da educação com a dignidade e o respeito que ela merece.


1. Ao Mestre com Carinho

Mark Thackeray é um engenheiro desempregado que decide dar aulas no bairro operário de East End, em Londres. O novo professor tem que enfrentar uma turma cheia de alunos desinteressados e indisciplinados, que fazem de tudo para que ele desista de sua missão de ensinar. Mesmo assim, o professor consegue resultados importantes. Ao receber um convite para voltar para a engenharia, Mark tem de decidir se continua ou não no magistério.


Direção: James Clavell

Duração: 105 min

Ano: 1967

País: Inglaterra




2. O Clube dos Poetas Mortos

Em 1959, o novo professor de literatura de uma escola preparatória tradicional (interpretado por Robin Williams) entra em choque com a rígida direção do colégio por causa de seus métodos pouco comuns, que estimulam os alunos a pensarem por si mesmos e a perseguirem suas paixões individuais. O filme foi vencedor do prêmio de Melhor Roteiro Original no Oscar 1990.



Direção: Peter Weir

Duração: 128 min

Ano: 1989

País: Estados Unidos




3. Meu Mestre, Minha Vida

O professor Joe Clark é convidado a assumir o cargo de diretor em uma escola de Nova Jersey, marcada por casos de disputas entre gangues e tráfico de drogas. Autoritário, o docente decide fazer uma verdadeira revolução no colégio, que é considerado um “caldeirão de violência”. Com seu método nada ortodoxo, ganha alguns admiradores, mas também muitos inimigos.


Direção: John G. Avildsen

Duração: 104 min

Ano: 1989

País: Estados Unidos




4. Mr. Holland: Adorável Professor

Para ter mais dinheiro e poder se dedicar a compor uma sinfonia, um músico decide começar a dar aulas. Ele é obrigado a encarar o desinteresse dos alunos pela música, e as coisas se complicam quando sua esposa dá à luz uma criança surda. Para conseguir pagar os estudos e o tratamento médico do filho, o professor se envolve cada vez mais com a escola e acaba deixando de lado seu sonho de se tornar um grande compositor.


Direção: Stephen Herek

Duração: 140 min

Ano: 1995

País: Estados Unidos




5. O Clube do Imperador

William Hundert é professor de uma escola preparatória para rapazes que recebe como alunos a nata da sociedade americana. Lá, Hundert dá lições de moral, por meio do estudo de filósofos gregos e romanos. Com a chegada do rebelde filho de um senador, que questiona a importância das aulas de Hundert, o professor vê sua rotina perturbada. Apesar da rebeldia, o docente tenta aprender a lidar com o estudante.


Direção: Michael Hoffman

Duração: 109 min

Ano: 2002

País: Estados Unidos


6. Escritores da Liberdade

Uma professora tenta combater um sistema deficiente e fazer com que a sala de aula faça a diferença na vida de seus alunos, criados em meio à violência e à agressividade. Por meio de diários, os adolescentes escrevem suas histórias e têm a chance de ter uma voz própria. O longa foi inspirado em eventos reais, relatados pela professora Erin Gruwell e seus alunos no livro “O Diário dos Escritores da Liberdade”.


Direção: Richard LaGravenese

Duração: 123 min

Ano: 2007

País: Estados Unidos


7. Entre os Muros da Escola

Baseado em livro homónimo, o filme mostra as experiências do professor de literatura François Marin em uma escola de Ensino Médio, localizada na periferia de Paris. O docente tenta estimular os estudantes, mesmo tendo que lidar com o descaso dos alunos. A obra foi indicada ao Óscar 2009 de Melhor Filme Estrangeiro e ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008.


Direção: Laurent Cantet

Duração: 128 min

Ano: 2007

País: França




8. O Sorriso de Mona Lisa

O filme conta a história de uma recém-graduada professora, interpretada por Julia Roberts, que consegue emprego em um tradicional colégio feminino para lecionar história da arte. Incomodada com o conservadorismo do colégio, que educa as melhores e mais brilhantes jovens mulheres do Estados Unidos para serem esposas cultas e respeitáveis mães, ela decide lutar contra as normas e inspirar suas alunas a enfrentarem os desafios da vida.


Direção: Mike Newell

Duração: 117 min

Ano: 2003

País: Estados Unidos




9. Mentes Perigosas 

Uma ex-oficial da marinha abandona a vida militar para ser professora de inglês. Só que logo na primeira escola em que começa a lecionar, ela vai se deparar com diversas barreiras. Sendo um colégio de negros, latinos, e na maioria de pessoas pobres, ela terá que lidar com a rebeldia dos alunos. Como a professora Louanne Johnson não consegue através de métodos convencionais a atenção da sua classe, ela parte para outra forma de ensino. Passa a dar aulas com karaté e músicas de Bob Dylan, tentando ajudar a turma através de métodos pouco convencionais.


Direção: John N. Smith

Duração: 99 min

Ano: 1995

País: Estados Unidos




10. A Onda

Em uma escola da Alemanha, alunos tem de escolher entre duas disciplinas eletivas, uma sobre anarquia e a outra sobre autocracia. O professor Rainer Wenger é colocado para dar aulas sobre autocracia, mesmo sendo contra sua vontade. Após alguns minutos da primeira aula, ele decide, para exemplificar melhor aos alunos, formar um governo fascista dentro da sala de aula. Eles dão o nome de “A Onda” ao movimento, e escolhem um uniforme e até mesmo uma saudação. Só que o professor acaba perdendo o controle da situação, e os alunos começam a propagar “A Onda” pela cidade, tornando o projeto da escola um movimento real. Quando as coisas começam a ficar sérias e fanáticas demais, Wenger tenta acabar com “A Onda”, mas aí já é tarde demais.


Direção: Dennis Gansel

Duração: 107 min

Ano: 2008

País: Alemanha




11. Encontrando Forrester

Jamal Wallace é um jovem adolescente que ganha uma bolsa de estudos em uma escola de elite de Manhattan, devido ao seu desempenho nos testes de seu antigo colégio no Bronx e também por jogar muito bem basquete. Após uma aposta com seus amigos, ele conhece ele conhece William Forrester, um talentoso e recluso escritor com quem desenvolve uma profunda amizade. Percebendo talento para a escrita em Jamal, Forrester procura incentivá-lo para seguir este caminho, mas termina recebendo de Jamal algumas boas lições de vida.


Direção: Gus Van Sant

Duração: 136 min

Ano: 2000

País: Estados Unidos




12. Génio Indomável

Em Boston, um jovem de 20 anos que já teve algumas passagens pela polícia e servente de uma universidade, revela-se um gênio em matemática e, por determinação legal, precisa fazer terapia, mas nada funciona, pois ele debocha de todos os analistas, até se identificar com um deles.


Direção: Gus Van Sant

Duração: 126 min

Ano: 1997

País: Estados Unidos




13. Favores em cadeia

Eugene Simonet, um professor de Estudos Sociais, faz um desafio aos seus alunos em uma de suas aulas: que eles criem algo que possa mudar o mundo. Trevor McKinney, um de seus alunos e incentivado pelo desafio do professor, cria um novo jogo, chamado “pay it forward”, em que a cada favor que recebe você retribui a três outras pessoas. Surpreendentemente, a idéia funciona, ajudando o próprio Eugene a se desvencilhar de segredos do passado e também a mãe de Trevor, Arlene, a encontrar um novo sentido em sua vida.

Direção: Mimi Leder

Duração: 123 min

Ano: 2000

País: Estados Unidos




14. Escola de Rock

Dewey Finn é um músico que acaba de ser demitido de sua banda. Cheio de dívidas para pagar e sem ter o que fazer, ele aceita dar aulas como professor substituto em uma escola particular de disciplina rígida. Logo Dewey se torna um exemplo para seus alunos, sendo que alguns deles se juntam ao professor para montar uma banda local, sem o conhecimento de seus pais.


Direção: Richard Linklater

Duração: 108 min

Ano: 2003

País: Estados Unidos



Retirado e adaptado do Blogue da Editora Contexto

sábado, 16 de maio de 2015

Re(visitar) o "Elogio da Transmissão..."


Em 2007 publiquei aqui esta recensão crítica ao livro infra "Elogio da Transmissão"  pela professora Doutora Maria Helena Damião da FPCE da Universidade de Coimbra e Conselheira do Conselho Nacional de Educação. Um texto e um livro que vale a pena (re)ler.

Elogio da Transmissão: O Professor e o Aluno
George Steiner & Cecile Ladjali
Lisboa: Dom Quixote, 2005



Cécile Ladjali é uma escritora e professora ainda jovem, que tem leccionado francês em escolas suburbanas e multiétnicas da grande Paris, onde, em geral, ninguém deseja ser colocado; George Steiner é um crítico literário e filósofo, professor em universidades com prestígio – Oxford, Harvard, Cambridge. Ladjali, ao que parece, contacta entusiasmada com os seus inquietos alunos adolescentes, quase todos socialmente desfavorecidos; Steiner, define-se como um leitor solitário, não sendo difícil imaginá-lo, de lápis na mão, em diálogo com os clássicos, contactando esporadicamente com estudantes de elite e outros intelectuais de estatura internacional.

O que levou, então, estas duas pessoas que se movimentam em universos tão distintos, a publicar em conjunto, em meados de 2003, um livro subordinado ao título Éloge de la transmission: le maître et l’elève? A resposta é muito simples: ambos pensam que a missão fundamental de quem ensina é ajudar os alunos a pensarem por si próprios, sendo, para isso, necessário, entre outras coisas, que contactem com a literatura e se iniciem na criação literária.
Um incauto dirá que esta preocupação nada tem de extraordinário: não é aceitável como, até, louvável. Mas tem e não é uma eventualidade do presente. Para não recuarmos muito no tempo, situamos nas décadas de sessenta e setenta e seguintes a polémica que rodeia essa preocupação, a saber: devemos concentrar-nos no contexto vivencial dos alunos para delinearmos o curriculum, que deve estar de acordo com esse contexto, de modo que os alunos venham a integrar-se nele? Ou devemos partir do princípio que os alunos podem interessar-se por outros contextos além do seu, devendo o curriculum ser delineado em função daquilo que intrinsecamente possui um valor real para o desenvolvimento da humanidade e de cada pessoa?

Ao contrário da primeira, esta segunda alternativa assenta no pressuposto de que os conteúdos a ensinar não têm todos o mesmo valor: uns valem mais que outros. Nega, claro está, o relativismo cultural, tão acarinhado pelas correntes pós-modernas, relativismo que, na óptica de muitos, prevalece nos actuais sistemas educativos ocidentais com consequências devastadoras para as novas gerações, sobretudo para os sujeitos mais desfavorecidos sob o ponto de vista social, porquanto ficam praticamente impossibilitados de contactar com o que se entende não ser “da sua cultura” e, em consequência, num plano agravado de desigualdade de oportunidades, no que concerne tanto ao seu percurso escolar, como aos seus percursos pessoal e profissional.
Arriscando-se a serem considerados elitistas (pois quando se trata de populações das periferias e - muito importante - pobres, é comum evocar-se, como salienta Fernando Savater, o “respeito pelas origens”, só sendo lícito ensinar no estreito quadro dessas origens), Steiner e Ladjali afirmam claramente a sua posição: conviver desde cedo com Flaubert, Bruno, Goethe, Proust ou Wilde proporciona a alegria de aprender e de criar. E é essencialmente deste assunto que falam no presente livro que as Publicações Dom Quixote, em boa hora, decidiu publicar entre nós, em 2005.

Passemos, então, à apresentação: esta é uma obra de reduzidas dimensões (tem pouco mais de cem páginas), mas, não obstante, expõe e discute profundamente, numa escrita apelativa que prima pela clareza, ideias e práticas educativas, numa conjugação pouco comum. Após um prefácio, em forma de diário, redigido por Ladjali, o livro completa-se com diálogos, ou entrevistas, entre os autores, ocorridas no programa de rádio France Culture. São sete esses diálogos: Elogio da dificuldade, Criar na escola, Gramática, O professor, Os mestres, Os clássicos e Na turma.

Logo nas primeiras páginas, somos informados que a professora Ladjali, além de proporcionar leituras que os seus alunos do secundário provavelmente nunca fariam se não andassem na escola – eis uma mais valia da escola –, levou muitos deles (não todos) a escrever sonetos e uma peça de teatro. Os trabalhos, que as figuras ilustram, foram dignamente apresentados ao público: os sonetos em forma de livro, Murmures, com um prefácio de Steiner; a peça, Tohu-Bohu, encenada e representada.

Ficamos também a saber que todo este trabalho foi realizado num clima de grande exigência e esforço, de muitos ensaios e correcções, de grande investimento e alguns desapontamentos, de optimismo doseado com algum cepticismo, mas também de muitos livros distribuídos e alguns perdidos. Este é o risco que se corre quando se fazem, indiscriminadamente, empréstimos de livros, mas é nele que assenta a primeira abordagem metodológica de Ladjali: advogando a imprescindibilidade de "ler muito para escrever", para “entrar no jogo da escrita”, enche malas de livros que leva para as aulas, de modo que os alunos façam escolhas de acordo com as suas capacidades e interesses. Não pode dizer-se, portanto, que estejamos perante uma abordagem pedagógica impositiva, igualitária, cega em relação aos destinatários; pelo contrário, parte deles, centra-se neles, mas com o fito de os conduzir a um outro estádio de desenvolvimento, de lhes proporcionar outros horizontes. A professora, recusa, portanto, o destino ditado pela condição social, ao mesmo tempo que afirma a sua crença numa escola libertadora; ao defender que “os alunos merecem tudo menos a indiferença”, assume uma postura revolucionária, que muitos confundirão com conservadorismo.

Voltando a atenção para Steiner. Ainda que o leitor não encontre neste livro ideias novas, retomará aquelas que, de uma forma brilhante, o autor já expôs em vários dos seus livros e que proporciona uma reflexão sobre práticas pedagógicas. Numa altura em que tanto se elogia essa reflexão, da qual não raras vezes redunda o vazio, a abordagem deste filósofo, ao facultar referenciais de análise, imprime-lhe sentido e consistência. E isto acontece mesmo quando se trata dos dilemas essenciais com os quais os educadores mais atreitos a pensar nos seus desígnios da sua profissão se confrontam: pode a sua acção contrariar a barbárie, o declínio e morte da civilização, o vazio gnoseológico e axiológico ou, tragicamente, isso estará fora do seu alcance, como a história já pareceu provar por diversas vezes?

Quando o livro veio a lume, críticos de várias nacionalidades, nomeadamente, franceses, espanhóis e portugueses, sublinharam que ele consubstanciava um rebelo contra a pedagogia e os seus mentores, inimigos da memorização, da repetição e, em última instância, da “esperança” que Steiner advoga ser pertença de todo o aluno. Subjacente a estas intervenções encontra-se a ideia, lamentavelmente ainda muito corrente, que a pedagogia desvaloriza o saber, sobretudo o saber clássico, erudito, universal, com base na justificação de que a sua transmissão constitui um mecanismo de reprodução social. Trata-se de um equívoco que vale a pena esclarecer: a pedagogia, como ciência, não pode deixar de valorizar o saber e, portanto, uma das grandes preocupações de quem nela labora é, ou deve ser, a sua transmissão.

Em suma, trata-se de um livro admirável, que dá conta duma experiência educativa concreta, pensamos que pouco comum, e que, por isso mesmo, mereceria um estudo pormenorizado, desafio que a ilustre Sorbonne declinou, alegando que “não se preocupava com a pedagogia”. Eis uma atitude que, por amor aos clássicos, mais cedo ou mais tarde, a universidade terá de rever.

Publicada originalmente em De Rerum Natura