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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O valor de Educar

Inserida no ciclo de conferências infra mencionadas no post anterior "Questões-chave sobre ducação", destaco a conferência já realizada "O valor de Educar" (Out.2010). Neste debate sobre educação, emergiram temas como a crise no ensino, o insucesso escolar, o papel da criança e do professor, a função da escola e a participação da família na vida escolar. Foi uma conferência onde se procurou reflectir sobre algumas questões de filosofia da educação e do discurso pedagógico contemporâneo:
Fernando Savater, conhecido filósofo espanhol, falou sobre a importância da educação cívica numa sociedade democrática e sobre a relevância do conhecimento para a liberdade dos cidadãos.
Ricardo Moreno Castillo discutiu o discurso pedagógico contemporâneo em Espanha e suas repercussões nas práticas escolares, tendo por base uma análise da realidade espanhola e adoptando, por um lado, uma visão filosófica e, por outro, uma visão decorrente da sua actividade como professor no país vizinho.
Nuno Crato questionou algumas das ideias dominantes sobre educação em Portugal, discutindo a sua pertinência, atualidade e validade no contexto escolar.

O Valor de Educar. Vale a pena (Re)visitar excerto no vídeo infra:

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Inquietações Pedagógicas


Creo que tenemos que hacer depender la vida de nuestro trabajo, de la acción de nuestras manos, de nuestros compromiso, de nuestra generosidad. Nosotros tenemos que sacarnos las castañas de el fuego.

No hay más garante de que se respete la ética que el compromiso y el consenso creado por todos de que vamos a mantener un respeto escrupuloso a las personas, sea cual sea su raza, sexo, cultura, credo y condición. Tenemos que vivir, con salidaridad, equidad y respeto en una sociedad democrática integrada por ciudadanos y ciudadanas que tienen iguales derechos e iguales oportunidades. La base de ese planteamiento es la dignidad que nos reconocemos unos a otros por el simple hecho de tener la condición humana.

Miguel Ángel Santos Guerra, 16.8.2008

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Blogosfera, tristemente, só o lado mau...

Não consegui colocar aqui o vídeo, mas fica o link:

Minh’Alma ficou estarrecida. Será que ninguém consegue ver as coisas boas dos blogs? É tudo mau na blogosfera? Todos os blogs «São mundos de devassa e violentação» (Moita flores). Tem a certeza do que está a afirmar, meu caro amigo??? Olhe que não, olhe que não!
Deste debate ficou a ideia de que, aparentemente, todos os bloggers não passam de uns devassos, uns caluniadores… que só espalham verrina, veneno, difamação, injúria, devassa da vida privada…
Que vergonha!!!
E que tal encetarem uma investigação de blogs que prestam serviço público e espalham o BEM? Fica o desafio Srs. Jornalistas!!!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Educação, uma necessidade da vida

John Dewey, um nome incontornável na História da Educação. Deixo-vos um excerto de uma obra de referência do autor. Uma obra que toca a esfera da educação de um modo peculiar conjugando o verbo no plural no que toca aos intervenientes e responsáveis em questões de Educação. Para professores, investigadores, políticos e demais decisores no campo educativo, pais e todos os cidadãos comprometidos.

Democracia e Educação
John Dewey

Cap. 1. A educação como uma necessidade da vida

1. A renovação da vida por transmissão. A distinção mais notável entre seres vivos e seres inanimados é que os primeiros se mantêm por renovação. Quando se bate numa pedra, esta oferece resistência. Se esta resistência for maior que a força com que se bate, a pedra não se altera minimamente. Caso contrário, ela é partida em pequenos bocados. Uma pedra nunca tenta reagir de tal forma que se possa manter inalterável contra a pressão que sofre ao ser batida, e muito menos ainda de forma a contribuir para a acção de que é alvo. Os seres vivos no entanto, podem ser facilmente esmagados por uma força superior, mas tentam apesar disso transformar a energia que actua contra eles num meio de prolongar a sua própria existência. Se não o conseguirem, não ficam partidos em bocados mais pequenos (pelo menos nas formas de vida superiores), mas perdem a sua identidade como um ser vivo.

Enquanto resiste, o ser vivo luta de forma a utilizar as energias circundantes em seu próprio proveito. Ele utiliza a luz, o ar, a humidade e as substâncias que compõem o solo. Afirmar que o ser vivo as utiliza é dizer que as transforma em meios da sua própria conservação. Enquanto está em fase de crescimento, a energia dispendida nesta transformação do ambiente é largamente compensada por aquilo que o ser vivo obtém em troca: o seu crescimento. Se se entender a palavra controlo neste sentido, poder-se-á dizer que um ser vivo é aquele que, a fim de conseguir manter as suas próprias actividades de uma forma continuada, subjuga e controla estas energias que de outro modo seriam desperdiçadas. A vida é um processo de auto renovação através de acções exercidas sobre o meio ambiente.

Quaisquer que sejam as formas de vida superiores, este processo não se pode manter indefinidamente. Após algum tempo sucumbem; e morrem. Um ser não é definido pela tarefa de se renovar indefinidamente. Mas a continuidade do processo de vida não depende do prolongamento da existência de um qualquer indivíduo. A reprodução de outras formas de vida prossegue numa sequência contínua. E apesar de, como se constata através dos registos geológicos, não serem apenas os indivíduos que morrem mas espécies inteiras que desaparecem, o processo de vida continua em seres de complexidade sempre crescente. À medida que algumas espécies de vida morrem, outras formas melhor adaptadas para utilizarem os próprios obstáculos contra os quais as primeiras lutaram em vão, aparecem. A continuidade de vida significa uma readaptação contínua do meio ambiente às necessidades dos organismos vivos.

Temos estado a falar de vida no sentido mais pobre do termo - uma coisa física. Mas utilizamos a palavra vida num sentido mais amplo para designar todo o conjunto de experiências, individuais e raciais. Quando pegamos num livro chamado A Vida de Lincoln não estamos à espera de encontrar no seu interior um tratado de psicologia. Procuramos os seus antecedentes sociais; uma descrição do ambiente onde vivia na sua juventude, as condições de vida e ocupação dos seus familiares; dos episódios mais relevantes no desenvolvimento do seu carácter; dos seus insucessos e sucessos mais marcantes, das suas esperanças, preferências, alegrias e sofrimentos. Do mesmo modo falamos da vida de uma tribo selvagem, do povo Ateniense, da nação Americana. A palavra Vida refere-se aos costumes, instituições, crenças, vitórias e derrotas, divertimentos e ocupações.

Utilizamos a palavra experiência com a mesma riqueza de sentido. Quer neste caso, quer relativamente à palavra vida no sentido psicológico estrito, é aplicado o princípio da continuidade através da renovação. No caso dos seres humanos, a par da existência da renovação física, processa-se a renovação das crenças, ideais, esperanças, alegrias, misérias e hábitos. A continuidade de qualquer experiência, processada através da renovação do grupo social, é um facto. A educação, no seu sentido mais lato, é o meio através do qual se verifica esta continuidade de vida social. Todos os elementos que constituem um grupo social, tanto numa cidade moderna como numa tribo selvagem, nascem imaturos, carentes de ajuda, não possuindo qualquer tipo de linguagem, convicções, ideias, ou padrões sociais. Cada indivíduo, cada unidade portadora da experiência de vida do grupo a que pertence, com o tempo desaparece. No entanto a vida do grupo continua.

Os factos inevitáveis do nascimento e da morte de cada indivíduo num grupo social, determinam a necessidade de educação. Por um lado, existe o contraste entre a imaturidade dos elementos recém nascidos do grupo - seus únicos representantes futuros - e a maturidade dos elementos adultos possuidores do conhecimento e costumes do grupo. Por outro lado, existe a necessidade de que estes elementos imaturos do grupo não sejam apenas fisicamente preservados em número adequado, mas que sejam iniciados nos interesses, propósitos, informação, aptidões, e práticas dos membros adultos: de outro modo o grupo perde a sua vida característica. Mesmo numa tribo selvagem, as competências dos adultos estão muito longe daquilo que os elementos imaturos serão capazes de conseguir se entregues a si próprios. À medida que aumenta o grau de civilização aumenta também o desfasamento entre as capacidades iniciais dos elementos imaturos e os padrões e costumes dos idosos. O simples desenvolvimento físico, o simples controlo das necessidades básicas de subsistência não são suficientes para reproduzir a vida do grupo. É necessário haver um esforço deliberado e a tomada de medidas ponderadas de modo que os seres que ao nasceram não têm consciência, sendo mesmo indiferentes, dos objectivos e hábitos do grupo social, tomem disso conhecimento e se tornem activamente interessados. A educação, e apenas a educação, pode resolver o problema.

À semelhança do que se passa com a vida biológica, a existência da sociedade é devida a um processo de transmissão. É através da comunicação de hábitos de fazer, construir e sentir, por parte dos mais velhos para os mais novos que esta transmissão se processa. Se não acontecer esta comunicação dos ideais, esperanças, expectativas, padrões e opiniões daqueles que mais depressa irão desaparecer do grupo dos vivos para aqueles que começam a fazer parte deste, então a vida social não sobrevive. Numa sociedade composta por elementos que vivessem continuamente, a tarefa de educar seria meramente movida por interesses pessoais e não por uma necessidade social. Assim, educar é de facto uma tarefa que decorre da necessidade.

Se uma praga matasse todos os membros de uma sociedade de uma só vez, é óbvio que este grupo desapareceria para sempre. No entanto, a morte de cada um dos elementos constituintes de uma sociedade é sempre absolutamente certa, mas o desfasamento de idades e o facto de alguns elementos nascerem enquanto outros morrem, torna possível a constante renovação do tecido social através da transmissão de ideias e práticas. No entanto esta renovação não é automática. A menos que sejam tomadas medidas de forma a verificar que se processa uma transmissão genuína e completa, qualquer grupo por mais civilizado que seja, regressa à barbárie e seguidamente ao estado selvagem. De facto os jovens humanos são de tal modo imaturos que se fossem abandonados a si próprios sem a orientação e ajuda de outros poderiam nem adquirir as competências rudimentares necessárias à própria existência física. A eficácia original dos jovens humanos quando comparada com a de outras espécies animais mais baixas é tão pobre que nem mesmo são capazes de conseguir sustento físico sem ajuda. Quanto mais, então, neste caso relativamente às competências técnicas, artísticas, cientificas e morais da humanidade.

Referência bibliográfica:

Dewey, J. (1916). Democracy and Education.

Notas: A seu tempo irei postando aqui mais alguns excertos desta grande obra. Ensinaram-me que não é correcto dizer tradução, mas sim Adaptação para a Língua Portuguesa. Então é isso, aqui ficam excertos da obra adaptada à língua da nossa pátria.
Os negritos, são meus.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Humor Educacional

Em véspera de comemoração de Valores Universais que a Humanidade conquistou, como a Democracia, a Liberdade... aqui fica um pouco de humor para preparar o acontecimento que merece ser comemorado e, particularmente, transmitido às novas gerações. Para os mais novos e para começar, importa conhecer o significado de expressões como “A revolução dos cravos”.
Amanhã voltarei aqui com mais algumas dicas sobre este grande acontecimento para a História de Portugal, o "25 de Abril de 1974", também conhecido como o "Dia da Liberdade" ou a "Revolução dos Cravos". Tenho algumas lembranças da altura, mas a tenra idade não me permitiam perceber, com clareza, o significado das movimentações que se agitavam um pouco por todo o país, inclusive na minha terra Natal, no mais recatado recôndito do Alentejo.

(clique na imagem para ler)

sexta-feira, 14 de março de 2008

Grande desconcerto educativo

(clique na imagem para ler) © Jorge Delmar

Que estranha forma de Democracia! Lindas medidas, sim, senhora!!!

Nivelar por baixo hem? Não deveria ser ao contrário? Ou seja, puxar ao limite de capacidades e fazer desabrochar novas capacidades e competências em alunos que, não sendo na escola, não têm outra oportunidade de ter acesso ao ensino artístico e a outras expressões da cultura?

A escola tem a responsabilidade de criar igualdade de oportunidades aos alunos de condições inferiores favorecendo e estimulando de igual modo o contacto com o saber mais erudito, as necessidades de estética, de beleza… que não entram em casa por razões óbvias.

Os curricula, não lhe têm dado o lugar que merece e, a escola pouco tem feito para contrariar esta tendência… mas se o não fizermos, podemos estar a impedir que algumas crianças cheguem a determinadas aprendizagens de carácter mais erudito, que apesar de não estarem de acordo com a sua condição de nascença, podem ser a sua “vocação”. A situação agrava-se com as recentes medidas de reformar os Conservatórios e entregar uma boa parte das suas competências às escolas básicas. Deste modo, "diminuem as possibilidades de os alunos entre os seis e os quinze anos, ou seja, no período de vida mais adequado para a aprendizagem da música terem acesso, no ensino oficial, ao acompanhamento, à exigência e à dignidade pedagógica que essa aprendizagem requer.
E porquê? Porque as escolas básicas não têm nem se prevê que venham a ter num futuro próximo, condições logísticas para assumirem essa responsabilidade, porque a preparação dos professores que leccionam música tem lacunas graves, porque as condições em que estes professores trabalham são degradantes, porque as turmas têm vinte alunos ou mais, porque as escolas não dispõem de espaços adequados nem de instrumentos musicais… Porque, enfim, no nosso país, apesar da retórica da tutela, a música não foi no passado, nem é no presente encarada como uma área fundamental de aprendizagem formal, ainda que a investigação científica nos diga que é, ainda que a tradição educativa ocidental a justifique, ainda que seja obrigação moral da Escola transmitir a herança civilizacional e cultural às novas gerações." (Damião, 2008)
Referência:

quarta-feira, 12 de março de 2008

Sinais preocupantes...


Olhe que deve... caso contrário vai cair no precipício... e vai conduzir ao abismo o futuro da educação, das nossas crianças e jovens e, consequentemente, o futuro da sociedade. Haverá consciência que suporte tamanha barbárie?

terça-feira, 11 de março de 2008

Curiosidades...


Na foto, a gritar de indignação, Fernanda Tadeu, mulher de António Costa, actual Presidente da Câmara de Lisboa e antigo número dois do Governo liderado por José Sócrates. Fernanda Tadeu é Educadora de Infância numa escola do concelho de Sintra e também está descontente com as Políticas Educativas deste Governo.

Foto da Marcha da Indignação dos Educadores/Professores de 8.3.2008, colhida no blog: Fotografia, Sempre!

domingo, 9 de março de 2008

A DEMOCRACIA é um VALOR ABSOLUTO!


© Bandeira


Em Madagáscar, NÃO... foi em LISBOA, hoje! Um mar de gente encheu a Avenida da Liberdade, do Marquês de Pombal ao Rossio e deste rumo à Praça do Comércio. Não há memória, em mais de 30 anos de Democaracia, de um acontecimento estrondoso que tenha reunido tantos Professores... cerca de 100 000! Espantoso!!! Mais de 2/3 dos Professores Portugueses pedem uma mudança de Políticas Educativas.


Tenhamos esperança... a educação há-de tomar um novo rumo!


Fernando Savater e Hannah Arendt disseram exactamente isso. Temos a obrigação de sermos optimistas...

O melhor presente no dia da mulher (8 de Março)

Espantoso!!!

Ainda estou atónita e emocionada... pela entrega do presente mais colegial... 100 000 negas :)

100 000 mil professores na marcha da indignação...

REABERTURA...



Fotos: fenprof

No Expresso podem ser lidas as últimas actualizações da Lusa sobre a Crise na Educação em Portugal

Ver também Vídeo RTP 1 (ontem, 8.3.2008, durante a manifestação)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

"Escola Pública pela Igualdade e Democracia"

LANÇAMENTO DO MOVIMENTO "ESCOLA PÚBLICA PELA IGUALDADE E DEMOCRACIA"

COM DEBATE

"ESCOLA: PARTICIPAÇÃO E DEMOCRACIA"
E QUE DIZER DO MODELO DE GESTÃO DAS ESCOLAS PROPOSTO PELO GOVERNO?
SÁBADO, DIA 9 DE FEVEREIRO, 16H, ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL
(Rua da Misericórdia, nº95, Bairro Alto-Lisboa)

ORADORES CONFIRMADOS:

ANA BENAVENTE
(Investigadora em Educação)
SÉRGIO NIZA
(Movimento Escola Moderna)
LUIZA CORTESÃO
(Professora Catedrática jubilada da Universidade do Porto, Presidente da direcção do Instituto Paulo Freire)

O manifesto "Escola Pública pela Igualdade e democracia" já está online neste endereço:

http://www.PetitionOnline.com/mudar123/petition.html

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O Grande Irmão está a ver-te

Depois de terminarmos o ano civil de 2007 e entrarmos ao mesmo ritmo no de 2008 atafulhados da já habitual panóplia de documentos legislativos e afins, com indigestíveis medidas e orientações provenientes da Tutela da Educação, talvez seja oportuno um momento de reflexão.
O povo diz que a história se repete. Terá o seu quê de verdade. Vejamos uma análise mais realista do que pessimista: o BIG BROTHER a que George Orwell alude no seu livro “1984” passou a fazer parte da vulgaridade quotidiana, das nossas escolas, mas não só. Já aqui falámos anteriormente da videovigilância que está em crescente apoteose. E ao que parece, a maioria dos cidadãos, bate palmas. Coisa estranha!
E a instituição da Avaliação de Desempenho Docente, na modalidade em que vai ser implementada, não será um controlo desmedido, irrealístico, punitivo? Em que dignifica a classe docente ou o ensino? Que benefícios poderá trazer para a melhoria do desempenho profissional? Ou para o sucesso dos alunos? Sinceramente, não os consigo vislumbrar… pode ser que daqui a uns tempos mude de opinião… Eis a minha esperança!

Não tenho qualquer dúvida que a Avaliação do Desempenho Docente é uma necessidade e remeto para leituras já aqui afixadas anteriormente Avaliação do desempenho docente I e Avaliação do desempenho docente II, que apresentam propostas muito mais coerentes e equitativas do que as impostas pela Tutela.

Deixo-vos com um excerto de uma das melhores alegorias de todos os tempos criada para criticar uma fase dura que marcou a história mundial – “1984”. Ela é a antípoda de todos os anseios democráticos.


«Lá em baixo, na rua, o vento sacudia o cartaz descolado, e a palavra aparecia e desaparecia caprichosamente. ENGSOC. Os princípios sagrados do ENGSOC. Novilíngua, duplopensar, a mutabilidade do passado. Winston sentiu-se como se errasse pelas florestas do fundo do mar, perdido num mundo em que o monstro era ele próprio. Estava só. O passado estava morto, o futuro afigurava-se inimaginável. Que certeza podia ter de que um único ser humano hoje vivo estivesse do seu lado? E como saber se o domínio do Partido não duraria para sempre? À guisa de resposta, vieram-lhe ao espírito as três palavras de ordem inscritas na fachada branca do Ministério da Verdade:
GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA.

Tirou do bolso uma moeda de vinte e cinco cêntimos. Também aí, em pequenas letras nítidas, estavam inscritas as mesmas palavras de ordem e, na outra face, a efígie do Grande Irmão. Até na moeda os olhos perseguiam uma pessoa. Nas moedas, nos selos, nas capas dos livros, no invólucro dos maços de cigarros – em toda a parte. Sempre aqueles olhos a fitar-nos e aquela voz a envolver-nos. Na vigília ou no sono, a trabalhar ou a comer, em casa ou na rua, no banho ou na cama - não havia fuga possível. Nada nos pertencia, excepto os poucos centímetros cúbicos dentro da nossa cabeça.

O sol avançara no céu, e as inúmeras janelas do Ministério da Verdade, já sem luz a fazê-las brilhar, surgiam soturnas como as seteiras de uma fortaleza. O coração de Winston estremeceu ante a enorme forma piramidal. Era demasiado sólida, não podia ser abalada. Nem mil mísseis a deitariam ao chão. De novo perguntou-se a si mesmo para quem estava a escrever o diário. Para o futuro, para o passado – para uma era provavelmente imaginária. E diante dele erguia-se, não a morte, mas o aniquilamento.»

Extraído de:
Orwell, G. (2007; ed. orig. 1949). Mil novecentos e oitenta e quatro. Lisboa: Edições Antígona. (pp. 32-33).

Ps: Um livro que continua muito actual e que vale a pena (re)ler.

Globalização, Democracia e Terrorismo

A minha sugestão de leitura sobre o tema que dá título a este post e em resposta ao desafio que lancei aos leitores em “Evolução? Globalização? Democracia e Terrorismo”.
Um livro que vale a pena ler. Talvez lá possamos encontrar algumas respostas à reflexão que se interpõe no supracitado post, ou seja: Para onde caminhamos?

Titulo: GLOBALIZAÇÃO, DEMOCRACIA E TERRORISMO
Editora: Editorial Presença
Ano de Edição:
2008
Autor: Eric Hobsbawm

Eric Hobsbawm leccionou no Birkbeck College, em Londres, e na New School for Social Research, em Nova Iorque. É membro da Academia Britânica e da Academia Americana das Ciências e das Artes. Foi agraciado com doutoramentos honoris causa por várias universidades. É um dos mais proeminentes intelectuais do presente e tem uma vasta obra publicada sobre história e política.
Sinopse: A presente colecção de ensaios constitui a tentativa por parte de um historiador, talvez o mais lido na actualidade –, de analisar, compreender e retratar a situação em que o mundo se encontra neste início de um novo milénio. São textos incisivos e actualizados que suscitam a reflexão sobre os temas inspiradores dos maiores debates da actualidade não apenas entre as classes política e académica, mas entre todos nós – os efeitos da globalização, o estado da democracia e a ameaça do terrorismo. Num tempo em que a mudança sofre uma aceleração sem precedentes, o insight histórico de Hobsbawm revela-se vital para a compreensão da nova paisagem do século XXI e das possibilidades de uma nova ordem mundial.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Evolução? Globalização? Democracia e Terrorismo



© Luís Veloso
Reflexão: Para onde caminhamos?
Aqui fica um post aberto aos nossos leitores para dizer de sua justiça (opiniões, ideias, sujestões de leitura: referências a artigos da especialidade, livros, estudos, etc.)

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

No Dia Mundial da PAZ, um Grande Comunicador para a PAZ


Xesús R. Jares,
Professor Catedrático de Didáctica e Organização Escolar na Universidade da Corunha e um amigo. Um apaixonado pela cultura da Paz. Fundador da Nova Escola Galega. Coordenador do Movimento – Educadores pela Paz. Autor de inúmeras publicações, algumas editadas em Língua Portuguesa (alguns títulos de livros do autor). Um grande comunicador da Educação para a Paz em Espanha. Ei-lo aqui numa entrevista sobre o tema "Viver a democracia nas aulas". Vale a pena ler o artigo.
“Numa escola rural da província de Ourense descobre que a maneira mais efectiva de relacionar-se com alunos é criar um ambiente afectivo e de liberdade. Para o educar significa apreciar esta ideia e fazer dela, mais que um princípio pedagógico, uma forma de vida que transcenda a aula e a escola. Considerado como o pai da Educação para a paz, defende uma escola pública, laica e assente nos princípios democráticos e nos valores duma cultura de paz e não violência.”
Referência:
Xesús R. Jares. Entrevista na revista EDUGA, nº 51, setembro-decembro, 2007, pp. 46-51. Entrevista realizada por Gena Borrajo, directora da Revista

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Educar com Esperança e a Esperança de Educar melhor


Título: ESCUELAS PARA LA ESPERANZA,
Una nueva agenda para la renovación
Autor: WRIGLEY, T.
Ano: 2007
Editor: Ediciones MORATA


Terry WRIGLEY é professor na Moray House School of Education da Universidad de Edimburgo, Reino Unido. Tem uma larga experiência como Inspector Escolar. Na actualidade, é também co-director da revista Improving Schools.

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O desejo de melhorar as instituições escolares ocupa um lugar proeminente na ordem do dia dos governos democráticos, naturalmente que no caso português não é excepção. Importa por isso questionarmo-nos sobre o que queremos realmente para as nossas crianças e jovens? Deverá ser uma obsessão a educação = a sucesso escolar, transição, lugar de rendimento alto, por exemplo na área da matemática, das ciências… descuidando outros aspectos da formação integral dos estudantes que se espera sejam socialmente responsáveis, criativos e entusiastas?
As instituições de ensino têm que comprometer-se com questões de cidadania democrática, pensamento crítico, criatividade e comunidade: o pleno êxito, o sucesso educativo em sentido mais amplo vai muito mais além dos resultados dos exames, das pautas de frequência ou das estatísticas. As nossas crianças estão a crescer num mundo conflituoso e globalizado em que as mudanças se produzem com grande rapidez, complexidade e de forma confusa e paradoxal. Necessitamos por isso de instituições educativas nas quais elas se sintam acolhidas, e nelas encontrem modelos, escolas que assumam a esperança de um futuro melhor, nas quais as interacções democráticas sejam a norma, escolas comprometidas com a justiça social.

Este livro é uma rigorosa crítica do movimento da eficácia e da excelência escolar. Baseando-se em investigações sobre o currículo, a aprendizagem, a inteligência, a vida em comunidade, a equidade e a inclusão, oferece novas perspectivas e propostas para o desenvolvimento de instituições escolares democráticas e renovadoras da esperança. Um livro para o qual vale a pena espreitar o seu conteúdo:

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PREFACIO ADICIONAL PARA LA EDICIÓN ESPAÑOLA 11

INTRODUCCIÓN 13
Ampliar los horizontes, 15.-La Escuela es una Casa de Aprendizaje, 17.-Una esperanza fundada, 17.-Resumen de los capítulos, 20.

CRÍTICAS

CAPÍTULO I: La eficacia escolar: El problema del reduccionismo 23
Biología, psicología y educación, 25.- Un ejemplo: La medición de la “inteligencia”, 26.- Eficacia escolar: Un paradigma reduccionista, 26.- Reduccionismo y reacción política, 34.

CAPÍTULO II: La mejora de la escuela: ¿Adónde vamos desde aquí? 38
La mejora de la escuela: Un desarrollo contradictorio, 39.-Liderazgo distribuido, 42.-Comprender las culturas escolares, 45.-Mejora de la escuela, democracia y justicia social, 47.-Avanzar, 52.

DILEMAS

CAPÍTULO III: Compromiso o vigilancia: La ecología del cambio 54
Rendición de cuentas o responsabilidad, 55.-Los pájaros enjaulados no vuelan, 56.-Abrir la jaula, 58.- Modelos de profesionalidad responsable, 62.-Cambiar las concepciones del liderazgo,64.-Liderazgo compartido en el contexto, 66.- Culturas y valores: El ambiente más amplio, 67.

CAPÍTULO IV: ¿La mejora de quién? ¿Las escuelas de quién? 69
La reforma de la escuela comprensiva, 71.-Vender nuestro futuro, 73.-El “mercado” de la elección de escuela, 75.-“Separa a las ovejas de las cabras”, 76.-Educación y pobreza, 79.

APRENDIZAJE

CAPÍTULO V: Elevar las expectativas: Repensar la “inteligencia” 82
Clase, racismo y CI: Una breve historia, 83.-Déficit del lenguaje, 88.-Capital cultural, 90.-Inteligencias múltiples, 91.-Inteligencia distribuida, 92.-Repensar la inteligencia, repensar el aprendizaje, 95.

CAPÍTULO VI: Currículum, clase y cultura 97
“El currículum es una selección de la cultura”, 98.-Currículum, raza y clase social, 101.-Currículum y cultura de la escuela en un mundo cambiante, 104.-El metacurrículum del pensamiento, 108.-En el futuro, 110.-Intensificación o mejora, 112.

CAPÍTULO VII: Pedagogías para mejorar las escuelas 114
Positivismo, inspección e investigación de la eficacia, 116.-¿Mejora la escuela mediante la instrucción “directa”?,118.-Modos de enseñanza, 119.-Patrones de comunicación, 120.-Desarrollar la cognición, 123.-Las inteligencias múltiples en la práctica, 125.-“Aprender es algo que hacemos los niños”, 126.-La mejora escolar: Un nuevo enfoque para el aprendizaje, 127.

CAPÍTULO VIII: Escuelas para los ciudadanos 131
Aprendizaje y enseñanza, 133.-Currículum, 135.-Ethos escolar y derechos humanos, 137.-Implicación de la comunidad, 139.-Identidad personal, poder y desarrollo de la escuela, 140.

COMUNIDADES

CAPÍTULO IX: Comunidades de aprendizaje 142
El problema de los grandes centros escolares, 143.-Escuelas comunitarias, 146.-Los padres como socios, 147.-Las barreras del prejuicio, 149.-Una perspectiva comunitaria sobre el aprendizaje, 135.

CAPÍTULO X: ¿Justicia social o un discurso del déficit? 153
Hacer frente a la pobreza, 155.-Comprender las “necesidades especiales”, 158.-Exclusiones escolares, 161.-El bilingüismo, un activo cultural, 163.-Racismo y refugiados, 170.

FUTUROS

CAPÍTULO X: Escuelas para un futuro 173
Escuelas con esperanza, en las zonas urbanas deprimidas, 174.- Escuelas con esperanza, en un mundo agitado, 177.-Escuelas con esperanza, 179.

BIBLIOGRAFÍA 181
INDICE DE MATERIAS 196
OTRAS OBRAS DE EDICIONES MORATA DE INTERÉS 199