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sábado, 15 de novembro de 2008

"Ensaio Sobre a Cegueira"

Chega agora aos cinemas nacionais a adaptação de "Ensaio Sobre a Cegueira", livro de José Saramago, filme do brasileiro Fernando Meirelles.

O filme conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal "cegueira branca" — assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa — manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença.


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A TURMA

Entre les murs by Laurent Cantet - Cannes 2008 - Golden Palm


A TURMA ("Entre les Murs"), o filme de Laurent Cantet, galardoado com a Palma de Ouro no último Festival de Cannes, estrea hoje em Portugal em 18 salas de todo o país. O filme estreará também em cópia digital, sendo o primeiro filme independente europeu a ter estreia neste formato, graças ao apoio das salas da Zon Lusomundo, New Lineo e Socorama.

Um filme imprescindível no debate sobre a educação, A TURMA teve antestreia no DocLisboa e será o filme de abertura da Festa do Cinema Francês amanhã em Faro, amanhã. Em França, o filme fez já mais de um milhão de espectadores, em Itália, cerca de 150 mil espectadores, na Bélgica também já ultrapassou os 50 mil espectadores e na Suíça mais de 30 mil entradas.

A TURMA estreará em todo o país em 18 salas nas cidades de Lisboa, Porto, Matosinhos, Alfragide, Almada, Aveiro, Cascais, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Figueira da Foz, Leiria, Loures, Paços de Ferreira, Seixal e Sintra.

Baseado num livro de François Bégaudeau, A TURMA segue um ano de um professor e da sua turma numa escola num bairro problemático de Paris, microcosmos da multietnicidade da população francesa, espelho dos contrates multiculturais dos grandes centros urbanos de todo o mundo.
François, professor, e os seus colegas, preparam-se para um novo ano escolar. Cheios de boas intenções, estão decididos a não deixarem que o desencorajamento os impeça de tentar dar a melhor educação aos seus alunos.
Mas as culturas e as atitudes diferentes frequentemente colidem dentro da sala de aula. François insiste num atmosfera de respeito e empenho. Mas a ética da sua sala de aula é posta à prova quando os estudantes começam a desafiar os seus métodos.
O filme é protagonizado pelo professor que escreveu o livro que deu origem ao filme e os actores não-profissionais que compõem a turma de alunos foram escolhidos entre alunos de um liceu francês.

30 Outubro - Grande Estreia Nacional

LISBOA: Amoreiras, Londres, UCI El Corte Inglês - PORTO: UCI Arrábida 20 - MATOSINHOS: Mar Shopping - AVEIRO: Fórum – COIMBRA: Dolce Vita - LEIRIA: Cinema City - CASCAIS: Cascais Shopping - ALFRAGIDE: Alegro - FARO: Fórum Algarve

SEMANA ÚNICA - de 30 de Outubro a 5 de Novembro: ALMADA: Almada Shopping - PAÇOS DE FERREIRA:Ferrara Plaza - FIGUEIRA DA FOZ: Foz Plaza - CASTELO BRANCO: Fórum - SINTRA: Beloura Shopping - LOURES:LouresShopping - SEIXAL: Rio Sul Shopping

O filme estreará posteriormente noutras cidades. Consulte o blog a-turma.blogs.sapo.pt para saber a data e o cinema em que o filme estará em exibição noutras localidades.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Espaço Cultural



Um espaço cultural a visitar. Diria mesmo a frequentar:





Esta companhia de Teatro organiza e exibe, entre outras, peças direccionadas para público-alvo das escolas, crianças, adolescentes e jovens. No site pode consultar o cartaz em exibição na temporada 2008-2009 e os respectivos contactos para marcação.

O TE-ATO está também a desenvolver um iniciativa interessante para Novos Autores que queiram remeter os seus textos para apreciação e possível inclusão na programação da próxima temporada. Para mais informações, consulte o site.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O melhor musical de sempre

[aqui] apresentado em 2007, volto a relembrar, para quem ainda não teve oportunidade de ver, uma excelente sugestão para férias:

«Jesus Cristo Superstar» em Portimão

La Féria apresenta de 1 e 31 de Agosto, com sessões diárias, às 22h00, no pavilhão Arena – Portimão


Jesus Christ Superstar (1973) Heaven On Their Minds (2)




Notas:
(1) Para os interessados, podem aceder à página oficial do musical de La Féria e ler, uma breve sinopse do musical. Podem ainda desfrutar, entre outras coisas, de pequenos excertos em vídeo do respectivo musical.
(2) O vídeo postado é apenas um de uma série que podem encontrar no youtube. Vale a pena.

(Obrigada Renard pelo vídeo)

terça-feira, 24 de junho de 2008

Uma bela Biblioteca Digital

(informação recebida via e-mail)

Alerta: uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, está prestes a ser desactivada por falta de acessos.
Imaginem um lugar onde vocês podem gratuitamente:
�· Ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci;
�· Escutar músicas em MP3 de alta qualidade;
�· Ler obras de Machado de Assis;
�. Ouvir a Divina Comédia;
�· Ter acesso às melhores histórias infantis e vídeos da TV ESCOLA;
�· E muito, muito mais...
Tudo ao alcance de um clique em http://www.dominiopublico.gov.br/

domingo, 15 de junho de 2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

A cultura ao rubro em LISBOA e no PORTO


Não deixe de visitar com os seus filhos a maior Feira do Livro anual realizada em Portugal. Ofereça o melhor presente material aos seus filhos, familiares e amigos - LIVROS.

Na Cidade do Porto a feira decorre no Pavilhão Rosa Mota de 21 de Maio a 10 de Junho.


O AMOR À CULTURA... CULTIVA-SE

sábado, 10 de maio de 2008

Literatura e animação, a harmonia perfeita

Uma delícia esta versão animada do livro infantil de José Saramago A Maior Flor do Mundo. Produzido em 2007, o filme ganhou o prémio de melhor animação do Anchorage Internacional Film Festival e foi nomeado para os Goya de 2008 na categoria de melhor curta-metragem. Saramago é personagem e narrador. Uma bela história!
Como gosto de visualizar animação sem violência e inspiradora de ideais e de esperança...

domingo, 9 de dezembro de 2007

Comunicar as ausências num tempo real

Na pintura "arquitectónica" e nostálgica de Manuel Amado, a ausência do ser humano, a ausência do tempo, são o núcleo central, num caminho coerente mas constantemente renovado e surpreendente.
Está patente ao público uma exposição de pintura do autor no Centro Cultural de Cascais até 20 de Janeiro de 2008.
Vale a pena espreitar um pouco da sua obra e desse toque indizível [aqui].

domingo, 2 de dezembro de 2007

Seminário "Património e Sociedade"

O IPPAR - Instituto Português do Património Arquitéctónico e o MC - Ministério da Cultura promovem:
(a participação neste Seminário é limitada a entidades convidadas)


Local: Pavilhão Atlântico - Parque das Nações, Lisboa, Portugal

Data: 5 e 6 de Dezembro de 2007

Descrição:
No âmbito da Presidência portuguesa da União Europeia realiza-se em Lisboa, a 5 e 6 de Dezembro, o Seminário "Património e Sociedade". Pretende-se com este Seminário estabelecer um fórum de reflexão e debate sobre a dimensão social do património hoje, em que novas responsabilidades na sua gestão e valorização podem ser assumidas como contributos para uma sustentabilidade social e económica.

Programa (formato pdf)

Coisas do século passado…

... mas que também fazem parte da nossa cultura!

E que vale a pena…

…recordar…
…para os nativos nas décadas de 60/70… do século XX

…talvez pela primeira vez ver e escutar…
…para os nativos no dealbar do século XXI


Nota: A qualidade da imagem não é a melhor, mas devem calcular... ainda não viviamos na era digital...

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Jesus Cristo Superstar - Musical

De 3ª a Sábado às 21h30; Sábado e Domingo às 17h00
Teatro Politeama - LISBOA

Após o grande êxito alcançado na cidade do Porto de «Jesus Cristo Superstar» tendo atingindo os cem mil espectadores numa temporada de quatro meses, Filipe La Féria irá estrear no próximo mês de Novembro a célebre opera-rock que foi considerada pela crítica como «o seu melhor espectáculo».

«Jesus Cristo Superstar» é uma nova e surpreendente versão de La Féria do musical de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice, tendo os empresários britânicos dos autores classificado como «a mais moderna e contemporânea encenação de Jesus Cristo Superstar, de uma força, originalidade e beleza plástica que supera todas as antigas versões da mais famosa opera-rock de todos os tempos».
Pela sua música genial e eterna e pelo seu tema imortal, «Jesus Cristo Superstar» é o mais carismático e transversal musical de todos os tempos, interessando todos os públicos em todas as suas classes etárias, culturais e sociais.
Tratando um tema universal e vincadamente actual, «Jesus Cristo Superstar», pela sua força e genialidade, é por si só garante de um êxito sem precedentes em Portugal, ultrapassando o seu cariz religioso e motivando todos os géneros de público, constituindo-se certamente, pela forma sensível e humana com que foi transposto para o palco pela mão de mestre de Filipe La Féria, como um dos zénites da inigualável carreira deste encenador e como um dos marcos culturais do Teatro contemporâneo no nosso país.
Como é habitual no trabalho de Filipe La Féria, «Jesus Cristo Superstar» foi adaptado ao sentir português e revelou um conjunto notável de jovens actores, cantores, bailarinos e músicos, assumindo-se como um acontecimento impar no nosso país, transcendendo os limites do mundo cultural, para se transformar num fenómeno de público.

É pois o maior desafio de Filipe La Féria e a sua mais ambiciosa produção, motivando certamente milhares de espectadores a assistirem ao musical mais belo e emocionante da história da humanidade.
Com um elenco extraordinário de actores, cantores, bailarinos e músicos em que se destaca Gonçalo Salgueiro e David Ventura no papel de Jesus da Nazaré, Laura Rodrigues e Sara Lima em Maria Madalena, Pedro Bargado em Judas Iscariotes, Hugo Rendas em Herodes, Bruno Galvão em Pôncio Pilatos, à frente de 54 intérpretes que levam ao rubro o público no espectáculo que a critica considerou o Melhor Espectáculo de sempre de Filipe La Féria.

Canção de Judas


sábado, 27 de outubro de 2007

Sexo e Arte, uma relação para a eternidade



O Departamento de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa organizou um Colóquio sobre a temática “A Sexualidade no Mundo Antigo”, que decorreu, nas mesmas instalações, entre 24 e 26 de Outubro de 2007. A iniciativa reuniu investigadores da Universidade Católica e das Universidades do Minho, Porto, Coimbra e Lisboa (UL e UNL).
Aqui ficam algumas notas sobre as perspectivas de alguns conferencistas convidados.


Sexo e Arte
Há três mil anos havia menos tabus?

Por, Alexandra Prado Coelho, In Público, 26.10.2007

Uma exposição em Londres e um debate em Lisboa servem de pretexto para discutir a sexualidade na Antiguidade e tentar perceber o que aconteceu entre os frescos de Pompeia e os quadros de Jeff Koons com Cicciolina

Estava-se no final do século XVIII e o Museu Nacional Arqueológico de Nápoles não sabia o que fazer aos objectos com imagens sexualmente explícitas - e eram muitos - que os arqueólogos iam encontrando nas escavações da cidade romana de Pompeia, destruída pela erupção do Vesúvio em 79. Decidiu, por fim, colocá-los num "Gabinetto Segreto", só acessível a "pessoas de idade madura e moral respeitável".

Se excluirmos uma breve abertura no final dos anos 60, este gabinete secreto (uma espécie de peep-show, há quem diga hoje) só foi aberto ao público no ano 2000 - e mesmo actualmente é preciso comprar um bilhete extra para entrar.
Será que a arte erótica de Pompeia ainda nos choca? Era o mundo antigo mais liberal no que diz respeito à sexualidade? Ainda não sabemos dizer exactamente o que é arte e o que é pornografia? Há hoje mais tabus? Ou já não há tabus? O debate regressou por causa da exposição Seduced: Art and Sex from Antiquity to Now, que inaugurou este mês no Barbican, em Londres (onde fica até 27 de Janeiro).

São 250 obras de arte (uma de um português, Julião Sarmento) que percorrem um período de 2000 anos, dos vasos gregos onde se vêem homens e mulheres (ou homens e homens) a ter relações sexuais, a Blowjob, filme feito em 1963 por Andy Warhol, passando por um pequeno quadro de Picasso emprestado pelo Metropolitan Museam of Art de Nova Iorque, sobre o mesmo tema do filme de Warhol e sintomaticamente chamado La Douleur (1903), ou pelos quadros de Jeff Koons com a sua ex-mulher, a antiga actriz de filmes porno Cicciolina. "Queremos que Londres não pense em mais nada senão em sexo durante três meses", disse ao Guardian Marina Wallace, uma das comissárias da exposição.

A prostituição em Roma

Em Portugal, vários professores universitários juntaram-se também para, durante um período mais modesto, de apenas três dias, não falarem de mais nada se não de sexo. Num colóquio que termina hoje na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, especialistas de várias áreas da História discutiram A Sexualidade no Mundo Antigo, num debate do qual podem sair respostas a algumas das questões levantadas pela exposição de Londres.

A vida sexual na Roma antiga, por exemplo, tinha tão poucos tabus como parece nas séries de televisão? "A prostituição não era propriamente elogiada, aliás quem a exercia estava na base da pirâmide social, mas era vista como totalmente necessária", explica Nuno Simões Rodrigues, da Universidade de Lisboa, que, no colóquio, falou precisamente sobre Os submundos da sexualidade em Roma. "As matronas, senhoras da aristocracia, muitas vezes mantinham as escravas como prostitutas, ganhando dinheiro para elas próprias, e tendo os maridos, os filhos ou os pais como clientes."

A distinção entre as senhoras respeitáveis e as que não o eram baseava-se num tabu mais de natureza social do que sexual. "Tinha que haver as mulheres sobre as quais não existia suspeita em relação à paternidade dos filhos, as que dão aos homens os filhos legítimos", diz Simões Rodrigues. Essa é a razão por que o adultério era tabu - "não tanto por causa do sexo, mas pelas consequências que o acto tinha para a comunidade". Por isso, conta, houve mesmo matronas que, acusadas de adultério, pediram para ser inscritas junto do edil como prostitutas. "Apesar de ser uma queda de estatuto social, isto mostra que o estigma não era assim tão grande." Um dos grandes tabus da actualidade - a pedofilia - não fazia, aparentemente, parte das preocupações dos romanos antigos. Simões Rodrigues recorda que, no Satyricon, Petrónio relata uma festa em casa de uma matrona que, para divertir os convidados, organiza como espectáculo a iniciação sexual de uma menina de sete anos.

Homossexualidade tabu

Havia, contudo, outros tabus. Se o sexo com prostitutas ou prostitutos não era mal visto - os escravos eram apenas objectos sexuais - já a homossexualidade entre dois "homens livres" era duramente condenada, porque implicava "usar como elemento passivo um homem de nascimento livre", levantando também aqui uma questão mais de natureza social do que sexual. A ideia, por outro lado, de que a homossexualidade masculina era perfeitamente aceite pelos gregos antigos - e lá estariam os vasos para o provar - pode ser um mito que fomos construindo, como muitos outros relativos à sexualidade dos antigos, afirma Frederico Lourenço. Foi isso, aliás, que explicou na sua intervenção sobre Homossexualidade masculina e cultura grega. "A intolerância existia na Grécia antiga como existe hoje. E tinha muito a ver com a ideia de que o homem que se demite do seu papel de homem não merece respeito, o que também está ligado à visão negativa em relação às mulheres." Tal como em Roma, também na Grécia existia legislação condenando os homens livres que "desempenhassem um papel passivo" na relação sexual. O amor, sobre o qual Platão escreve, entre um homem mais velho e um rapaz mais novo, era rodeado de grande pudor. "Mesmo nas representações na cerâmica, as posições sexuais tinham que ser não penetrativas, de respeito pela integridade física", e a expectativa era de que esses jovens viessem a casar e a ter uma família. Os gregos antigos, defende Frederico Lourenço, "não compreenderiam aquilo a que chamamos hoje homossexualidade".

O mito da Mesopotâmia

Apesar de as imagens de Pompeia terem ido parar a um gabinete secreto - ou talvez por causa disso -, o mundo ocidental alimentou sempre uma série de mitos, mais ou menos exóticos, em relação à sexualidade no mundo antigo. Um exemplo é a célebre "prostituição sagrada" na Mesopotâmia, entre o terceiro e o primeiro milénio antes de Cristo. Afinal, explica Maria de Lurdes Palma, da Universidade de Lisboa, há muito mais dúvidas do que certezas. Sabe-se que havia um ritual de casamento entre dois deuses ou entre um deus e uma mulher, mas essa tradição acabou por se misturar com o relato do grego Heródoto, segundo o qual todas as mulheres tinham que, uma vez na vida, ir para o Templo e ter relações sexuais com o primeiro estranho que passasse. "É daí, dessas duas ou três linhas escritas por Heródoto, que surgem todas as teorias sobre a prostituição sagrada, mas trata-se de conjecturas", diz Maria de Lurdes Palma.

Também aí, na sociedade suméria, os interditos são sobretudo de natureza social. "Se a mulher comete adultério, sofre sanções porque saiu da esfera do controlo do marido. É mais isso que está em causa do que um julgamento moral. O poder patriarcal não pode ser posto em causa." Tal como na Grécia, as mulheres têm um estatuto claramente inferior. Maria de Fátima Silva, da Universidade de Coimbra, reconhece que, em termos legais, era assim na sociedade grega, mas lembra a Lisístrata, comédia de Aristófanes, recentemente recuperada a propósito da guerra do Iraque. Aí, as mulheres "conduzem uma espécie de revolução feminina em que, pela greve ao sexo, obrigam os maridos a fazerem a paz". Foi nessa Grécia patriarcal que surgiu uma ideia como esta, sublinha Maria de Fátima Silva: as mulheres possuem uma arma que é o sexo e com ela podem dominar a agressividade masculina.

E, no entanto, contrapõe Luís Manuel de Araújo, egiptólogo da Universidade de Lisboa, foram os gregos que vieram introduzir "uma certa boçalidade" nas imagens de "erotismo recatado, inteligente", que era o dos egípcios antigos. O sexo estava também muito presente no Egipto Antigo, pelo menos é o que nos dizem as imagens gravadas em templos e túmulos, as representações de deuses com grande potência sexual "que dialogam com faraós e reis numa familiaridade despida de preconceitos".

"O erotismo egípcio", explica, "não privilegia muito a imagem da mulher nua, prefere cobri-la com linho transparante, ou tecido molhado colado ao corpo". Quando a influência grega começa a fazer-se sentir, no século VII a.C., "acaba-se o refinamento e os egípcios começam a despir as suas deusas", e as cenas de erotismo passam "a jogar mais com o irónico do que com o erótico".

Antes e depois de Cristo

No Antigo Egipto, o sexo não podia ter uma carga negativa, porque "os exemplos vinham de cima, dos deuses". É, aliás, um deus criador, Atum, que forma a Terra a partir da masturbação, diz Luís Manuel de Araújo.

Esta ideia de divindades com vida sexual (e bastante activa) desaparece com o monoteísmo. E "a noção do pecado surge [na Mesopotâmia] com os semitas, 1700 ou 1800 anos antes de Cristo", afirma Maria de Lurdes Palma. Houve realmente, como diz o historiador de arte John R. Clarke, citado pelo Telegraph a propósito da exposição de Londres, "um mundo antes do cristianismo, antes da ética puritana, antes da associação da vergonha e da culpa com o acto sexual"? "A experiência cristã corresponde, de facto, a um corte", admite o teólogo José Tolentino Mendonça, da Universidade Católica, a quem coube no colóquio da Faculdade de Letras falar sobre A Sexualidade no Novo Testamento. Mas, acrescenta, não no sentido que estaríamos à espera. "A mensagem cristã, na sua origem, não legisla directamente sobre os dois grandes interditos", os alimentares e os sexuais. Não há, no Novo Testamento, "um interesse em legislar sobre a sexualidade".

Com o cristianismo, defende Tolentino Mendonça, a própria noção de corpo é reinventada e "trabalha-se a ideia de que existe um corpo individual". Se compararmos "o catálogo dos vícios que aparece em São Paulo com os que existiam em escolas como a dos estóicos ou dos cínicos, percebemos que São Paulo não é o "castrador de serviço", mas que, no contexto do mundo antigo, é capaz de olhar para a corporalidade de uma forma que integra a sexualidade no projecto humano".

Quanto à vergonha e à culpa, são conceitos que vêm do Antigo Testamento (Adão e Eva expulsos do Paraíso e subitamente envergonhados por estarem nus), "não são invenções cristãs". "Claro que há leituras legalistas e moralistas, que se tornam sufocantes", admite, mas na narração bíblica "as palavras procuram guardar uma enorme abertura". "A sexualidade é a expressão do segredo mais radical, a sua linguagem mais funda, mais íntima", pelo que "recusar esse pudor é diminuir a expressão poética do próprio amor".

Talvez seja este o ponto certo para regressar à exposição de Londres. Kate Bush, responsável pelas galerias de arte do Barbican, citada pelo Times, afirma que a exposição tem uma "definição muito ampla" do que é a experiência sexual: "Auto-erotismo e fetichismo estão incluídos. Pedofilia e imagens violentas estão definitivamente excluídas. O sexo não é só entre duas pessoas; pode ser com objectos ou ideias". O que choca ou não choca é discutível, claro. "As fronteiras de cada um são individuais."

Não há gabinetes secretos - mas a exposição é só para maiores de 18 anos.