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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

"O Saber Ocupa Lugar"

DEIXEMOS DE LADO as reformas organizativas anunciadas pela Ministra da Educação e a abertura tipo choque tecnológico do ano escolar e concentremo-nos no aspecto mais importante do ensino, isto é, na sua qualidade. Atente-se nestes três factos: o anúncio de que a disciplina de Filosofia deixará de ser necessária para aceder ao Ensino Superior, a estranha mistura entre Literatura e Ciências Sociais e a provável extinção, para acesso a certos cursos, do Latim e do Grego. Sou licenciada em Filosofia, para o que, no final do Secundário, tive de me submeter a exames nestas duas línguas mortas. Por razões que não vêm ao caso, não fui boa aluna, mas sinto a falta de conhecimento destas matérias.

Há mais de cem anos, no romance «Hard Times», Charles Dickens fazia troça de Mr. Gradgrind, para quem no mundo só havia «factos, factos, factos». Apesar de baseada numa concepção mutiladora do homem, era, e é, uma ideia popular. Mas a escola não pode ficar reduzida à formação de autómatos capazes de meter um «chip» num telemóvel. Se desejo que os estudantes aprendam Filosofia, que saibam apreciar um romance e que alguns até dominem o Latim e o Grego é por pensar que aquilo que, a partir de agora, só estará acessível a uma elite o deveria estar a todos. É verdade que, ao longo dos anos, a vida material dos portugueses melhorou, mas terá acontecido o mesmo, e na mesma extensão, à sua vida intelectual ? A resposta é negativa.

A responsabilidade reside nos vinte e seis Ministros da Educação que, desde 1974, ocuparam a pasta. Todos, de esquerda e de direita, confundiram elitismo intelectual e exclusivismo social, o que os levou a recusar que a igualdade de oportunidades pudesse ser obtida sem que o nível de exigência do ensino baixasse. Se as disciplinas humanísticas forem extirpadas dos curricula, os nossos filhos e netos terão uma vida mais esquálida do que a nossa, porque lhe teremos dado a ilusão de que eles «sabem», sem lhes termos oferecido os instrumentos necessários à compreensão do mundo. É para isto que serve a Filosofia.
Junho de 2007
Maria Filomena Mónica, In Sorumbático

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Perseverança... a atitude daqueles que amam

Um verdadeiro testemunho de coragem e determinação na luta pelos Direitos das Crianças e pela Igualdade de Oportunidades.

Coração de Mãe, tudo pode, tudo alcança, tudo vence!


domingo, 9 de novembro de 2008

(Des)igualdades de Género

Filme de 1983 realizado em colaboracão - Naciones Unidas e Kratky Films (Praga), a partir de um conto original de Tina Jorgenson. Foi apresentado oficialmente como uma película de animacão que mostra a desigual repartição de tarefas domésticas numa família .

Volvidos 25 anos, a tendência será a mesma ou caminhamos para a Igualdade?

Não sei se em termos reais houve ou não muitas alterações nos lares portugueses, no entanto posso testemunhar os sentimentos dos meus alunos a esse respeito. Depois de um razoável debate em torno da questão, foi unânime a opinião de que as tarefas domésticas devem ser partilhadas. Muitos foram também os testemunhos de cooperação como filhos. Alegro-me. Afinal, a Educação pode fazer a diferença!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Inquietações...


"É mais o que nos une que o que nos divide.
Se sou diferente de ti, longe de te prejudicar, aumento-te".

Saint-Exupery

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

(Des)igualdade de oportunidades e inclusão

Artigo semanal de Miguel Santos Guerra (1.11.2008)

Lo siento, Peter Pan

Un viaje de trabajo me llevó hace semanas a la maravillosa ciudad de Cartagena de Indias (Colombia). Y en ese incomparable escenario fui testigo de un hecho que quiero compartir con el lector. Era una tarde calurosa cargada de nubes. En la plaza de Simón Bolívar, al pide de la imponente estatua ecuestre del libertador, un grupo de chicos y chicas, ataviados con trajes regionales, bailaban descalzos al ritmo frenético de los tambores. Los danzantes se movían con una agilidad asombrosa. Las parejas de bailarines competían en ritmo y acrobacias. Al finalizar, el típico sombrero de la zona se convertía en plato petitorio. Muchos espectadores agradecían la belleza y el esfuerzo de los artistas con pequeñas donaciones.
Entre los danzantes se encontraba un niño con síndrome de Down que acaparaba la mayor parte de las miradas y de las sonrisas. No era un miembro del grupo, porque era bastante menor de edad, pero estaba integrado en él de forma perfecta. No sólo porque él participaba sino porque todos los bailarines le incluían de forma espontánea e ingeniosa. Todos, con una sonrisa, le convertían en su pareja cuando correspondía. Lo incorporaban a la danza general haciendo creativos movimientos de inclusión. El niño, también descalzo, se movía con garbo y fluidez. Llevaba el ritmo con naturalidad y perfección.
Era patente el cariño que todos le profesaban. Cuando la danza terminaba, entre número y número, bromeaban con él, lo abrazaban y se relacionaban con gestos afectuosos.
Pensé en lo hermoso y profundo de aquella experiencia espontánea. Probablemente la exclusión sea más artificial. Un fruto del aprendizaje de estereotipos y prejuicios. Aquel niño estaba feliz.
A nadie estorbaba. La inclusión era natural y perfecta. Todos se sentían bien con su participación y él sonreía feliz.Volvimos al día siguiente para ver el espectáculo. El niño estaba allí de nuevo y las escenas se repetían como parte del espectáculo. No había sido algo casual sino un modo de proceder cotidiano.
(...)
Un niño con síndrome de Down es capaz de aprender, de querer, de ser feliz. Como el niño de Cartagena de Indias. Es capaz de hacer muchas más cosas de las que algunos suponen. Tiene límites (todos los tenemos), pero no hay que acortarlos más de lo imprescindible. No vamos a engañarnos. No voy a decir que el hecho de tener el síndrome de Down es una suerte o una lotería. Pero tampoco digo que es una desgracia. Porque con ese síndrome puede aprender muchas cosas, puede ser feliz, puede amar y ser amado. Lo que importa es que no se avergüence, que no se sienta menos que los otros niños. Distinto sí, porque todos somos distintos. Pero no inferior. Lo que importa es que no tenga compasión de sí mismo sino el deseo de llegar hasta donde quiera y pueda.
Me han regalado un hermoso cuento de Lola Herrero (publicado en la Editorial Sarriá) que se titula “Lo siento, Peter Pan”. Trata de una niña con síndrome de Down llamada Alba que no se dejó arrastrar por las trampas ni por el desaliento. No se dejó envolver por la sobreprotección de su madre, Inés. Ayudada por su amiga Clara, se negó a seguir siendo siempre pequeña. Le dijo a Peter Pan que lo sentía mucho, que ella no se iba a quedar sin crecer.
Con estos niños y niñas todos podemos aprender muchas cosas, todos podemos aprender a esperar, a ayudar, a comprender, a querer y a respetar. La obsesión por la eficacia no sólo nos nubla la vista sino que nos envilece el corazón. El grupo de chicos danzantes de Cartagena de Indias fue para mí un hermoso y claro ejemplo de inclusión. Una magnífica lección viviente y musical.
(leitura integral)

(Des)igualdade de oportunidades: pequenos contributos

Title: A qualidade dos serviços de protecção às crianças e jovens : as respostas institucionais
Authors: Martins, Paula Cristina Marques
ID: http://hdl.handle.net/1822/3163

Title: O desenvolvimento pessoal e social da criança em contexto de vida institucional : elementos para uma análise da ecologia da interpessoalidade
Authors: Martins, Paula Cristina Marques
ID: http://hdl.handle.net/1822/6750

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Direito à Igualdade

O texto que se segue é uma (re)publicação, mas emerge aqui para tentar aclarar algumas ideias e inquietações que foram afloradas por uma leitora em reação ao post "A Vocação" onde é relatada a estória de uma pequena águia a quem nunca lhe foi dada a oportunidade de voar de acordo com a sua essência. Bem-haja pelo questionamento muito pertinente. Espero que o texto seja esclarecedor. Fica também o convite para a leitura do livro infra mencionado de Steiner & Ladjali (2005). Ler recensão crítica [aqui].
Construir pontes em educação: da diversidade à igualdade de oportunidades

Em «o canto do pássaro», Anthony de Mello conta-nos a história da pequena águia que havia nascido no meio dos pintainhos e, como eles, aprendeu a depenicar na terra, a bater as asas... Embora por vezes lhe parecesse que também poderia voar alto como as majestosas águias que cruzavam os céus, morreu convencida de que não tinha nascido para as alturas.

Esta é uma belíssima história carregada de emotividade, mas sobretudo, um desafio a todos os professores que lutam pelo direito à igualdade de acesso ao conhecimento, independentemente da raça, cultura, condição social ou religião. Um desafio que irrompe e ao qual urge responder para melhorar a qualidade da educação, apesar dos obstáculos que se firmam no terreno ou provenientes do «destrambelhado edifício do sistema educativo» (Urbano, 2006). Dêmos asas de águia às nossas crianças e ensinemos-lhes a voar para lugares longínquos!

Como disse Fernando Pessoa “Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor”. Digamos que há sempre um Cabo das Tormentas a enfrentar para que o caminho se cumpra. Aqui está presente uma ideia que achamos premente recuperar no contexto educativo: a ideia de esforço. Quantas vezes a nossa preocupação desmedida, pelo medo de ser julgado, o peso da avaliação, a crítica… também nos fez ver monstros imponentes e intransponíveis no lugar de altos rochedos? Pouco importa… é inalterável o passado, mas não a história dos nossos alunos, esta escreve-se com o presente. Importa, por isso, valorizar o esforço para alcançar a meta. Façamo-lo do modo que entendermos mais adequado para cada tempo e situação, mas ensinando os nossos alunos a saborear o encanto do caminho, o presente, ajudando-os a aliviar o esforço da subida. Como na aventura educativa relatada no livro «O elogio da transmissão» de Steiner e Ladjali (2005). Ladjali é professora numa escola suburbana e multiétnica de Paris. Apesar de respeitar o direito às diferenças culturais, étnicas, sociais… ela faz submergir um valor maior, o direito à igualdade de oportunidades na procura do saber, mesmo quando se trata de alunos socialmente desfavorecidos. Parece razoável, mas não é um assunto pacífico. Tratando-se de populações da periferia, pobres, seria mais comum evocar o relativismo cultural e a contextualização das aprendizagens no grupo social. Era bem menos exigente e comum, mas decidiu trabalhar contra a corrente. Segundo ela, o trabalho do professor é mesmo esse e tem um preço: «Tudo o que é excelente é muito difícil…» (Steiner e Ladjali, 2005, 43). E fê-lo por convicção de que «Os alunos merecem tudo, salvo a indiferença» (49). É magnífico o trabalho realizado por esta professora com alunos dos quais pouco se esperava. Não podemos aqui descrevê-lo, mas remetemos para esta fascinante leitura.

Temos de perceber que o saber é fundamental e o saber erudito não é substituível por testonovelas, pelo saber popular (este já os alunos trazem de casa; para quê aprendê-lo?). Há que respeitar a condição do aluno mas não ensinar-lhes de acordo com ela. Isso iria acentuar ainda mais as desigualdades de oportunidades se, por exemplo, fossem desenhados curricula para meninos de bairros de elite e curricula para meninos de bairros desfavorecidos. Aplicar à letra esta medida, como preconiza Damião e Festas (2006), poderá criar situações de grande injustiça acentuando as desigualdades sociais, pois, virtualmente, poder-se-á estar a impedir que algumas crianças cheguem a determinadas aprendizagens de carácter mais erudito que, apesar de não estarem de acordo com a sua condição de nascença, podem ser a sua “vocação”.

Cabe-nos esse papel anónimo e insubstituível: (1) proporcionar aos nossos alunos que a escola deixe marcas de prazer em aprender, despertando neles o impulso da curiosidade, de se transcender; (2) cultivar o elogio do conhecimento pelo esforço. Não que seja mau ou desprezível ser galinha e nem todos conseguirão aprender a voar como águias, mas porque temos o dever de ensinar a voar com perfeição a todos, mesmo àqueles a quem a vida não lhes sorriu à nascença… porque eles também têm esse direito – o direito à igualdade! Quero acreditar como Paulo Freire nesta expressão de amor universal – justiça. Ele sabia bem a importância que o ler e escrever têm para a modificação do ser humano, para a libertação da sua condição social e económica.

Termino com uma frase de Plutarco que tudo diz acerca desta questão: "Se aprender é fazer nascer, impedir de aprender é matar".

Bibliografia:
Damião, H. & Festas, I. (2006). Contextualização e relativização das opções curriculares: impacto nas (des)igualdades de oportunidades. Comunicação ao VII Colóquio sobre Questões Curriculares – III Colóquio Luso-Brasileiro sobre Questões Curriculares – Globalização e (des)igualdades: os desafios curriculares. Braga: Universidade do Minho.
Mello, A. (1995). O canto do pássaro. Lisboa: Paulinas.
Steiner, G. & Ladjali, C. (2005). O elogio da transmissão. O professor e o aluno. Lisboa: Dom Quixote.
Fátima André

In A Página da Educação, nº 168, Junho (2007), p. 45.

sábado, 31 de maio de 2008

Inquietações Pedagógicas


Manter os saberes vivos, é tarefa e responsabilidade de todos! Aceder a eles é também um direito de TODOS!

Fátima André, in
O amor à cultura… cultiva-se.



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Paulo Freire, o Profeta da Utopia, como lhe costumo chamar, ele bem sabia o valor de
aprender a ler
para melhorar as condições e qualidade de vida da humanidade. Uma vida de luta pela igualdade de oportunidades!

Deixo-vos com um verdadeiro testemunho desse valor – Ángela y sus ganas de estudar, um vídeo que encontrei via Igualdad. Uma luta em que é preciso acreditar! Vale a pena ACREDITAR!
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Nota: Para conhecer um pouco da Pedagogia de Paulo Freire: [aqui], [aqui] e [aqui].

quarta-feira, 7 de maio de 2008

A (Des)Igualdade de oportunidades feminina na cultura











Imagem de RAQUEL MARÍN


O diário El País publicou no passado sábado 3 de Maio um artigo de LAURA FREIXAS intitulado La marginación femenina en la cultura. Aqui fica em formato pdf (clicar no link). Dele extraímos o seguinte parágrafo:

Antes del siglo XX, el hecho de que muy pocas mujeres fueran pensadoras o artistas no tiene mayor misterio: no tenían la educación necesaria. Pero son ya varias las generaciones nacidas, o al menos, formadas, en democracia; hay hoy más licenciadas universitarias que licenciados; y sin embargo, ni siquiera en los campos más feminizados - como la literatura, con décadas de mayoría femenina entre estudiantes y lectores - nos acercamos, ni de lejos, a un igual protagonismo. Llama la atención por ejemplo que los premios nacionales creados en 1977 apenas hayan reflejado evolución alguna: en sus 10 primeras convocatorias, el Nacional de Ensayo, de Poesía y de Narrativa sumaron 29 varones galardonados y una mujer (3%); en las 10 últimas (1998-2007), 4 mujeres entre 30 (13%).

La marginación femenina en la cultura (pdf)

Também igualmente interessante (sobre o mesmo tema, mas com uma outra dimensão) esta leitura e reflexão de Vítor Gonçalves – Metade da Humanidade. Vale a pena ler.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Bibliotecas públicas ao serviço da Igualdade de Oportunidades

O escritor espanhol António Muñoz Molina (escritor espanhol e autor de diversas obras traduzidas entre nós, nomeadamente “Inverno em Lisboa”, “Mistérios de Madrid”, “O Vento na Lua” entre outras [ver aqui] e [aqui]), em El País, 3 de Maio, faz um elogio às bibliotecas públicas como espaço privilegiado de divulgação da cultura, do conhecimento e de proporcionar a toda a Humanidade (independentemente, da condição social e económica, da orientação religiosa, da etnia ...) Igualdade de Oportunidades de acesso aos mesmos. O mesmo não acontece com as Livrarias, onde o acesso aos livros, à cultura... só é para alguns.
Aqui fica um excerto do artigo que vale a pena ler:


De una biblioteca a otra

Una biblioteca pública no es sólo un lugar para el conocimiento y el disfrute de los libros: también es uno de los espacios cardinales de la ciudadanía. Es en la biblioteca pública donde el libro manifiesta con plenitud su capacidad de multiplicarse en tantas voces como lectores tengan sus páginas; donde se ve más claro que escribir y leer, dos actos solitarios, lo incluyen a uno sin embargo en una fraternidad que se basa en lo más verdadero y lo más íntimo que hay en cada uno de nosotros y que no tiene límites en el espacio ni en el tiempo. La lectura, los libros, empezaron siendo privilegio de unos pocos, herramientas de poder y de control de las conciencias. La imprenta, al permitir de pronto la multiplicación casi ilimitada de lo que antes era único y difícil de copiar, hizo estallar desde dentro la ciudadela hermética de las palabras escritas, alentando una revolución que empezó por reconocer en cada uno el derecho soberano a leer la Biblia en su propia lengua y en la intimidad de su casa, sin la mediación autoritaria de una jerarquía. Gentes que leían libros albergaron ideas inusitadas: que el mérito y el talento personal y no el origen distinguían a los seres humanos; que todos por igual tenían derecho a la instrucción, a la libertad y a la justicia.

La escuela pública, la biblioteca pública, son el resultado de esas ideas emancipadoras: también son su fundamento. Con egoísmo legítimo uno compra un libro, lo lee, lo lleva consigo, lo guarda en su casa, vuelve a leerlo al cabo de un tiempo o ya no lo abre nunca. En la biblioteca pública el mismo libro revive una y otra vez con cada uno de los lectores que lo han elegido, multiplicado tan milagrosamente como los panes y los peces del evangelio: un alimento que nutre y sin embargo no se consume; que forma parte de una vida y luego de otra y siendo el mismo palabra por palabra cambia en la imaginación de cada lector. En la librería no todos somos iguales; en la biblioteca universitaria el grado de educación y la tarjeta de identidad académica establecen graves limitaciones de acceso; sólo en la biblioteca pública la igualdad en el derecho a los libros se corresponde con la profunda democracia de la literatura, que sólo exige a quien se acerca a ella que sepa leer y sea capaz de prestar una atención intensa a las palabras escritas. En el reino de la literatura no hay privilegios de nacimiento ni acreditaciones oficiales, ni jerarquías de ninguna clase ante las que haya que bajar la cabeza: nadie tiene la obligación de leer una determinada obra maestra; y no hay libro tan difícil que pueda ser inaccesible para un lector con vocación y constancia. Pomposos catedráticos resultan ser lectores ineptos: cualquier persona con sentido común es capaz de degustar las más delgadas sutilezas de un libro. En el cuarto de trabajo o de estudio con frecuencia uno está demasiado solo: en la biblioteca pública se disfruta un equilibrio perfecto entre el ensimismamiento y la compañía, entre la quietud necesaria para la lectura y la grata conciencia de la vida real que sigue sucediendo a nuestro alrededor.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Requinte versus Sobrevivência


Ainda a propósito do post afixado (infra) sobre a anunciada abertura de um Mestrado em Gestão e Manutenção de Campos de Golfe, fez-me lembrar este clip que recuperei para ilustrar o abismo para o qual caminhamos. Não é certamente com estas anunciadas medidas que resolvemos os problemas da iliteracia ou das acentuadas clivagens sociais, das (des)igualdades de oportunidades...

Satisfação das Necessidades Básicas, entre elas a Educação Básica... a prioridade das prioridades! Ou estarei errada?

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Escola Inclusiva

Por Filomena Ventura *

Que contribuição, para uma Escola mais inclusiva, imprime o DL 3/2008?

Da análise do DL 3/2008 de 7 de Janeiro, que define os apoios especializados a alunos com necessidades educativas especiais (NEE), ressalta a introdução de uma premissa importante e que estava omissa no DL 319/91 de 23 de Agosto, a definição clara da responsabilidade do professor do ensino regular (PER) no processo ensino-aprendizagem do aluno com NEE. O diploma circunscreve igualmente, de forma evidente, a área de intervenção do professor de educação especial (PEE). A título de exemplo, a coordenação do programa educativo individual (PEI) passa a ser da responsabilidade do PER (art. 11º, ponto 1) contando, naturalmente, com a colaboração do PEE na elaboração, no acompanhamento e na avaliação do PEI. O apoio pedagógico personalizado é, em inúmeras situações, atribuído ao PER (art. 17º, ponto 2), ficando a cargo do PEE (art. 17º, ponto 3) o desenvolvimento de competências específicas.

Esta definição e clarificação de funções do PER inserem-se, sem dúvida, no paradigma da Escola para Todos. Lidar com a diversidade discente, quer seja étnica ou cultural, quer sejam as NEE, “é um dos maiores desafios que se colocam à escola, enquanto contexto de cidadania, porque ou a escola se torna um lugar de inclusão social e plural e de promoção de igualdade de oportunidades ou é um lugar de discriminação e exclusão” (Debate Nacional sobre Educação, 2007). Mas esta exigência, por si só, não é suficiente para a consolidação de práticas inclusivas. Será importante salientar que o trabalho com estes alunos requer uma formação adequada para todos os professores e uma gestão de recursos humanos que viabilize, de forma efectiva, o desenho de PEI com a possibilidade de atribuir apoio/acompanhamento em contexto individual.

No que concerne à formação de professores, dezassete anos após a publicação do DL 319/91 e catorze depois da Declaração de Salamanca em 1994, muitos dos planos curriculares no ensino superior, para futuros professores, continuam a não contemplar, ou não o fazem de forma expressiva, qualquer sensibilização, informação, observação ou prática pedagógica na área da Educação Especial. Seria profundamente injusto, no entanto, não referir a excepção nos cursos de Educação Física que integram no seu currículo, nomeadamente nos 3º e 4º anos, há já muito tempo, disciplinas relacionadas com a forma de interagir em situações de limitações sensoriais, motoras e mentais. Mais recentemente, as Escolas Superiores de Educação introduziram uma ou duas cadeiras na formação inicial onde a problemática é abordada.

É fundamental sublinhar que o contacto com esta realidade na formação inicial faz toda a diferença na atitude pedagógica. A disponibilidade para proceder a adaptações e a confiança com que se trabalha em colaboração é mais evidente nos professores que obtiveram formação específica para as NEE. A formação em serviço deveria, igualmente, proporcionar ao futuro professor uma experiência efectiva no trabalho com alunos com NEE, a possibilidade de colaborar e acompanhar a implementação de medidas educativas especiais (art. 16º) e produzir uma reflexão final da experiência.

É proporcionando experiências mais diversificadas na formação inicial que se criam condições para responder assertivamente à enorme diversidade discente a frequentar a escola e à significativa quantidade de alunos com dificuldades de aprendizagem que, com a publicação do DL 3/2008, poderão deixar de beneficiar do apoio da Educação Especial.

+++++++

* Filomena Ventura - Professora de Educação Especial. Mestre em Relações Interculturais. Doutoranda em Psicologia Social.
In Correio da Educação (2008), nº 324.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Grande desconcerto educativo

(clique na imagem para ler) © Jorge Delmar

Que estranha forma de Democracia! Lindas medidas, sim, senhora!!!

Nivelar por baixo hem? Não deveria ser ao contrário? Ou seja, puxar ao limite de capacidades e fazer desabrochar novas capacidades e competências em alunos que, não sendo na escola, não têm outra oportunidade de ter acesso ao ensino artístico e a outras expressões da cultura?

A escola tem a responsabilidade de criar igualdade de oportunidades aos alunos de condições inferiores favorecendo e estimulando de igual modo o contacto com o saber mais erudito, as necessidades de estética, de beleza… que não entram em casa por razões óbvias.

Os curricula, não lhe têm dado o lugar que merece e, a escola pouco tem feito para contrariar esta tendência… mas se o não fizermos, podemos estar a impedir que algumas crianças cheguem a determinadas aprendizagens de carácter mais erudito, que apesar de não estarem de acordo com a sua condição de nascença, podem ser a sua “vocação”. A situação agrava-se com as recentes medidas de reformar os Conservatórios e entregar uma boa parte das suas competências às escolas básicas. Deste modo, "diminuem as possibilidades de os alunos entre os seis e os quinze anos, ou seja, no período de vida mais adequado para a aprendizagem da música terem acesso, no ensino oficial, ao acompanhamento, à exigência e à dignidade pedagógica que essa aprendizagem requer.
E porquê? Porque as escolas básicas não têm nem se prevê que venham a ter num futuro próximo, condições logísticas para assumirem essa responsabilidade, porque a preparação dos professores que leccionam música tem lacunas graves, porque as condições em que estes professores trabalham são degradantes, porque as turmas têm vinte alunos ou mais, porque as escolas não dispõem de espaços adequados nem de instrumentos musicais… Porque, enfim, no nosso país, apesar da retórica da tutela, a música não foi no passado, nem é no presente encarada como uma área fundamental de aprendizagem formal, ainda que a investigação científica nos diga que é, ainda que a tradição educativa ocidental a justifique, ainda que seja obrigação moral da Escola transmitir a herança civilizacional e cultural às novas gerações." (Damião, 2008)
Referência:

domingo, 9 de março de 2008

Pela igualdade e dignidade da mulher

Mais um extraordinário contributo de Miguel Ángel Santos Guerra no dia em que se celebrou o Dia Internacional da Mulher (8.3.2008). Reproduzo aqui o texto integral que está uma delícia e vale a pena ler. Este texto fez-me lembrar de um texto da mesma natureza da Professora Helena Damião, que se reporta também ao ensino e às condições que eram impostas às mulheres para leccionarem nos idos anos 20 do Séc. XX nos EUA. Vale a pena ler também [aqui].


Por la igualdad

Todavía es cierto que las mujeres renuncian más a su crecimiento profesional por amor filial, por amor conyugal o por amor materno. Y si no lo hacen esa renuncia son consideradas malas hijas, malas esposas o malas madres.
Todavía sigue siendo verdad que el paro se ceba con más crudeza en el sector femenino. Y es cierto que “las mujeres siempre serán dependientes hasta que tengan bolsa propia”, como decía Elizabeht Cady Stanton.
Todavía sucede que las mujeres reciben una menor remuneración (aproximadamente un treinta por ciento menos) por la realización de los mismos trabajos que los que hacen los hombres.
Todavía es cierto que las mujeres encuentran más difícilmente trabajo, que son más invisibles en el mundo laboral y que reciben exigencias discriminatorias al buscar empleo.
Todavía es una realidad sangrante que el fracaso laboral de las mujeres se atribuye a su sexo (o a su género). Sin embargo, cuando fracasan los hombres se atribuye el fracaso a su pereza o a su ineptitud.
Todavía es una realidad terrible el acoso sexual a las mujeres en el trabajo, por más que haya leyes y una conciencia social más afinada.
Todavía sigue viva la falacia de que si una mujer puede, todas las demás pueden. Es el “mito de la excepción”.
Todavía es cierto que mueren mujeres a manos de sus parejas. Hace unos días, en una sola jornada, fueron asesinadas cuatro mujeres. en España. Ni el terrorismo más brutal tiene esas estadísticas tan horribles.
Todavía sigue siendo cierto que… La lista es interminable. Propongo al lector o lectora que busque otros diez indicadores de la discriminación actual.
Decía que se ha avanzado. Por eso hay que ser optimistas. Pero que todavía queda mucho camino por recorrer. Resulta impresionante comprobar todo lo que ya se ha conseguido en este país. Leamos, para cerciorarnos, el libro “Rebeldes”, de la filósofa Amelia Valcárcel. No hace mucho (hablo del año 1923, que se toca casi con las manos) existía un contrato para maestras en Estados Unidos que hoy nos hace sonrojar. Lo reproduce Michel Apple en un interesante artículo titulado “Trabajo, enseñanza y discriminación sexual”, publicado en 1987.

“El presente es un contrato entre Miss……, profesora y el Consejo de Educación de la Escuela………, por el que Miss………se compromete a enseñar por un período de ocho meses, empezando el uno de septiembre de 1923. El Consejo de Educación se compromete a pagar a Miss……… la cantidad de 75 dólares al mes. Miss….. se compromete a:

1 No casarse. Este contrato será nulo y sin efecto si la profesora se casa.
2. No dejarse acompañar por hombres.
3. Estar en casa entre las 20 horas y las 6.00 horas, a menos que se encuentre desempeñando alguna función de la escuela.
4. No pasar tiempo en las heladerías.
5. No salir de la ciudad sin la autorización del Presidente del Consejo de Administración.
6. No fumar. Este contrato será nulo y sin efecto si se encuentra fumando a la profesora.
7. No tomar cerveza, vino ni whisky. Este contrato será nulo y sin efecto si se encuentra a la profesora bebiendo cerveza, vino o whisky.
8. No montar en carruaje ni en automóvil con hombre alguno, a excepción de su hermano o su padre.
9. No llevar vestidos de colores llamativos.
10. No tintarse el pelo.
11. Llevar dos calzones como mínimo.
12. No llevar vestido más de dos pulgadas por encima de los tobillos.
13. Mantener limpia la clase:
a. Barrer el suelo de la clase, al menos una vez al día.
b. Fregar el suelo de la clase con agua caliente y jabón, al menos una vez a la semana.
c. Encender la lumbre a las 7.00 de forma que la clase esté caliente a las 8.00 cuando entren los niños.
14. No usar polvos ni máscara para la cara, ni pintarse los labios”.Hoy no es concibe un contrato de esta naturaleza. Han sido las mujeres las que han conseguido las nuevas cotas de igualdad. Suya es la causa de la liberación, suyo ha de ser el mando y suyo el orgullo de esta bandera.

Sociedad, escuela y familia tienen que unirse para alcanzar la igualdad. Nosotros, los hombres, no podemos quedarnos al margen. Porque en esa lucha por la igualdad y por la dignidad se encuentra la salvación del mundo y de la historia. Esa es la gran causa de la justicia. Nosotros tenemos que revisar nuestras pautas sexistas, tenemos que incorporarnos a la lucha y tenemos que celebrar humildemente las victorias que se vayan consiguiendo. Hoy es un Día especial para reflexionar, para emocionarse y para actuar. Es el Día Internacional de la Mujer. Permítame el lector (o lectora) terminar con este pensamiento de Hedlen Reddy:n: “Sí. Soy sabia, pero es una sabiduría cargada de dolor. Sí, he pagado el precio, pero mira cuánto he ganado. Soy sabia, soy invencible, soy una Mujer”.
Hoy es el Día Internacional de la Mujer. A mi juicio, todavía hace mucha falta esta celebración. Muchos maliciosos y algunos ingenuos (incluyo en este grupo crítico a ciertas mujeres) dirán que no hace falta este Día, que todos los días son el Día de la Mujer y que por qué no existe el Día Internacional del Hombre. Pues muy sencillo. Porque quien ha sido víctima del sexismo desde tiempo inmemorial ha sido la mujer. Porque quienes todavía siguen discriminadas en esta sociedad androcéntrica son las mujeres. Dice Funnie Hurst: “Una mujer tiene que ser el doble de capaz que un hombre para llegar la mitad de lejos”. Se ha avanzado, pero todavía queda mucho camino por recorrer. Veamos:
Todavía es muy patente que hay estereotipos profesionales a la hora de elegir una carrera. Hay “profesiones masculinas” y “profesiones femeninas”. Curiosamente, las primeras tienen más relieve social y mayor remuneración.
Todavía es realidad que las expectativas que se hacen sobre las niñas son de menor ambición y calado que las que se formulan sobre los niños. Y ya se sabe que existen las profecías de autocumplimiento. Es decir, que la profecía de un suceso se suele convertir en el suceso de la profecía.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Igualdade e Democracia, valores a preservar pela escola pública

A propósito da minha entrada anterior que remete para temas como os Direitos Humanos, a Democracia e a Igualdade de Oportunidades, a imagem que se segue, embora seja um cartoon, alerta para a necessidade da Escola pública combater as clivagens sociais de modo a travar o acelerar do aumento das desiguladades sociais a que a escola no habituou na sua melhor versão de reprodução das mesmas. Aliás, é função e obrigação da escola pública (tal como está consignado na Lei de Bases do Sistema educativo - Lei 49/2005) proporcionar a todos os alunos, independentemente do estrato social, língua, cultura, religião, etnia... igualdade de oportunidades de aceder ao conhecimento, à cultura... criando, igualmente, igualdade de oportunidades de aprendizagem, às crianças e jovens que, de outra forma, fora da escola, não lhe podem aceder.

Embora os discursos polítco-ideológicos se apresentem no seu melhor estilo de "eduquês" que ilude pela pseudo-imagem do discurso politicamente correcto... vejamos (imagem infra) para onde caminhamos se... não conseguirmos inverter estas "malditas" políticas educativas que não só deitam alunos ao lixo como a nós próprios docentes...


Uma advertência: cuidado com a discrepância de leituras a que esta imagem pode dar azo. Vejamos um exemplo: na perspectiva da tutela, o que importa é o nº de diplomados que a escola produz, independentemente de eles saberem ou não ler ou escrever. Temos como exemplo revelador desta barbárie, as ditas "Novas Oportunidades", onde nem é preciso voltar à escola para obter uma certificação do 9º ano ou mesmo do 12º ano e, mais dia menos dia para se obter uma Licenciatura, quiçá um Mestrado ou Doutoramento. Cuidado!!! Destes diplomados o país não precisa... e não é assim que se desenvolve. Mas claro, contribui para as estatísticas do nível de escolarização em crescendo, bem como em franca progressão está também o analfabetismo bruto e duro, mas não declarado... mas como vamos estando habituados à linguagem da corrupção em todas as áreas... porque não na Educação??? Sim, porque esta é uma outra forma de corrupção, digamos que oculta, mas não menos grave.

"Escola Pública pela Igualdade e Democracia"

LANÇAMENTO DO MOVIMENTO "ESCOLA PÚBLICA PELA IGUALDADE E DEMOCRACIA"

COM DEBATE

"ESCOLA: PARTICIPAÇÃO E DEMOCRACIA"
E QUE DIZER DO MODELO DE GESTÃO DAS ESCOLAS PROPOSTO PELO GOVERNO?
SÁBADO, DIA 9 DE FEVEREIRO, 16H, ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL
(Rua da Misericórdia, nº95, Bairro Alto-Lisboa)

ORADORES CONFIRMADOS:

ANA BENAVENTE
(Investigadora em Educação)
SÉRGIO NIZA
(Movimento Escola Moderna)
LUIZA CORTESÃO
(Professora Catedrática jubilada da Universidade do Porto, Presidente da direcção do Instituto Paulo Freire)

O manifesto "Escola Pública pela Igualdade e democracia" já está online neste endereço:

http://www.PetitionOnline.com/mudar123/petition.html