domingo, 10 de janeiro de 2016

Hábitos, dependência(s)... e consequências


Um excelente vídeo com duas vertentes de debate: (1) a postura e suas consequências; (2) a(s) dependência(s) sem consumo, consequências e a necessidade de terapia.

(1) Importa relembrar que a postura não é apenas influenciada pelo mau uso de dispositivos móveis. Todos os dias nas salas de aula travo uma batalha com este problema da postura, umas vezes com sucesso, outras nem por isso... talvez a imagem possa dar um empurrãozito e sortir algum efeito.

(2) Um complemento de reflexão à mesa infra subordinada ao tema "Gaming (Dependência sem substâncias)"... quando se está no limiar da dependência (vicio) e não se reconhece a necessidade de ajuda... 
Questões centrais:
1 - a fase da adolescência e a busca da autonomia e da identidade, quem sou eu e a necessidade de desenvolver competências sociais  através das redes sociais virtuais entendido pelos mesmos (não é negativa) sendo igual à realidade, ou seja, considerado com os mesmos ganhos estar em interação com a rede num convívio a pares como que fosse na realidade (Galinha, 2015);
2 - quando vamos ver os níveis de ansiedade, de irritabilidade, de stress e cruzar com o sucesso académico, muitas das vezes os jovens questionam-se porque não conseguem atingir determinadas notas nos testes ou nível de concentração... esta questão não é linear, pois o nível de causalidade não é facilmente identificável... daí a complexidade desta análise. Os mecanismos da atribuição (locus de atribuição causal e locus de controle externo) prendem-se com inúmeros fatores, nomeadamente, o poder de decisão, onde é que eu paro de usar... a questão do isolamento social, etc. (Galinha, 2015). 
A questão  é mais complexa ainda, segundo Galinha (2015) antes dos pedidos de ajuda,  ou seja, quando o hábito em si próprio não leva o sujeito a perceber que precisa de ajuda. O facto de não haver consumo de uma substância, não é considerado pelos inquiridos que estão a consumir.
Um dado interessante para reflexão (ver intervenção no link infra).

Ainda neste ponto 2, e não menos importante para a reflexão é que este fenómeno das interações nas redes sociais virtuais não está circunscrito ao mundo dos nativos digitais, os efeitos negativos ou perversos rapidamente contagiaram o mundo dos adultos. Ainda me lembro do auge do jogo do farmvile no facebook (2008/2009) e das inúmeras polémicas à volta desta dependência do mundo virtual dos adultos que até nos locais de trabalho tiveram repercussões que em alguns casos culminaram em despedimentos e, noutras situações, particularmente empresas e entidades públicas tiveram que bloquear a rede social porque muitos dos trabalhadores não resistiam a esta aliciante dependência na hora laboral o que prejudicava o seu rendimento. O jogo tornou-se viral e viciante em todas as classes sociais. Hoje não se fala no farmvile porque são às centenas os jogos online, mas o problema não estava circunscrito ao mundo do trabalho, o ambiente familiar foi sendo fortemente atingido.
A dependência, o consumo não assumido como preconiza Galinha (2015) é o grande problema. O não reconhecimento de que se precisa de ajuda pode conduzir ao deteriorar das relações interpessoais reais, familiares.

Mas nem todas as experiências são negativas, há muitos relatos de sucesso de utilização das redes sociais em contexto pedagógico. A investigação dá-nos contas do lado positivo da utilização das redes sociais em contexto educativo. O caso que me deixou mais apreensiva foi o apresentado em 2012 na COIED na conferência "Learning games  (Game-Based Learning)" onde foi relatada a experiência de uma professora do 1º ciclo que utilizava o jogo do farmvile em contexto de sala de aula para ensinar os alunos conteúdos de matemática (aprender a contar as plantas, os animais...) e também conteúdos de estudo do meio onde trabalhava aspetos relacionados com as colheitas, o nome das plantas, etc. Os métodos e as ferramentas são sempre discutíveis, mas as questões de segurança são as mais preocupantes nestas idades e, estas, não sei se foram acauteladas...

Galinha, S. (2015). Gaming (Dependência sem Substâncias), in 1º workShop Entre Margens - Gaming, Drinking e Cenas, Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Santarém.

Gaming (Dependência sem Substâncias)
https://www.youtube.com/watch?v=WMo1iSrWNnk

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