quarta-feira, 17 de junho de 2015

Educação Especial - Tese de doutoramento

BUM - Tese de Doutoramento: Especialidade em Educação Especial

      Titulo: Avaliação diferencial e intervenção no espectro do autismo: a complementaridade de pais e profissionais
    Autores:  Pereira, Ana Paula da Silva
             Almeida, Leandro S.
             Reis, Helena Isabel da Silva 
         ID:  http://hdl.handle.net/1822/35607
2014
Resumo: As perturbações do espectro do autismo (PEA) são caracterizadas por uma tríade de dificuldades ao nível da interação, comunicação e interesses reduzidos mas nos últimos anos, a investigação também tem dado particular relevância às alterações do Processamento Sensorial nestas crianças, referindo que entre 42% a 96% das crianças com PEA apresentam este tipo de disfunção. É neste contexto que se insere a presente investigação onde se pretende construir um instrumento que avalie a tradicional tríade que caracteriza as crianças com PEA (Interação, Comunicação e Comportamento e Interesses), enriquecendo essa avaliação com a inclusão de um novo domínio: o Processamento Sensorial. Dada a exiguidade de instrumentos de avaliação validados para esta população, o objetivo geral da tese centra-se na construção, adaptação e validação de um instrumento de avaliação e intervenção para crianças com PEA na faixa etária 3-6 anos. Apresentam-se os procedimentos e os resultados das sucessivas fases de construção do instrumento, os estudos iniciais junto de pais, profissionais e especialistas no sentido da compreensão dos itens e da sua relevância na avaliação das diversas dimensões da escala. Depois desta fase, apresenta-se o estudo piloto realizado com onze famílias para identificação dos níveis de acordo verificados na classificação dos diversos itens (indicadores) nas várias dimensões por parte de profissionais com experiência profissional de vários anos junto de crianças com PEA e descrevem-se os resultados obtidos numa análise de cariz quantitativa dos itens, resultante da aplicação de uma primeira versão da escala. Procurando identificar o maior número possível de crianças com PEA a nível nacional, estende-se o pedido de colaboração às diversas instituições distribuídas pelas cinco zonas geográficas do país (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve). Obteve-se uma amostra nacional de 260 crianças com PEA; 260 escalas preenchidas pelos profissionais que acompanham estas crianças e 136 instrumentos preenchidos simultaneamente pelas famílias. Em termos de conclusões, a análise efetuada aos quatro fatores ou dimensões em análise, mostrou que alguns itens se encontravam distribuídos com saturações aproximadas em dois fatores em simultâneo (por norma nos fatores I e II) surgindo a ―fusão‖ entre a ―Interação Social‖ e a ―Comunicação verbal e não verbal‖, inicialmente consideradas dois domínios independentes nesta investigação e que se apresenta como um resultado interessante à luz da investigação atual nas PEA. Este resultado permitiu anexar itens pertencentes aos dois domínios iniciais e propôs uma ―nova‖ dimensão que designamos de ―Comunicação Social‖, tal como preconizado nos novos critérios de diagnóstico constantes do DSM 5. Ainda relativamente à construção da escala, os resultados reforçam a relevância e existência autónoma do domínio Processamento Sensorial, incluído na escala, face aos domínios tradicionais (interação social, comunicação, comportamento e interesses reduzidos). A análise da concordância entre o perfil de avaliação da criança com PEA na faixa etária 3-6 anos avaliado pelos pais e pelos profissionais nas três dimensões, revela que existem divergências nas avaliações feitas à criança por parte dos pais e dos profissionais sendo as melhores pontuações atribuídas pelas famílias, sobretudo, no domínio da ―Comunicação Social‖. Destaca-se ainda a influencia das variáveis nível socioeconómico e habilitações académicas dos pais na definição do perfil de avaliação da criança com PEA, na faixa etária 3-6 anos. Os resultados desta análise demonstram que, com a maior escolaridade dos pais, aumenta a sua divergência face às avaliações dos profissionais e que o nível socioeconómico dos pais influencia as oportunidades de desenvolvimento da criança com PEA, face aos resultados de avaliação mais positivos das crianças cujo nível socioeconómico dos pais é mais elevado.

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