domingo, 17 de maio de 2015

A função educativa da escola: ser e parecer

A educação é hoje reconhecida pelos setores públicos de todos os estados modernos como essencial por um lado para um crescimento económico, por outro, para o desenvolvimento de uma vida com dignidade.

Com a publicação da Lei nº 85/2009, de 27 de agosto, que alarga o regime da escolaridade obrigatória até ao 12º ano ou 18 anos de idade, aplicável também aos alunos abrangidos pelo disposto no Decreto-lei nº 3/2008, de 7 de Janeiro trouxe novos desafios. À semelhança de praticamente todos os países desenvolvidos, ela é antes de mais um bem social de pleno direito que todos os cidadãos têm. Um bem que não deve ser focado exclusivamente do ponto de vista social, económico e laboral de um país (ainda que essa seja uma das funções da educação) mas, acima de tudo, proporcionar:

(…) uma formação humana e pessoal aos indivíduos, capacitando-os para realizar em si mesmos e na sociedade uma vida humana plena, com a produção de melhores valores que, junto com a verdadeira qualidade de vida, contribuirão para a felicidade humana e social (Quintana Cabanas, 2005, p. 55).

Convém relembrar que este último enfoque não sendo susceptível de ser medido quantitativamente, não serve para se medir os níveis de instrução da população, logo, pode tornar-se desprezível e não ocupar lugar no âmbito das grandes metas educativas da escola. Embora se tenha falado muito nos últimos anos em educação cívica e educação para a cidadania na escola, numa dimensão transversal do currículo (DL 6/2001; LBSE, 2005; OCDE, 1996), se atendermos ao crescendo de casos de indisciplina e violência na escola, que lugar ocupará ela nessa formação humana dos alunos? Ser ou parecer?

Quintana Cabanas (2005) alerta, assim, para o perigo de parecer, preconizando que no âmbito da organização escolar e da didática, os sistemas educativos ocidentais guiam-se por critérios quantitativos, propagando objetivos e métodos de ensino estereotipados, repletos de tecnologia pedagógica, que são como “uma noz vazia”, ou seja, não incidem naquilo que constitui a aprendizagem intelectual dos alunos.

(continua...)

Texto melhorado, In, Linguiça, M. F. (2008). Orientações Curriculares: da diversidade à (des)igualdade de oportunidades. Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (pp. 20-21). 

Sem comentários: