sábado, 1 de dezembro de 2012

Hora da Poesia


Cada manhã o alvoroço da luz
Me acorda: a luz atravessa a paisagem e a casa
- A dormir tinha esquecido não as coisas
Mas sua meticulosa beleza
Múltipla

No princípio Deus disse
Faça-se luz
- E com a luz da manhã o mundo principia
Digo a luz e não o sol
Nos dias de nevoeiro emergem formas brancas
Aqui e além como de vogassem
Numa deriva cismadora e serena

Nos dias de sol os ciprestes enegrecem
E ao longe brilha o regozijo das vidraças

Sophia de Mello Breyner Andresen (1987), In Obra Poética (2010), Editorial Caminho.

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