sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Crianças de hoje

brincam cada vez mais fechadas no quarto

As crianças de hoje brincam cada vez mais fechadas no quarto, cercadas de tecnologia, numa espécie de "regresso às cavernas", o que empobreceu a socialização, a compreensão da diferença ou a solidariedade, de acordo com o que defende um investigador da Universidade do Minho. Alberto Nídio Silva é doutorado em Estudos da Criança, ramo de Sociologia da Infância, com a tese "Jogos, Brinquedos e Brincadeiras - Trajectos Inter-geracionais", recentemente aprovada por unanimidade. Segundo o investigador, as brincadeiras mudaram com a rapidez da sociedade e individualizaram-se. "Há uma espécie de regresso às cavernas, as crianças fecham-se num refúgio de luxo conectado com o mundo - o virtual em vez do real, o site em vez do sítio. É certo que elas continuam num mundo lúdico de encanto, mas fazem-no sem irmãos, nem vizinhos, nem amigos informais", sublinha.
Na sua tese, Nídio Silva lembra que as correrias das crianças pelos montes, as aventuras com os vizinhos e os brinquedos artesanais foram substítuídos por quartos plenos de tecnologia, brinquedos industriais e escolas a tempo inteiro, criticando as actividades curriculares sucessivas e coincidentes com a longa jornada laboral dos pais. Para o sociólogo, "a sociedade deve rapidamente reconquistar o espaço público perdido, criar espaços-tempo na escola de vocação exclusivamente lúdica e trazer ao interior da família a obrigação de abrir as portas para que, lá fora, as crianças se possam encontrar e brincar, tal como antes se reuniam no largo, adro ou campo com os vizinhos e colegas da escola, catequese ou escutismo".

Fonte: Lusa

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