quinta-feira, 16 de junho de 2011

"Contos de Fados" - a literatura vertida em fado

Novo CD da fadista Aldida Duarte é uma delícia. Um disco que parece um livro... Já está à venda. Vale a pena!

Livros vertidos para fados tradicionais. Assim se pode resumir o quarto álbum de Aldina Duarte, intitulado “Contos de Fados”. Tudo começou, precisamente, pelo título, segundo contou a fadista ao Ípsilon: “A partir desse nome lembrei-me de pedir a todas as pessoas que escreveram para o disco que o fizessem a partir de obras literárias à sua escolha”. E foi isto. Nem mais uma indicação nos recados entregues a Manuela de Freitas, José Mário Branco, Maria do Rosário Pedreira, José Luís Gordo e à própria Aldina. Literatura portuguesa ou estrangeira, de qualquer estilo, poemas, romances, novelas, crónicas, tudo valia como fonte de inspiração. Vai daí, Aldina escreveu a partir de “O Eterno Marido”, de Dostoiévski, José Mário Branco pegou na história de “A Bela Adormecida” e num conto de Hermann Hesse (letra e música, neste caso), Manuela de Freitas inspirou-se em três peças de teatro – entre as quais “Um Eléctrico Chamado Desejo”, de Tennessee Williams – e Maria do Rosário Pedreira escreveu a partir do mito de Orfeu e Eurídice, entre outros temas. Para Aldina, o resultado final acaba por aproximar “Contos de Fados” do “conceito de livro de bolso”, incluindo um prefácio, uma introdução e um poema de abertura de Pedro Mexia “que resume a história do disco”. Nas palavras da fadista, o álbum pode ser descrito como “uma espécie de luta entre o amor e o desamor”, começando “violentíssimo” mas terminando “de uma maneira bonita”. Como sempre tem acontecido nos álbuns de Aldina Duarte, a guitarra portuguesa está a cargo de José Manuel Neto e a viola nas mãos de Carlos Manuel Proença. Ainda assim, espaço para participações especiais de Rogério Ferreira, Paulo Parreira e Miguel Ramos, colaboradores da fadista em concerto e na Casa de Fados "Senhor Vinho" onde a fadista trabalha.

Gato escaldado, um poema de Maria do Rosário Pedreira, inspirado na fábula "O Pastor e o Lobo" de Esopo.

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