terça-feira, 27 de julho de 2010

Mensagens de Esperança


Cinema Português a "Contraluz"

Um homem que se isolou desde a morte da mulher está prestes a pôr fim à vida quando uma estranha mensagem proveniente de um GPS o faz inverter caminho.

Uma mãe desesperada com o comportamento da filha, que se afirma diariamente salva por uma voz vinda do telemóvel, mete-se com esta a caminho em busca de uma explicação e enfrenta uma situação fatal.

Um homem tenta ajudar um rapaz perturbado a retroceder no seu fito: regressar ao lugar onde perdeu a namorada e reencontrá-la, pela morte, registando o momento que a antecede com uma máquina fotográfica.

Cinco personagens desesperadas em “Contraluz” a quem o argumento do realizador Fernando Fragata oferece vias de esperança, aparentemente através de marcos simbólicos de natureza tecnológica representando a orientação, comunicação, o registo... uma ideia tão bem conseguida quanto bem intencionada?... Inequívoca e maioritariamente, o filme beneficia de um bom trabalho fotográfico. O mesmo se pode dizer da direcção musical a cargo de Nuno Maló, ainda que este abuse do tom épico.

É, porém, além dos diálogos minimalistas, em termos de gestão narrativa e de conteúdo, que o filme é menos bem sucedido: de facto, entrecruzar as histórias de várias personagens exige uma precisão e sentido de prioridade capazes de distribuir equitativamente a nossa atenção por todas elas. Desvios narrativos e a sobre dosagem de elementos catalizadores arriscam aqui esse equilíbrio. Qualquer um dos filmes do mexicano Alejandro G. Iñarritu (“Babel”, “21 Segundos” ou “Amor Cão”), por exemplo, serviria para exemplificar essa boa gestão .

Por outro lado, se é de louvar quer a declarada mensagem de esperança que Fernando Fragata afirma querer transmitir, quer o facto de todas as personagens verem abrir-se o seu caminho para além do que tinham fixado como ponto final, é menos clara a validade do modo como tal é conseguido: na verdade, apesar do potencial simbólico, nunca o uso daqueles meios tecnológicos passa o casual, não sendo suficientemente aprofundado ou coordenado sequer com a nossa capacidade de transcendência, vontade ou livre arbítrio, para credibilizar a índole transcendente a que o filme aspira.


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