domingo, 22 de novembro de 2009

Hora da Poesia e da Esperança






AVE DA ESPERANÇA

Passo a noite a sonhar o amanhecer.
Sou a ave da esperança.
Pássaro triste que na luz do sol
Aquece as alegrias do futuro,
O tempo que há-de vir sem este muro
De silêncio e negrura
A cercá-lo de medo e de espessura
Maciça e tumular;
O tempo que há-de vir - esse desejo
Com asas, primavera e liberdade;
Tempo que ninguém há-de
Corromper
Com palavras de amor, que são a morte
Antes de se morrer.

Miguel Torga

1 comentário:

Anabela Magalhães disse...

Excelente Torga que eu amo!
Excelente escolha, Fátima!
beijinhos e boa semana de trabalho