segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Inquietações



A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio.

Martin Luther King

sábado, 28 de novembro de 2009

Hora da Poesia





Cântico negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Investigação e Educação Especial


Título: Dificuldades de aprendizagem específicas e desordem por défice de atenção e hiperactividade : um estudo single- subjet sobre monitorização da atenção
Autor: Lopes, Ana Sofia Pereira Rodrigues
Orientador: Martins, Ana Paula Loução
Data: 7-Jul-2009
Resumo:
Segundo Hallahan, Kauffman e Lloyd (1999), cerca de 30% dos alunos com dificuldades de aprendizagem específicas apresentam um diagnóstico duplo, isto é, apresentam simultaneamente desordem por défice de atenção e hiperactividade ou outra desordem emocional ou comportamental. Os problemas de atenção e hiperactividade, que caracterizam o comportamento de muitos alunos com dificuldades de aprendizagem específicas, são desconcertantes para professores, pais e alunos. Estes problemas, em geral, exigem uma maior competência profissional dos professores do que os problemas comportamentais revelados pelos demais alunos. O estudo efectuado prende-se com a problemática das dificuldades de aprendizagem específicas e a relação existente com a desordem por défice de atenção e hiperactividade, visando a estruturação e implementação de um programa educativo facilitador do sucesso escolar. Investigamos o impacto de dois métodos, o método auto monitorização da atenção e o método tradicional de controlo da atenção, para o ensino de comportamentos de atenção desejados de três alunos com dificuldades de aprendizagem específicas e desordem por défice de atenção e hiperactividade que frequentam o quarto ano de escolaridade do Ensino Básico. Este estudo foi desenhado no sentido de responder à seguinte questão de investigação: - É o comportamento de atenção desejado em cada aluno superior quando o método de ensino usado é o auto – monitorização da atenção do que quando o método de ensino é o tradicional? Utilizando uma metodologia single subject design, verificamos que todos os sujeitos participantes neste estudo apresentaram um número maior de comportamentos de atenção quando sujeitos ao método de ensino auto – monitorização da atenção do que quando sujeitos ao método tradicional, embora não se tenha registado uma progressão contínua no que se refere ao número de comportamentos de atenção. Daqui, podemos aferir que o método auto – monitorização da atenção se revela o mais adequado para o desenvolvimento de competências de atenção em alunos com estas problemáticas. Verificou – se, também, a facilidade da utilização do método auto – monitorização da atenção e, que a reflexão e a auto – avaliação como processo de aprendizagem e a adopção de programas comportamentais poderão funcionar como alternativas ou complementos às terapias farmacológicas no tratamento de crianças com desordem por défice de atenção e hiperactividade.

Abstract: According to Hallahan, Kauffman and Lloyd (1999), about 30% of students with specific learning disabilities have a dual diagnosis, i.e., have both attention deficit hyperactivity disorder and emotional or behavioral disorder. Problems of attention and hyperactivity that characterize the behavior of many students with learning disabilities are disconcerting to teachers, parents and students. These problems, in general, require greater professional competence of teachers rather than the behavioral problems revealed by other students. The aim of this study concerns the problem of specific learning disabilities and the link with the attention deficit hyperactivity disorder, to the structuring and implementation of an educational program that improves academic success. Investigate the impact of two methods, the method self – monitoring of attention and the traditional control of attention method, for teaching the desired behavior of attention of three students with learning disabilities and attention deficit hyperactivity disorder attending the fourth year of basic school. This study was designed to answer the following research question: - Whether a students’ attention behavior is greater when using self- monitoring of attention than using traditional control of attention? Using a single subject design methodology, we found that all subjects participating in this study showed a greater number of behaviors of attention when subjected to the method self – monitoring of attention than when subjected to the traditional method, although there has no continuous progression regarding the number of behaviors of attention. Hence, we can ascertain that the method self - monitoring of attention is the most suitable for the development of skills of attention in students with this problematic. It was also shown that the method self – monitoring of attention is ease to use and, that the reflection and self - evaluation as a learning process and adoption of behavioural programs could serve as alternatives or complements to drug therapies in the treatment of children with attention deficit hyperactivity disorder.

Tipo:
masterThesis
Descrição: Dissertação de Mestrado em Educação Especial - Ramo de especialização em Dificuldades de Aprendizagem
URI: http://hdl.handle.net/1822/9802
Aparece nas colecções: BUM - Dissertações de Mestrado

Ficheiros deste registo:
tese.pdf Ver/Abrir *

* O acesso ao estudo (tese de mestrado supramencionada) carece de autorização do autor e da respectiva Instituição de Ensino Superior (Universidade do Minho), no entanto, basta preencher um formulário on-line e aguardar uns dias para que lhe seja facultado o respectivo acesso.

Da arte de ouvir


De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver juntos e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: “No princípio era o Verbo”. Eu acrescento: “Antes do Verbo era o silêncio.” É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim. Para ouvir as vozes do silêncio. Veja esse poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta: “Cessa o teu canto! Cessa, que, enquanto o ouvi, ouvia uma outra voz como que vindo nos interstícios do brando encanto com que o teu canto vinha até nós. Ouvi-te e ouvia-a no mesmo tempo e diferentes, juntas a cantar. E a melodia que não havia se agora a lembro, faz-me chorar...” A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suas palavras. É nesse silêncio que se ouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar.

Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa para por não haver o que dizer tratamos logo de falar qualquer coisa, para por um fim no silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio, é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare.

Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano o nome do filme é “Aconteceu em Tóquio”. Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra. Nada diziam porque no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras. A filosofia ocidental é obcecada pela questão do Ser. A filosofia oriental, pela questão do Vazio, do Nada. É no Vazio da jarra que se colocam flores.

O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. A menininha, Andréa, voltava do seu primeiro dia na creche. “Como é a professora?”, sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: “Ela grita...” Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, Da. Clotilde, tivesse jamais gritado. Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola a violência começa com estupros verbais.

Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete. “Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será que ela ouve mesmo? Não sei... O que conta é que ela não interrompe a fala. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu...’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: ‘é exatamente como eu, eu...’Essa frase ‘é exatamente como eu...’ parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro...”

Será que era isso que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno ( pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca. Talvez seja essa a razão porque há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não haja cursos de escutatória. Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir.

Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago do escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana “Cem Mondialità” a sugestão de que, antes de se iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças. No silêncio das crianças há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência. A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche.

Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação com o falar claro, tenham também uma justa preocupação com o escutar claro. Amamos não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar...

Rubem Alves in A Casa de Rubem Alves

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Inquietações


Feira de Livros


Outono dos Livros:
Feira de edições da BNP
25 a 27 de Novembro de 2009 - Átrio Principal da BNP, das 10h às 19h


A feira de edições da Biblioteca Nacional é uma oportunidade para comprar livros publicados pela BNP até 2005 a preços de saldo (de 1 a 10 euros): história, literatura, história do livro, da ciência e das artes, catálogos e roteiros de exposições, bibliografias, guias e inventários, edições críticas, etc.


Biblioteca Nacional de Portugal
Serviço de Actividades Culturais
Campo Grande, 83
1749-081 Lisboa
Portugal

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Na Casa Fernando Pessoa



Uma conferência de Caetano Veloso e Antonio Cicero intitulada A Mensagem do Tropicalismo, sobre a influência de Mensagem de Fernando Pessoa no movimento tropicalista, inaugura o ciclo Livres Pensadores na Casa Fernando Pessoa, no próximo dia 4 de Dezembro, às 18.30. Com esta série de conferências, de periodicidade mensal, a Casa Fernando Pessoa pretende dar a ouvir algumas das mais luminosas e heterodoxas vozes do pensamento e da criação contemporâneos, nas mais diversas áreas, contribuindo assim para o desenvolvimento da liberdade de pensamento e do sentido crítico que Fernando Pessoa tanto cultivou e de que Portugal tanto necessita. A conferência de Caetano Veloso e Antonio Cicero assinala os 75 anos da publicação de Mensagem de Fernando Pessoa.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

75 anos de "Mensagem" de Fernando Pessoa




No próximo dia 1 de Dezembro assinala-se os 75 anos da publicação da primeira edição de Mensagem de Fernando Pessoa, o único livro de poemas em português que publicou em vida. A Câmara Municipal de Lisboa, a Biblioteca Nacional e a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, promovem uma sessão comemorativa no anfiteatro da BNP, às 17h30m, com a presença de Eduardo Lourenço, Manuel Alegre, Vasco Graça Moura e do actor Luís Lucas. Nessa sessão, a Guimarães Editores, em parceria exclusiva com a FNAC, vai lançar uma edição de Mensagem clonada do dactiloescrito original, que faz hoje parte do espólio da BNP. Essa edição terá venda exclusiva nas lojas Fnac e na Livraria de Arte. Ainda no âmbito do programa da comemoração dos 75 anos de Mensagem vão realizar-se na FNAC do Chiado e na Casa Fernando Pessoa debates moderados por Carlos Vaz Marques, dias 2 e 9 de Dezembro, pelas 18h30m:


Dia 2 “- É a hora!”, O sentido da “Mensagem”: com a presença de Paulo Borges, Manuel Gandra e Miguel Real;


Dia 9
"Mensagem", o Poema, o Prémio e o Estado Novo": com a presença de José Blanco, Richard Zenith e José Carlos Seabra Pereira.

domingo, 22 de novembro de 2009

Hora da Poesia e da Esperança






AVE DA ESPERANÇA

Passo a noite a sonhar o amanhecer.
Sou a ave da esperança.
Pássaro triste que na luz do sol
Aquece as alegrias do futuro,
O tempo que há-de vir sem este muro
De silêncio e negrura
A cercá-lo de medo e de espessura
Maciça e tumular;
O tempo que há-de vir - esse desejo
Com asas, primavera e liberdade;
Tempo que ninguém há-de
Corromper
Com palavras de amor, que são a morte
Antes de se morrer.

Miguel Torga

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Semana da Ciência: Eventos



Que ciência se faz em Portugal? Quem são os nossos cientistas? Como trabalham? O que investigam? Que resultados obtêm?
A Cerimónia Mundial de Encerramento do Ano Internacional do Planeta Terra realiza-se em Lisboa, nos dias 20 a 22 de Novembro, marcando o início da Semana da Ciência e da Tecnologia.

De 21 a 27 de Novembro, a ciência e a tecnologia estão na ordem do dia em mais de uma centena de instituições científicas, universidades, escolas, associações, museus e Centros Ciência Viva de todo o País.
Colóquios, exposições, cafés de ciência ou actividades em laboratórios são exemplos de iniciativas organizadas durante a Semana da Ciência, contribuindo para uma apropriação da ciência pelos cidadãos.
Não deixe de marcar a Semana da Ciência e da Tecnologia 2009 no seu calendário. Todas as actividades são gratuitas.

Eventos


Oficinas / WorkShops
Portas Abertas / Visitas a laboratórios
Exposições
Visita Guiada a Museu


Pesquisa

Dias: 21 22 23 24 25 26 27

Cartaz da divulgação – Download (pdf)
Mais informações: aqui.

Das tecnologias


Infância, crianças e internet: desafios na era digital

Conferência Internacional

23 e 24/11/2009
10h00
Auditório 2
Entrada livre
Transmissão directa online http://live.fccn.pt/fcg/

Programação: aqui.

Local: Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Carta ao Pai Natal


Pedido do Antero que eu subscrevo ;-)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Projecto "Construir a Igualdade..."


Uma proposta de trabalho para professores do Ensino Básico. Excelente para trabalhar os Valores Universais da Igualdade, Solidariedade, Tolerância...


CONSTRUYENDO LA IGUALDAD

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Congresso - Percursos para o sucesso educativo


A Gailivro vai realizar o Congresso De Pequenino se Trilha o Caminho – Percursos para o sucesso educativo, na Universidade Católica - Auditório Cardeal Medeiros (Lisboa) e na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda (Porto), nos dias 05 e 12 de Dezembro, respectivamente.

Trata-se de uma iniciativa destinada a professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico, onde se pretende, numa perspectiva integrada deste ensino, sublinhar a importância que, a par das disciplinas curriculares, as áreas das expressões assumem para o sucesso na aprendizagem dos alunos: cada vez mais a investigação coloca em destaque o grande contributo da música, da expressão dramática e vocal, da expressão gráfica ou da dança criativa para um maior desenvolvimento das crianças nas outras áreas do conhecimento, especialmente nestas faixas etárias.

O Congresso contará, por isso, com a intervenção de pessoas especializadas nestas diferentes áreas que contribuirão, seguramente, para um maior enriquecimento de todos e para a salutar partilha e discussão de ideias.

Para mais informações (programa, inscrições...) clique na imagem

Biblioteca - Museu República e Resistência


Um espaço para conhecer. Comece por uma visita virtual e conheça um pouco da história, o programa, a galeria, as exposições, a biblioteca, alguns links de interesse sobre as temáticas envolventes e os contactos.

Convite




As Edições MinervaCoimbra, a Directora da Colecção Comunicação História e Memória, o Autor e o Teatro Académico de Gil Vicente convidam para o lançamento do livro

A Comunicação Política na Revolução de Abril (1974-1976)

de Marco Gomes.

A apresentação será feita pelo Prof. Doutor Amadeu Carvalho Homem.

A sessão realiza-se no próximo dia 19 de Novembro, pelas 16h00, no Foyer do Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra.


Primeiro volume da Colecção Comunicação História e Memória publicada pelas Edições MinervaCoimbra e dirigida por Isabel Nobre Vargues.


"... A comunicação política é aqui encarada num sentido amplo, abrangendo um leque variado de formas e actores, que extravasa em muito as mensagens dos órgãos de comunicação social, os que até agora mais interesse despertaram entre os estudiosos. Sem deixar de lhes conceder aos jornais, rádio e televisão a atenção necessária, Marco Gomes debruça-se também, no que é o carácter mais inovador do seu trabalho, sobre as mensagens políticas da propaganda partidária, os cartazes, os slogans, as caricaturas, as fotomontagens, a banda desenhada, a pintura mural, o canto de intervenção e a mais variada iconografia da Revolução, desde os emblemas e postais até à estatuária e à medalhística...".

António Reis, in Prefácio

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Coisitas que ficam por dizer?


"Aprender a Empreender"


É uma organização sem fins lucrativos, que tem como objectivo levar o empreendedorismo, o espírito de iniciativa e a inovação às próximas gerações de portugueses. O vídeo infra explica os objectivos do projecto, o percurso e os resultados pretendidos. Vale a pena ver e ouvir.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Entrevista com o Escritor Richard Zimler


Zimler: «Custou escrever ´Os Anagramas de Varsóvia´»
Texto: Pedro Justino Alves

«Os Anagramas de Varsóvia», de Richard Zimler, editado pela Oceanos, é a última obra do autor, lançado em Setembro de 2009. O norte-americano que veio para Portugal em 1980 e vive no Porto desde 1990, confessa que este foi um dos livros mais difíceis de escrever da sua carreira preenchida de êxitos. Tudo porque perdeu familiares no gueto de Varsóvia, local onde decorre a obra.
O Holocausto sempre foi uma pedra no sapato na vida de Richard Zimler, que confessa que sempre sentiu necessidade de pesquisar sobre o assunto. Numa altura em que o Mundo assinala os 70 anos do início da II Guerra Mundial, o norte-americano decidiu enfrentar os seus fantasmas com «Os Anagramas de Varsóvia», uma obra que demonstra na perfeição o que foi viver nos guetos polacos durante o conflito bélico.

Um drama que nem sequer o autor conseguiu ficar indiferente, confessando que o «humor negro e o heroísmo» das duas personagens principais foram fundamentais para a conclusão da obra. «Foram essenciais para ultrapassar os períodos mais complicados durante a escrita», admite. Para contar a história, Zimler refugiou-se no género policial devido a «atmosfera sombria e tensa do gueto», que possuía «todos os elementos de um thriller comovente e arrepiante sem eu ter que inventar alguma circunstâncias».


Evidentemente que este livro significa muito para você em termos pessoais, já que, se não estou em erro, perdeu familiares no gueto de Varsóvia. Este foi o livro mais complicado de escrever da sua carreira?
É verdade, todo o lado europeu da minha família morreu nos campos de concentração, excepto um dos filhos de uma irmã da minha avó materna. Talvez por isso sempre senti a obrigação de pesquisar sobre o Holocausto. Um aspecto do período nazi sobre o qual sabia pouco antes de começar a escrever «Os Anagramas de Varsóvia» era os guetos na Polónia, onde os judeus foram colocados antes de transportados para os campos de concentração. Li muito sobre o assunto para saber como era a vida quotidiana. E só depois comecei a escrever. Quando escrevo, mantenho uma certa distância da acção do livro, algo essencial porque um romancista não se pode deixar sobrecarregar de emoção durante o processo de criação. Fiquei transtornado apenas três ou quatro vezes – por exemplo, quando o narrador, Erik, descreve o corpo esquelético de uma senhora que morreu de fome. O humor negro e o heroísmo que Erik evidencia ao longo do livro, e também o amigo Izzy, foram essenciais para ultrapassar os períodos mais complicados durante a escrita.

Mais uma vez a descrição dos ambientes é muito rico, como é aliás habitual nas suas obras. Como foi o trabalho de pesquisa?
Li vários livros sobre os guetos de Varsóvia, Lodz e outras cidades polacas para ter uma ideia clara da vida quotidiana dos judeus. O livro mais importante do meu ponto de vista - e que recomendaria vivamente – é um de Emmanuel Ringelblum, «Crónicas do Gueto de Varsóvia». Ringelblum era um historiador e escritor e, juntamente com outros voluntários, formou um grupo que escreveu apontamentos pormenorizados sobre todos os aspectos da vida no gueto, acumulando cerca de 50.000 documentos. Por exemplo, jornais ilegais, trabalhos escolares, posters, bilhetes de teatro.... Quando Ringelblum e o seu grupo souberam que provavelmente não iriam sobreviver, colocaram os textos e os documentos em latas de leite e caixas metálicas, enterrando as mesmas em caves. No fim da guerra, a maioria das latas e caixas foram descobertas. Este arquivo oferece-nos uma riquíssima fonte de informações sobre todos os aspectos sociais e políticos do gueto. Em relação ao processo de pesquisa, creio que durou cerca de seis meses. Durante este período fui a Varsóvia, embora 99% do gueto já não exista, já que foi destruído primeiro pelos alemães durante a revolta judaica de 1943 e, depois, pelos russos no fim da guerra. Mesmo assim, foi importante – e comovente – estar em Varsóvia, a cidade dos meus avós paternos, passear nas ruas em que eles passeavam há 70 anos.

E teve alguma coisa que o surpreendeu em concreto durante a pesquisa?
Surpreenderam-me principalmente as diferenças entre os guetos. Além da falta de comida e de medicamentos, cada gueto tinha as suas próprias características. Por exemplo, no gueto de Lodz, os centenas de milhares de internados não tinham acesso à moedas e notas polacas ou alemães, mas foram forçadas pelos nazis a usar dinheiro impresso apenas para o gueto. Pode não parecer uma medida importante, mas limitou quase por completo o desenvolvimento de um mercado negro porque os judeus não podiam pagar pela comida ou roupa ou qualquer outro produto fora do gueto. Uma consequência dessa medida foi que os judeus de Lodz foram quase totalmente dependente dos nazis – uma situação absolutamente abominável. A crueldade e a miséria do gueto de Lodz marcaram para sempre os poucos que conseguiram sobreviver. Em Varsóvia, os nazis permitiram aos judeus a utilização do dinheiro polaco e consequentemente um mercado negro floresceu. Isto foi uma enorme ajuda para os residentes porque podiam sair clandestinamente do gueto e comprar produtos nas zonas polacas da cidade.

O que diferencia «Os Anagramas de Varsóvia» do restante das suas obras?
«Os Anagramas de Varsóvia» tem o ritmo de um policial, é um livro mais rápido do que, por exemplo, «A Sétima Porta», o meu anterior romance. Esta rapidez deu-me a possibilidade de criar um romance mais acessível e também obrigou a focar a escrita quase exclusivamente em Erik, o narrador, e no seu amigo de infância, Izzy. Não foi uma desvantagem porque adoro ambos. Para mim, são duas pessoas magníficas.

«Os Anagramas de Varsóvia» é uma história de vingança e ressentimento ou há outros valores também expostos?
Em parte, é a vingança de Erik sobre as pessoas que mataram os seus familiares. Mas, para mim, é muito mais do que isso porque o livro explora como conseguimos encontrar forças e vontade para continuar depois de perder quase tudo. Como é que reconstruímos a nossa identidade depois de um trauma insuportável? Como é que conseguimos encontrar um novo significado para a vida? Através de Erik e de Izzy exploro estas questões e temas e, em consequência, exploro também a resistência e a coragem do ser humano. Para mim, é um livro sobre o heroísmo. Não é o heroísmo de um soldado com uma arma ou do protagonista de um filme de Steven Spielberg ou George Lucas. É o heroísmo quase silencioso de todos que lutam na sua vida quotidiana para encontrar a justiça e manter a sua dignidade.

Porque resolveu escolher o género policial para descrever o drama no gueto de Varsóvia?
Ao descobrir durante a minha pesquisa a atmosfera sombria e tensa do gueto – um sítio de carências terríveis mas também com um mercado negro muito dinâmico – decidi que era o sítio ideal para um policial noir. O gueto tinha todos os elementos de um thriller comovente e arrepiante sem eu ter que inventar alguma circunstâncias.

Como vê a criação do gueto de Varsóvia? É a loucura humana no seu expoente máximo? Foi uma das criações mais demoníacas do ser humano?
Os nazis precisavam de uma maneira muito eficiente de vigiar e controlar a população judaica e, de acordo com a tradição europeia milenar, optaram por colocar os judeus numa área limitada. A criação dos guetos na Polónia e outros países foi uma consequência lógica da ideia completamente ilógica de higiene racial, da necessidade de proteger a população cristã de uma raça inferior e contaminante. A loucura surge da ideia nazi de ser uma raça pura e da ideia subjacente das raças puras serem mais fortes. Não há raças puras! Somos todos mestiços. E sabemos através das leis genéticas que, em geral, quanto mais mistura tivermos mais resistente seremos.

Em determinado momento o gueto de Varsóvia transforma-se numa ilha. Pelo menos é essa a sensação que temos quando lemos o livro, que os judeus viviam numa ilha localizada precisamente no centro da Europa.
Sim, desenvolvi a imagem da ilha ao começar a fazer a minha pesquisa, de uma ilha delineada por um muro alto de tijolo e arame farpado em vez do mar. Fascinava-me essa imagem, de um pequeno território cortado do resto da Europa e do Mundo. Como é que as pessoas viviam? O que comiam? Havia escolas para as crianças? Surgiram imensas perguntas e li muito para conseguir respostas adequadas a todas elas. E depois comecei a escrever...

Um dos méritos do livro é demonstrar que também no horror há uma vida normal, a vida de todos os dias. Essa realidade é propícia do ser humano, a realidade da sobrevivência?
Penso que o ser humano é muito flexível e consegue adaptar-se a um leque enorme de circunstâncias. Os prisioneiros dos guetos tinham poucas opções: ou se adaptavam a nova condição ou tentavam fugir. E a fuga era uma opção muito arriscada. Os que tentaram foram frequentemente denunciados por cristãos e acabaram executados. No início, em Outubro de 1940, a grande maioria dos judeus nunca imaginou que iria ser transportada mais tarde para campos de morte. Por isso, optaram por ficar no gueto e construir uma nova vida. Conseguiram criar escolas para as crianças e uma vida cultural muito rica – teatros, produções musicais, dança... Fizeram de tudo por manter uma vida normal, pelo menos tentaram. Mais tarde, depois que os transportes começaram, depois de compreenderem que iriam ser mortos, os judeus montaram a famosa revolta do gueto de Varsóvia, um dos mais comoventes exemplos de coragem e heroísmo que conheço.

Demonstra também em muitos momentos o pior do ser humano, já que, mesmo enfiados no gueto, alguns judeus procuraram ter vantagens sobre os outros.
Uma situação limite de imenso sofrimento e degradação pode fazer nascer o melhor ou o pior dentro das pessoas. E não sabemos prever qual dos dois – ou qual a mistura dos dois – vai emergir num determinado indivíduo. É um grande e importante mistério psicológico. Quando se trata da sobrevivência dos nossos filhos e dos nossos pais não podemos prever o que faremos. E talvez seja demasiado fácil julgá-los com 70 anos de distância.

Acredita que ainda há guetos de Varsóvia espalhados pelo Mundo?
Sim, infelizmente não aprendemos muito com a história e há muita gente marginalizada em guetos no nosso mundo, vivendo em condições miseráveis e sem muita esperança de uma vida melhor.

In Diário Digital, 7/10/2009

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Mais informações aqui.

domingo, 15 de novembro de 2009

Valorizar a Língua Gestual


Imagem: daqui

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre

sábado, 14 de novembro de 2009

O sonho de aprender


Mais um excelente artigo semanal de Miguel Santos Guerra (14.11.2009). Uma história verdadeiramente emocionante. Testemunho de uma estrondosa vontade de aprender, mesmo quando as condições sociais e familiares não são favoráveis.

Los niños del cable

Hace tiempo que circula por la red un pequeño y emocionante reportaje sobre un grupo de escolares de Colombia que, para acudir a su escuela, tienen que atravesar cada día un profundo precipicio de más de doscientos metros. Con un frágil arnés se cuelgan de una oxidada polea que discurre por un cable de más de ochocientos metros. Para amortiguar el golpe que causaría la inercia de la caída utilizan una pequeña orquilla que cruzan con la polea. La misma aventura cada día para ir a la escuela y para volver a sus casas. Resulta emocionante ver a esas criaturas (algunas veces hacen esa arriesgada travesía dos niños juntos, uno cogido a la espalda del otro) poniendo en juego sus vidas para poder aprender.

Me pregunto por lo que les pasa a nuestros niños y jóvenes cuando desprecian la oportunidad de acudir a la escuela y, llegado un momento, consideran que aprender es una tortura o un castigo. Fracaso, absentismo y conflictividad en las aulas contrastan con el ejemplo admirable de los “niños del cable”.

(continua)

A reportagem supramencionada:

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

CONVITE


(Recebido da Gradiva Publicações, S.A.)


A FUNDAÇÃO PROFESSOR FRANCISCO PULIDO VALENTE, a FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN e a GRADIVA, têm o prazer de convidar V. Exa. a estar presente na sessão de lançamento da obra


A sessão terá lugar na próxima terça-feira, 17 de Novembro, pelas 18.30 horas, no auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, Av. de Berna, nº 45, em Lisboa.

A obra será apresentada por Ana Gerschenfeld, jornalista de Ciência do jornal Público.

Educação dos Afectos


Em tempos que se adivinham difíceis pela obrigatoriedade de implementar nas escolas Projectos de Educação Sexual, sem que tenha havido a preparação do terreno com formação especializada na área dos profissionais da educação... deixo um livro de referência e um convite à leitura para os interessados (para os professores que vão estar directamente implicados nesses projectos, mas também para todo o público que se interesse por esta temática).


A Arte de Amar, Erich Fromm

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Passatempo Cultural em Dia de S. Martinho


Tendo como base alguns provérbios alusivos ao S. Martinho e ao Outono, o Paulo Freixinho criou um passatempo onde as palavras que vão preenchendo a grelha completam os respectivos provérbios.
Para ajudar, o Paulo fornece as palavras pretendidas ordenadas por ordem alfabética.
Um passatempo acessível a todas as idades... para resolver pelos mais novos na escola ou em casa, quiçá para fazer em família ao serão enquanto comem umas castanhas quentinhas e boas.
;-)

Clique na imagem para ampliar e imprima:


Em dia de S. Martinho



Era uma castanha que estava como as outras, pendurada de um castanheiro.
Chegando o tempo, as castanhas amadurecem e caem por si. Só que esta não caiu.
- Estou bem onde estou e não quero aventuras - dizia.
Uma a uma, as outras dos ramos iam caindo e rebolando pelo chão, protegidas pelo cobertor ouriçado que as cobria até ao nariz. Nariz é modo de dizer?
Vinham os garotos, estalavam-lhe os ouriços e metiam-nos nos bolsos. A tímida e teimosa castanha desta história a tudo assistia do seu mirante e não gostava.
- A mim não me levam eles - dizia.
Era a única que sobrava em todo o castanheiro. As folhas a fugirem da árvore, sopradas pelo vento, e ela a afincar-se ao ramo, com unhas e dentes. Unhas e dentes é um modo de dizer?
Sozinha, desabrigada, não estava feliz. Nem infeliz. Sentia até uma ponta de orgulho por ter conseguido resistir tanto tempo. Um sabor de vitória que a ouriçou toda.
- Ai que vou cair - gritou.
Mas, no último instante, conseguiu agarrar-se. Ainda não era daquela.
Entardecia. Um grupo de gente acendera uma fogueira, junto ao castanheiro. Os garotos, que tinham andado às castanhas, e os pais dos garotos e os amigos dos garotos riam e cantavam. Estavam a preparar o magusto da noite de São Martinho.
A castanha solitária, no alto do castanheiro nu, estranhou a vizinhança. E intrigou-se. Que estaria a passar-se.
Debruçou-se do ramo mais e mais. A madeira a arder estalava, mesmo por baixo da castanha, a última. O fumo entontecia-a. E se fosse ver de perto o que se passava?
Foi. Caiu. E a história acaba aqui. Paciência. É o destino das castanhas. Destino é um modo de dizer?

História: António Torrado
Imagem: Cristina Malaquias

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Passatempo Cultural - "A Prenda"


A Estante de Livros em conjunto com a Editorial Presença, oferece 3 packs que incluem exemplares do livro "A Prenda", de Cecelia Ahern, um saco de pano e um postal.



Sinopse: Todos os dias Lou Suffern, um arquitecto bem-sucedido de Dublin, travava uma batalha inglória com o relógio, na tentativa vã de responder às múltiplas solicitações profissionais, familiares e sociais. Vivia a um ritmo vertiginoso. O seu desejo de sucesso afastou-o do que era realmente importante na sua vida. E assim foram correndo os dias até àquela gelada manhã de terça-feira em que resolveu oferecer um café a Gabe, o sem-abrigo que costumava sentar-se perto da entrada do seu escritório. À medida que o Natal se aproxima e que Lou vai privando mais de perto com Gabe, a sua perspectiva do tempo vai-se alterando... Emocionante e divertida, esta narrativa onde está sempre presente o espírito de Natal, faz-nos reflectir sobre a importância do tempo e rever as prioridades na nossa própria vida.


Sobre a Autora: Cecelia Ahern é formada em Jornalismo e Comunicação. Aos vinte e um anos escreveu o seu primeiro romance, P. S. – Eu Amo-te, um imediato e estrondoso sucesso publicado em mais de 40 países, que liderou as listas de bestsellers na Irlanda, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e Holanda, e deu origem ao filme com o mesmo nome. Todos os seus romances seguintes – Para Sempre, Talvez, Se Me Pudesses Ver Agora e Um Lugar Chamado Aqui - receberam um acolhimento entusiástico e alcançaram o estatuto de bestsellers. Alguns foram também adaptados ao cinema e valeram-lhe a atribuição de diversos prémios literários.


Para se habilitarem a um dos packs a concurso, basta que leiam o excerto do livro respondam acertadamente às 3 perguntas no formulário, até às 23h59 de 17 de Novembro (terça-feira).

O passatempo decorre na Estante de Livros onde poderá encontrar o formulário e outras condições de participação no passatempo "A Prenda".

Contra a Violência de Género


Extracto do videoclip contra la violência de género 2009, realizado no IES EL TABLERO (Proyecto de Coeducación), de Córdova. Com a participacão de alunos, professores, P.A.S. e todas as pessoas que se cruzaram neste projecto - CUANDO OIGAS LA SEÑAL ¡ GRITA Y CORRE¡ sob a direcção de Sergio Sáez.


sábado, 7 de novembro de 2009

Hora da Poesia, da Ciência e da Religião




Poema para Galileo

Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria
Eu sei... Eu sei...
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência as coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar -- que disparate, Galileo!
-- e jurava a pés juntos e apostava a cabeca
sem a menor hesitação --
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.
Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se estivesse tornando num perigo
para a Humanidade
e para a Civilizacão.

Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.
Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas -- parece que estou a vê-las --,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e escrevias
para eterna perdição da tua alma.

Ai, Galileo!
Mal sabiam os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo,
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.

Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa dos quadrados dos tempos.

António Gedeão

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Inquietações


Educar para prevenir a discriminação


Novidade

DESAPRENDER LA DISCRIMINACIÓN EN EDUCACIÓN INFANTIL

Autor: Babette BROWN
Colección: Pedagogía
Traductor:
ISBN: 978-84-7112-607-8
Número de páginas: 152
Tamaño: 17 X 24
Fecha de la edición: 28/10/2009
Edición número: 1ª
EDICIONES MORATA S.L

16,92 € (no incluye IVA)

Sinopse
Este libro cuestiona algunas ideas acerca del desarrollo en la primera infancia, que afirman que los niños son incapaces de comprender temas como: la justicia, el color de la piel, la discapacidad o la homofobia, explicando con toda claridad la teoría y la investigación relevantes y poniendo ejemplos de buena práctica.
Anima a todos los que trabajan con niños pequeños a facilitar que éstos hablen de manera constructiva sobre los problemas de la discriminación.

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EXTRACTO DEL CONTENIDO
Capítulo 1. Nunca se es demasiado pequeño para aprender. Capítulo 2. La práctica antidiscriminatoria, una buena práctica educativa. Capítulo 3. Cómo crear un ambiente antidiscriminatorio. Capítulo 4. El lenguaje es importante. Capítulo 5. ¿Demasiado pequeño para decidir? Capítulo 6. Tender puentes. Capítulo 7. No demasiado mayor para aprender. Capítulo 8. Recursos para la igualdad.

Lições de sucesso


Justiça Cega... Surda e ... Muda!

Rodrigo

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Um minuto de Astronomia


O que têm em comum: Nuno Markl, Nicolau Breyner, Silvia Alberto, Sérgio Godinho, Carla Chambel, Francisco Mendes, Cláudia Semedo, Margarida Martins, Helena Coelho, Jorge Gabriel, Luis Represas, Maria Gambina e Vitor de Sousa? São uns improváveis professores de astronomia durante 1 Minuto!

Explicar o que são buracos negros num minuto pode ser uma tarefa de peso para um cientista, mas e para um humorista, um actor ou um músico? Algumas estrelas portuguesas, como Nuno Markl, Nicolau Breyner, Sérgio Godinho e Sílvia Alberto decidiram vestir a camisola do Ano Internacional da Astronomia 2009 e trocar por miúdos os grandes temas do Universo. O resultado está no ar esta semana na RTP.

1 Minuto de Astronomia estreou ontem com o primeiro vídeo "Porque é a Astronomia importante?" Apresentado por Silvia Alberto. Produzido por Science Office e Duvideo.


Porque é a Astronomia importante? from 1MinAstronomia on Vimeo.


"Diversos relatórios apontam que as maiores contribuições da astronomia para a sociedade não são apenas aplicações tecnológicas ou os pequenos avanços científicos da astronomia, mas sim a oportunidade que todos nós... temos de alargar os nossos limitados horizontes, de nos ajudar a descobrir a beleza e grandeza do Universo e do nosso lugar nele."


Programação 1 Minuto de Astronomia :

RTP1
Quarta-Feira, 4 de Novembro 9:27 / 11:37 / 17:10 / 18:30
Quinta-Feira, 5 de Novembro 9:21 / 11:36 / 14:20 / 17:08 / 18:40 / 22:47 / 02:38
Sexta-Feira, 6 de Novembro 9:28 / 11:36 / 14:22 / 17:11 / 18:37 / 0:57 / 2:40
Sábado, 7 Novembro 9:49 / 11:35 / 15:58 / 17:15 / 18:13 / 22:59 / 02:55
Domingo, 8 de Novembro 10:00 / 14:45 / 17:12 / 18:28 / 22:59 / 02:41

RTP2
Quinta-Feira, 5 de Novembro 13:00 / 20:31 / 21:06 / 1:15 / 2:07
Sexta-Feira, 6 de Novembro 13:58 / 16:47 / 19:25 / 0:18 / 02:00


Um minuto de Astronomia também pode ser acompanhado, minuto a minuto, no twiter, faceboock e outras redes sociais a partir daqui.

Mudam-se os tempos... humor ou realidade?


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Exames com recurso à internet


Los estudiantes daneses podrán usar Internet en los exámenes finales
Se prohíbe enviar correos y chatear


Los alumnos de catorce colegios daneses ya tienen la suerte de consultar Internet durante sus exámenes. En 2011 la norma se extenderá a todo el sistema escolar del país, según publica BBC News.

Las primeras pruebas ya se han realizado en estos 14 colegios, en donde a la hora del examen las aulas se llenaban de cables y CD con las preguntas. Se mantiene la antigua regla de no hablar, pero la nueva es no enviar correos electrónicos a otras personas de fuera o de dentro del colegio, ni chatear (el profesor confía en la honestidad del alumno); por lo demás se puede consultar Internet, incluso redes sociales como Facebook, para encontrar las mejores respuestas a las preguntas.

Dinamarca es uno de los países tecnológicamente más avanzados, también en el uso de Internet. Desde hace una década, los estudiantes escriben los exámenes en sus ordenadores. El Gobierno argumenta que si Internet es parte de las vidas ciudadanas no se puede dejar fuera de las clases ni de los exámenes. El ministro de Educación, Bertel Haarder, se explica: "Nuestros exámenes tienen que reflejar la vida diaria en el colegio y la vida en el colegio tiene que reflejarse en la sociedad. Internet es indispensable, incluso en los exámenes. Estoy seguro de que en pocos años la mayoría de los países europeos nos imitarán".

In EL PAÍS.com - Barcelona - 04/11/2009


Nota: Mais um incentivo favorável aos alunos. Um incentivo à não valorização do trabalho, do esforço, do empenho diário e contínuo... para quê estudar se podem encontrar informação detalhada na internet para responder aos exames? Mau, mau será quando um dos futuros médicos, formados nessas escolas, tiver que operar de urgência um paciente. Será que o médico vai interromper a cirurgia para se ligar ao mundo virtual e pesquisar sobre como agir e que instrumentos utilizar? ...

Colóquio: Arte e História


O Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa promove, dias 27 e 28 deste mês, o colóquio «S. Vicente de Fora: Arte e História». Esta iniciativa realizar-se-á, no Mosteiro de S. Vicente de Fora.

Programa
27 Novembro 2009

10:00h - Recepção dos participantes (Salão Nobre)
10:15h - Sessão de abertura - Pe. António Pedro Boto de Oliveira

Conferências no Salão Nobre
10:30h – “Fundação, organização interna e gestão do património na Idade Média” - Carlos Guardado da Silva
11:00h – “De Cenóbio a Cúria Patriarcal: dialéctica de um lugar durante os séculos XIX e XX” - Ricardo Aniceto
11:30h - Café
Visita Guiada ao Coro-Alto
12:00h – “A retablística: presença e memória - perspectiva decorativa do templo” - Sílvia Ferreira e Sandra Costa Saldanha
13:00h - Almoço na Sala do Claustro
Visita Guiada aos Panteões
15:00h – “Corpo e alma: sepultamentos e memória” - Paulo Dias
16:00h - Café

Conferências no Salão Nobre
16:30h – “Hoc Templum Aedificavit Rex Portugalliae Alphonsus I: o mosteiro medieval” - Paulo Almeida Fernandes
17:00h – “1582: ano zero na arquitectura religiosa portuguesa?” - António Nunes Pereira
17:30h – “Hum dos Mayores e Magnificos Templos não só de todo o Reyno mas da Europa: a obra filipina” - Miguel Soromenho

28 Novembro 2009
14:30h - Recepção dos participantes (Museu)
Visita Guiada ao Mosteiro
15:00h – “Percurso pela azulejaria em São Vicente de Fora” - José Meco
16:45h - Café

Conferências na Sacristia
17:00h – “A magnificência do mármore: obras de embutidos de pedraria policroma” - Maria João Pereira Coutinho
17:30h – “Transitoriedade e permanência: a pintura de São Vicente de Fora” - Nuno Saldanha
18:00h – “Apresentação do livro Mosteiro de São Vicente de Fora: Arte e História” - D. José da Cruz Policarpo / D. Carlos A. Moreira Azevedo
20:00h - Jantar na Antiga Portaria

Humor


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Rankings e práticas educativas: Que relação?


Os professores do ensino secundário e os rankings escolares
Um convite sereno a mudar racionalmente o que houver a mudar nas escolas e nas práticas docentes.


Os professores do ensino secundário e os rankings escolares: reflexos da reflexividade mediatizada

Autor: M. Benedita Portugal e Melo
Prefácio: José Madureira Pinto
Editor: Fundação Manuel Leão
Colecção: DPP; 7
Número de edição: 1
Ano de Edição: 2009
N.º de páginas: 461
ISBN: 978-989-8151-10-0
Dimensões: 21,5 x 14 cm


Leia um pouco deste livro
Para mudar de página, coloque o cursor do rato no canto inferior ou superior da página e folheie

Dicas sobre Estratégias de Ensino


Estratégias de ensino: o saber e o agir do professor
Várias ideias-chave do processo de estratégias de ensino


Estratégias de ensino: o saber e o agir do professor
Autor: Maria do Céu Roldão
Editor: Fundação Manuel Leão
Colecção: DPP; 6
Número de edição: 1
Ano de Edição: 2009
N.º de páginas: 129
ISBN: 978-989-8151-08-7
Dimensões: 21,5 x 14 cm


Leia um pouco deste livro
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Inquietações Pedagógicas


Mais um excelente artigo de opinião de Miguel Ángel Santos Guerra. Uma profunda reflexão sobre outros valores que estão para além do valor do conhecimento. Falamos dos valores afectivos. Valores que fazem parte de uma desejável educação integral. Estes últimos quase banidos dos normativos e por sua vez da educação escolar.
Este artigo é um convite a repensar... que futuro? que educação queremos dar às nossas crianças? Quiça, repensar políticas educativas...

Conjugar cinco verbos

La educación sentimental es muy importante. Sin embargo, suele estar bastante abandonada. En la esuela se hace habitualmente hincapié en los aprendizajes de naturaleza intelectual que son necesarios para entender la realidad y la historia. Se aprende filosofía, matemáticas, geografía y literatura, pero muy poco relativo a la esfera emocional. Al menos, de manera sistemática e intencionada.
Hoy se insiste en la necesidad de que las personas sean competentes. Pero las competencias no son meras destrezas o habilidades. No son meros conocimientos. Las competencias tienen un carácter integrador que incluye sentimientos, actitudes y valores.

En la base de muchos planteamientos autodestructivos están ideas irracionales que hacen un daño casi irremediable si no se someten al rigor del análisis, si no se desmontan de manera efectiva. Para ser competentes emocionalmente hay que saber conjugar vivencialmente cinco verbos.

Dar: Hay personas que están incapacitadas para dar. Porque piensan que no tienen nada bueno que ofrecer, porque creen que su donativo emocional puede ser rechazado, porque creen que dar es presuntuoso, porque han tenido malas experiencias, porque lo creen peligroso si su gesto es malinterpretado.

Una postura egoísta nos cierra sobre nosotros mismos y nos impide vivir generosamente, dando lo mejor que tenemos, compartiendo aquellos que otros necesitan.

Recibir: Hay quien no es capaz de recibir el afecto de los demás. Porque lo considera peligroso. Creen que no son merecedores de ese afecto y, por ello, lo rechazan.

Fui testigo hace muy poco en la Feria del Rincón de la Victoria, lugar en el que vivo, de una curiosa escena. Una señora pretendía regalar una pulsera a una chica que caminaba con su padre. La señora insistía y ella, temerosa, no se atrevía a aceptar el obsequio. Era un regalo desinteresado. Hasta que el padre le dijo:

- Venga, acéptalo.

La chica se acercó y recibió la pulsera. No era una estrategia de vendedora que luego pedía el precio. Era, sencillamente, un regalo.

Las mujeres pueden tener una reticencia mayor cuando es un hombre el que ofrece algo. Porque piensan que en ese gesto hay un mensaje oculto, una trampa escondida. Pero, bueno, si alguien tiende esa trampa, hay tiempo y mil formas de desmontarla.

Nos estamos haciendo muy desconfiados. Las malas experiencias nuestras o ajenas nos hacen pensar mucho las cosas, nos ponen a la defensiva, nos hacen ver malas intenciones en los gestos más inocentes.

Pedir: Hay quien no sabe demandar amor, pedir lo que necesita afectivamente. Siente vergüenza. No está en condiciones de encajar la respuesta negativa. Se compara con otros sobre los que piensa que tienen derecho a pedir porque son merecedores de que se lo den todo.

Hace poco he leído el texto de un anuncio que me llamó la atención. No recuerdo ahora a qué producto servía de gancho publicitario. El texto era muy corto y muy explícito.“Tú, pide” Eso es: tú, pide. Puede ser que no te den, puede ser que ni siquiera te escuchen. Pero tú has hecho tu parte. Has sido capaz de pedir.

Rechazar: Hay quien no sabe rechazar la demanda de otros. Porque tiene miedo a hacer daño, a defraudar, a perder el afecto. Si dice no, piensn que nunca podrán pedir ellos nada.

No saber decir no, lleva a situaciones complicadas y de profunda infelicidad. Nadie debe sentirse responsable de las reacciones patológicas de los demás. Hablo de decir que no a peticiones que no sólo podemos sino que debemos rechazar..

Patti Breitman y Connie Hatch en su libro “Cómo decir no sin sentirse culpable” hablan de algunos noes cotidianos que es preciso pronunciar con firmeza. Por ejemplo decir no a un tratamiento de cosmética innecesario, a facturas escandalosas, a la prolongación innecesaria de tratamiento terapéutico, a contratistas y pintores, a la perseverancia de vendedores ambulantes, al correo comercial…

Quizás haya otras situaciones más complejas: una propuesta de noviazgo, un ofrecimiento de amistad,.una invitación a un viaje o a una fiesta, una propuesta de trabajo…
Se dice en el Prólogo del citado libro: “Aprendiendo a decir no sin sentiros culpables, dispondréis de un tiempo que ignorabais tener. Y, aún más importante, aprenderéis a decir sí a todas las cosas que resultan valiosas para el corazón, cosas que siempre habíais querido hacer pero estabais demasiado ocupados haciendo otras cosas… Cuando aprendáis a decir no recuperéis de nuevo vuestra vida”.

Encajar: Hay quien, ante una negativa o un rechazo se siente destruido. Piensa que eso le pasa por ser como es aunque quien le ha rechazado lo haga con todo el mundo.

En la película “Celia”, de José Luis Borau, una niña le chantajea a la protagonista diciendo que si no le regala una caja de bombones, dejará de ser su amiga. La respuesta de Celia es contundente:

- Peor para ti.

Ante un mismo acontecimiento se puede reaccionar de muchas formas. El mismo rechazo, por ejemplo, hace que una persona se hunda y que otra se fortalezca. Es muy importante saber reaccionar. Claro que importa lo que nos pasa, pero es mucho más decisiva la postura que adoptamos ante lo que nos pasa.

La imposibilidad de dar, recibir, pedir y rechazar afecto o de encajar una negativa, nos pone contra las cuerdas de la infelicidad. Es necesario practicar de forma constante y profunda la conjugación de estos cinco verbos para avanzar en el camino de la salud emocional.

Fonte: El Adarve, 31.10.2009