segunda-feira, 31 de agosto de 2009

À conversa com a Ministra da Educação


Entrevista de Bruno Proença e Madalena Queirós com Maria de Lurdes Rodrigues (responsável pela Tutela da Educação).

“Paz com professores vai sair muito cara ao país”
31/08/09


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Maria de Lurdes Rodrigues diz que a oposição erra ao tentar “comprar a paz com os professores”.
Durante toda a entrevista, Maria de Lurdes Rodrigues manteve a determinação que lhe é reconhecida e que os opositores, nomeadamente os sindicatos, caracterizam de teimosia. A ministra da Educação fez o balanço do mandato e respondeu aos críticos dentro do PS. Quanto às promessas da oposição, avisa: "Estão a comprar a paz com os professores por um preço que o país não pode pagar".


O PSD já disse que se vencer as eleições vai deitar abaixo algumas das suas principais reformas...
Já vimos muitas coisas voltar atrás, com efeitos muito negativos para o país. Procurei conduzir a política educativa ao longo destes quatro anos valorizando e potenciando a herança que recebi. Podíamos simplesmente ter destruído a introdução dos exames no 9º ano, decidida pelo governo anterior. Mas considerámos que era muito importante não ter hesitações nessa matéria. Houve, nos últimos anos, decisões muito importantes de outros executivos que foram decisivas para algumas realizações deste mandato. Se a atitude for "vamos ver o que é que eu consigo destruir do que o meu antecessor fez", isso é muitíssimo negativo e certamente prejudica o sistema educativo que, ainda por cima, tem na memória muitos traços dessas hesitações. Procurei imprimir uma orientação de total respeito pelas heranças que recebi, colocar o interesse do país, dos jovens e das famílias acima de qualquer outro interesse e continuar o caminho daquilo que são grandes consensos.

A hora da verdade



Cartoon de Luís Faustino

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Leituras: Novidades


A SEXTA MULHER
Suzannah Dunn


274 páginas • 15,5*23,5
ISBN 9789898228185 • 15.00 euros
Editora: Quinta Essência


Sobreviveu a Henrique VIII, o mais cruel dos maridos, reinou e apaixonou-se, mas foi traída por quem mais amava…

À venda a partir de 10 de Setembro

Amor, paixão e intriga na corte dos Tudor


Inteligente e generosa, Katherine Parr, a sexta e última mulher de Henrique VIII, sobreviveu a quatro difíceis anos de casamento. Mas quando o ambicioso e atraente Thomas Seymour conquista o seu coração, poucos meses após a morte do velho e cruel rei, a sua união apressada vai determinar o destino de Kate de uma forma que ninguém esperaria.
Catherine, duquesa de Suffolk e a melhor amiga de Kate, é a testemunha privilegiada do amor tardio da rainha viúva. Mas, apesar dos seus receios em relação ao novo marido de Kate, a pouco e pouco torna-se óbvio que também ela esconde uma história negra. E se Thomas é capaz de trair a mulher pelo poder, a fria e calculista Cathy é capaz de trair a melhor amiga por amor.
Numa época em que a mínima indiscrição podia significar a prisão e, até, a morte, a nova vida de Katherine Parr decorre longe de olhares indiscretos, entre os que mais a amam – mas até que ponto esse amor a poderá proteger da mais cruel das traições?
A Sexta Mulher é um romance envolvente sobre a vida de duas mulheres corajosas e arrojadas que decidem arriscar tudo por amor numa época em que o amor é um luxo a que nem a realeza se pode permitir…

Imprensa

«Uma história absolutamente fascinante.» The Times

«Suzannah Dunn tece uma história de amor comovente e credível sobre segundas oportunidades e paixões que se reacendem. Uma obra verdadeiramente encantadora.» Daily Telegraph

«Uma história impetuosa e empolgante sobre suspeitas, política e paixões incontroláveis. Suzannah Dunn é tão rigorosa nos pormenores históricos quanto na análise do coração humano.» Easy Living

«Um enredo engenhoso torna o perigo e a vulnerabilidade em que estas vidas do período Tudor se baseiam incomodamente fáceis de entender.» Times Literary Suplement

«Magnetizante e maravilhosamente bem escrito.» Scotsman

«Suzannah Dunn é uma escritora maravilhosa.» The Sunday Times

«A Sexta Mulher é um romance convincente e imperdível.» Saga Magazine

«Suzannah Dunn consegue dar vida ao passado.» Publishing News

Blogues Viciantes


Nota: Este espaço, habitualmente não abraça desafios, a não ser aqueles directamente relacionados com a área educacional e cultural. Não é o caso do que se segue, mas como ainda estamos a "meio gás" e em tempo de férias escolares, aproveito para divulgar blogues que vale a pena visitar pelos seus conteúdos de interesse cultural e educacional.


O "ematejoca azul" é um dos primeiros blogs que descobri na blogosfera há cerca de 2 anos. É um blog viciante pelas notícias culturais de interesse e sempre actuais.
A Teresa, autora do blog supracitado teve a gentileza de me oferecer o selo "Seu Blog É Viciante!"* Grata pela distinção. Desafiou-me ainda a enumerar 3 coisas que quero fazer no futuro. Como tenho uma lista infindável de coisas que quero fazer no futuro, vou restringir-me ao campo profissional.

1. Retomar e concluir o meu projecto de investigação de Doutoramento;

2. Afastar-me fisicamente da escola (durante cerca de 3 anos) para desenvolver um projecto inovador numa editora ou numa instituição ligada ao ensino;

3. Ir numa missão de Ensino para Africa ou Timor. (Esta é a mais difícil de realizar, mas vou aguardar até à minha aposentação... aí já posso ir livremente numa missão de voluntariado.

E o desafio ainda não terminou... devo dar este selo a blogues viciantes (máximo 10):

Ora aqui vai a minha lista eleita de blogues viciantes (por ordem alfabética):



... hummm, já ultrapassei o limite, mas também não gosto de limites impostos por números lol :)

*
A imagem é um pouco assustadora, mas vale pela boa intenção de agraciar blogues que vale a pena visitar e ler.

sábado, 22 de agosto de 2009

Hora da Poesia



Quando a luz do céu aparecia
ou quando tu sabias o meu nome

Dança a tua voz no ar diurno

Quando saltam corças na lagoa
e no alto do mar tempo de arcos

Cresce a tua boca no meu peito

Quando adormecias sobre o musgo
e ao longo da tarde o sol nascia

Quando sobre a luz o vento espalha
os cumes das montanhas junto ao sol


Poema: António Reis de Macedo
Fotografia: John Harper

Simplex 3 (ADD)*


Decreto Regulamentar n.º 14/2009, de 21 de Agosto
Ministério da Educação
Prorroga a vigência do Decreto Regulamentar n.º 1-A/2009, de 5 de Janeiro, que estabelece o regime transitório de avaliação de desempenho do pessoal docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário.


* (ADD) - Avaliação do Desempenho Docente

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Leituras que vale a pena



O Menino de Cabul

Khaled Hosseini


Edição/reimpressão: 2005
Páginas: 336
Editor: Relógio D` Água
Ref. ISBN 972-708-861-9
Colecção: Ficção


Este livro conta a história de amizade entre dois rapazes afegãos, Amir e Hassan e, narra também a história do Afeganistão, um país que já foi pacífico e onde se realizavam festas na rua e campeonatos de papagaios.
O Menino de Cabul
cujo seu o autor é o escritor afegão Khaled Hosseini é uma leitura essencial para quem quer compreender melhor o percurso trágico de um país que hoje aparece nas notícias pelos piores motivos. Desde à invasão soviética até à ascensão do regime Talibã, o livro consegue cruzar factos históricos com uma narrativa rápida, de cortar à respiração e de querer ler sempre mais uma página.


Críticas de imprensa

"Com um enredo em que as peripécias e coincidências nos fazem lembrar romances do Século XIX, Hosseini apresenta-nos um livro sobre as fraquezas humanas, os horrores de uma guerra que nos chega sempre filtrada pela imagem televisiva e o sofrimento de um Médio Oriente mergulhado em quezílias tribais/religiosas. Um romance empolgante e um autor que promete.""
Luís Robalo de Campos, Fevereiro de 2006
"Este poderoso primeiro romance conta uma história de crueldade e de amor - feroz, mas redentor. Ambos tranformam a vida de Amir, o jovem narrador de Khaled Hosseini, que desperta para o mundo adulto durante os últimos dias de paz da monarquia, logo antes da revolução e da invasão do seu país pelas forças russas. Mas os acontecimentos narrados em O Menino de Cabul, são apenas parte desta história. Em O Menino de Cabul, Khaled Hosseini oferece-nos uma narrativa intensa e envolvente que nos mostra há quanto tempo o seu povo luta para triunfar sobre as forças da violência - forças essas que continuam a ameaçá-lo todos os dias."
The New York Times Book Review

"Um livro poderoso...sem grandes floreados, apenas prosa, dura e simples...um relato íntimo sobre a família, a amizade, a traição e a salvação[...] Alguns excertos de O Menino de Cabul são crus e até difíceis de ler, no entanto, no seu todo, está dedicadamente bem escrito."
The Washington Post Book World

"É tão poderoso que durante muito tempo tudo o que li me pareceu vazio."
Isabel Allende

"É, de facto, raro que um livro consiga reunir tal actualidade e tão grande qualidade literária."
Publisher's Weekly

TOP 100 Classificados


Começou ontem a ser divulgada a lista dos 100 blogs melhor classificados em cada categoria no Concurso TOP BLOG. Relembro que o "Revisitar a Educação" participou neste concurso na categoria CULTURA. A lista integral pode ser consultada aqui.


Normas para a elaboração do trabalho de canditadura à categoria de professor titular


Requisitos formais do trabalho a apresentar na realização da prova pública de acesso à categoria de professor titular

Os requisitos formais exigíveis para o trabalho que os professores devem apresentar quando requeiram a realização da prova pública para admissão a concurso de acesso para lugares de categoria de professor titular estão definidos num despacho publicado no Diário da República.

O trabalho, a ser entregue em formato electrónico através da aplicação informática disponibilizada na página da Direcção-Geral Dos Recursos Humanos da Educação, deve versar sobre a experiência do quotidiano escolar no exercício de funções docentes e obedecer às seguintes regras:

. Ter o máximo de 40 páginas em formato A4, incluindo anexos;
. Conter o espaçamento entre linhas de um espaço e meio;
. Ser redigido no tamanho do tipo de letra 12;
. Configuração das páginas: cabeçalho - 4,5 cm, margens - 3 cm e rodapé - 3 cm.

Para mais informações, consultar:

Despacho n.º 19255/2009 [PDF]

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Inquietações II


Palavras de "gigante" ao fadista e amigo José Gonçalez. Uma reflexão para a vida.


“Escolhe sempre o caminho mais difícil, só esse nos leva a algum lado, o fácil, qualquer um percorre, o difícil, só os únicos, mas sobretudo os humildes, que têm a coragem de se por à estrada, escondidos, sem alaridos, sem dar nas vistas, ao abrigo da lua, à procura do sol. E depois, de encontrado o sol, e de saber o que custou o caminho, voltar para trás, e ir buscar mais e mais, e quantos mais melhor, para dividir a luz, que o sol só é bonito quando é dividido. Porque a nossa sombra só é bonita se houver alguém, ao nosso lado, a saborear o mesmo sol e a apreciar a nossa sombra. Nunca te esqueças, Uma sombra é triste, duas têm algum brilho, um milhão, é lindo, e impedem que o chão queime. Amortecem o impacto e impedem que as almas se queimem ao cair”.

Raul Solnado

Inquietações...



quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Inscrições para candidatura à Prova Pública de acesso à Categoria de Professor Titular



NOTA INFORMATIVA N.º 1

Prova Pública de acesso à categoria de professor titular
A admissão a concurso para acesso à categoria de professor titular depende de prévia aprovação em prova pública, nos termos do previsto no Decreto-Lei n.º 104/2008, de 24 de Junho, que incide sobre a actividade profissional desenvolvida pelo docente.

1. A partir de hoje, estará disponível a aplicação electrónica para Candidatura, upload do trabalho e Validação de candidaturas à prova pública, na página da DGRHE em http://www.dgrhe.min-edu.pt/.

2. A candidatura destina-se a docentes dos quadros do Ministério da Educação que tenham completado 15 anos de serviço docente, até à inscrição, com avaliação de desempenho igual ou superior a Bom e que preencham os demais requisitos.

3. O processo é realizado integralmente em suporte electrónico, pelo que quer a formalização da candidatura com upload do trabalho, bem como todas a informações e comunicações, são efectuadas com o recurso a aplicações electrónicas.

4. O trabalho ficará acessível para visualização apenas para os membros do Júri.

5. A apresentação do trabalho deverá obedecer aos requisitos formais estipulados no despacho disponibilizado na página da DGRHE, e baseia-se na experiência do quotidiano escolar, do docente, devendo incidir sobre dois dos seguintes domínios:
a. Preparação e organização das actividades lectivas, relação pedagógica com os alunos e avaliação das respectivas aprendizagens.
b. Projectos inovadores desenvolvidos ou a desenvolver que contribuam para a melhoria dos resultados escolares dos alunos.
c. Área de gestão e organização escolar.

6. O processo de candidatura electrónica para realização da prova pública desenvolve-se nas seguintes etapas:

CANDIDATO
· Inscrição obrigatória
· Candidatura e upload do trabalho
· Reclamação para o presidente do júri
· Recurso hierárquico para o director regional

ESCOLA
Validação da candidatura:
a. A validação é efectuada na aplicação electrónica, mediante a documentação apresentada pelo candidato ou a existente no respectivo processo individual, e consiste na confirmação da veracidade dos dados da candidatura.
b. Sempre que a escola tiver candidaturas para validar recebe um alerta através do e-mail da escola.
c. Deve ser dado cumprimento integral aos prazos de validação das candidaturas submetidas pelos candidatos – cinco dias úteis.

DGRHE, 17 de Agosto de 2009



Nota: Convém elucidar os mais distraídos que a abertura destas candidaturas não corresponde à abertura de novas vagas para a carreira de titular. Corresponde apenas a uma prévia inscrição destinada aos interessados a concorrer futuramente... ou seja, quem se inscrever agora, habilita-se a aceder a uma prova (em futuro incerto), que permitirá, em caso de aprovação, depois ir a concurso para titular. Logo, a aprovação não significa o acesso a titular.

Como afirma o Paulo G., "o lançamento desta prova prévia pode ser apenas mais um rastilho para incendiar o arranque do ano lectivo".


Aqui ficam os links para os interessados:

APLICAÇÕES
Candidatura e upload do trabalho - 17/08/2009
Teste recomendado - Verificação da palavra-chave e do nº de candidato
Inscrição Obrigatória (1ª vez a usar aplicações electrónicas DGRHE)

DOCUMENTAÇÃO
Manual de instruções da candidatura electrónica - 17/08/2009
Despacho sobre os requisitos formais do trabalho - 17/08/2009
Nota Informativa n.º 1 - 17/08/2009
Decreto-Lei n.º 104/2008, 24 de Junho - 17/08/2009

Tempo para o essencial ou para o supérfluo?


(clique na imagem para ler)

Cartoon de Mário César

Nota: Mesmo em tempo de férias, de lazer, de descanso, de coisas novas e diferentes,... aqui está um cartoon que dá muito que pensar sobre a forma como gerimos o nosso tempo, as nossas prioridades...

Congresso Aprendizagem/Desenvolvimento...



Informação recebida do Instituto Piaget:

No âmbito das comemorações do seu 30º aniversário, o Instituto Piaget organiza o congresso Aprendizagem/Desenvolvimento: Linhas de Fundo, Novas Tendências e Perspectivas que decorrerá nos dias 21, 22 e 23 de Setembro de 2009 no Campus Universitário do Instituto Piaget de Almada.

No congresso estarão presentes importantes especialistas de algumas das mais prestigiadas instituições de ensino portuguesas e internacionais.

Anne-Nelly Perret-Clermont, Alan Slater, Christine Howe, Jacques Vauclair, Ludmila Obukhova, Conceição Couvaneiro, Marlene Vale da Silva, entre outros, debruçar-se-ão sobre o desenvolvimento cognitivo, afectivo e emocional ao longo da vida.

George Siemens e Conceição Taborda Simões apresentarão algumas das comunicações dedicadas ao impacto das novas tecnologias sobre o desenvolvimento e os paradigmas de ensino e aprendizagem.

Os desafios da criação do Espaço Europeu de Ensino Superior, nomeadamente quanto a uma relação de ensino/aprendizagem verdadeiramente centrado no aluno serão temas tratados, entre outros, por Jean-François Perret, Felipe Trillo, Isidoro González ou Estela Lamas.

O envolvimento social do processo de desenvolvimento e aprendizagem será o tema de comunicações como as de Margarida César, Guida de Abreu ou Francesco Arcidiacono.

A educação artística e da criatividade estará presente pelas vozes de Lucília valente, Ana Bela Mendes ou Elisa Dias.

Estes são apenas alguns destaques de um congresso em que o Instituto Piaget espera apresentar e proporcionar o debate de professores, educadores, psicólogos e estudantes sobre temas e problemas centrais na educação do presente e do futuro.

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Para mais informações e inscrições:
http://www.ipiaget.org/

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Justiça distributiva



O habitual artigo de opinião semanal de Miguel Santos Guerra. Uma grande lição de vida! Vale a pena ler.


Hace cierto tiempo me contaron una historia que tiene su miga. Ocurrió en una Facultad universitaria. Tiene que ver con la justicia distributiva. Dos profesores compartían el mismo despacho y atendían en él a sus alumnos y alumnas en las horas de tutoría. Movidos por la situación de otros colegas que disponían de un despacho unipersonal, decidieron solicitar del Departamento el correspondiente permiso para construir un tabique y dividir el despacho en dos partes. La excusa era que se estorbaban. La verdad era que no se llevaban bien. Podían organizar sus horas de atención a los alumnos y alumnas combinando mañanas y tardes o días alternaos de la semana. Pero, no. Pidieron la separación. El Departamento dijo que sí.

En ausencia de su colega, el interesado (nunca mejor dicho) llamó a los servicios de la Universidad, mostró el permiso e indicó a los albañiles por dónde deberían construir el tabique y por dónde tendría acceso el nuevo despacho. Hizo una división muy original. Dejó una parte más amplia e iluminada y la otra más pequeña y oscura. Él eligió de manera descarada la mejor parte y en ella colocó sus libros, su ordenador y sus pertenencias. En el despacho contiguo colocó las cosas de su… compañero.

Cuando regresó el profesor ausente y se encontró con el desaguisado dijo que no estaba dispuesto a aceptar el arbitrario reparto. Y llevó al Departamento la solicitud de que se hiciera una nueva división de común acuerdo o a cargo de una persona independiente. Hubo una discusión. Algunos decían que no se podía dilapidar el dinero haciendo, quitando y volviendo a poner. Otro dijo que si eran tan diferentes los despachos podrían sortearlos: Alguien propuso que alternasen por años la posesión de los despachos.

Intervino entonces el Director del Departamento y propuso una solución al conflicto del reparto. Pidió que se votase.

- Antes de decir en qué consiste mi propuesta, dijo, quiero contar algo que me paso siendo niño . Un día mi padre me dijo: Divide ese pastel para tu hermano y para ti. Hice una división tan escandalosa que, cuando me disponía a coger el trozo visiblemente más grande, mi padre me dijo: Espera, no te precipites. Tú ya has hecho una tarea muy importante que es la tarea de dividir. Ya que has dividido `para dos hermanos, quiero suponer que lo has hecho con justicia. Pues bien, tu hermano va a realizar ahora otra tarea no menos importante que la tuya, va a elegir la parte del pastel que más le interese. Ya suponéis lo que eligió mi hermano y el ridícujlo trozo de pastel que me tocó a mí.

Lo que sigue se puede imaginar fácilmente. El Director, ante los miembros del Departamento que escuchaban entre atónitos y divertidos, concluyó.

- Pues bien, fulanito ha hecho una tarea importante, que es dividir el despacho en ausencia de su colega. Ha dividido para dos compañeros que tienen los mismos derechos por lo que quiero pensar que ha procedido rectamente. Mi propuesta es que ahora su compañero realice la otra tarea complementaria, que es elegir la parte del despacho que más le interese.

Se votó con el resultado que se supone. Sólo un voto en contra. El compañero que inicialmente fue agraviado con el reparto injusto está disfrutando del egoísmo de su colega en la parte más amplia e iluminada del espacio.

Sabia decisión. Coherente decisión. Merecido castigo. En las instituciones hay quien trata de sacar siempre tajada de aquello que dice o hace. Hay quien no da puntada sin hilo. Resulta desesperante ver cómo todo lo pretenden transformar en beneficio aunque causen daño a los demás.

Pocas veces se encuentran con la ingeniosa decisión que cierra este relato y que hizo exclamar a quien conocía bien a los actores: “Merecido se lo tenían los dos. Uno el premio, el otro el castigo”.

Siendo niño, tenía un profesor que escribía sentencias en el encerado. Permanecían una semana expuestas a la consideración de todos. En una ocasión, el profesor escribió lo siguiente: “Lo mejor y lo primero, para mi compañero”. Un avispado escolar quiso hacer una gracia, cambió la coma de lugar (aunque olvidó el acento en el posesivo). Lo que quedó escrito fue lo siguiente: “Lo mejor y lo primero para mí, compañero”..

Conté la historia de los despachos en una reunión de amigos. Años después supe que una familia que estaba allí me llamaba “el pacificador”. Dijeron que aquella solución había terminado con las peleas de sus dos hijos cuando iban a repartir alguna cosa fraccionable. Loa padres les preguntaban:

- ¿Quién quiere dividir?

El que se encargaba de hacerlo ponía el mayor empeño en que hubiese dos partes exactas. Sabía que él se iba a quedar con la que no eligiese su hermano. Aunque la envidia es muy mala consejera. No me extraña que en algún caso, cuando le llegase al segundo protagonista la hora de elegir, acabase diciendo:

- Yo quiero el de mi hermano.

Comprenderá fácilmente el lector (o lectora) lo que sucedería en el mundo si todos nos hiciésemos firmantes de la segunda sentencia del encerado de aquella clase de. mi juventud. Cada uno a lo suyo, cada uno contra todos en su propio beneficio. Qué horrible mundo. Qué mundo tan poco ético y tan antiestético.

Afortunadamente hay personas que se empeñan en vivir según el primer lema. Que se desviven, literalmente, por conseguir el bienestar del prójimo, sin tener en cuenta que quien las observa pueda tacharlas de tontas en el marco de esta cultura neoliberal, de individualismos exacerbados.. Porque no existe una frontera nítida entre la bondad y la ingenuidad, entre la generosidad absoluta y la plena estupidez.

In El Adarve (8.8.2009)

Blogonovela sobre Educação


Adaptação livre da Ilíada de Homero de Antero Valério
(clique nas imagens para ler)






(Continua aqui)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Mia Couto - a relação com os livros e os personagens


Exerto da Entrevista de Laurinda Alves ao escritor Mia Couto. In Ionline (5.8.2009)

Foto: Pedro Azevedo

(...)

"As histórias deram-te casa", eis uma expressão belíssima...
Deram-me aconchego, deram-me família e, de repente, eles eram a minha casa e a minha família e eu adormeci. A malária fez-me perceber o valor da história. Se alguém conta uma boa história, que te encanta, tu tens ali uma casa.

É isso que te faz escrever?
Eu acho que sim. Fiquei com uma espécie de vício de infância porque tive uma infância muito feliz, uma infância encantada, e tentei que essa casa, esse terreiro onde brinquei, fosse sempre o meu mundo. Tentei nunca sair daí.

Isso não é um síndroma de Peter Pan?
Não, não quero ficar criança e infantilizado nesse sentido. O que eu quero é ter essa relação mágica com o mundo. Acho que por crescermos não temos que abandonar esse pensamento mágico. Agora vejo os meus netos brincarem e percebo que eles ficam fascinados num mundo utópico. Há ali quase uma relação divina porque, de repente, o meu neto é tudo e é todos. Aos dois anos podemos ser tudo: actor de teatro, autor de ficção, astronauta, bombeiro. É aí que começa a ficção?

Interessa-te essa possibilidade de seres tudo em todos?
Sim, poder ser o outro e ser o mundo inteiro. Acho que nunca perdi isso.

Vives nos teus personagens?
Eu não vivo, eu sou os meus personagens.

És todos os teus personagens?
Sem dúvida. Gostava de contar uma história a propósito de "Jesusalém". Eu já tinha escrito este livro e até já me tinham mandado um exemplar para eu ver se havia alguma coisa que não funcionasse bem, quando me contaram que havia um velho caçador que sonhava com o espírito dos animais quando lhe diziam, por exemplo, que era preciso matar um elefante. Aí eu disse: eu quero conhecer esse velho!

Os animais também têm espírito?
Sim, não somos só nós que temos alma, os animais também têm alma e espírito. Este homem era chamado sempre que era preciso matar um elefante porque ele é brindado, tem esse dom. Fui ter com ele, atravessei um longo caminho para chegar a um lugar no fim do mundo. Andei horas e horas para chegar a casa dele.

Como é que ele era?
Quando cheguei encontrei um homem com brincos e muitos colares e perguntei-lhe porque é que se vestia assim mas ele respondeu-me: não sou eu que mando no que eu visto. E logo a seguir disse: eu não falo português, não dou entrevistas, não sei quem você é! E eu, de repente, percebi que o homem tinha razão, não posso entrar em casa de quem não me conhece para receber uma história sua.

O que é que fizeste?
Pedi aos que iam comigo para lhe pedir desculpa. Ele quis saber quem eu era e os outros disseram: este é um homem que conta histórias. E o curioso é que ele olhou para mim de dedo apontado e declarou: amanhã eu vou-lhe mostrar uma coisa que é uma história, só eu conheço a gruta onde nascem as hienas e vou levá-lo lá.

Ficaste contente?
Claro. Ah! Em toda esta conversa o homem teve na mão um facão com que fazia uma cesta de vime e há umas páginas do "Jesusalém" em que o velho Silvestre está sentado numa esteira com uma catana na mão? No dia seguinte fui ter com ele de carro e ele disse-me que não podia entrar no carro porque todo o homem que, como ele, incorpora o espírito dos animais não pode ficar fechado num espaço tão pequeno.

Como é que o convenceste?
Foi preciso abrir todas as janelas e mesmo assim mais de meia hora de argumentos para o convencer a entrar no carro, mas lá conseguimos que entrasse.

O que é que lhe disseste exactamente?
Olhe, as janelas estão todas abertas e, portanto, os espíritos podem entrar e sair quando quiserem (risos). Então ele sentou-se, apoiado na catana, e foi de olhos fechados até chegarmos. Sempre de olhos fechados, estremeceu quando chegámos a um sítio e declarou: é aqui. E começou a mostrar-me pegadas e conduziu-me por ali fora sempre com a catana nas mãos. Nesse dia eu levei-o para jantar comigo no acampamento e quando lhe estava a pedir para me mostrar outras coisas ele disse: você ainda não percebeu mas eu sou cego.

Não tinhas percebido nada?
Não. E perguntei-lhe: cego como? Então o senhor andou por aí a mostrar-me as pegadas e os lugares?E ele: não sou eu que vejo, nessas alturas é alguém que está a ver pelos meus olhos. Aquilo foi impressionante para mim. Esse velho, que eu só conheci depois de escrever o livro, já estava no meu livro. É incrível, não achas?

Acho. Este livro é um conjunto de textos escritos pelo Mwanito que, no fim, os entrega ao irmão. Inventaste tudo isto?
Sim. E só no fim é que se percebem coisas essenciais sobre cada personagem.

Sim, eu sei, mas é melhor não as contarmos para não desfazer o mistério?
Vou só dizer uma coisa: no meu livro, quando o irmão recebe os textos, pergunta como é que é possível ele ter escrito tudo aquilo sem ver, e o Mwanito responde que deixa de ser cego quando escreve. Foi isso mesmo que o velho me disse. Ele não escrevia mas tinha essa relação com a terra que via mesmo sendo cego. O mais impressionante de tudo é que eu já tinha escrito o livro quando conheci este velho.

Ou seja: é como se tivesse havido uma convocação cósmica para conheceres um homem que, mesmo sem saberes que existia, te inspirou para escrever.
É, foi qualquer coisa assim.

Se calhar ele sonhou o teu espírito antes de começares a escrever?
Sim, se calhar eu sou um bicho também e ele sonhou com o meu espírito (risos). Foi uma coincidência extraordinária.

É fantástico. Nos teus livros existe muito este lado fantástico, este pensamento mágico.
Eu não tenho crença nestas coisas, sabes?! Não sei bem em que é que tenho crença mas não sou supersticioso. A verdade é que, neste caso, este homem existe no meu livro e isso é curioso. Eu agora até trago a fotografia dele no meu computador.

Tu moras nestes personagens todos. Mas como é que eles te habitam?
Eles nascem-me do encontro com pessoas que fazem soltar outras pessoas que têm escondidas dentro de si. Desde pequeno que atribuo histórias a pessoas que me despertam e me parecem dizer que há ali qualquer coisa que é preciso revelar.

São coisas que tu intuis ou inventas para aquela pessoa?
Tenho que fazer essa confissão de arrogância: são coisas que estão dentro de mim e eu projecto nessas pessoas. Mas todas nascem de uma sombra, de uma coisa qualquer que me desperta e me faz soltar.

(...)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Concurso online



Até 11 de Agosto



Últimos dias da votação popular nos blogs concorrentes ao Concurso TOPBLOG. O Revisitar a Educação concorre na categoria CULTURA e encontra-se no TOP 100 dos blogs mais votados. Uma iniciativa anteriormente aqui divulgada.

Para aceder ao sítio e votar, clique na imagem infra (também pode fazê-lo no ícon da barra lateral). Depois da votação é-lhe pedido que confirme o seu voto via e-mail. Simples.

A autora deste blog agradece a todos os leitores e amigos a participação generosa nesta iniciativa.


Congresso: Inovar na Escola










"Inovar na Escola"
Modelos, experiências e protagonistas da integração das TIC



Tudo sobre o Congresso Aqui (inscrições, prazos, dinâmica de funcionamento e datas, sessões online, programa das sessões presenciais, certificação, outras).

Avaliação em Educação Online


CIEd - Textos em volumes de actas de encontros científicos nacionais e internacionais:

Título: Problemáticas da avaliação em educação online

Autor: Gomes, Maria João
Data:
2009-05

Resumo:
A problemática da avaliação é um elemento central nas preocupações de muitos professores e investigadores em educação. No contexto da educação a distância, e particularmente da educação a distância através de ambientes online (e-learning), a avaliação das aprendizagens tem sido referenciada como um dos aspectos mais complexos que urge assegurar. Por outro lado, a adopção crescente de práticas de e-learning em complementaridade ao ensino presencial coloca novos desafios e oferece novas alternativas às práticas de avaliação de aprendizagens habitualmente utilizadas. Neste texto procuraremos sistematizar de forma sintética os principais aspectos relacionados com a avaliação em educação online, quer no que concerne à avaliação das aprendizagens dos estudantes, quer no que concerne à avaliação dos próprios cursos.


Referência:
DIAS, P., OSÓRIO, A. J., org. – “Actas da Conferência Internacional de TIC na Educação : Challenges 2009, 6, Braga, 2009”. Braga: Universidade do Minho, 2009. ISBN 978-972-98456-6-6. p.1675-1693.

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Título: Avaliação de aprendizagens em ambientes online : o contributo das tecnologias Web 2.0
Autores: Lisbôa, Eliana Santana Bottentuit Junior, João Batista Coutinho, Clara Pereira
Data:2009-05

Resumo:
Neste artigo vamos discutir algumas questões que emergem no contexto da avaliação das aprendizagens em ambientes de educação a distância. Começamos por apresentar as ferramentas tradicionalmente usadas na avaliação online e que fazem parte das funcionalidades das plataformas de gestão da aprendizagem (caso da Moodle, Blackboard ou WebCt) para, numa fase seguinte, mostrar como as tecnologias da Web 2.0 podem proporcionar alternativas interessantes na promoção de aprendizagens mais significativas e no desenvolvimento de modelos flexíveis e personalizados de uma avaliação online que se pretende mais eficaz, partilhada e equitativa.

Referência:
DIAS, P. ; OSÓRIO, A. J., org. – “Challenges 2009 : actas da Conferência Internacional de TIC na Educação, 6, Braga, Portugal, 2009”. Braga : Universidade do Minho, 2009. ISBN 978-97298456-6-6. p. 1765-1778.

Universidades americanas dão aulas no Youtube


O portal de vídeos Youtube lançou um grupo onde concentra vídeos das aulas de mais de cem faculdades e universidades norte-americanas.

O serviço chama-se Youtube EDU e oferece gratuitamente vídeos das mais diversas matérias que as faculdades aderentes leccionam.

Distribuídos pelos vários canais que compõem o grupo, estão disponíveis mais de mil vídeos que pretendem fazer chegar a todos as aulas das universidades que aderiram ao ensino online gratuito.

Os vídeos dão a oportunidade de aprender matérias tão diversificadas como física, meio ambiente ou ciências sociais, orientadas por alguns dos mais conceituados professores catedráticos.

Entre a lista de Universidades, figuram nomes como a Universidade de Harvard ou Yale.

Os vídeos disponíveis para todos os cursos fornecidos são gratuitos, mas não dão direito a diploma.

In Jornal de Notícias, 5.8.2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Tentativa gorada de demover os professores



A ministra da Educação afirmou hoje que as alterações ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), aprovadas em Conselho de Ministros, respondem "a muitos dos problemas" sentidos pelos professores quanto ao seu desenvolvimento profissional, mas não a todos.

"A percepção que temos é que esta revisão do ECD responde a muitos dos problemas sentidos pelos professores no que respeita às posssibilidades de desenvolvimento profissional. Não responde a todos os problemas, mas responde a uma grande parte", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, em conferência de imprensa, no final da reunião do Conselho de Ministros, em Lisboa.

A titular da pasta da Educação destacou a redução do tempo de permanência nos primeiros escalões, o que permite "uma progressão mais rápida para os professores mais jovens", a aceleração da progressão na carreira dos docentes "com elevada qualidade de desempenho" e "novas oportunidades" de progressão para os professores mais experientes, que "não existiam".

"Todas as alterações são positivas. São melhorias que respondem às expectativas dos professores, diminuindo muito o que era um eventual capital de queixa sobretudo na percepção das possibilidades de desenvolvimento da carreira, que consideravam bloqueada", defendeu a ministra.

Maria de Lurdes Rodrigues sublinhou que o Governo "não abdicou" dos príncipios fundamentais de organização do Estatuto da Carreira Docente, mas que acedeu a uma revisão solicitada pelos sindicatos, que se traduziu num "longo e aberto" processo de negociação.

Durante a negociação, os sindicatos de professores consideraram as alterações insuficientes, exigindo o fim da divisão da carreira em professor e professor titular, das quotas para atribuição de "Muito Bom" e "Excelente" no âmbito da avaliação de desempenho e da existência de um limite de vagas no acesso a titular.

Questionada se este poderá ser mais um motivo para os professores regressarem às manifestações no ínicio do ano lectivo e durante a campanha eleitoral, Maria de Lurdes Rodrigues respondeu: "Foi para responder ao desejo de melhoria que fizemos estas alterações". "Foi para tentar resolver problemas e não para os criar", rematou.



Nota: Não são verdadeiras as declarações da responsável pela pasta da tutela da educação. Todos conhecemos os propósitos eleitoralistas, sobre os quais este blog não se irá debruçar. Apenas interessa aqui denunciar incorrecções e inverdades. Não conheço a versão final das alterações ao ECD aprovadas hoje em Conselho de Ministros, mas quem quiser consultar a proposta de alterações pode fazê-lo aqui (para download) e confirmar as (in)verdades das supraditas declarações.

Linguistas usam tecnologia para salvar idiomas da extinção


Jogue, yipe, simoi são três palavras curtas para alimentos em kim, uma língua de Serra Leoa que o doutor Tucker Childs tem tentado, nos últimos três anos, escrever, gravar e entender.
Kim é uma língua que está morrendo e Childs é linguista de campo. De sua base em Tei, uma pequena vila de pescadores no rio Waanje, ele percorre em uma canoa os canais estreitos através da planície aluvial do rio e caminha alguns quilômetros em direção ao interior, onde as últimas comunidades falantes de kim persistem. Com base em gravações no local, ele desenvolveu um alfabeto, compilou um dicionário e está terminando um livro sobre a gramática.
Das seis mil línguas do mundo, duas mil são faladas na África. Muitas não têm forma escrita, algumas ainda não têm nome e várias outras provavelmente desaparecerão. Durante séculos, incentivos sociais e econômicos atuaram contra o kim e em favor do mende, uma língua usada amplamente na região, levando o kim à beira da extinção, especula Childs.
Já se foi a época em que linguistas de campo como Childs, um grupo espalhado que trabalha contra o tempo para salvar as línguas em risco de extinção do mundo - mais de três mil na última contagem -, anotavam dados em cadernos manchados e armazenavam sons em fitas cassete, destinadas a apodrecer em caixas. Hoje, os linguistas aderiram à tecnologia digital. Childs agora usa um gravador compacto e tem aplicativos que analisam os elementos de uma vogal em segundos ou comparam sons entre línguas.
Usando sistemas de informação geográfica, softwares que traduzem dados em mapas, ele e seus assistentes de pesquisa, Hannah Sarvasy e Ali Turay, localizam as vilas que não são encontradas em nenhum mapa oficial. "Existem várias razões para os linguistas desejarem preservar essas línguas", Childs disse, "mas para mim é mais uma coisa emocional. Não tem a ver com nobreza, é uma dívida do capitalismo. Essas pessoas estão em situação totalmente periférica."
Em sua nova forma digital, esse tipo de pesquisa fica mais acessível. Ela permite que projetos maiores compartilhem a herança linguística do mundo com um público mais amplo de professores e aprendizes, inclusive, quando possível, com os falantes originais.
O objetivo não é apenas salvar, mas reviver as línguas. Financiado pelo Hans Rausing Endangered Languages Project e o National Endowment for the Humanities, as gravações de Childs serão encaminhadas assim que seu estudo terminar e ele retornar ao seu posto de professor na Universidade Estadual de Portland, Oregon para um imenso banco de dados da Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres (SOAS).
O diretor do arquivo de línguas em risco de extinção da SOAS, David Nathan, disse que o website da escola, elar.soas.ac.uk, deverá começar a compartilhar dados no final do verão da região. "O que estamos devolvendo à sociedade com a documentação de línguas é um novo gênero de material que não tem nenhum canal de publicação", ele disse.
Ou não tinha até agora. O novo gênero é realmente uma caixa de surpresas, contendo gravações de áudio de conversas e lendas populares, vídeos de músicas e danças e transcrições em texto. Mas como acontece com a maioria dos novos gêneros, este está vindo ao mundo com dores do parto.
A simples obtenção de gravações de qualidade pode ser difícil. As vilas de Nyandehun e Mosenten, por exemplo, não têm estradas nem infraestrutura. Com equipamentos mais avançados, baterias descarregam inesperadamente, a quilômetros de uma fonte elétrica. A umidade e a poeira se acumulam nas máquinas.
Além disso, alguns linguistas têm dificuldade para aprender a usar as novas máquinas. Para a maioria deles, áudio é apenas uma inconveniência no caminho da transcrição, Nathan disse. No passado, ele acrescentou, "a qualidade era tão ruim que o áudio era apenas uma evidência de que eles haviam ido ao local, um talismã mostrando que eles haviam ido a campo."
A relação entre linguistas e a tecnologia vai além do formato no qual os sons são gravados. Childs, que se lembra de quando trabalhava com computadores do tamanho de uma sala na época em que fazia doutorado, disse que teorias da linguagem muitas vezes se moldaram à semelhança dos instrumentos disponíveis.
No começo, contou, os linguistas imaginavam que a mente processava a linguagem com muitas regras e pouca armazenagem. "O que aconteceu com o tempo foi que mais e mais coisas foram introduzidas e registradas ao léxico, e isso meio que ocorreu em paralelo ao desenvolvimento da indústria de computadores que barateou a armazenagem de dados", ele disse.
A SOAS não está sozinha em sua tentativa de documentar línguas em risco de extinção. O Instituto Max Planck em Nijmegen, Países Baixos, tem operado um arquivo há 10 anos. O doutor Dagmar Jung, linguista de Colônia, Alemanha, está trabalhando com anciões da tribo Castor, ou Dane-Zaa, nas províncias canadenses da Colúmbia Britânica e Alberta para reunir material e torná-lo acessível através do portal da comunidade. "Ele está lá para as gerações futuras¿, Jung disse. "Mas no momento não é de fácil utilização."
Falantes de castor têm acesso online a gravações de suas músicas e histórias. Gary Oker, 49, ex-chefe da tribo Dane-Zaa, disse que colocar as gravações de anciões online era parte de um projeto para capturar visões do mundo tradicionais e torná-las parte do presente. Os jovens dane-zaa se envolveram no processo, desde a produção das gravações dos anciões que foram colocadas online ao uso das mesmas como material de referência na escola.
Embora tenha visto sua língua desaparecer, ele disse que como os jovens "haviam capturado sua tradição oral e a documentado de muitas formas", o contato os tornou "mais orgulhosos de sua história e de quem eles eram." As histórias, ele disse, ajudaram os jovens a descobrir sua identidade e como eles se relacionam com a terra.
Devido à exploração do petróleo e do gás, Oker disse, "nosso ambiente está mudando tão rapidamente que precisamos absorver o máximo possível." Mesmo se a língua for perdida, ele disse, "a sabedoria pode ser transmitida."
Obviamente, recursos online são úteis apenas para comunidades com acesso à Internet. Mas comunidades sem tal acesso, como a dos falantes de kim, ainda exigem livros impressos e gravações copiadas em CDs ou fitas. Também são promissores programas que colocam dicionários eletrônicos em celulares.
James McElvenny, um linguista da Universidade de Sydney, liderou o desenvolvimento de um software para ajudar a revitalizar línguas em risco de desaparecer. McElvenny tem trabalhado com grupos aborígenes como os Darug de Sydney para dar aos aprendizes, muitos com apenas 16 anos, uma referência portátil que fornece a definição e o som de palavras que não são mais faladas, visto que o darug é uma língua morta. "Muitos membros mais velhos têm aversão à tecnologia", ele disse, "mas os jovens estão realmente interessados." Quanto ao kim, tais esforços podem vir tarde demais. Uma língua, como uma pessoa, geralmente envelhece e morre. Quatro pessoas da comunidade morreram desde que o projeto de Childs começou e todos os 20 falantes fluentes de kim têm mais de 60 anos.
"As pessoas hoje não sabem falar kim porque seus pais não falavam a língua com elas", disse Fasia Kohlia, uma das melhores falantes de kim. "Os pais costumavam chamar seus filhos para dar de mamar em kim ¿ 'kun moga, kun moga, kun moga'", ela disse. Mas quando ela teve filhos, ela os chamava em mende.

Tradução: Amy Traduções
Imagem: Getty Images
Fonte: The New York Times
Notícia retirada daqui

O prometido é devido II

Mais mimos... e mais uma vez, obrigada a todos :)



O prometido é devido...

Tal como prometi, aqui estão os primeiros 50 Selos (Mimos) que me foram oferecidos na blogosfera no 1º Semestre de 2009. Há mais, mas ficam para outro Flick que estou a preparar. Brevemente será afixado.
Obrigada a todos pelos mimos. Este registo fica na lapela do blog... para mais tarde recordar.



terça-feira, 4 de agosto de 2009

Do erro


Excerto do artigo de opinião de Miguel Ángel Santos Guerra (01.08.2009). Interessante reflexão sobre o ERRO. Há erros que são fatais, como o relatado. Fica a interpelação: ERRO e MALDADE, o que os aproxima e o que os distingue? Ou serão equivalentes? ... Uma reflexão para futuro post.


Todo el mundo sabe lo que ha pasado porque los medios de comunicación se encargan de que las noticias de este tipo estén en las cabeceras de los telediarios, de las radios y de los periódicos. Una enfermera del Hospital Gregorio Marañón de Madrid, llamada María, ha cometido un error fatal que ha causado la muerte a un niño.
(...)
¿Cuántos errores se comenten sin que sean detectados, sin que sean reconocidos, sin que nadie pague por ellos? Pero, sobre todo, ¿qué hacer para que no se cometan tantos errores, para que no se produzcan estos fallos de consecuencias tan lamentables?
(...)
Este hecho me lleva a pensar en los errores que cometemos quienes trabajamos en profesiones que directamente intervienen sobre las personas. ¿Qué pasa con los errores de los docentes, por ejemplo? ¿O no los cometemos? Lo que pasa es que nuestros errores no tienen esa misma visibilidad.
Me pregunto, en primer lugar, por las repercusiones que conllevan las actuaciones torpes o las actitudes despreocupadas. Parecería, al ver la actuación de algunos, que nunca pasa nada. Y si pasa, será por la responsabilidad de otros. Cuando uno entiende a la perfección lo que pasa con los fatídicos errores es cuando la víctima es un hijo o una hija propios.
Sé que hay docentes que, ante este tipo de reflexiones, se sienten atacados y agredidos. Pues no, los agredidos son las víctimas de las malas actuaciones profesionales. Es más, esa actitud corporativista, egoísta y defensiva lleva consigo la perpetuación de los errores y la obstinación en las posturas cerriles.
Para que los errores se reduzcan al mínimo, hace falta que converjan tres dimensiones igualmente importantes. Serían los tres vértices de un triángulo. Sin uno de ellos, no hay triángulo. Es decir, no hay solución.
El primer vértice es SABER. El profesional que trabaja con personas tiene que ser competente. Tiene que saber, tiene que saber hacer. Por eso debe formarse bien (teórica y prácticamente) y perfeccionarse cada día. No es aceptable decir que la práctica lo irá formando porque, de eso modo, irá aprendiendo a costa de sus víctimas. No sé si la enfermera sabía por dónde tenía que alimentar al niño. Estoy seguro de que lo sabía. No era una enfermera veterana, pero tampoco era una novata.
El segundo vértice es QUERER. Hay que poner empeño y voluntad. Las distracciones y los despistes, se pagan caros. No es igual trabajar con personas que con ladrillos o con minerales. Hay que saber y hay que querer. Querer hacerlo bien porque, aunque sepas, nada irá bien si no pones empeño y amor en las cosas que haces. ¿Quiso la enfermera hacerlo bien? Seguro que sí pero, por descuido o por precipitación, se equivocó.
El tercer vértice es PODER. El trabajo se hace en unas determinadas condiciones. Hay condiciones adecuadas e inadecuadas, suficientes e insuficientes, buenas y malas. Las condiciones no dependen siempre del profesional, muchas veces dependen de la política general y de la institución concreta. Dependen, en definitiva, de quienes gobiernan las instituciones. Al parecer, la enfermera, a quien la supervisora, permitió acudir a la UCI de neonatología, tenía una buenas condiciones para realizar su trabajo.: pocos enfermos a su cargo, tiempos suficientes, espacios adecuados… ¿Qué falló?
¿Qué hacer ahora? Lamentar los sucedido y pedir responsabilidades, sí. Pero, sobre todo: aprender personal e institucionalmente, garantizar la presencia del triángulo de la prevención. Es preciso poner todos los medios para evitar que los errores se produzcan. Nadie podrá devolver la vida al pequeño Ryan, pero sí será posible evitar que otros bebés corran su misma suerte.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Portaria cria "Escola Móvel"



‘Escola Móvel’ criada para assegurar Igualdade no Acesso à Educação



Foi publicada em Diário da República a
Portaria n.º 835/2009, de 31 de Julho, que cria a Escola Móvel, “um estabelecimento público de âmbito nacional que ministra os ensinos básico e secundário, em regime de ensino à distância”, destinado aos filhos de profissionais itinerantes e a alunos que se encontrem em risco de insucesso, abandono escolar precoce ou exclusão social.


Segundo a Portaria n.º 835/2009, a Escola Móvel é “um estabelecimento público de ensino de âmbito nacional que ministra os ensinos básico e secundário”, em regime de e-learning e b-learning, através de um projecto educativo diferenciado, relacionado com os planos curriculares e os programas dos ensinos básico e secundário em vigor no sistema educativo português.

O objectivo é “assegurar o direito à igualdade de oportunidades no acesso à educação, integrando alunos que, por razões familiares e pessoais, não podem frequentar presencialmente e com regularidade a escola”, nomeadamente filhos de profissionais itinerantes; alunos que não concluíram a escolaridade obrigatória e se encontram inseridos numa entidade parceira da Escola Móvel; e alunos matriculados numa escola que, por razões alheias à sua vontade, se encontrem impedidos de a frequentar por um período superior a três meses.

O diploma acrescenta que a Escola Móvel funciona através de uma plataforma de aprendizagem organizada em ambiente virtual, com o objectivo de proporcionar aos alunos diferentes contextos de aprendizagem e o acompanhamento individualizado através de tutorias, em articulação com o encarregado de educação. Sendo que ficam definidas as áreas de intervenção, os objectivos e os deveres da Escola Móvel e do aluno.

A Escola Móvel funciona na dependência orgânica da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) e considera-se “em regime de instalação por dois anos”.

Inquietações...


(clique na imagem para ler)

Análise sobre a progressão no sistema de ensino português


passatudo[1]