sexta-feira, 31 de julho de 2009
Cultivar o Valor da Paciência
Portal para a Igualdade de Género

Aqui é possível aceder a informação detalhada sobre as políticas que estão a ser seguidas em cada ministério, ou ao nível das autarquias locais que assinaram protocolos com a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, por exemplo.
O site reúne informação sobre projectos que promovem a igualdade entre mulheres e homens nas mais diversas áreas, tanto por parte de entidades públicas como empresas ou organizações da sociedade civil.
Dispõe também de uma área de "Cidadania Interactiva" onde são apresentadas respostas para questões frequentes, e um formulário para envio de outras perguntas por parte dos utilizadores.
Neste sítio podemos encontrar outras informações e utilidades, nomeadamente, contactos de Linhas de Apoio (15 linhas de apoio).quinta-feira, 30 de julho de 2009
Da Literatura
Entrevistas com Mia Couto
Pela Estrada Fora from Joana on Vimeo.
Por dificuldades técnicas em postar vídeos do Sapo, fica o link para a 2ª Entrevista com Mia Couto
E ainda...
A booktour de Jesusalém, de Mia Couto pode ser vista aqui. Uma reportagem fotográfica de Luís Ricardo Duarte (Julho/2009).
Dessa reportagem...
Nota: Jejusalém, uma proposta de leitura apresentada aqui.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Recursos Educativos On-line

(...)
O primeiro número já está disponível: Vol. 1 nº 1 - Julho de 2009
SUBMISSÃO DE ARTIGOS PARA O PRÓXIMO NÚMERO ATÉ: 15-08-2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
Hora da Poesia, do Descanso e da Reflexão
Manhã sem prazos nem fronteiras…
Apenas a letra miudinha que me acompanha,
Manhã sem prazos nem fronteiras…
Apenas um ditado cego que alguém me dita.
Que não importa o tamanho das frases,
Nem até mesmo o sentido das palavras,
Só importa esta manhã,
E a sua total ausência de mágoas.
Não vale pensar muito no escrever,
Antes deixar correr,
Como os passos da criança,
E ver nascer todo o resto com temperança.
Não vale pensar se o certo vai dar certo,
Ou que o incerto, certo está,
Não vale…
Não vale crer que apenas a vida compensa,
O que a vida dá,
Não vale…
Certos estamos que nunca por dentro sabemos,
Como a vida se dá.
E no entanto, por certo sabemos,
Que assim será.
Não são enigmas, nem charadas,
São antes palavras ousadas,
Paridas fora do tempo – as que faço nascer…
Não são regras,
Não são nada – para quem não as queira perceber.
Aos que olham distantes,
Não passam de palavras errantes,
Que um dia também vão aprender.
Não se aprendem as palavras,
Conduzem-se dentro do Ser,
É o Ser que tem de crescer…
Kleine Hexe
Do Encerramento do Ano Lectivo
domingo, 19 de julho de 2009
Hora da Poesia

Mulher essência de terra
busca permanente de água.
Cinzel feito de amor
e nos dedos o cheiro a hortelã.
Nos olhos uma “pauta lírica”
solta andorinhas
em passeios de diferentes línguas.
As línguas da rocha, do vento ou do riacho.
Mulher trigo, uva, fio de azeite
saia e manguitos de chita
a esculpir na terra estátuas de água e vento.
Marta Vasil
sábado, 18 de julho de 2009
Uma proposta de leitura

Jesusalém (1ª ed. Junho 2009)
Mia Couto
Da apresentação da obra:
Jesusalém é seguramente a mais madura e mais conseguida obra de um escritor em plena posse das suas capacidades criativas. Aliando uma narrativa a um tempo complexa e aliciante ao seu estilo poético tão pessoal, Mia Couto confirma o lugar cimeiro de que goza nas literaturas de língua portuguesa.
A vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado, diz um dos protagonistas deste romance. A prosa mágica do escritor moçambicano ajuda, certamente, a reencantar este nosso mundo.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Avaliação de Docentes em Portugal: Recomendações da OCDE

quinta-feira, 16 de julho de 2009
Medidas confusas da Tutela da Educação
quarta-feira, 15 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Casos de sucesso
segunda-feira, 13 de julho de 2009
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Escolas matam a criatividade?
Parte 1
Parte 2
Mais Normativos...
De acordo com o Artigo 2.º, são Objectivos do Sistema de Formação e Certificação em Competências TIC, nomeadamente:
a) Promover a generalização das competências digitais e das competências pedagógicas com o recurso às TIC dos docentes, com vista à generalização de práticas de ensino mais inovadoras e à melhoria das aprendizagens;
b) Disponibilizar aos docentes um esquema articulado e coerente de formação TIC, modular, sequencial, disciplinarmente orientado, facilmente integrável no percurso formativo de cada docente e baseado num referencial de competências em TIC inovador, inspirado nas melhores
práticas internacionais;
c) Reconhecer aos docentes competências TIC adquiridas fora do quadro jurídico da formação contínua de professores.
Para saber mais, ler a Portaria supracitada em link.
Reflexões e actualidade
A Felicidade é Modesta e não Ambiciosa
Aqui tens o que posso dizer-te constantemente, a matéria que poderei estar sempre a debater, pois ambos vemos à nossa roda inúmeros milhares de pessoas inquietas que, a fim de obterem algo de altamente nocivo, andam com perseverança a praticar o mal, sempre à procura de coisas que logo a seguir deixam de lhes interessar, ou mesmo as enchem de repulsa! Já viste alguém contentar-se com uma coisa que, antes de a obter, lhe parecia mais que suficiente? A felicidade, ao contrário da opinião corrente, não é ambiciosa, mas sim modesta, e por isso mesmo nunca sacia ninguém. Tu pensas que aquilo que satisfaz o vulgo é elevado porque ainda estás longe da perfeição estóica; para quem a alcançou, tudo isso é absolutamente rasteiro! Minto: para quem começou a subir até esse nível, pois o ponto que tu pensas ser já o mais alto não passa de um degrau. Toda a gente é infelizmente confundida pela ignorância da verdade. Enganada pela opinião vulgar, procura como se fossem bens certas coisas que, depois de muito penar para as conseguir, verifica serem nocivas, inúteis ou inferiores ao que esperava. A maior parte das pessoas sente admiração por coisas que só ao fim de algum tempo se revelam ilusórias; e assim é que o vulgo toma por bom o que apenas parece grande.
Séneca*, in 'Cartas a Lucílio'
* Nasceu em Corduba, 4 a.C. — Faleceu em Roma, 65 d.C.)
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Formação de Professores: Educação Especial
Encontram-se abertas as inscrições para a Conferência Internacional Educação Inclusiva – Impacto dos Referenciais Internacionais nas Políticas, nas Práticas e na Formação, promovida pela Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular. Esta conferência decorrerá nos dias 4 e 5 de Setembro, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa. Num contexto sociopolítico marcado por profundas transformações, os investigadores e a comunidade educativa são desafiados a encontrar novos equilíbrios, consonantes com a evolução dos referenciais internacionais. Em Portugal, tal como acontece em todos os países europeus, a emergência de novos referenciais exige que se repensem os objectivos e as práticas de escola. Nesta Conferência, que conta com a participação de especialistas reconhecidos a nível nacional e internacional, pretende-se promover a discussão em torno de questões centrais para a mudança das políticas e das práticas. Programa (Pdf, Doc) Ficha de Inscrição Data limite para as inscrições: 17 de Julho O número de participantes é limitado, sendo as inscrições admitidas por ordem de chegada.
- Tradução simultânea disponível - Interpretação em Língua Gestual Portuguesa
Contactos E-mail: conferencia.educacaoinclusiva@dgidc.min-edu.pt Telefone: 213934532
Centro Cultural de Belém (CCB) Contactos Acessos
Informação in DGIDC (Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular)
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Guia de Internet para os pais

Adolescentes
- Mantenha os computadores com ligação à Internet numa área aberta, e não no quarto dos seus filhos. Saiba quais são as salas de chat ou fóruns de mensagens que os seus filhos visitam ou com quem falam. Fale com os seus filhos sobre jogos de azar online e os seus riscos potenciais. Dos 9 aos 12 anos.
- Fale com os seus filhos sobre redes sociais. A idade recomendada para aderir a estes sites é igual ou superior a 13 anos. Não os deixe utilizá-los antes da idade recomendada.
- Deixe bem claro que nunca devem aceitar encontrar-se pessoalmente com alguém que conheceram online.
- Ensine os seus filhos a não transferirem programas sem a sua autorização - sem o saberem podem transferir spyware ou um vírus informático. Dos 7 aos 8 anos
- Encoraje os seus filhos a visitar apenas sites aprovados por si.
- Crie uma conta de correio electrónico familiar partilhada no seu fornecedor de serviços de Internet, em vez de permitir que os seus filhos tenham as suas próprias contas.
- Ensine-os a falarem sempre consigo antes de revelarem informações através de correio electrónico, salas de chat ou fóruns de mensagens.
- Nesta idade, não os deixe utilizar serviços de mensagens instantâneas. Dos 5 aos 6 anos
Mantenha os computadores com ligação à Internet numa área aberta, onde possa facilmente supervisionar as actividades dos seus filhos.
- Ajude a proteger os seus filhos contra janelas pop-up ofensivas.
- Encoraje os seus filhos a dizer-lhe se alguma coisa ou alguém online os fizer sentir pouco à vontade ou ameaçados. Mantenha-se calmo. Dos 2 aos 4 anos
- Acompanhe sempre os seus filhos nas visitas à Internet. Nestas idades, os adultos têm de desempenhar um papel importante no que respeita ao ensino de uma utilização segura da Internet.
- Adicione sites aceitáveis à sua lista de Favoritos para criar um ambiente online personalizado.
- Ensine aos seus filhos a importância da privacidade. Se um site encorajar as crianças a fornecerem os seus nomes, ajude-os a criarem alcunhas para utilização online que não revelem informações pessoais.
Site da Microsoft (em português)
Site Miúdos Seguros
Site da Associação de Apoio à Vítima - Jovem
Site Internet Segura
Site da Polícia Judiciária
Preocupante!

Matilde - chamemos-lhe assim - tem 14 anos. Há duas semanas encontraram-na no areal da praia de Leça da Palmeira, abandonada, muitíssimo assustada, o corpo marcado com violência. Um homem descarregou-a ali, depois de a violar. E ela pensava que aquele seria um dia feliz, a tarde em que conheceria o miúdo por quem se apaixonara na Net, com quem falava horas perdidas no Messenger, a quem mandava emails em catadupa. Ele dizia que era um rapaz ainda novo. Mais velho que ela é certo, já com carta de condução mas ainda assim um puto, e ela acreditou. Ele dizia que iam só ao café olhar um para o outro e ela acreditou, orgulhosa por ele vir do Sul até Matosinhos para conhecê-la.
Marcaram o encontro para 19 de Junho, uma sexta-feira, no Porto, perto do bairro social onde Matilde mora com os pais. Do que se passou a seguir sabe-se pouco. À menina, aluna do secundário, custa falar das voltas de carro com aquele homem adulto, dos abusos sexuais em vários locais isolados, das agressões que inviabilizaram a fuga. Com o cair da noite chegou a preocupação dos pais, a filha que tardava, o telemóvel sempre mudo. Quando já nada justificava a demora, foram à esquadra reportar o desaparecimento.
Matilde foi encontrada no areal de Leça. A história monossilábica que relatou foi, mais tarde, confirmada pelo Instituto de Medicina Legal do Porto - ficou provada a violação - e pelos muitos emails trocados, que os pais encontraram no computador da filha e que entregaram à brigada que investiga abusos sexuais na Invicta. Até ontem (3 de Julho), o predador ainda não tinha sido detido.
A história de Matilde não é única - é só a mais recente. Este ano, a Polícia Judiciária (PJ) já contabiliza meia dúzia de casos semelhantes, casos de rapazes e raparigas menores, que se enamoraram na Internet por abusadores sexuais, que aí marcaram encontros e que acabaram violentados no mundo real. Em 2008 foram oito os casos que resultaram em violação, mais cinco de exposição íntima perante uma webcam. "Mas os números pecam por defeito. Há cifras negras e a tendência é para aumentar. A maioria dos casos não chega à polícia", explica o inspector-chefe Camilo de Oliveira, responsável pela investigação de crimes sexuais na directoria do Centro da PJ. "E não é só por vergonha que os miúdos se calam. Têm medo que os pais lhes cortem a Internet e lhes tirem o telemóvel".
Se se falar 'apenas' de assédio sexual de menores online - sem abuso físico, mas com referências explícitas a sexo, troca de fotos e vídeos com nudez, simulações de actos sexuais e exibições através de webcam - as cifras nacionais estimadas pela PJ sobem para 30 mil vítimas por dia, entre os 10 e os 15 anos. São 5% das crianças portuguesas nessa faixa etária. Percebe-se melhor o perigo quando o Instituto Nacional de Estatística atesta que 96,6% dos menores entre os 10 e os 15 anos utilizam o computador, 83% têm PC em casa e 92,7% acedem à Internet. Acrescente-se os dados da rede social Hi5, a mais usada em Portugal: 50% dos utilizadores têm entre 8 e 13 anos. Ou o facto de proliferarem na Net páginas que explicam como desbloquear o programa de controlo parental do computador "Magalhães".
Parques infantis virtuais
"Para os predadores as redes sociais da Internet são os parques infantis deste século, onde crianças brincam sem supervisão dos pais. E podem escolher as vítimas que preferem. Se querem loiras, de olhos azuis são essas que contactam. São verdadeiros catálogos", acrescenta o inspector. Nos EUA, o FBI cruzou a base de dados de abusadores condenados com a lista de utilizadores do MySpace e encontrou 90 mil correspondências. "Potencialmente, todos os predadores portugueses estarão nas redes sociais. Quem tem acesso à Net anda lá, garanto-lhe, e tem de ser muito inábil para não conseguir 'apanhar' nenhum menor", diz Camilo de Oliveira.
Na maioria dos casos, não há abuso físico. Os predadores satisfazem-se à distância. Através da Internet, 'entram' nos quartos onde a maioria das crianças usa o computador, à porta fechada. O aliciamento é fácil e rápido. Do paleio simples passa-se às perguntas sobre sexo. Liga-se a webcam. Mais umas conversas e a criança manda fotos íntimas. Do outro lado pode vir depois a chantagem. "Despe-te para a webcam, senão mando as fotos aos teus colegas. Simula, senão ponho os vídeos no Youtube". Bastam uns dias para um adolescente ficar refém das fantasias de um predador ou ver a sua intimidade à escala da World Wide Web - em 2008, a PJ investigou 160 casos de pornografia de menores, 26,3% relativos às novas tecnologias.
A universalidade da Internet obriga à cooperação internacional. Os operadores das redes e chats, estão maioritariamente nos EUA. Os pedidos ao Hi5 são recorrentes. "E nem sempre é fácil ou rápido aceder aos registos", explica o inspector-chefe Jorge Duque, que investiga crimes de alta tecnologia na PJ. A partir de 5 de Agosto as operadoras são obrigadas a reter os dados de tráfego durante um ano. "Ajuda, claro. Mas a nossa maior ajuda são os miúdos. Devem pedir contactos, emails, pormenores, guardar imagens que recebem e apontar o endereço do servidor (IP) com data e hora. Só assim localizamos o agressor".
In Expresso, 8.7.2009
Educar em Valores: uma proposta de leitura
COEDUCANDO PARA UNA CIUDADANÍA EN IGUALDAD
Compromisos con las agendas globales y nacionales
Autor: Madeleine ARNOTColección: Colección Ministerio de Educación y Ciencia
Traductor: Redactores en Red
ISBN: 978-84-7112-534-7
Número de páginas: 304
Tamaño: 17 x 24
Fecha de la edición: 26/06/09
Edición número: 1ª
22,98 €
no incluye IVA
La rapidez de los cambios que vivimos se refleja en este nuevo libro de Madeleine Arnot, pensado desde la problemática que nos va desvelando el siglo XXI, que la ha llevado a un doble salto conceptual: nuestro ámbito de referencia ya no es el Estado, cada Estado nacional, sino el mundo, inmerso en el proceso de globalización. Así, el horizonte cambia y se amplia de pronto, y hay que repensarlo todo, porque nuestro escenario es ya otro. Y al mismo tiempo, la educación ya no es el bagaje que debe permitir a las generaciones jóvenes insertarse en el mercado de trabajo o adquirir los instrumentos básicos para vivir en un contexto inmediato. La educación, o al menos una parte de ella, debe transformarse en educación para una ciudadanía global. En un instrumento capaz de dar a la gente joven las referencias necesarias para convivir en un mundo amplio y diverso, de una diversidad yuxtapuesta y simultánea, y marcado a la vez por la afirmación de la igualdad de derechos y por la realidad de las desigualdades, las diferencias, los prejuicios, las jerarquías.
Siguiendo en muchos momentos los sutilísimos conceptos de Basil Bernstein, Arnot se adentra en el análisis de la construcción de unas personalidades masculinas y femeninas aún fuertemente dependientes de las posiciones de clase y de género, aún alejadas, en este momento, de las capacidades que exigirá la construcción de una ciudadanía global que ella ve, sobre todo, como una nueva ética global.
Madeleine Arnot, una vez más, se sitúa un paso más allá de los debates del momento para describir con gran exactitud el paisaje que está a la vuelta de la esquina y apuntar, al mismo tiempo, la posibilidad de unas soluciones basadas en la extraordinaria riqueza de una cultura tradicional femenina aún medio escondida entre los andrajos de Cenicienta, y que, sin la intervención de un hada madrina que actúe bajo la forma de un movimiento potente de mujeres, parece imposible que nadie la invite a la fiesta de la globalización.
Extracto del "Prólogo a la edición española", de Marina SUBIRATS
* * * * * * * * * * * * * *
MADELEINE ARNOT es Catedrática de Sociología de la Educación de la Universidad de Cambridge, Reino Unido.
EXTRACTO DEL CONTENIDO (para ler clique no link)
terça-feira, 7 de julho de 2009
(Des)igualdade...
A propósito do post infra "A escola não serve para nada!?" lembrei-me deste vídeo que aguardava uma oportunidade para aqui ser divulgado em forma de denúncia de práticas de (des)igualdade, de (des)respeito pelos direitos da humanidade, da dignidade humana, em nome de uma religião e de um deus menor. Apenas me oferece comentar que só um deus menor poderia considerar a mulher um ser inferior. Não se trata aqui da Lei de Deus, mas da lei dos homens e, essa, nem sempre corresponde à vontade de Deus. Saberá o homem algum dia decifrar plenamente essa vontade?...
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Alunos vencedores

João Bandovas, aluno da EB 2, 3 “Sebastião da Gama”, de Estremoz, foi o vencedor do Concurso Nacional de Leitura 2008/2009, cuja final foi transmitida pela RTP1 no passado dia 15 de Junho. As provas da Final Nacional, em que participaram estudantes do 3º Ciclo e do Ensino Secundário, realizaram-se nos dias 30 e 31 de Maio último, no Cine-Teatro da Encarnação, em Lisboa.
À terceira foi de vez: o João Pedro Bandovas, sagrou-se vencedor, na categoria do 3º Ciclo do Ensino Básico, da terceira edição do Concurso Nacional de Leitura, um concurso de âmbito nacional, em que participaram trezentas escolas e dezoito distritos, com centenas de estudantes dos quais, depois de ultrapassadas as duas primeiras fases (escolar e distrital), apenas 24 chegaram à final realizada em 30 e 31 de Maio último.
Natural de Estremoz, 14 anos de idade, aluno da Escola Sebastião da Gama, onde concluiu este ano o 3º Ciclo do Ensino Básico (9º), “com 5 em todas as disciplinas”, o João Pedro é já um veterano deste concurso, pois participou nas suas três edições. Na primeira, em 2007, parou na fase distrital onde ficou empatado com outro estudante, “fomos a uma prova oral de desempate e como o meu ponto fraco é a parte oral passou o outro”.
Em 2008, na fase distrital conseguiu o 1º lugar e o apuramento para a final nacional, onde se classificou em 2º lugar. “Este ano voltei a concorrer e fiquei em primeiro lugar”.
Apresentado em formato bastante diferente dos anteriores que se baseavam na memória e na rapidez, em que o candidato mais rápido a carregar num botão tinha direito a responder a uma pergunta, sobre uma obra literária previamente lida, o concurso deste ano foi muito mais complexo e mais exigente, “integrava outro tipo de provas que avaliavam a nossa criatividade, a expressão escrita, a expressão oral, e a capacidade de argumentação”.
Para a Final Nacional deste ano foram seleccionados três livros: “Diário” de Anne Frank; “O Fogo e as Cinzas”, de Manuel da Fonseca; “A História Interminável”, de Michael Ende.
As questões, ou, melhor dito, as tarefas pedidas aos concorrentes incidiam sobre uma das três obras previamente seleccionadas sendo os concorrentes pontuados, tendo em conta as capacidades demonstradas e o seu desempenho em termos de leitura, escrita, oralidade, argumentação, criatividade. “Tínhamos que saber praticamente os livros todos, as características das personagens, parentescos, diversos pormenores da obra... e falar ou escrever sobre isso, sempre em poucos minutos ou mesmo poucos segundos. É muito stressante, estar ali sob pressão, ter necessidade de escrever algo para obter uma boa pontuação”.
O João escolheu o “Diário” de Anne Frank, de que leu um excerto e escreveu uma frase, e defendeu na prova de argumentação, onde ultrapassou o tempo que lhe estava destinado. “Só tinha 30 segundos para argumentar sobre o livro e quando cheguei ao fim dos 30 segundos ainda tinha algo para dizer, achei que era importante, porque o Diário de Anne Frank é uma obra que todos devíamos ler”.
Mas tudo acabou em bem e a verdade é que, depois de duas viagens em dois dias seguidos a Lisboa, horas de espera e de gravação, muito nervosismo, o João Bandovas, um miúdo de 14 anos, de Estremoz, sagrava-se vencedor, na categoria do 3º Ciclo, do Concurso Nacional de Leitura de 2008/2009, a que concorreu devido ao seu “gosto pela leitura”. Como prémio recebeu um computador portátil, livros, várias lembranças da RTP e uma pequena quantia em dinheiro para apoio às despesas de deslocação.
Modesto, não se deslumbra com o triunfo. “Foi uma experiência diferente que me marcará para sempre, tem um sabor diferente, continuarei com toda a humildade e a dar o meu melhor e nada mais”.
À sua escola, aos professores que o incentivaram e apoiaram neste percurso deixa um “sincero agradecimento”.
Planos para o futuro
No próximo ano lectivo, o João Pedro ingressa no Ensino Secundário e muda de escola. Garante que vai continuar a trabalhar. Vou “dar o meu melhor para obter bons resultados”. E quanto a concursos, pensa estar, pelo menos, um ano a descansar, a preparar-se para “outras batalhas”, apesar de ter vivido, como admite, “uma experiência que me marcará para sempre”, por agora acha que não vai repetir.
O seu projecto de vida aponta para outros horizontes. “Agora no secundário vou aprofundar mais os temas e escolher. Talvez vá para a ciência”.
Entre a música e a ciência
Ao gosto pela leitura, João Pedro Bandovas junta, como disse, o interesse pela ciência e o talento para a música, domínios em que também não deixa os seus créditos por mãos alheias. “Gosto de tudo, tenho interesse por todas as áreas e acho que se me dedicar a uma vou ser bem sucedido”, assegura.
Estuda violino desde a infância, destacando-se já hoje como exímio violinista. Mas apesar do talento “o violino é só um hobby”, não pensa seguir uma carreira artística “porque em Portugal é complicado, mas gostava muito”.
Diz que quer ser cientista, hesitando entre a neuro-cirurgia, a química e a física. “Sempre me interessou bastante a ciência”, afirma convictamente. Por isso tem participado no concurso “Cientista em Acção”, promovido pelo Centro de Ciência Viva de Estremoz, classificando-se em primeiro no prémio Déodat Dolomier, no concurso realizado o ano passado, a que apresentou o trabalho científico “Lei da Acção-reacção”, e o segundo lugar no concurso deste ano a que concorreu com o trabalho “Mecânica dos Fluidos – Fluidos não-newtonianos”.
Mas a vida deste miúdo não se limita apenas à música e às ciências e à participação em concursos: os seus interesses vão ainda para a informática, as artes cinematográficas (já produziu dois pequenos filmes), e o desporto sendo praticante de basquetebol e das chamadas “multi-actividades de aventura” que lhe permitem o contacto com a Natureza.
“Para a pintura e o desenho não tenho jeito nenhum, se for desenho geométrico, ali tudo certinho, ainda vai, mas o resto... (risos) e para a dança, sou um pés de chumbo” confessa, enquanto explica que não se pode ser bom em tudo e por isso recusa o epíteto de sobredotado.
Festa de despedida
Na passada sexta-feira, 19, a sua escola fez-lhe uma surpresa: à saída do exame de Português foi chamado à biblioteca. Aí aguardava-o uma pequena recepção em que participaram alguns colegas e docentes da sua turma, seus pais [o bancário José Bandovas e a enfermeira Isabel Afonso] e outros familiares. Ao som do seu violino exibiram-se fotos documentando alguns momentos da sua vida, houve bolos, emoção e discursos, a mãe agradeceu à escola, aos professores e aos condiscípulos do João Pedro o carinho, a amizade e o contributo que deram para a sua formação, e a directora do Agrupamento de Escolas de Estremoz, Adosinda Pisco teve palavras de louvor para o aluno, afirmando que a escola sente “muito orgulho pelas suas qualidades e gosto de aprender” e apontando o João Pedro Bandovas como exemplo para os outros estudantes terminou com votos de que continue no mesmo caminho de “excelência” que tem trilhado até ao momento, um caminho de “mérito e excelência”.
In Brados do Alentejo (25.6.2009)
Síntese da colocação de docentes
Da Política Educativa

Recentemente, num artigo de opinião, Don Tapscott, um especialista canadiano em tecnologia, recomendava ao presidente norte-americano que pusesse os olhos em Portugal e no seu investimento em computadores individuais para os alunos do ensino básico. O Magalhães não convence Stephen P. Heyneman que esteve em Lisboa para falar sobre a política educativa da administração Obama, na Universidade Católica Portuguesa, há uma semana.
“É um computador colorido. Gosto da sua portabilidade. O que me perturba é ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas. E os professores?”, pergunta. “Começaria por dar computadores aos professores para trabalharem e organizarem as suas lições. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação”, responde. O que viu, no Porto ou em Lisboa, foi crianças a brincar com o Magalhães, “como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar”. “Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação, mas sim o da sua integração no trabalho escolar”, sublinha.
Heyneman lembra um estudo comparativo feito na Áustria e nos EUA sobre a utilização dos computadores. Enquanto na Áustria o programa foi um sucesso porque os professores foram envolvidos e tiveram formação para aprender a trabalhar e foram eles que ensinaram as crianças; nos EUA não houve formação, nem integração no currículo e os resultados do programa não foram positivos. É em estudos como este que Portugal deveria reflectir, aconselha.
“Testar é produzir igualdade”
Se muitos estudos dizem que os alunos com melhores resultados são os filhos das classes médias. Há muito que Stephen P. Heyneman diz que “as crianças das famílias pobres têm bons resultados”. A sua teoria foi testada em 29 países, entre eles o Chile, Índia, Tailândia ou Irão. “Quanto mais pobre, maior o impacto da educação. Quanto mais rico, maior o impacto da família”, explica, lembrando que a maior parte das crianças do mundo não estão representadas nas estatísticas da OCDE ou nos estudos feitos nos países desenvolvidos. “O que é verdade é o que se passa nos EUA, onde estão apenas dois por cento das crianças do mundo?”, questiona. Heyneman considera importante fazer exames. “Testar é produzir igualdade. Os testes são a oportunidade para cortar com as desigualdades. Nos países pobres, as provas revelam que as crianças pobres têm os mesmos resultados do que as ricas”.
* É professor de Política Educativa Internacional na Universidade de Vanderbilt, Tennessee, nos EUA. Trabalhou no Banco Mundial durante 22 anos, e, nos últimos anos tem sido consultor em diversos países, do Gana ao Japão, da Rússia à Nova Zelândia. “Apesar de ser americano, não represento os EUA”, diz. Tem estudado diversos temas como no que é que a educação pode contribuir para a coesão social, a corrupção e os negócios em torno da educação. Tem estado em Portugal, a convite do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior, sediado no Porto, a estudar o sistema português. É preciso mais autonomia, defende.
A escola não serve para nada!?
La escuela no sirve para nada
Este es el llamativo título de un artículo que publicó hace tiempo Phillipe Perrenoud en un periódico suizo. Me alarmé cuando lo leí aunque, conociendo al famoso sociólogo, pensé de inmediato en el tono incisivo e irónico del aserto.En efecto, cuando comencé a leer caí rápidamente en la cuenta de las pretensiones del autor. .Así comienza el artículo de Perrenoud: “Bin Laden y los terroristas son personas muy instruidas. Como muchos tiranos y fanáticos. Como la mayor parte de quienes organizan el crimen. Como los dirigentes de las multinacionales que juegan con el dinero de los accionistas y se burlan de los usuarios tanto como del bien público. Entre los doce dignatarios nazis que decidieron crear los campos de exterminio más de la mitad tenían un doctorado. Los acontecimientos que agitan el mundo prueban una vez más que un elevado nivel de formación no garantiza nada en el orden de la ética”.
Es decir, que uno puede tener un altísimo nivel de instrucción y ser un perfecto sinvergüenza. Los “pájaros” de la operación Malaya, que tenemos tan cerca, no son tontos, no son analfabetos. Saben mucho. Sabrán burlarse de las justicia, de sus expoliados y de la ciudadanía en general. Saldrán de la cárcel. Disfrutarán del dinero robado. ¿Están bien instruidos? Sí. ¿Están bien educados? No. Porque la educación tiene una inexcusable dimensión ética.
Fueron médicos bien preparados, ingenieros muy bien formados y enfermeras muy capacitas en su oficio los profesionales que diseñaron las cámaras de gas en la Segunda Guerra Mundial. ¿Sabían mucho? Claro que sabían. Se han hecho estudios de lo bien que funcionaban los hornos crematorios. Pero sus víctimas no se alegraron mucho de todo lo que sus verdugos sabían. En mala hora lo habían aprendido.
Si el conocimiento que se adquiere en la escuela y en la Universidad sirviera para engañar más fácilmente a los demás, para oprimirlos mejor y para manipularlos de una forma más eficaz, ¿podríamos estar satisfechos de la tarea realizada en ellas? ¿No sería mejor no contar con ellas?
Si los grandes triunfadores del sistema educativo, que son quienes gobiernan los pueblos, no están muy preocupados porque disminuya en el mundo la injusticia, el hambre, la opresión, la ignorancia y la miseria, ¿por qué hablamos de éxito del sistema educativo? ¿Qué decir del ejemplo que brindan algunos, como recientemente se ha sabido del presidente Berlusconi, que dilapida bienes públicos para sus fiestas privadas, que lleva a jovencitas a su finca de Cerdeña para su particular disfrute, que se rodea de golfos para montar sus saraos? El escándalo tiene en sí mismo su miseria pero, además, genera un clima de corrupción. Se ha sabido que algunos personajes de la vida política se acercan al Cavaliere no con sus esposas sino con sus hijas. Por si el jefe tuviera a bien echarles un ojo. Qué depravación.
¿A qué llamamos éxito del sistema? ¿Cuál es el fin que persigue la escuela? ¿Qué tipo de ciudadanos y ciudadanas queremos sacar como resultado de la acción educativa?
Dice Perrenoud en el artículo al que antes hacía referencia: “Los acontecimientos recientes demuestran de manera dramática que se puede tomar a los ciudadanos por imbéciles y tener todas las posibilidades de ser elegido por aclamación”. ¿Para qué les ha servido la escuela?
El pedagogo alemán Von Hentig, en un interesante libro titulado “¿Por qué tengo que ir a la escuela?, le explica a su sobrino mediante veintiséis hermosas cartas cuáles son los motivos por los que merece la pena ir a la escuela. Dice en una de sus cartas “A mí no me gustaría convivir con gente que no tuviera esta educación, me parecería peligroso. Podrían volver a elegir a Hitler”.
La escuela tiene dos cometidos básicos. El primero consiste en desarrollar la solidaridad y el respeto al otro sin los cuales no se puede vivir juntos ni construir un orden mundial equitativo. Mediante el segundo pretende construir herramientas para hacer el mundo inteligible y ayudar a comprender las causas y las consecuencias de la acción, tanto individual como colectiva, tanto propia como ajena.
Me preocupa saber si, con la acción que se realiza dentro de la escuela, los alumnos y alumnas consiguen esos objetivos. Me preocupa también saber si los profesionales que trabajamos dentro de ella los hemos alcanzado o estamos caminando hacia ellos.
Es inquietante ver (si la pretensión es conseguir la formación de ciudadanos solidarios) que algunos alumnos terminan la escolaridad siendo egoístas, violentos e insolidarios. Es inquietante comprobar que (si la pretensión es conseguir ciudadanos críticos) que algunos alumnos salen de la escuela siendo repetitivos, adocenados y sumisos.
Cuando se comprueba lo sucedido debe iniciarse otro proceso más riguroso si cabe. Es el proceso de atribución mediante el cual damos respuesta a la pregunta siguiente: ¿Por qué ha sido ese el resultado? Cuando existen resultados negativos suele explicarse el fracaso achacando a los alumnos su falta de respuesta a los buenos planteamientos educativos. Esa es la forma más perfecta de seguir instalados en las rutina, que es el cáncer de las instituciones.
Si se explicase el fracaso de la sanidad diciendo que los organismos de los pacientes no resisten los excelentes tratamientos de los médicos, el buen funcionamiento de los hospitales y las excelentes políticas sanitarias, nada podría mejorar en la atención sanitaria. Quien tendría que mejorar son los pacientes. No digo con esto que los pacientes sean perfectos. Ya sé que no lo son. Ya sé que algunos no colaboran de forma adecuada con las exigencias de su salud. Pero si todo el fracaso se explicase por sus limitaciones y deficiencias, el camino de la mejora profesional sanitaria estaría completamente bloqueado. Lo mismo sucede en el mundo de la educación.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Surpresa das surpresas...
Reflectir sobre o uso da escrita e da linguagem

Recensão Crítica
É de saudar a excelente colecção Ensaio, que nos vai brindando com belíssimos ensaios estéticos e literários, perfilhando autores como João Barrento, Giorgio Agamben, Roberto Calasso e Paul de Man. Agora chegou a vez de António Guerreiro, que publica a sua primeira obra ensaística, reunindo na mesma uma série de artigos, anteriormente publicados em diversas revistas literárias e catálogos, havendo apenas um artigo que ainda não tinha sido publicado. Já conhecido do leitor português, o autor não é propriamente um estreante, publicando regularmente as suas recensões no semanário Expresso.
Composto por cinco artigos, "A Ocupação mais inocente", "Celan ou o Testemunho Impossível", "A Época e as suas Fantasmagorias", "História e Apocalipse", "A Força da Gravidade" e "O Sublime ou o Destino da Arte", esta obra, cujo título exige a sua explicação, reflecte sobre autores como Celan, Walter Benjamin, Musil, Herman Broch, Hofmannsthal, Kafka, Joyce, Alfred Döblin e outros. Todos estes autores padecem de uma mesma enfermidade, o mal-estar perante a perda do sentido da experiência, chamando a si a responsabilidade do uso da escrita e da linguagem como um compromisso perante a vida, recusando a literatura enquanto forma de entretenimento. Por isso, desde logo, o primeiro artigo constitui-se como uma abertura ou uma introdução para o que se segue, abordando de forma mais generalizada, os "casos" da literatura como as faces diversas de um mesmo rosto, apontando sempre para uma mesma questão essencial: a desagregação da sociedade burguesa e dos seus valores, arrastando nessa derrocada a perda do sentido da linguagem e do seu valor e a emergência de uma nova ordem, a da modernidade, em que a linguagem nos aparece unicamente sob o seu uso instrumental.
Em "A Ocupação mais inocente", formula António Guerreiro as questões essenciais que são diagnosticadas pelos vários autores, relativamente a esse mal-estar. A responsabilidade do escritor perante o incontornável "mal dos valores" (para utilizar a célebre expressão de Hermann Broch) converte-se, desde logo, no centro, a partir do qual se ramificam os restantes artigos. O título deste artigo nasce de uma célebre carta que Hölderlin dirige à sua mãe, descrevendo a poesia como "a ocupação mais inocente de todas", mas nós também sabemos que é a poesia, e em especial a tradução da poesia grega, que o levará à insanidade mental. E é essa ironia e esse paradoxo que se constituem como o alimento matricial deste conjunto. Se, por um lado, a literatura é uma ocupação inocente, lavrada na solidão humana, por outro, muitas vezes, parece ser uma forma de "agir" e intervir eficazmente na sociedade. Insolúvel, esse paradoxo terá as mais nefastas consequências em diversos escritores, consubstanciando aquilo a que Herman Broch chamou, na sua obra fundamental Criação Literária e Conhecimento, a responsabilidade e o compromisso do escritor, enquanto arauto do espírito do seu tempo.
O segundo ensaio, "Paul Celan e o testemunho impossível", é o mais longo, mas é também, na minha opinião, o mais conseguido e o mais contundente. Assumir a poesia numa época em que a opinião judaica bem-pensante (Adorno e o seu séquito, evidentemente) a declara como impossibilidade, é um pecadilho grave, condenando a obra de Celan a uma "terra de ninguém", estado com o qual o poeta não conviveu nada pacificamente. A polémica que envolve o tão famoso poema "fuga da morte" parece ilustrar em toda a intensidade a condenação do mundo perante a poesia de Celan. Por isso, a responsabilidade da poesia atinge nele uma dimensão trágica, conduzindo-o a um emudecimento inevitável, apesar do desejo de "continuar a falar", numa linguagem da "atenção" , perante o outro e perante o mundo. E essa responsabilidade subtrai o poema à sua intemporalidade, incrustando nele uma actualidade a que não pode furtar-se, como uma "cicatriz do tempo". Deste paradoxo nasce o título da obra de António Guerreiro, apontando para a impossibilidade da literatura no seu carácter intemporal e descomprometido. António Guerreiro parece, assim, recusar, à partida, a ideia de uma literatura que se reduz à dimensão da cultura massificada e inócua, puramente ornamental, citando uma célebre frase de Agamben:
Uma stimmung de massa já não é uma música que possa ser registada: é apenas ruído.
Esse fio condutor guiá-lo-á ao longo de todos os artigos que constituem esta obra e, por essa razão, a escolha dos autores não é casual, mas pensada como um encadeamento natural da sua tese. Os artigos que se seguem, sobre Walter Benjamin, "A Época e as suas Fantasmagorias" e "História e Apocalipse" reflectem bem a visão comprometida de Benjamin com a sua época e com a história. Se, no primeiro artigo, António Guerreiro procura reflectir sobre a "imagem dialéctica", tomando-a como conceito operatório fundamental de Benjamin e esclarecendo o modo como nela é pensada a articulação entre passado e actualidade, estabelecendo, assim, a partir dela os parâmetros da sua crítica ao positivismo e à ideia de progresso, no segundo, o autor preocupa-se essencialmente em determinar em que consiste a visão da história do ponto de vista benjaminiano, numa contraposição entre a linearidade temporal e a "explosão" causada pela intervenção do tempo cheio e messiânico, numa história entendida como catástrofe, à luz dos seus escritos finais, reunidos sob o título Teses sobre o Conceito de História.
A familiaridade dos autores, entre si, e dos temas obedece a uma ordem, que se prolongará pelos artigos que se seguem. Em "A Força da Gravidade" apresenta-nos o autor uma breve introdução ao pensamento de um filósofo que sempre se manteve nas margens do pensamento académico, tendo escrito unicamente uma obra de vulto, pois suicidou-se apenas com 23 anos de idade. Trata-se de Carlo Michelstaedter e escreveu um tratado com o nome La Persuasione e la Rettorica, o qual se transformará, em virtude das circunstâncias envolventes, na "tesi di laurea" mais famosa da universidade italiana. O autor não cai na facilidade da análise, procurando ultrapassar o carácter cultural dessa obra e clarificar as suas obscuridades, suscitadas pelos conceitos de persuasão e retórica formulados pelo jovem filósofo, bem como determinar as suas consequências para o pensamento filosófico da época.
Finalmente no último artigo, "O Sublime ou o Destino da Arte", procura António Guerreiro analisar as dificuldades suscitadas pela cisão kantiana entre o Belo e o Sublime, no panorama do pensamento contemporâneo. Como este artigo foi redigido para o catálogo de uma exposição, A.G. dirige-se a um público específico, tomando casos do pensamento estético actual, como, por exemplo, as reflexões de J. Lyotard e Jean-Luc Nancy, bem como a obra pictórica de Barnett Newman, para analisar as consequências dessa cisão.
Do ponto de vista da análise filosófica, a obra de A. Guerreiro apresenta-se menos desenvolvida e mais vaga, tornando-se, por isso, mais frágil. Daí que o seu interesse, do meu ponto de vista, seja sobretudo do ponto de vista da análise literária. E segundo essa ordem de ideias, o que A. Guerreiro faz é muito bem feito, merecendo mesmo um lugar de destaque. Por essa razão, caro leitor (e, se me leu até aqui, dou-lhe os meus parabéns), acho que este livro não deve passar despercebido aos olhos dos fiéis amantes da Literatura.
In Crítica
Unificação ortográfica, que sentido?
"Eu não tenho uma posição militante em relação a isso, não dou essa importância. Reconheço que pode haver algumas razões para se fazer uma reforma ortográfica. Eu sou crítico ao discurso que foi feito para justificar o acordo para ficarmos mais próximos, para nos entendermos melhor, isso é mesmo mentira", disse.
Para Mia Couto, os falantes da língua portuguesa já se entendem, "é mentira que tenhamos nos afastado do ponto de vista cultural do conhecimento". E complementa que "nós já nos entendemos, eu sempre li brasileiros sem dificuldade nenhuma".
Rio de Janeiro, Brasil, 03 Jul (Lusa)













Jack