quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Negligência e maus tratos infantis

O anúncio infra 'Meu nome é Sara' foi premiado internacionalmente, mas não passou na nossa televisão, em Portugal. Desconheço qualquer iniciativa do género em Portugal que vise o combate ou a prevenção de situações de negligência e maus tratos infantis. É uma pena que não se invista nos mídia para sensibilizar e educar.
Desconheço a fonte. Recebi via e-mail o poema infra que passo a transcrever. Vale a pena ler. Porque pessoas como o pai da 'Sara' vivem na nossa sociedade. É preciso estar atento. Ajudar. E denunciar, se for preciso.


'Meu nome é Sara'

O meu nome é ''Sara''
Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados,
Não consigo ver.

Eu devo ser estúpida,
Eu devo ser má,
O que mais poderia pôr o meu pai em tal estado?

Eu gostaria de ser melhor,
Gostaria de ser menos feia.
Então, talvez a minha mãe me viesse sempre dar miminhos.

Eu não posso falar,
Eu não posso fazer asneiras,
Senão fico trancada todo o dia.

Quando eu acordo estou sozinha,
A casa está escura,
Os meus pais não estão em casa.

Quando a minha mãe chega,
Eu tento ser amável,
Senão eu talvez levaria
Uma chicotada à noite.

Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro,
O meu pai chega do bar do Carlos.

Ouço-o dizer palavrões.
Ele chama-me.
Eu aperto-me contra o muro.

Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos.
Tenho tanto medo agora,
Começo a chorar.

Ele encontra-me a chorar,
Ele atira-me com palavras más,
Ele diz que a culpa é minha, que ele sofra no trabalho.

Ele esbofeteia-me e bate-me,
E berra comigo ainda mais,
Eu liberto-me finalmente e corro até à porta.

Ele já a trancou.
Eu enrolo-me toda em bola,
Ele agarra em mim e lança-me contra o muro.

Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos,
E o meu dia continua com horríveis
palavras...

'Eu lamento muito!', eu grito
Mas já é tarde de mais
O seu rosto tornou-se num ódio inimaginável.

O mal e as feridas mais e mais,
'Meu Deus por favor, tenha piedade!
Faz com que isto acabe por favor!'
E finalmente ele pára, e vai para a porta,

Enquanto eu fico deitada,
Imóvel no chão.

O meu nome é 'Sara'
Tenho 3 anos,
Esta noite o meu pai *matou-me*.

2 comentários:

Licas disse...

Não consegui ler isto sem que uma lágrima me rolasse cara abaixo. Fico incomodada com todo o tipo de violência, mas aquela que dirige às crianças, põe-me louca.

Eu consigo vencer tudo, menos ver uma criança a sofrer... E Veem-se tantas!!!

Só quem nunca passou por um local onde o amor e o ódio se confundem é capaz de conviver com esta miséria.
Infelizmente os 10 anos que passei numa escola em que as crianças eram obrigadas a ser adultos à força e que não sabiam o que era um carinho ao deitar ou ao levantar, mas pelo contrário conheciam bem a dureza de uma tareia de cinto ...
Bom não quero pensar mais nisso. Daqui a pouco vou deitar-me e ofilme começa a rodar na minha cabeça e ... lá vai uma noite.
Beijinhos e Até amanhã
Licas

Manuel Fernandes disse...

É, amiga Fátima... uma bela ficção que representa bem a triste realidade de milhares de crianças espalhadas por esse mundo cão que o capitalismo nos impõe.

Embora a nossa função de educadores seja a de minimizar um pouco esse sofrimento, ainda não temos o condão de tocar todos os corações empedernidos dos homens de pouca vontade. Quem sabe, um dia conseguiremos.

Um abraço