sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Uma sugestão de leitura


Como um Romance

Daniel Pennac

Colecção: Pequenos Prazeres

Edições ASA




Um livro sobre o amor aos livros


Daniel Pennac é um apaixonado pela leitura, e o livro é uma espécie de declaração de amor ao acto de ler, além de um excelente guia para pais e professores sobre como aproximar crianças e jovens da leitura.

Aos pais, Pennac recomenda com um entusiasmo comovente a manutenção do precioso vínculo de intimidade que se pode criar quando contam histórias para as suas crianças - mesmo quando elas já sabem ler.
Aqui fica um excerto do livro no que toca a esta questão:

?(...)aquele ritual da leitura, toda noite, à sua cabeceira, quando ele era pequeno - hora certa e gestos imutáveis - tinha um pouco de prece. (...) Sim, a história lida cada noite preenchia a mais bela das funções da prece, a mais desinteressada, a menos especulativa e que não diz respeito senão aos homens, o perdão das ofensas. (...) um retorno ao único paraíso válido: a intimidade. Sem saber, descobríamos uma das funções essenciais do conto e, mais amplamente da arte em geral, que é impor uma trégua ao combate entre os homens.

Uma questão, entre muitas outras, se pode levantar, num tempo em somos tão solicitados pela imagem mediática e pelos media: onde arrumar tempo para ler?
A opinião de Pennac:
?A partir do momento em que se coloca o problema do tempo para ler, é porque a vontade não está lá. Porque, se pensarmos bem, ninguém jamais tem tempo para ler. Nem pequenos, nem adolescentes, nem grandes. A vida é um entrave permanente à leitura.
(...) O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Tanto como o tempo para escrever, aliás, ou o tempo para amar.).
Roubado a quê?
Digamos, à obrigação de viver.
(...) O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para viver.
(...) Eu nunca tive tempo para ler, mas nada, jamais, pôde me impedir de terminar um romance de que eu gostasse.
A leitura não depende da organização do tempo social, ela é, como o amor, uma maneira de ser.

Talvez a questão a colocar, a mais pertinente, não seja se tenho ou não tempo para ler, mas se tenho vontade de oferecer esse presente para mim. Um presente que vai contribuir para o meu desenvolvimento integral, para o conhecimento, para a satisfação interior,... para a minha felicidade.
Organizar o tempo para a leitura também faz parte da arte de saber viver.

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