sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Passatempo - Transmissão do Património Histórico-Cultural...

Antecipando um pouco o fim de semana, aqui ficam algumas notas ao desafio do passado sábado:
Na imagem infra podemos observar os famosos "Barros de Estremoz"* ou "Louças de Estremoz", entre eles os cântaros de barro que se utilizavam outrora para ir à fonte (mais à frente), do lado esquerdo o barril (também para transporte de água), atrás os potes utilizados para várias funções, nomeadamente para temperar e guardar azeitonas durante todo o ano, à direita, quase ao fundo as panelas de barro, utilizadas nas lareiras de chão para cozinhar ou simplesmente para aquecer água e ainda à direita as caçarolas onde se podem fazer apetitosos petiscos, nas lareiras, no fogão de lenha, a gás ou quiça eléctrico.

Claro está que a resposta à zona de origem dos famosos objectos é Alentejo, localidade de Estremoz. A foto mostra o tradicional e semanal mercado municipal realizado aos sábados de manhã no centro da cidade.
* (Não confundir com o "Bonecos de Estremoz", que também já aqui falámos).

Os Barros de Estremoz na Poesia Popular

Caiu-me a bilha no monte,
lá deixou ficar a asa...
Culpa de quem fez a fonte
tão longe da minha casa.[1]

Aquela bilha de barro
comprada em Vila Viçosa
p’ra matar sede de amor
faz a água mais gostosa.[2]

Aldeia de Mato fica
dividida em dois lotes;
em pomar é muito rica,
tem boa loiça e potes.[3]

Linda loiça de Estremoz,
tem uma fama tamanha;
Já diziam meus avós:
no lago está o Gadanha.[4]

Todos os dias à tarde
Tenho esta devoção:
De ir buscar’ma quarta de água
À Senhora da Conceição.[5]

S’ê quesesse amar bonecos,
Mandav’ ôs vir de Estremôris[6]
Vergonha da minha cara
S’ê’contigo tinha amôris.[7]

Púcaro tão delicado
Que água tão saborosa!
Quem na bebe, é um cravo,
Quem na basa, é uma rosa.[8]

Linda louça de Estremoz
Tem uma fama tamanha
Já diziam meus avôs
No lago, está o Gadanha.[9]

[1] Recolha de Victor Santos in Cancioneiro Alentejano – Poesia Popular, Livraria Portugal, Lisboa1,1959.
[2] Idem.
[3] Idem.
[4] Idem.
[5] Estremoz.
[6] Estremoz.
[7] Odemira - Recolha de Manuel Joaquim Delgado in Subsídio para o Cancioneiro Popular do Baixo Alentejo.
[8] Alandroal.
[9] Estremoz - Quadra de Manuel José Fernandes e publicada em folheto. Recolha de Victor Santos in ob. cit.

1 comentário:

ematejoca disse...

Pensei logo, que à zona de origem dos famosos objectos fosse o Alentejo, só da localidade é que nao sabia.
Acho estes objectos além de famosos muito bonitos.