quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Não Desista

Ignace Jan Paderewski, famoso compositor e pianista, estava programado para apresentar-se em um grande salão de concertos nos Estados Unidos. Foi uma noite inesquecível – smokings e vestidos longos, uma ostentação da alta sociedade. Presente na platéia naquela noite estava uma mãe acompanhada de seu inquieto filho de nove anos. Cansado de esperar, o filho se mexia constantemente na poltrona. A mãe tinha esperança de que ele se animasse a estudar piano ao ouvir o imortal Paderewski tocar. Mesmo contra vontade, o menino estava ali.

Enquanto ela virou-se para conversar com alguns amigos, o menino desistiu de ficar sentado. Afastou-se dela estranhamente atraído pelo enorme piano de ébano Steinway e pela macia banqueta de couro instalados no imenso palco, cujas inúmeras lâmpadas acesas chegavam a ofuscar os olhos. Sem atrair a atenção da requintada platéia, o menino sentou-se na banqueta, com os olhos arregalados diante das teclas brancas e pretas. Em seguida, colocou seus dedos pequenos e trêmulos nas teclas certas e começou a tocar o "Bife". O vozerio da platéia cessou, e centenas de rostos carrancudos voltaram-se em direção ao garoto. Irritadas, as pessoas começaram a gritar:

"Tirem esse garoto daí!"
"Quem trouxe esse moleque aqui?"
‘Onde está mãe dele?"
"Mandem o garoto parar!"

Dos bastidores, o mestre ouviu a gritaria e pôs-se a imaginar o que estaria acontecendo. Apressado, ele pegou sua casaca e correu para o palco. Sem dizer uma só palavra, curvou-se sobre o garoto, passou os braços ao redor dele e começou a improvisar uma música que se harmonizava com o "Bife" para torná-lo mais melodioso. Enquanto os dois tocavam, Paderewski sussurrava o tempo todo ao ouvido do garoto:

- Continue. Não desista. Continue tocando... não pare... não desista.

O mesmo acontece conosco. Esforçamo-nos para levar adiante um projeto, que parece tão insignificante quanto o "Bife" em um salão de concertos. E, quando estamos prontos para desistir, chega o Mestre, que se curva sobre nós e sussurra:

Continue.. Não desista. Vá em frente... não pare, não desista, enquanto Ele improvisa uma melodia para nos ajudar, proporcionando o toque certo no momento certo.

Charles Swindoll
Histórias para o Coração
Alice Gray
Editora United Press

Nota: Palavras que todos precisamos ouvir de quando em vez. Fez-me bem ler e (re)ler esta metáfora. Ganhei um novo ânimo.

3 comentários:

IC disse...

"Não desista... não desista". Sim, são palavras que é preciso dizer, e dizer... às vezes a nós próprios, mas também não esquecer de as dizer a outros, crianças e adultos.
Já conhecia esta metáfora e gosto muito dela.
Um abraço

Estrela d'Alva disse...

Lindo!! Parabéns =))
Bjs e bom fim de semana

Estrela d'Alva ou Elisa =)

Sol e Lua disse...

Coisasque só mestres sabem partilhar =)
Feliz Natal!