quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A Educação começa em CASA, na FAMÍLIA

A propósito de um texto publicado [aqui], intitulado "Mães Más", que eu bem conheço, entrego e trabalho com os meus alunos, lembrei-me de um outro que, pela mesma altura, entrego aos pais e lhes peço um pequeno contributo numa reflexão partilhada.


PAIS BRILHANTES

É bastante comum as pessoas justificarem os seus erros, invocando suas precárias condições de vida. Dizem que foi o desespero que as levou a tomar atitudes equivocadas ou que circunstâncias negativas as fizeram agredir o seu semelhante ou suas propriedades.

Filhos agridem pais porque eles não lhes deram o que pediram, no momento exato em que o fizeram. Irmãos que mentem, enganam para ter um quinhão maior em heranças, não se importando em que condições ficarão os demais irmãos.

Viktor Frankl, um judeu vienense, que foi prisioneiro dos alemães, durante a segunda guerra mundial, escreveu: Nós que vivemos em campos de concentração podemos lembrar dos homens que andavam pelos alojamentos confortando os outros, distribuindo seus últimos pedaços de pão.

Talvez eles tenham sido poucos. Mas são prova suficiente de que tudo pode ser retirado de um homem. Menos uma coisa, a última das liberdades humanas - escolher que atitude tomar em quaisquer circunstâncias, escolher o seu próprio caminho.

Portanto, escolher o bem ou o mal compete a cada um. O que nos falta, sim, é uma melhor educação. Não essa educação que se aprende nos livros. Mas aquela que tem a ver com a formação do caráter da criatura.

E para isso precisamos urgentemente, de pais conscientes que ensinem verdadeiros valores a seus filhos. Que lhes digam que é nobre dizer a verdade, mesmo que isso não os credencie a receber algum prémio ou compensação.

Pais que tenham coragem de falar aos seus filhos sobre os dias mais tristes das suas vidas. Que tenham a ousadia de contar sobre as suas dificuldades do passado e como as conseguiram vencer.

Pais que não desejem dar o mundo aos seus filhos, mas que queiram sim lhes abrir o livro da vida. Pais presentes que desenvolvam em seus filhos: auto-estima, capacidade de trabalhar perdas e frustrações, filtrar estímulos estressantes, dialogar e ouvir.

Pais que tenham tempo, mesmo que o tempo seja muito curto. Pais que joguem menos golfe, futebol e se sentem para conversar com os filhos, descobrindo-lhes o mundo íntimo.

Pais que não se preocupem somente com festas de aniversário, ténis, roupas, produtos eletrónicos. Mas que também se preocupem em dialogar.

Pais que sabem que não devem atender todos os desejos dos seus filhos, pois isso os tornará fracos, dependentes.

Pais que dêem algo que todo o dinheiro do mundo não pode comprar: o seu amor, as suas experiências, as suas lágrimas e o seu tempo. Em suma: um autêntico processo de educação, em que o filho aprende que amar é o maior dos tesouros.

E não haverá de se tornar infeliz somente porque não tem a roupa de griffe, ou não conseguiu viajar ao exterior nas férias.

Será alguém que se preocupa não somente consigo mesmo, mas com o seu semelhante.

Alguém que reconhecerá a grande diferença entre ter coisas e ser uma pessoa útil à comunidade, um cidadão honrado, um homem de bem.

É possível que você diga que trabalha muito e não tem tempo.

Contudo, faça do pouco tempo disponível, grandes momentos de convívio com seus filhos. Role no tapete, faça poesias. Brinque, sorria. Conheça-os e permita que eles o conheçam.

Lembre-se, por fim: seus filhos não precisam de um super-homem, de um executivo bem sucedido, de um empresário muito rico. Para eles não importa se você é médico, professor, administrador de empresa, copeiro, enfermeiro.

Importa, sim, o ser humano que você é e que os ensinará a ser.
(desconheço o autor)

*******

PS. Felizmente ainda conheço pais brilhantes, mas temo pelo futuro das nossas crianças porque também sei que eles são cada vez mais uma excepção.

10 comentários:

Patti disse...

Muito boa reflexão.
Somos nós pais, os responsáveis pela educação dos nossos filhos, ela até poderá seguir na escola, mas é connosco que ela começa e acaba.

A mania de atribuir a culpa de tudo aos professores, é típico da maneira de ser dos portugueses. Assim como atirar para trás das costas e serem os primeiros a saltar em cima da vítima, quando de algum problema.

Tenho uma filha de 12, no 8º ano e é nítido desde sempre, o relaxe de muitos pais na vida escolar, educação, formação e preocupação com a vida, a todos os níveis com os filhos.

Começando nas boas notas que não lhes exigem, uma nota de 3 valores é muito bom, e acabando nos filhos a mandar neles e na carteira dos pais.

Parabéns pelo texto.

BC disse...

Fátima, tens uma mensagem para ti,no post "Para ti Ana".
Quando poderes passa por lá.
Saudações tribais

Glicéria Gil disse...

Fez-me lembrar o livro "Pais brilhantes, Professores fascinantes"
http://www.webboom.pt/ficha.asp?ID=91689

1/4 de Fada disse...

Infelizmente, há cada vez menos pais verdadeiramente dispostos a educar. É muito mais fácil deixar crescer como ervas daninhas do que dar exemplos do que se deve ser como ser humano e cidadão e isso nós vemos diariamente nas escolas.

BlueVelvet disse...

Muito pertinente este post.
Cada vez mais os pais se demitem, porque dá trabalho.
Dá trabalho não dizer sempre que sim.
Dá trabalho seguir atentamente a vida escolar/académica, não deixar fazer tudo o que querem só porque os amigos fazem.
E isso, um dia vai virar-se contra os pais.
Mas aí, vai ser tarde.
Por muito que os professores façam e também possam educar, em meu entender devem ensinar e os pais educar.
Beijinhos tribais

Kleine Hexe disse...

Quem me dera que este post desse a volta ao mundo!

Obrigada =)

RENARD disse...

Olá Fátimazinha:

Os elogios são somente do tamanho do sentimento... Não te babes para cima do teclado senão avaria...lol

Um beijo e abraço tribal

IC disse...

Sem dúvida: a educação começa em casa. Mas, para além da família e da escola, a educação faz-se também na sociedade - primeiro na pequena sociedade circundante, que se vai alargando. E esta às vezes até vem a influenciar em sentido contrário ao da acção dos pais. Por isso é preciso que a própria sociedade se torne mais "brilhante" (ou menos 'baça'), e uma sociedade mais brilhante também fará que aumente o número de pais brilhantes. Não é?

JC disse...

Acho este post extremamente importante, especialmente nal altura do ano em que o publicou. Início de aulas.
Segundo a minha concepção a educação começa em casa. Os pais são os primeiros e principais responsáveis pela educação dos filhos, os professoes conplementam essa educação essencialmente no aspecto científico, também o podem e devem fazer em outras àreas, mas, os principais responsáveis, como referi, são os pais. É lamentável que muitos se demitam dessas funções e deixem os filhos, passe a expressão, ao sabor do vento ou do que a sociedade lhe possa dar ou ensinar.E o que a sociedadedá neste momento é muito pouco para a educação dos filhos.
Pais assumam os vossos deveres. Os filhos não pediram para nascer, se estão no mundo foi porque vocês tal como eu assim o quisemos.

f@ disse...

Parece haver agora a opção pais light, como as saladas já pré preparadas que se pode comer da embalagem como se fosse batata frita….
O resultado é no sabor…o sabor da vida o sabor do amor …
beijinhos das nuvens