sábado, 21 de junho de 2008

A Vocação

Para a minha águia pequenina. Um dia disseram-te que as tuas asas eram inúteis, mas eu sei que não é verdade. Das tuas asas emanam flashes de sabedoria que anseiam cruzar e tocar os céus. Apenas o medo de falhar te impede de arriscar. Tu és grande! És rainha!
A águia dourada
Um homem encontrou um ovo de águia
e colocou-o debaixo da galinha
que chocava os seus ovos no quintal.
Nasceu uma aguiazinha com os pintos
E com eles cresceu normalmente.

A águia fazia sempre
o mesmo que faziam os pintainhos,
convencida de que era igual a eles.
Bicava o chão à procura de insectos
e piava como faziam os pintos;
e como eles, também, batia as asas,
conseguindo voar um metro ou dois
porque, afinal de contas, é só isso
que um frango pode voar, não é verdade?

Passaram anos e a águia ficou velha…
Certo dia, no céu azul, a riscar o espaço,
ela viu uma ave majestosa,
planando, no infinito, graciosa,
levada, docemente, pelo vento.

A águia do chão olhou-a com respeito
e, logo, perguntou a um seu amigo:
“Que tipo de ave é aquela que lá vai?».
“É uma águia! É rainha, diz-lhe o amigo;
mas é bom não olhar muito para ela
pois nós somos de raça diferente,
simples frangos do chão e nada mais”.

Daí por diante, a pobre da águia
nunca mais pensou nisso até morrer,
convencida de ser simplesmente galinha.

Anthony de Mello, In O canto do pássaro

Nota: Há muitas adaptações desta história, e algumas delas bem bonitas, mas decidi ir buscar a história original, porque a minha aguiazinha merece o mais fino oiro. Vais voar muito alto. Eu creio!

4 comentários:

Teresa disse...

Acabo de lhe escrever um comentário enorme, mas ao querer ouvir a música aqui ao lado, desapareceu.
Título: Hístória da Renda de Bilros de Peniche
Este Mariano Calado é o pai da Isabel?
Ando a ler o seu blogue com calma.
E tenho algumas perguntas.
A Fátima tem no seu blogue "copy-
right". Quer dizer que já nao se pode roubar nada?
A nova forma do seu blogue agrada-me muito. Da história e da imagem também gosto, mas a àguiazinha parece uma gaivota.
Voa, voa muito alto!

Bj:):):)

Fátima André disse...

Olá Teresa :)

1ª pergunta, afirmativo. É ele mesmo. Um homem cheio de talento.

Sempre existiu o Copyright no meu blog. Não significa de todo que não se possa copiar conteúdos do blog. A licença que tenho permite-o fazer desde que não seja para uso comercial e que seja citada a fonte.

Agora sobre a aguiazinha... pois eu queria colocar mesmo uma águia, mas também queria que fosse animada e foi o melhor que encontrei. Eu sei que a minha águia pequenina vai gostar dela assim porque está carregada de afecto.

Quanto ao novo visual... bom é para renovar. Ainda bem que gostou. Eu também gosto de arejar a casa de quando em vez. Faz muito tempo que não mudava os móveis. Também era preciso pintar as paredes. Agora sim, cheira-me a verão e a mar... e até ouço o canto das nossas gaivotas :)

bj*****

RENARD disse...

Hum...

Engraçada a história... Se bem que pensando nisso, a águia só é vista como pobre por quem conta a história. Não será possível que a águia, não conhecendo a sua condição de ave de rapina, tenha vivido uma vida satisfatória como galinha? Afinal de contas, quem não sabe é como quem não vê... Além disso não há maior benesse que a ignorância.
A águia tinha as pontencialidades mas não o sabia ou repudiava-as...
Além disso, que história é essa de "simples frangos do chão"?!
Amar cada um como é obriga a que não haja distinções e mesmo os que são considerados "menos" na sociedade, nunca deverão ser tratados como tal por nós...
Isto é o que eu acho Fátima... :):):)

Deves estar a pensar: bolas, que mau feitio! :)

Abraço com asas de frango... :P

Fátima André disse...

Não posso concordar contigo minha querida renard. 1º porque, mesmo vivendo como galinha, a verdadeira essência do ser águia está lá, não desaparece. Depois não concordo que a ignorância seja um bem. Penso precisamente o oposto.
Depois em relação ao que referes “menos”… não é nada disso que está subjacente nesta história. Nem é isso que eu quero transmitir, mas precisamente o inverso. Ou seja, a ideia é dar a todos (inclusive esses “menos”) a oportunidade de voarem o mais longe possível de acordo com as suas potencialidade. Ninguém tem culpa de a vida não lhe ter sorrido à nascença, de não ter nascido em berço de oiro e de não ter pais ricos. Por isso, é obrigação da Sociedade e da Escola… dar igualdade de oportunidades a essas crianças e ensiná-las a voar até ao máximo das suas capacidades. Se o não fizermos podemos estar a privá-las de descobrirem a sua verdadeira vocação, só porque são pobres ou outra coisa qualquer “menor”.
Por isso, concordo inteiramente contigo (final do comentário). Como vês, não estamos assim tão distantes :)

O que estou a pensar... bem, estou a pensar que és muito inteligente :)
E estou a pensar na última frase... o resto tu conheces ;)

Com base neste texto de Anthony de Mello e num livro de Steiner escrevi há tempos um pequeno artigo que está publicado e que irei aqui postar para tu perceberes bem a ideia que eu quero transmitir.

Amanhã ou depois posto, ok? Agora vou dormir ;)
Ab