domingo, 22 de junho de 2008

O Conhecimento e o Amor


“Não temais:
valeis muito mais do que os passarinhos.”

Mt 10, 31


No recente filme 'O Acontecimento' novamente o cineasta M. Night Shyamalan descreve os efeitos do medo perante uma ameaça desconhecida. Algo leva as pessoas a atentarem contra a sua própria vida, sem se descobrirem as causas e os culpados. Num crescendo de suspense, da cidade para o campo, quando as técnicas e os meios do progresso já nada valem, a redescoberta do amor parece ser a única resposta capaz de salvação. No mundo frágil e surpreendente que é o nosso, o conhecimento é fundamental para ultrapassar o medo, mas aquilo que verdadeiramente o vence é o AMOR!

Reflexão de P. Vítor Gonçalves:

Como se instala o medo no coração dos homens? Talvez seja a consciência de fragilidade com que nascemos ao dar o salto do seio materno para as mãos desconhecidas que nos amparam, ou a insegurança do desconhecido, ou ainda a dor que toda a mudança provoca. Conhecemo-nos melhor quando vamos conhecendo e identificando os nossos medos, porque muitos deles fazem parte de nós. Mas é também a luta contra a sua força, atrofiadora e destrutiva, que revela a grandeza de cada um.

Ao prever para os discípulos perseguições e dificuldades em anunciar e viver a sua Boa Nova, Jesus insiste na vitória sobre o medo. A sua vida e mensagem irritam os que estão bem instalados na vida, com poder e riqueza que tudo justificam. Quantas vezes em nome desse poder e riqueza se edificam os esquemas para fomentar o medo, para limitar a liberdade e o conhecimento, para alienar e manipular, para calar de vez quem propõe uma vida renovada? Não é ainda essa ânsia de poder que justifica o constante crescimento da indústria de armas, que em 2007 foi de 6%, bem acima do crescimento da economia mundial? E o medo nascido do gradual empobrecimento e miséria de cada vez mais pessoas aqui bem perto de nós? Medo até dos sentimentos de indignação e injustiça diante do espectáculo de luxo e esbanjamento em que alguns vivem.

Há medos de muitas espécies. Uns quase irracionais, outros bem definidos, muitos criados pela maldade humana. Criado para a confiança e para a esperança, o ser humano recebeu de Deus esta tarefa de libertar-se e libertar outros do medo. No dom de Jesus Cristo, até o medo da morte foi absorvido pela força do amor. Queremos assumir essa tarefa tão pouco 'recomendada' de libertar do medo? E para isso não é preciso olhar de frente a realidade, arriscar novas soluções, viver o amor a Jesus Cristo como compromisso por todos, sair para o campo para enfrentar o vendaval do desconhecido porque um amor maior nos impulsiona?

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