segunda-feira, 2 de junho de 2008

Inovações???

Testando aqui a tecnologia... posso garantir-vos que no momento em que este post aparecer "no ar", ou seja, postado, eu estarei dando uma aula e bem mais inovadora que a do vídeo (sem recorrer às TIC). Vou usar uma metodologia de trabalho bem dinâmica que permite aprender uns com os outros e ao mesmo tempo demonstrar conhecimentos da matéria leccionada. Trata-se de um jogo construído com a contributo de todas as turmas de um mesmo nível de ensino (5º ano). Um processo algo demorado mas que foi sempre produzindo os seus frutos. Foram superados obstáculos... e, finalmente, podem agora jogar com todas as peças que foram construíndo fruto dos saberes construídos e acumulados ao longo de dois períodos. Por isso, meus amigos... podem imaginar o nosso divertimento agora :)
Eles estão a divertir-se, mas sabem que estão também a ser avaliados... ah pois, o jogo não é só divertimento, é uma prestação de provas, onde todos individualmente dão um contributo para a equipa (2 equipas por turma, sempre identificadas de acordo com os gostos dos alunos). Avaliam-se conhecimentos, atitudes, valores, comportamentos... coisas assim um pouco demodé.
Ah, esquecia-me, o vídeo alude ao VALOR DA MEMÓRIA (também demodé), e eu defendo-o sem reservas... mas não da forma como se apresenta no vídeo. Fica para outros voos.
Mais ou menos duas horas depois de aparecer postado vou ver como é que funcionou a programação antecipada de posts (mais uma modernice!). Será que é uma questão de Tecnologias ou de Metodologia?
:)

6 comentários:

BC disse...

Vocês saberão melhor que eu estas coisas, mas se juntarmos as duas práticas, poderá resultar!!!!
Fátima eu aprendi a lição e, nunca gostei de Matemática (burrinha mesmo) :), o meu negócio era mesmo as línguas como diriam os brasileiros.
Ah, e também história, aí herdei também uma costela do papá Mariano,
que também segundo consta nunca foi muito dotado para os números.
As letras é que são connosco, quase toda a família.
Boas aulas....

Maria do Carmo Cruz disse...

Fátima, meditei na pergunta longamente (uns dois segundos...) e julgo que é uma questão de Pessoas. Só. As Pessoas é que inventam as Tecnologias e forjam as Metodologias. O seu funcionamento depende de algo que só nós, as Pessoas, têm: sentimentos, emoções. Com Pessoas, funciona sempre, embora a velocidades diferentes, embora por caminhos diferentes, embora com viões diferentes. Acredita e tudo te será dado. E dou-te um abraço. Para que acredites... ainda mais. Pois eu sei como a tua Fé é grande.
Carmo

Fátima André disse...

Isabel,
SLETRAS... pois claro :)
Não gostei foi da expressão "burrinha"... irrita-me solenemente ouvi-la da boca dos meus alunos. Como Jesus também não explicava as parábolas às multidões, mas em particular aos seus discípulos, aguarde :)

Fátima André disse...

Carmo,
pensamos igual nesta matéria. Só com um pequeno senão... acreditar é importante, mas o que faz a diferença é a vontade de crescer, a vontade de mudar/inovar...
De novo me avivou a memória e as palavras de um antigo professor na Faculdade, Pe. e amigo que me dizia "Acredita em Deus, mas trabalha como se tudo dependesse de ti". Mais palavras para quê!?
Um beijinho.

RENARD disse...

"Avaliam-se conhecimentos, atitudes, valores, comportamentos... coisas assim um pouco demod�."

Querida F�tima, por c�us nunca deixe que os conhecimentos, atitudes, valores e comportamentos sejam vistos como fora de moda! Sen�o teremos mais epis�dios como o do telem�vel no Porto todos os dias. A escola � um s�tio onde se � instru�do mas tamb�m, e cada vez mais devido ao pouco tempo que os pais passam com os filhos, educados.
Apelo a si e a todos com capacidade e poder pedag�gico que n�o desistam de incutir nas crian�as os valores que cada vez mais escasseiam e tanta falta fazem...
As crian�as est�o cada vez mais mal-educadas e n�o t�m sentido de respeito. "Qualquer dia estamos largados � bicharada". Sei que n�o � vossa obriga�o mas dos pais. Por isso pe�o...

BJs

Fátima André disse...

Renard, obrigada por ter trazido aqui questões muito relevantes para a discussão de temas educativos.
Na verdade aquilo que temos vindo a assistir nos útimos tempos é a uma relativização de quase tudo. Também no contexto escolar, a contextualização e a relativização das opções curriculares é bandeira dos sistemas educativos (não só o nosso). Do meu ponto de vista não é aceitável que se apresentem argumentos como a diversidade cultural, mas este é um tema muito complexo que merece no mínimo um post... (quando eu tiver maior disponibilidade; sobre estes assuntos não gosto de escrever ao sabor das teclas, tenho que fundamentar muito bem as ideias). Mas vejamos um aspecto sobre os valores que me ressalta de momento:

Numa leitura atenta aos documentos curriculares mais recentes, muito sucintamente, vejamos as ideias repassadas: (1) todos os valores são relativos, construídos, subjectivos, equivalentes; (2) os alunos possuem capacidade de auto-orientação no plano axiológico; (3) a escola não pode impor valores particulares, deve respeitar a liberdade de escolha (Cf. LBSE-Lei 49/2005 e DL 6/2001).

Como pode ver, eu e outros como eu (espero que muitos) é que andamos a remar contra a maré. E se o ME sabe instaura-nos um processo disciplinar. eh!eh!eh!

Pactuar com ideias peregrinas como estas de que: as crianças e os adolescentes devem escolher os seus próprios valores; o que importa são as competências e não o saber (sobretudo o saber mais erudito); o professor não deve ensinar, deve ser um mero facilitador… é falacioso e só pode conduzir ao abismo.

Este é um tema que me é muito caro e dá para escrever um livro... mas fico-me por aqui com mais duas notas:

(1)O culto da sabedoria, ainda que em desuso, fustigado ou incompreendido pela tutela e bem visível nas orientações curriculares, é ainda o melhor caminho para melhorar o mundo.

(2) um pensamento:
"O único lugar onde sucesso vem antes do trabalho é no dicionário."
Albert Einstein