terça-feira, 6 de maio de 2008

Parábolas de Hoje II


Um cego com lanterna

Há ajudas que o não são e podem funcionar como um álibi.
A luz é boa, mas não para o cego.

Um dia um cego foi visitar um amigo. Este, querendo ajudá-lo, e porque era noite, emprestou-lhe uma lanterna. O cego disse que infelizmente não lhe serviria para nada. Porém, o amigo insistiu, dizendo que ao menos assim os outros o detectavam melhor e se desviariam dele.
E lá se pôs o cego a caminho. Fazia vento e a lanterna apagou-se. Logo à frente, alguém se esbarrou contra ele. - Mas então você não via a luz?, exclamou o cego. - Não, retorquio o caminhante, pois a sua lanterna vai apagada.
Então o cego pensou que se o amigo realmente o quisesse ajudar, teria sido melhor ter-lhe oferecido a cama para pernoitar ou então acompanhá-lo até casa. Talvez a lanterna fosse um triste remédio da verdadeira ajuda, quase como os pais que dão muitos brinquedos aos filhos em vez de lhes dar amor e companhia.
(Adaptado de Lá oración de la rana, 2, p.62)
In Barros de Oliveira J. H. (Org.) (1995). Contos, Fábulas e Parábolas, p. 11-12.
Imagem: © Ivan

4 comentários:

RS (Ontologias) disse...

Olá Fátima, já me aconteceu este facto: uma amiga oferecer-me uma lanterna, pensando ser uma verdadeira ajuda mas que, pelo contrário, somente atrapalhou!
Uma boa semana e bons posts, RS.

Carmo Cruz disse...

Fátima, mais um ponto para a nossa sintonia: sou grande apreciadora e divulgadora da Oração da Rã e das outras obras do Padre Anthony Mello. Neste momento, estão todas emprestadas. Mas este é o tipo de livros que não me aborrece muito o "esquecimento" da devolução. Conheces a parábola "Jesus e o futebol"? Um dia deste vou postá-la (estes neologismos ainda me perturbam um pouco...) Gostei! Um beijo, Carmo

Fátima André disse...

Carmo, não conheço a parábola, pelo menos não tenho ideia de conhecer. Vou esperar para ler :)
Alegro-me com as suas escolhas.
Na vida não exitem coincidências ou acasos, exitem encontros e reencontros. Isto diz-lhe alguma coisa?
Um abraço.

Carmo Cruz disse...

Atão nã habia de dezer, moçoila? Toma lá um beijo i nã dicas que vais daqui. Carmo