sábado, 31 de maio de 2008

Hora da Poesia III

A finalizar o mês de Maio e mais uma homenagem no FEMININO.

As Palavras Interditas



Os navios existem e existe o teu rosto
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.

Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.

Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
e estas mãos noturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
As Palavras Interditas, Eugénio de Andrade

3 comentários:

ARTEROSANE disse...

Amei sua visita!!
Aparece lá sempre!!!
Adorei seu espaço, as poesias, tudo...
Beijo

RS (Ontologias) disse...

Uma óptima lembrança, Fátima, espero que não se importe pois levei para o Ontologias.
Bjinho grande, este blog continua o máximo!RS.

Fátima André disse...

Rosa, um beijinho grande para si também. Claro que não me importo.
Resto de bom dia da criança :)
... e obrigada pelas palavras... :)