sábado, 31 de maio de 2008

Hora da Poesia II

SALA DE ESPELHOS

Teus olhos são sóis adormecidos
Perdidos no profundo da noite
Luzeiros na procura da aurora
Que viajam sem rumo ou norte

Procuram a ironia do tempo
Os gritos que um rosto apregoa
Uma taça de ouro frio
O tempo que uma alma magoa

O teu coração conhece
Este manto de contradição
Espelho de cruel frieza
Aprisiona a real emoção

Quem és?
Para onde te leva este incerto caminhar?
De quantas Luas se fez a tua sorte?
Será a loucura que te impede o chamar?

Espelho de vil ironia
Fazes troça da bondade dos sentidos
Um rosto perdido do infinito
Perde-se na lonjura de passos perdidos

Espelho que fala à beleza
De reflectidos silêncios te vestes
És sentinela do correr do tempo
Das marcas de vidas agrestes

Recolhes a incerteza aos olhos
Cintilando em lago de mágoas
Devolves em crua verdade
Um coração de revoltas águas

Taça que se ergue e cai
Pranto sobre as cidades
Vejo expresso em teu olhar
Uma viagem de mil saudades

Feita no eterno que a lonjura desenhou
Nos raios soltos do teu cabelo
Cerro os olhos ao pensamento
Afugento o engano nesta …Sala de Espelhos…

In O Profeta

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PS: Obrigada Profeta por esta belíssima homenagem à beleza no FEMININO.

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