sábado, 19 de abril de 2008

O valor das palavras

Mais um artigo de Miguel Ángel Santos Guerra (19.4.2008) que retrata um problema que merece alguma reflexão – o valor das palavras. Fala-nos sobre a qualidade, particularmente direccionada para a qualidade da Educação. Vale a pena ler. Deixo aqui um excerto.

El lenguaje embrujado

El lenguaje es como una escalera por la que subimos a la comunicación y a la liberación y por la que bajamos a la confusión y a la dominación. Wittgenstein atribuye muchos errores de la filosofía a lo que él denomina “un lenguaje embrujado”. Las palabras nos llevan muchas veces a engaño. El problema no está, fundamentalmente, en que no nos entendamos sino en creer que nos entendemos cuando utilizamos las mismas palabras, pero con diferente carga semántica. ¿Dirá alguien que hay que empeorar la calidad del sistema educativo? No, nadie. Pero cuando hablamos de calidad, ¿estamos diciendo todos lo mismo? Obviamente, no.

En Portugal se está haciendo un tipo de evaluación de escuelas a través de pruebas estandarizadas que miden los resultados obtenidos por los alumnos. Los resultados conducen a la elaboración de rankings de escuelas según la calidad. Pero, claro, puede suceder que una escuela que aparece en las listas como de máxima calidad sea una escuela que practica el racismo, la xenofobia, el sexismo o el elitismo a la hora de admitir a los alumnos. Puede suceder que practique la insensibilidad con quienes no obtienen buenos resultados expulsándolos del Centro sin preguntarse a dónde van y hasta puede hacer trampas la víspera de las pruebas diciendo que al día siguiente se queden en casa los alumnos menos brillantes “porque pueden bajar el nivel de los resultados de las pruebas”. Resulta que una escuela xenófoba, sexista, racista, elitista, insensible y tramposa, aparece en los primeros lugares del ranking de calidad.
(...)
Resulta, pues, esencial saber lo que estamos diciendo, dónde y cuándo lo decimos y cómo y cuándo lo interpreta el interlocutor. No se trata sólo de juegos de palabras. En el uso del lenguaje nos jugamos mucho de lo que somos y de lo que hacemos. (leitura integral)

2 comentários:

Carmo Cruz disse...

Os blogues que tenho visitado andam uma maravilha no campo das partilhas. Logo de manhã me encantei com este texto e até o comentei mas o comentário perdeu-se no ciberespaço.Depois encontrei-o no terrear e novamente o li. É de palavras que se trata e do que elas significam conforme as circunstâncias mas também consoante quem as diz. O que mais me impressionou, contudo, foi a referência ao elitismo de certas escolas, mesmo públicas.E pensar que mesmo que nada mais se faça de errado, como esse elitismo já me parece errado desde o princípio, não posso deixar de assumir que o currículo oculto presente na ausência dos excluídos vai marcar certamente a construção da personalidade dos alunos. Como tantas outras coisas que ensinamos ao aluno na Escola, sem darmos por isso. Muitas vezes a nossa linguagem corporal trai-nos. Os actos dizem mais do que pensamos. O exigente currículo oculto não tem intervalos, está sempre pegado a nós e a todos os que trabalham na Escola. Fala-se tão pouco dele que nos esquecemos de que existe. Quando vejo um docente com uma T-shirt onde está estampada a foto da Ministra e uma legenda pouco abonatória, não gosto de ver. Não porque estou de acordo com a senhora, mas porque penso que o docente transmite uma mensagem pouco digna dele, porque, na minha opinião, ele sentir-se-ia ofendido se os alunos lhe fizessem isso. E embora para mim o maior mandamento seja aquele que diz "Ama e faz o que quiseres", (Santo Agostinho, também tenho grande simpatia pelo outro que diz "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti". E Raoul Foullereau, o chamado Apóstolo dos leprosos" enche-me de inspiração quando recordo a sua máxima: "A única Verdade é Amar."
E hoje, dia 19 de Abril, é Dia do Índio. Viva O Índio e a sabedoria do seu Amor pela Natureza!

Fátima André disse...

Pois é Carmo, a própria escola pública de per se pode acentuar as desigualdades de oportunidades como no relembra Steiner e Ladjali (2005). Estes autores fazem sentir-nos o perigo de vivermos numa ilusão; nesta obra, alertam para uma falácia e nela como a escola pode reproduzir e consolidar clivagens sociais: seguir abordagens literalmente não directivas, centradas no aluno, privilegiar o relativismo cultural, axiológico ou a contextualização da aprendizagem no grupo social, só leva à ignorância, à (i)literacia, à escolaridade de amnésia planificada e, naturalmente, ao acentuar das desigualdades de oportunidades.
Digo eu, o saber é fundamental e o saber erudito não é substituível por testonovelas, pelo saber popular (este já os alunos trazem de casa; para quê aprendê-lo?). Há que respeitar a condição do aluno mas não ensinar-lhes de acordo com ela. Isso iria acentuar ainda mais as desigualdades de oportunidades se, por exemplo, fossem desenhados curricula para meninos de bairros de elite e curricula para meninos de bairros desfavorecidos. Aplicar à letra esta medida, como preconizam alguns autores, poderá criar situações de grande injustiça acentuando as desigualdades sociais, pois, virtualmente, poder-se-á estar a impedir que algumas crianças cheguem a determinadas aprendizagens de carácter mais erudito que, apesar de não estarem de acordo com a sua condição de nascença, podem ser a sua “vocação”.

Referência Bibliográfica:
• Steinar, G. & Ladjali, C. (2005). O elogio da transmissão. O professor e o aluno, Lisboa: Dom Quixote.