segunda-feira, 3 de março de 2008

Verdades que vale sempre a pena (re)lembrar…

(artigo de opinião do Público, 2.3.2008)

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(via a educação do meu umbigo)

4 comentários:

j. ricardo disse...

ola boa noite,

li o artigo do VPV e não posso deixar de concordar.
Aliás, começa a aborrecer-me toda esta importação de medidas educativas. Continuo a afirmar: o essencial, não se combate. Um exemplo: vale a pema debruçarmo-nos sobre o currículo do 2º ciclo de escolaridade (a meu ver, a origem de todos os males: é aqui que começa o descalabro): 5 horas de disciplinas como est. acompanhado, formação cívica e área do projecto?! Meio bloco (45 m)de Ed. Física?! CAbe na cabeça de alguém?

um abraço,

jose ricardo
http://www.rescivitas.blogspot.com/

Fátima André disse...

Não tenho assim tanta certeza quanto ao início do "descalabro pedagógico" como lhe chama. É verdade que os curricula podem não estar bem desenhados e se pensarmos no 3º ciclo é arrepiante pensar que os adolescentes tem 14 ou 15 áreas disciplinares, mas do meu ponto de vista a questão é bem mais profunda. Começa no primeiro ciclo e prende-se entre muitas outras coisas com as orientações curriculares... com os valores, sobretudo os valores do conhecimento, do estudo, do esforço, do trabalho... valores que se têm perdido. Em contrapartida, a escola a tempo inteiro trás destas coisas... têm que se entreter os miúdos com qualquer coisa... infelizmente, nem sempre coisas que contribuem para o seu desenvolvimento cognitivo e afectivo. Temos que perceber de uma vez por todas que o papel da escola não é substituir a sociedade, a família... o papel da escola é ensinar, transmitir o conhecimento, desenvolver os alunos cognitiva e afectivamente. É isso que ela tem que fazer bem e não é muito pouco se o fizer bem feito.

rui baptista disse...

Cara Fátima: Pôs o dedo numa das feridas do nosso (será só nosso?) sistema educativo. E fê-lo com a elevação ética que se pede a qualquer professor, e que infelizmente vai escasseando entre nós. Sangue latino ? Idiossincrasia nacional? Massificação do ensino? Influência de um sindicalismo agressivo e, por causa, "démodé"? Tudo junto ou só em parte?

Como diz - repito com a elevação de quem muito preza a docência como um factor de Educação não apenas num sentido restrito, mas como um dever de criar verdadeiros e úteis cidadãos para o futuro- , a escola demitiu-se (por culpa pópria ou de terceiros)de Ensinar, preparar os alunos para um futuro que não sabemos qual será e, "last but not least", a respeitarem-se a si próprios, aos colegas e aos professores.

No verdadeiro armazém em que ela se transformou, gigantesco receptáculo onde os pais vão despejar os filhos de manhã para os irem buscar o mais tarde possível, na burocratização da função docente que passou a desempenhar papéis administrativas, etc., etc., a Escola desvirtuou-se por completo.

"C'est la vie", dirão uns. Mas a questão não é essa de descrença. A mensagem a passar é a de uma Escola que, para além de instruir (uma das suas funções esquecidas), eduque no sentido mais amplo e nobre da palavra: eduque no respeito de príncipios éticos ou, até, de simples civilidade.

Julgo ter sido essa a mensagem que quis fazer passar e de eu me fiz um modesto e incompleto porta-voz. Mas nem isso é importante. A mensagem tem valor suficiente para ser reflectida por todos os educadores.

Espero que este meu comentário não crie ruido no seu apelo a uma Escola melhor para que os jovens venham a ser cidadãos de corpo inteiro e a sociedade portuguesa possa confiar e orgulhar-se da escola pública, dos seus alunos e dos seus professores.

Fátima André disse...

Obrigada, Rui pelos seus textos sobre educação sempre oportunos e que leio sempre com muita atenção. Obrigada também pelo comentário que aqui deixou e que veio completar as ideias que encetei no anterior comentário.