sexta-feira, 14 de março de 2008

Grande desconcerto educativo

(clique na imagem para ler) © Jorge Delmar

Que estranha forma de Democracia! Lindas medidas, sim, senhora!!!

Nivelar por baixo hem? Não deveria ser ao contrário? Ou seja, puxar ao limite de capacidades e fazer desabrochar novas capacidades e competências em alunos que, não sendo na escola, não têm outra oportunidade de ter acesso ao ensino artístico e a outras expressões da cultura?

A escola tem a responsabilidade de criar igualdade de oportunidades aos alunos de condições inferiores favorecendo e estimulando de igual modo o contacto com o saber mais erudito, as necessidades de estética, de beleza… que não entram em casa por razões óbvias.

Os curricula, não lhe têm dado o lugar que merece e, a escola pouco tem feito para contrariar esta tendência… mas se o não fizermos, podemos estar a impedir que algumas crianças cheguem a determinadas aprendizagens de carácter mais erudito, que apesar de não estarem de acordo com a sua condição de nascença, podem ser a sua “vocação”. A situação agrava-se com as recentes medidas de reformar os Conservatórios e entregar uma boa parte das suas competências às escolas básicas. Deste modo, "diminuem as possibilidades de os alunos entre os seis e os quinze anos, ou seja, no período de vida mais adequado para a aprendizagem da música terem acesso, no ensino oficial, ao acompanhamento, à exigência e à dignidade pedagógica que essa aprendizagem requer.
E porquê? Porque as escolas básicas não têm nem se prevê que venham a ter num futuro próximo, condições logísticas para assumirem essa responsabilidade, porque a preparação dos professores que leccionam música tem lacunas graves, porque as condições em que estes professores trabalham são degradantes, porque as turmas têm vinte alunos ou mais, porque as escolas não dispõem de espaços adequados nem de instrumentos musicais… Porque, enfim, no nosso país, apesar da retórica da tutela, a música não foi no passado, nem é no presente encarada como uma área fundamental de aprendizagem formal, ainda que a investigação científica nos diga que é, ainda que a tradição educativa ocidental a justifique, ainda que seja obrigação moral da Escola transmitir a herança civilizacional e cultural às novas gerações." (Damião, 2008)
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