quarta-feira, 5 de março de 2008

Exercício físico no combate à obesidade infantil

Ainda a propósito da reportagem da RTP 1, de ontem, sobre obesidade infantil, e como já disse anteriormente, o papel da escola é fundamental na educação para os valores, neste particular, o valor da saúde.

Sabemos que os curricula no ensino básico não dão grande importância ao exercício físico, basta ter presente o número de tempos lectivos que é dedicado à área curricular de Educação Física (90’ + 45’). Eu sinceramente não sei o que se pode fazer numa aula de 45’ onde os primeiros 10’ são para o equipamento, + 10’ para a chamada e aquecimento… destes só restam 25’, 10’ dos quais devem ser para os alunos tomarem duche e mudar o equipamento… sobram 15’, estes sim são tempo efectivo de aula… (se estou a exagerar, façam-me o favor de refutar a ideia que tenho das aulas de 45’ de Educação Física, porque não sou professora da área, apenas observadora).

No post de ontem dei destaque aos perigos da obesidade, aos números alarmantes das vidas que se perdem... hoje quero aqui trazer, como sugestão de leitura, um excerto de um texto de Rui Baptista, também publicado no De Rerum Natura em 2007, e que dá particular destaque ao papel do exercício físico no combate à obesidade.

Combater a obesidade infantil não passa exclusivamente por mudar hábitos alimentares, passa também por combater o sedentarismo, a inactividade… isso deve fazer-se desde o pré-escolar, inculcar nas crianças valores que são fundamentais para o seu equilíbrio e harmonia.

O desporto dos jovens e o Parlamento Europeu
“O homem não se concebe sem movimento e de há muito que os filósofos vêm usando a imagem do anti-homem representado pela ostra fixada ao rochedo” (Jean-Pierre Gasc).
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Hoje, mais do que nunca, numa sociedade juvenil amarrada à televisão e aos computadores e em que a obesidade dos jovens em idade escolar se transformou numa verdadeira epidemia precursora, muitas vezes, de distúrbios cardiovasculares e de diabetes na idade adulta, a educação física escolar assume um papel de grande importância que não se coaduna com um estatuto menor que teimam, por vezes, em atribuir-lhe pessoas menos informadas ou mais enfeudadas a preconceitos que desvalorizam o corpo.
(…)
A relevância do desporto na educação dos jovens foi posta em destaque pelo Parlamento Europeu ao aprovar recentemente por ampla maioria (590 votos a favor, 56 contra e 21 abstenções) um relatório em defesa de uma carga horária de educação física no ensino básico e secundário que contempla um mínimo de três horas semanais. Este relatório refere ainda que os jovens portugueses, espanhóis e italianos excedem em 30% os níveis de peso e obesidade nas crianças entre os 7 os 11 anos. E acrescenta que este excesso de peso não se fica tanto a dever a uma elevada ingestão mas a uma declarada inactividade física: essas crianças não comem mais, mexem-se menos. Para contrariar este “statu quo” foi proposto um equilíbrio entre os períodos de tempo dedicados às actividades intelectuais e físicas nas escolas.

Este importante relatório de um parlamento directamente eleito pelos cidadãos da União Europeia para representar os seus interesses devia merecer do Ministério da Educação de Portugal a melhor das atenções para que a execução das medidas aí preconizadas fosse levada a efeito com a urgência requerida numa cultura e numa sociedade cada vez mais vitimadas pela inactividade física. Por consequência, povoada de jovens que são “ostras fixadas ao rochedo”!

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