terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A (re)ler

ARTE DE BEM VIVER

O Autor, Evaristo de Vasconcelos, é psicoterapeuta, formado na Boston College University, nos Estados Unidos; já deu mais de duas centenas de cursos sobre temas versados neste livro; e é autor do livro "Psicologia do dia-a-dia", bem como de outras publicações neste campo.

No meu 2º dia de deserto na cidade, reencontrei na minha biblioteca um livro de 1989 - ARTE DE BEM VIVER, que continua perfeitamente actual quanto aos pressupostos da tão importante como delicada, arte de viver feliz. O livro está dividido em duas partes: na primeira, fala-se de saúde e higiene psicosomática, incluindo exercícios práticos de relaxação, como os de Schultz; na segunda parte, trata do amadurecimento pessoal (energia e sua economia; atenção e equilíbrio; preferir o “aqui-e-agora”; trabalho e inércia; ritmos poéticos...). A primeira, como já foi referenciado, expõe princípios e regras higiénicas sobre a saúde psicosomática e suas perturbações; a segunda analisa casos característicos e típicos referentes ao mesmo assunto. São partes do mesmo conjunto, de um todo, que nos ajudam a desvelar a complexidade da vida e da agitação em que vivemos submersos. Cada um dos exemplos que aqui podemos encontrar tem um ensinamento para a nossa própria vida, basta que nos deixemos conduzir pela riqueza das palavras interiorizando-as “aqui-e-agora”, no momento presente, nos mais pequenos gestos do nosso quotidiano. São ensinamentos simples. E de tão simples que são, habitualmente, nem nos lembramos deles. Façamos aqui um pequeno exercício:

Parar, Interromper, Limpar, Descansar…

As luzes da nossa casa não estão 24h sobre 24h ligadas. Acendemo-las quando é preciso, desligamo-las quando não necessitamos.
Connosco acontece uma coisa semelhante. Também precisamos que as nossas resistências entrem em descanso, que arrefeçam, para não nos expormos aos inúmeros perigos subjacentes ao sobreaquecimento.
O certo é que quando ainda somos novos achamos que aguentamos tudo. Pouca importância é dada ao descanso. Hoje, mais que nunca, há quem tenha dois empregos para suportar as despesas da casa e as exigências dos filhos que vivem submersos nos valores do TER (e que os pais alimentam à força destes sacrifícios) deixando para depois o descanso ou a dedicação a uma vida plena de atenção à família, aos seus valores (amor, atenção, dedicação, carinho, escuta, igualdade, perdão…).
Sobre este assunto diz o autor que “Insistir teimosamente em prolongar o esforço para além dos limites possíveis é prejudicar o equilíbrio saudável da personalidade.” Vale a pena determo-nos alguns momentos sobre estas palavras e reflectirmos se é isto que queremos para as nossas vidas e o que podemos fazer para preservar o equilíbrio e a harmonia (quer a nível pessoal, quer a nível profissional).
Vasconcelos vai mais longe e acrescenta uma variável diferente daquela que eu referi anteriormente em relação à vida em família, também ela importante, a questão do status social. Sobre este aspecto o autor refere que “As pessoas sobretudo importantes fazem gala de ter muito que fazer, de ser muito solicitadas, de ser continuamente arrastadas pela onda do seu prestígio social. Pensam pouco e falam muito: sentem e escutam pouco.” (p.137) Faz-me lembrar aquele programa televisivo das manhãs da SIC (se não estou em erro) a que intitulam “Tertulia cor-de-rosa”… o nome diz tudo.
Hoje, volvidos 20 anos, eu acrescentaria que não são só as pessoas importantes que têm um certo status social, que padecem desta doença, ela propagou-se vertiginosamente nos últimos anos e atingiu também as camadas sociais mais baixas que vivem lamentavelmente subjugadas a uma vida de aparências do TER.

O que está a acontecer…

Fala-se muito, escreve-se muito…
Sente-se pouco, age-se pouco…
Mudamos pouco…
O sonho de Luther King continua por cumprir…
As aparências vão na frente em todos rankings (das escolas, da família, dos amigos, na profissão, nas roupas que vestimos, dos carros que conduzimos…)
Mostramos o que não somos…
Temos o que é acessório, supérfluo e até o que não merecemos…
Temos quase tudo e falta-nos o essencial…
Porque desconhecemos a ARTE DE SER FELIZ.

1 comentário:

VCLauDIno disse...

Não é um comentário ao artigo, mas foi a maneira que encontrei para agradecer o incentivo a um modesto blog (http://umolharsobre-vc.blogspot.com) de um amador nestas andanças.
Um muito obrigado