quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

"A escola é uma das maiores invenções da humanidade"

Excerto de uma entrevista dada por Carlos Fiolhais ao Educare.pt (6.2.2008). No seguimento do post anterior, aqui fica a opinião e o optimismo de quem ainda acredita no valor da Educação como o caminho para o desenvolvimento das sociedades. Para ler a entrevista integral [educare.pt]

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E: Assume-se, acima de tudo, como um professor. Como é que hoje olha para esta profissão?
CF: A escola é uma das maiores invenções da humanidade. Tal como a ciência e a filosofia, remonta aos antigos gregos e ficou até aos dias de hoje. E não há escola sem professores - nem julgo que venha a haver. Professor é, portanto, uma profissão não só com um grande passado como com um grande futuro. Sim, sou em primeiro lugar um professor e os livros não são mais do que uma extensão das minhas aulas. Permitem chegar mais longe.
E: Há diferenças em relação a um passado recente? Fala-se numa perda de autonomia e até mesmo de credibilidade dos professores...
CF: Não penso que haja diferenças importantes, apesar de os professores terem agora a concorrência da Internet (ao fim e ao cabo, é a salutar concorrência de outros professores). Com a Internet, as paredes da sala de aula de certo modo caíram. Os professores estão mais sob escrutínio, mas sem autonomia e sem credibilidade dificilmente serão professores respeitados e, por isso, bem sucedidos. Em Portugal, reconheço que há um problema no que respeita à autoridade dos professores e era bom que, a este respeito, o Estado não transigisse. O Estado devia ser o primeiro a respeitar os professores.
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E: Como analisa a actual política de Educação?
CF: A política actual da Educação prometia muito, mas acabou por nos dar pouco. Houve algumas coisas boas, mas houve outras más e outras ainda francamente más. A educação nacional estava doente e, infelizmente, continua doente. Os índices que avaliam a educação, tanto internos como externos, não melhoram e não mudam, decerto, com malabarismos e propagandas. O abandono escolar é um flagelo nacional. Os resultados dos exames continuam sem nos dar sólidos motivos de esperança. E vejo muita gente na educação, incluindo a maioria dos professores, desanimada. Um dos erros do Ministério da Educação foi não ter conseguido galvanizar os professores para a recuperação do atraso, que era e é imperiosa.
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E: Defende que a escola é o reflexo da sociedade?
CF: Sim, mas a sociedade é também o reflexo da escola. Há uma influência nos dois sentidos. O facto é que as sociedades mais desenvolvidas são aquelas que têm as melhores escolas. Tudo leva a crer que são desenvolvidas porque têm as melhores escolas. Uma maneira que a sociedade tem de se desenvolver, de garantir um futuro melhor, é apostar na escola.
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