quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Hora da Poesia

Acabei de ler um [post] sobre o papel, a origem e a sua beleza... nada de especial se ele não me tivesse feito (re)avivar reminiscências e sonhos... viajei para bem longe no tempo, viajei na interioridade, pela história da minha vocação... e viajei ainda com aqueles que me são muito queridos...

A beleza do papel que raramente apreciamos... usando e deitando fora em gestos continuados, amachucando sem dor ou ressentimentos... comparo-a à nossa vida, à beleza com que podemos tecer cada pequeno gesto de simplicidade, de palavras afectuosas, de sorrisos, de elogios... ou o inverso... de palavras amargas, ódios alimentados, semblantes pesados... de (in)Felicidade.

E porque a poesia não tem, no calendário da vida, nem hora nem dia marcado para ser lida, declamada, apreciada, interiorizada... recupero uma "espécie de poema" sobre as páginas da vida que continuam por escrever, retalhos da nossa história...


Página em branco

Uma página em branco guardo
nestes meus retalhos… imperfeitos
para que nela possas escrever em mim
retalhos da tua história
epígrafe da tua perfeição
que quero abarcar e nela me aguar

para que um dia me possas restituir
minha alma gémea
esse sangue que é nosso
e me corre nas veias
sem o qual não posso perdurar

e assim, fundidos numa só essência, um só ser
uma só história encetar…
a nossa história…

Fátima André, In retalhos... imperfeitos

1 comentário:

Glicéria Gil disse...

Já "ganhei" o dia :)
Sinto-me honrada por ter sido (ainda que indirectamente) fonte de inspiração para um post tão bonito e poético.
Gostei muito!!!!